Desenvolvimento Pessoal / Estoicismo
Nous
Assunto reunido a partir de 7 trechos de livros cadastrados.
Comparacao bibliografica
7 registrosCorpus Hermeticum Graecum
Corpus Hermeticum Graecum
CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Ensaios do Autor
Hermética como conhecimento do Sentido da Vida
Pois o logos não chega até a verdade, porém o nous é grandeza e tendo sido conduzido pelo logos até certo ponto tem de alcançar até a verdade.
CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Libellus I - Poimandres de Hermes Trismegisto
A Criação do Homem e sua Queda na Natureza
Após descrever a origem do cosmos e a atuação do Nous e do Logos na organização da criação, o Corpus Hermeticum volta sua atenção para o surgimento do homem.
Fonte original colada
Porém o Nous Deus, sendo macho-fêmea, sendo vida e luz, gestou com uma palavra outro Nous Demiurgo, que, sendo Deus do fogo e do ar, criou uns sete regentes, os quais envolvem o mundo sensível em ciclos, e cuja regência é chamada heimarmene.
CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Libellus I - Poimandres de Hermes Trismegisto
O Autoconhecimento e o Caminho de Retorno
Mente (Nous) Procede da Luz divina.
Fonte original colada
Essas coisas o Poimandres disse.
— "Mas ainda, dize-me: como para vida eu irei, ó meu Nous?", disse eu.
CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / LIBELLUS II A - De Hermes para Tat
Deus, o Bem Supremo e a Natureza do Ser
Deus não é o Nous, mas o causador do Nous.
Fonte original colada
— "Então, o que queres dizer do não ser nunca?"
Portanto, Deus não é Nous, mas é o causador do ser Nous; nem do Pneuma, mas o causador do ser Pneuma; nem Luz, mas o causador do ser Luz.
Donde é necessário reverenciar Deus por esses dois títulos, os quais têm sido aplicados somente a ele e a nenhum outro. Pois nem algum dos outros chamados deuses, nem dos homens, nem dos daimones, pode, segundo a grandeza, ser bom, exceto somente Deus.
LIBELLUS IX
Sobre a intelecção e a sensação
Sensação, Intelecção e a Origem dos Pensamentos
Neste trecho, Hermes explica como surgem os pensamentos humanos, qual a diferença entre Nous, intelecção, logos e sensação, e como o homem pode tornar-se receptivo tanto às influências divinas quanto às influências inferiores. É uma continuação da psicologia espiritual hermética.
A qualidade dos pensamentos depende daquilo que a mente recebe: sementes divinas ou sementes inferiores.
Sensação e intelecção
Hermes inicia distinguindo dois conceitos:
Sensação (aisthesis): percepção através do corpo e da alma.
Intelecção (noesis): compreensão interior produzida pelo Nous.
Embora pareçam diferentes, no homem elas atuam juntas.Segundo Hermes:
"Sensação e intelecção confluem no homem."
Ou seja:
a sensação fornece a experiência;
a intelecção interpreta essa experiência;
ambas trabalham em unidade.
Nos animais, porém, a sensação permanece ligada apenas ao instinto , enquanto no homem ela pode elevar-se ao conhecimento.Nous, intelecção e Logos
Hermes apresenta uma hierarquia semelhante à relação entre Deus e a Divindade.
Princípio
Função
Nous
Origem da inteligência espiritual.
Intelecção
Compreensão gerada pelo Nous.
Logos
Expressão daquilo que foi compreendido.
A relação entre eles é inseparável.
O Nous gera a intelecção.
A intelecção manifesta-se pelo Logos.
O Logos não existe sem a intelecção.
É uma cadeia contínua de conhecimento.
A unidade entre pensar e perceber
Hermes afirma que:
não é possível pensar sem algum tipo de sensação;
nem sentir verdadeiramente sem alguma forma de intelecção.
Até mesmo nos sonhos existe uma atividade conjunta dessas faculdades.
Os sonhos não são apenas imagens aleatórias; são manifestações da atividade interior da alma.
O Nous como gerador dos pensamentos
Hermes afirma que todo pensamento nasce no Nous.
Porém o conteúdo desses pensamentos depende das sementes que ele recebe.
Existem duas origens possíveis.
Sementes divinas
Produzem:
virtude;
sensatez;
piedade;
sabedoria.
Sementes inferiores
Produzem:
adultério;
assassinato;
impiedade;
violência;
corrupção moral.
A mente funciona como um terreno fértil.
Aquilo que é semeado nela será posteriormente desenvolvido.
A ação dos daimones
Hermes afirma que:
"Nenhuma parte do mundo é vazia de daimon."
Nesse contexto, daimon não significa necessariamente "demônio" no sentido cristão.
Refere-se a inteligências ou influências intermediárias que podem inspirar determinadas disposições interiores.
Quando a mente não está iluminada pela presença divina, ela torna-se receptiva a essas influências.
Segundo Hermes:
Deus ilumina a mente.
Os daimones também podem lançar sementes.
O Nous desenvolve aquilo que recebe.
As sementes de Deus
Hermes observa que as sementes divinas são:
poucas;
grandes;
belas;
boas.
Elas produzem principalmente três virtudes.
Semente divina
Resultado
Virtude
Retidão da ação.
Sensatez
Discernimento e equilíbrio.
Piedade
Conhecimento verdadeiro de Deus.
Hermes define explicitamente:
"A piedade é a gnose de Deus."
Portanto, piedade não significa apenas devoção religiosa.
Ela consiste em conhecer Deus verdadeiramente.
O destino daquele que possui gnose
Hermes descreve uma consequência importante.
Quem possui gnose:
não agrada à maioria;
é incompreendido;
torna-se motivo de escárnio;
pode ser odiado;
pode até ser perseguido.
Isso ocorre porque sua visão da realidade difere da visão comum.
A transformação das dificuldades
Hermes afirma que o homem piedoso:
suporta todas as coisas;
transforma até mesmo os males em instrumentos de conhecimento.
Ele escreve:
"Somente ele faz com que as coisas más sejam favoráveis."
Ou seja, para quem possui gnose, até o sofrimento torna-se matéria de crescimento espiritual.
Essa ideia aparece repetidamente em diversos tratados herméticos.
A gnose não elimina as dificuldades; ela transforma o significado delas.
O homem material e o homem essencial
Hermes divide a humanidade em duas condições espirituais.
Homem material
Homem essencial
Associado à maldade.
Associado ao Bem.
Recebe sementes dos daimones.
É salvo por Deus.
Vive segundo os impulsos inferiores.
Vive segundo o Nous.
Permanece preso ao mundo sensível.
Caminha para a realidade divina.
Essa distinção não descreve duas espécies de seres humanos, mas dois estados possíveis da alma.
A ação do mundo
Hermes explica que o próprio cosmos participa da formação do homem.
O movimento universal:
produz as espécies;
purifica algumas pelo Bem;
permite que outras sejam obscurecidas pela maldade.
Assim, a existência terrestre torna-se um campo de desenvolvimento espiritual.
A inteligência do Cosmos
No encerramento, Hermes apresenta uma ideia profunda.
O mundo também possui:
sensação;
intelecção.
Mas elas não são iguais às humanas.
São:
mais simples;
mais puras;
superiores.
O cosmos inteiro é um organismo vivo dotado de inteligência própria, participando da ordem estabelecida pelo Demiurgo.
Conceitos-chave
Conceito
Significado no texto
Sensação
Percepção ligada ao corpo e à alma.
Intelecção
Compreensão espiritual produzida pelo Nous.
Nous
Princípio superior da inteligência divina.
Logos
Expressão daquilo que o Nous compreendeu.
Daimones
Inteligências intermediárias capazes de influenciar a mente.
Piedade
A verdadeira gnose ou conhecimento de Deus.
Homem material
Aquele dominado pelas influências inferiores.
Homem essencial
Aquele unido ao Bem e iluminado por Deus.
Neste trecho, Hermes aprofunda a natureza do mundo (Cosmos) como instrumento vivo da vontade divina. O Cosmos não é apenas uma criação passiva, mas um organismo inteligente que continuamente gera, dissolve, renova e sustenta toda a vida. Ao final, Hermes distingue os limites do logos e a superioridade do nous na busca pela verdade.
O mundo vive porque participa continuamente da inteligência e da vontade de Deus; nada existe separado Dele.
A sensação e a intelecção do Cosmos
Hermes afirma que o mundo possui tanto sensação quanto intelecção, mas elas não funcionam como as humanas.
Sua função é:
produzir todas as coisas;
dissolver todas as coisas;
renovar continuamente toda a criação.
O Cosmos atua como um instrumento da vontade divina.
Sua atividade nunca cessa.
Assim, criação e dissolução não são opostos, mas duas fases do mesmo processo universal.
O mundo como lavrador da vida
Hermes utiliza uma bela imagem simbólica.
O mundo é comparado a um:
"bom lavrador da vida."
Assim como um agricultor:
colhe;
prepara a terra;
planta novamente;
o Cosmos:
dissolve formas antigas;
prepara novas formas;
renova continuamente a existência.
A morte, portanto, não representa destruição, mas renovação.
A Metábole (transformação)
Hermes utiliza o termo metábole, que significa:
mudança;
transformação;
transição de um estado para outro.
Nada permanece imóvel.
Toda vida participa desse fluxo contínuo.
O papel do Cosmos é manter esse movimento permanente.
A composição dos corpos
Os corpos materiais possuem diferentes graus de densidade.
Hermes cita quatro origens principais:
Terra;
Água;
Ar;
Fogo.
Esses elementos produzem corpos mais simples ou mais complexos.
Tipo de corpo
Característica
Mais complexos
Mais densos e pesados.
Mais simples
Mais leves e sutis.
Essa diversidade explica a variedade dos seres existentes.
O vento e o princípio vital
Hermes afirma que:
"o vento prepara as qualidades para os corpos."
Aqui o vento representa o princípio que organiza e distribui a vida.
Ele atua como veículo através do qual as qualidades vitais são comunicadas aos corpos.
Essa ideia aproxima-se do conceito hermético de Pneuma, o sopro vivificante.
O Cosmos como filho de Deus
Hermes estabelece novamente a hierarquia da criação.
Princípio
Relação
Deus
Pai do mundo.
Cosmos
Filho de Deus.
Seres
Filhos do Cosmos.
Assim:
Deus → Mundo → Todos os seres
Cada nível transmite vida ao seguinte.
Por que o mundo é chamado de Cosmos?
Hermes explica que o mundo recebe esse nome porque produz:
ordem;
organização;
distinção entre as espécies;
continuidade da vida;
equilíbrio entre os elementos.
O termo grego Kosmos significa precisamente:
ordem;
harmonia;
beleza organizada.
O universo não é um acidente.
É uma estrutura inteligentemente ordenada.
A origem da sensação e da intelecção
Hermes afirma um princípio importante.
Nos seres vivos:
sensação;
intelecção;
vêm de fora para dentro.
Isto é, são inspiradas pelo princípio superior que os envolve.
O próprio Cosmos recebe essas faculdades de Deus.
Assim existe uma cadeia contínua de transmissão:
Deus → Cosmos → Seres vivos
Deus é todas as coisas
Hermes combate uma ideia equivocada.
Alguns poderiam imaginar que Deus recebe qualidades externas.
Hermes responde:
"Ele é todas as coisas."
Ou seja:
Deus não adquire nada;
Deus não recebe nada;
Deus distribui tudo.
Tudo procede Dele.
Nada lhe é acrescentado.
Nada existe fora de Deus
Hermes afirma uma das proposições centrais do hermetismo.
"Nada existe fora dele nem ele existe fora de nenhum."
Isso não significa que Deus seja idêntico ao universo material.
Significa que:
tudo participa Dele;
tudo depende Dele;
tudo permanece sustentado por Sua presença.
Toda existência repousa continuamente em Deus.
A sensação e a intelecção de Deus
Hermes apresenta uma definição muito elevada.
A sensação e a intelecção divinas consistem em:
"o sempre mover todas as coisas."
Enquanto a inteligência humana conhece,
a inteligência divina cria.
Enquanto o homem contempla,
Deus continuamente faz existir.
Sua atividade nunca cessa.
Logos e Nous
Hermes encerra distinguindo duas faculdades.
O Logos
O Logos:
explica;
interpreta;
conduz o pensamento.
Mas possui um limite.
Ele apenas aproxima o homem da verdade.
O Nous
O Nous vai além.
É ele quem:
contempla diretamente;
reconhece a verdade;
confirma interiormente aquilo que o Logos apenas descreve.
Por isso Hermes afirma:
"O logos não chega até a verdade, porém o nous é grande."
O Logos conduz.
O Nous realiza.
A fé proveniente da compreensão
Hermes apresenta uma concepção diferente da fé.
A verdadeira fé nasce quando:
o Logos conduz;
o Nous contempla;
a mente reconhece a concordância entre todas as coisas.
Então:
"Creu, e descansou na bela fé."
Não se trata de uma crença cega.
É uma confiança que nasce da contemplação direta da realidade.
Conceitos-chave
Conceito
Significado no texto
Cosmos
Organismo vivo que continuamente cria, dissolve e renova a existência.
Metábole
Transformação contínua das formas da vida.
Pneuma
Sopro vital que comunica vida e qualidades aos corpos.
Kosmos
Ordem, harmonia e beleza da criação.
Sensação do Cosmos
Capacidade de sustentar e vivificar toda a criação.
Intelecção do Cosmos
Inteligência que organiza e executa a vontade divina.
Logos
Razão discursiva que conduz até os limites da verdade.
Nous
Inteligência espiritual capaz de contemplar diretamente a Verdade.
Observações herméticas
Hermes apresenta o Cosmos não apenas como criação, mas como um ser vivo inteligente, participante da própria atividade divina.
A criação é um processo permanente de geração, dissolução e renovação, nunca uma obra encerrada.
A famosa afirmação de que "Deus é todas as coisas" deve ser entendida no contexto hermético: Deus é a fonte e o sustentador de tudo, não alguém que recebe algo de fora.
O encerramento reforça uma distinção fundamental do Corpus Hermeticum: o Logos pode ensinar, mas somente o Nous pode conhecer verdadeiramente. A verdadeira fé nasce quando o Nous confirma interiormente aquilo que o Logos apenas conseguiu expressar.
Fonte original colada
Libellus IX Sobre a intelecção e a sensação. [Que somente em Deus o Belo e o Bem existem, porém em nenhum outro lugar].
1Ontem, ó Asclépio, eu comuniquei o Perfeito Discurso; porém, agora penso ser necessário, e adido àquele, também expor o discurso sobre a sensação. Pois sensação e intelecção, de fato, parecem ter diferença, que de um lado é material, e por outro lado é essencial. Porém ambas me parecem ser unidas e parecem não se distinguir, isto é, digo nos homens; pois nos outros animais, a sensação é unida ao instinto; porém, nos homens, também é intelecção. O nous se diferencia tanto da intelecção quanto Deus da divindade; pois, de um lado, a divindade vem a ser por causa de Deus; por outro lado, a intelecção, em consequência do nous, sendo irmã do logos; pois nem o logos é proferido sem a intelecção nem a intelecção é manifestada sem o logos.
2Portanto, ambas, a sensação e a intelecção, confluem no homem como contorcidas uma com a outra. Pois nem é possível pensar sem sensação nem †sentir† sem intelecção. — Porém é possível que a intelecção seja pensada sem sensação como os que se mostram através dos sonos sejam aparições?
— †Porém me parece vir a ser duas energias na visão dos sonos, pois se levantam em sensação†; pelo menos a sensação tem sido dividida tanto no corpo como na alma, e quando as duas partes da sensação se harmonizarem uma em relação à outra, então a intelecção, tendo sido gestada pelo nous, será proferida.3 Pois o nous gesta todos os pensamentos, tanto os bons, quando receber as sementes por Deus; como os contrários, quando receber as sementes por alguns dos daimones. Pois nenhuma parte do mundo é vazia de daimon; †exceto quando iluminado por Deus com a luz espiritual,† este, tendo entrado na mente, semeia a semente de sua própria energia, e o nous gesta o que foi semeado: adultérios, assassinatos, espancamentos dos pais, sacrilégios, impiedades, estrangulamento, os atos de lançar dos precipícios, e todas tais obras dos daimones.
4Pois as sementes de Deus são poucas, mas são grandes e belas e boas: virtude, sensatez e piedade; e a piedade é a gnose de Deus, que o conhecedor, vindo a ser cheio de todas as coisas boas, tem as intelecções divinas, e não as produzidas pela massa. Por isso, os que estão na gnose nem podem agradar à massa; nem a massa, a eles. Porém parecem ser denunciados, e são condenados aos risos públicos, sendo odiados assim como desdenhados e talvez também assassinados. Pois se disse que é necessário que a maldade habite aqui, estando no seu próprio lugar; pois seu lugar é a Terra, não o cosmo, como alguns blasfemando às vezes dirão. Mas o piedoso, tendo consciência da gnose, suportará todas as coisas; pois todas as coisas para ele, mesmo as más para os outros, são boas; mesmo sendo hostilizado, dirige todas as coisas à gnose, e somente ele faz com que as coisas más sejam favoráveis.
5Voltarei novamente para o discurso da sensação. Portanto é humano que a sensação tenha algo em comum com a intelecção; porém nem todo homem, como supracitei, goza da intelecção, mas há tanto o homem material como o essencial: pois, tanto o material, associado com a maldade, como eu disse, tem a semente de intelecção dos daimones; como os essenciais são associados com o Bem, sendo salvos por Deus; pois Deus é Demiurgo de todas as coisas, criando todas as coisas, faz tanto essas semelhantes a si mesmo, como boas, vindo a ser distintas na relação da energia. Pois a marcha cósmica, friccionando os engendramentos, faz as espécies, tanto as sujando pela maldade, como as purificando pelo Bem. Com efeito, o mundo, ó Asclépio, tem sua própria sensação e intelecção, não semelhante à humana, nem distinta, sobretudo, melhor e mais simples.6 Pois a sensação e a intelecção do mundo é fazer todas as coisas e desfazer para si, sendo instrumento da vontade de Deus. E assim sendo feito instrumento, a fim de que todas as coisas façam energicamente tudo perto dele mesmo; e dissolvendo todas as coisas, renove; e, por isso, tendo sido liberadas, como o bom lavrador da vida, trazendo renovação a elas na metábole e na existência. <Não> existe o que ele não vivifica; e, trazendo todas as coisas, vivifica; e semelhantemente, o espaço também Demiurgo da vida. ♦
7Porém os corpos provenientes de matéria vieram a ser com diferença: pois são tanto os da terra como os da água, como os do ar, como os do fogo. Mas todas as coisas são compostas, tanto as mais complexas como as mais simples: tanto as mais complexas são as mais pesadas; quanto as mais simples, as mais leves. Porém a rapidez da marcha opera a distinção dos engendramentos das espécies; pois o vento, sendo mais espesso, prepara as qualidades para os corpos com um único pleroma, o de vida.
8Assim, Deus é o Pai do mundo; e o mundo, das coisas no mundo; e tanto o mundo é filho de Deus como os que no mundo existem por causa do mundo; e provavelmente o mundo tem sido chamado ordem; pois ornamenta todos os seres pela distinção do engendramento, e pelo contínuo da vida, e pelo infatigável de energia, e pela velocidade da necessidade, e pela sustentação dos elementos, e pela ordem dos que hão de vir a ser. Pois que o mesmo mundo possa ser chamado por necessidade e por familiaridade.
Portanto, a sensação e a intelecção de todos os viventes sobrevêm de fora para dentro, inspirando da parte do que as contém; e o mundo, uma vez tendo recebido ao mesmo tempo em que vem a ser, ele as comporta recebendo da parte de Deus.9 Porém Deus não é insensível e ininteligível, como parecerá a alguns; pois blasfemam por superstição; pois todas as coisas tais que são, ó Asclépio, essas estão em Deus e vindo a ser e tendo dependido dali: tanto as que operam através dos corpos como as que movem através da essência da alma, como as que vivificam através do pneuma, como as que recebem as que têm sido fadigadas também provavelmente; mas ainda digo que ele não as tem, mas explico a verdade: ele é todas as coisas, não as tomando em acréscimo de fora, mas as distribuindo para fora, e isto é a sensação e a intelecção de Deus: o sempre mover todas as coisas; e não haverá nunca tempo quando algum dos seres será abandonado; porém, quando eu disser dos seres, digo de Deus; pois Deus tem os seres, nem nada existe fora dele nem ele existe fora de nenhum.
10Essas coisas, a ti que compreendes, ó Asclépio, possam parecer verdadeiras; porém aos ignorantes, são inacreditáveis. Pois o compreender é o crer, porém o desconfiar é o não compreender. Pois o logos não chega até a verdade, porém o nous é grande, e tendo sido conduzido pelo logos até certo ponto, tem de alcançar <até> a verdade. E tendo compreendido bem todas as coisas e as tendo encontrado concordantes às que são interpretadas pelo logos, creu, e descansou na bela fé. Portanto, tanto as coisas preditas são críveis aos que têm compreendido como são incríveis aos que não têm compreendido. Essas coisas e tantas outras sobre a intelecção e sobre a sensação sejam ditas.
Libellus XΙI — De Hermes Trismegistos a Tat:
Sobre o senso comum
O Nous como Centelha Divina
Neste trecho, Hermes apresenta um dos conceitos mais elevados do Corpus Hermeticum: o Nous. Ele não é apenas a inteligência humana, mas uma emanação direta de Deus presente no homem. É por meio dele que o ser humano pode elevar-se acima da natureza instintiva, conhecer o Bem e aproximar-se da divindade.
O Nous procede de Deus
Hermes afirma:
"O nous é da própria essência de Deus."
Ele faz uma ressalva filosófica ("se ao menos houver alguma essência de Deus"), pois Deus é transcendente e não pode ser definido pelos conceitos comuns de essência. Ainda assim, o ensinamento é claro:
o Nous não é criado como algo separado;
ele procede de Deus;
manifesta-se como uma emanação da inteligência divina.
A comparação utilizada é extremamente significativa:
"Assim como a luz procede do Sol."
O Sol não perde sua luz ao irradiá-la. Da mesma forma, Deus não se divide ao comunicar o Nous.
O Nous é a presença da inteligência divina no homem.
Conceito-chave — O Nous
Aspecto | Explicação |
|---|---|
Origem | Procede diretamente de Deus. |
Natureza | Inteligência divina. |
Função | Conduzir a alma ao Bem. |
Comparação | Como a luz emanada do Sol. |
O homem como deus mortal
Hermes faz uma das afirmações mais conhecidas da tradição hermética:
"Os deuses são homens imortais; os homens, deuses mortais."
Essa frase, atribuída ao Agathos Daimon, não significa que o homem seja igual a Deus em plenitude.
Ela indica que:
existe uma continuidade entre o humano e o divino;
o homem possui uma natureza capaz de participar da divindade;
a diferença principal está na condição mortal do corpo.
Essa ideia reaparece diversas vezes no Corpus Hermeticum.
Deus é absoluto.
Os deuses são inteligências imortais.
O homem possui potencial divino porque participa do Nous.
A iniciação consiste justamente em despertar essa natureza superior.
A diferença entre o homem e os animais
Hermes estabelece uma distinção fundamental.
Todos possuem:
vida;
alma.
Mas apenas o homem recebeu plenamente o Nous.
Os animais vivem segundo o instinto.
O homem pode viver segundo a inteligência divina.
Tabela — Homem e Viventes Irracionais
Homem | Viventes irracionais |
|---|---|
Possui alma | Possui alma |
Possui vida | Possui vida |
Possui Nous | Não possui Nous |
Pode conhecer Deus | Age pelo instinto |
Pode alcançar a gnose | Vive segundo a natureza |
O instinto e o Nous
Hermes explica que Deus não abandona os animais.
Nos viventes irracionais:
o Nous coopera através do instinto;
preserva a ordem natural;
dirige cada espécie conforme sua natureza.
No homem, porém:
o Nous exerce uma função diferente.
Ele não conduz automaticamente.
Ele convida, ilumina e orienta.
O homem pode aceitar ou rejeitar essa direção.
A alma ao entrar no corpo
Hermes descreve um momento importante da existência humana.
"Toda alma que vem a estar no corpo imediatamente é reprimida tanto pela tristeza como pelo prazer."
A encarnação introduz a alma na dualidade.
Ela passa a experimentar:
prazer;
sofrimento;
desejos;
limitações.
Essas experiências pertencem ao corpo composto.
O problema está na identificação completa da alma com suas paixões.
É isso que obscurece a ação do Nous.
Prazer e tristeza como temperos da alma
Hermes utiliza uma imagem muito interessante.
"...a alma é batizada nesses temperos."
Prazer e tristeza são apresentados como elementos que impregnam a experiência humana.
Eles moldam a personalidade.
Criam hábitos.
Influenciam escolhas.
Mas não constituem a essência da alma.
Tabela — Influências sobre a alma
Origem | Efeito |
|---|---|
Corpo | Prazer |
Corpo | Tristeza |
Nous | Iluminação |
Paixões | Confusão |
Gnose | Libertação |
A ação curativa do Nous
Hermes compara o Nous a um médico.
"Como um bom médico aflige o corpo... do mesmo modo também o Nous aflige a alma."
Essa comparação é extremamente rica.
O médico:
corta;
cauteriza;
provoca dor momentânea;
para restaurar a saúde.
Da mesma forma, o Nous:
confronta ilusões;
rompe paixões;
desfaz falsas crenças;
purifica a alma.
A ação do Nous pode ser dolorosa, porque cura justamente aquilo ao qual o ego está apegado.
Exemplo Hermético
Quando alguém abandona um vício, uma ilusão ou um orgulho profundo, frequentemente experimenta sofrimento.
Segundo Hermes, esse sofrimento pode ser justamente o trabalho do Nous restaurando a saúde da alma.
A origem das doenças da alma
Hermes afirma que todas as doenças espirituais possuem uma raiz.
"Toda doença da alma vem do prazer."
Aqui, "prazer" não significa alegria saudável.
Refere-se ao apego desordenado aos desejos corporais.
Esse apego produz:
dependência;
ilusão;
escravidão interior.
A maior doença: a impiedade
Hermes vai além.
"A grande doença da alma é a impiedade."
No Corpus Hermeticum, impiedade não significa simplesmente deixar de praticar um culto.
Ela representa:
afastamento da Verdade;
esquecimento de Deus;
perda da consciência espiritual.
Da impiedade nasce aquilo que Hermes chama de:
"opinião enganosa."
Ou seja,
a falsa compreensão da realidade.
Cadeia Hermética da queda
```text
Esquecimento de Deus
↓
Impiedade
↓
Opinião enganosa
↓
Paixões
↓
Sofrimento
↓
Distanciamento do Bem
```
O papel do Nous
O Nous atua exatamente no sentido contrário.
Ele combate:
superstição;
ignorância;
falsas opiniões;
apego ao prazer.
Seu objetivo não é punir.
É restaurar a ordem interior.
Assim como o médico busca devolver a saúde ao corpo,
o Nous busca devolver a saúde da alma.
Conceitos-chave
Conceito | Explicação |
|---|---|
Nous | Inteligência divina presente no homem. |
Alma | Princípio da vida, sujeita às paixões quando unida ao corpo. |
Instinto | Forma pela qual o Nous opera nos animais. |
Prazer | Origem das enfermidades espirituais quando domina a alma. |
Impiedade | Afastamento de Deus e raiz da ignorância espiritual. |
Gnose | Cura da alma através do conhecimento do divino. |
Correspondências Herméticas
Corpus Hermeticum | Franz Bardon | Observação |
|---|---|---|
O Nous procede de Deus | O espírito humano é centelha do princípio divino | Ambos veem a inteligência espiritual como origem transcendente do homem. |
O Nous cura a alma | A purificação do caráter precede o desenvolvimento mágico | O progresso espiritual exige transformação interior. |
Prazer desordenado obscurece a alma | Os desequilíbrios elementares produzem limitações espirituais | As paixões impedem o domínio consciente de si mesmo. |
O homem participa da divindade | O microcosmo reflete o macrocosmo | Ambos afirmam que o ser humano contém, em potência, os princípios universais. |
Princípios Fundamentais
O Nous é uma emanação direta da inteligência de Deus.
O homem participa da natureza divina por meio do Nous.
Os animais vivem pelo instinto; o homem pode viver pela gnose.
As paixões corporais obscurecem a alma.
O prazer desordenado é a origem das enfermidades espirituais.
A impiedade é a maior doença da alma.
O Nous age como um médico, restaurando a saúde espiritual.
Insights Herméticos
A comparação entre o Sol e sua luz explica a relação entre Deus e o Nous: a fonte permanece íntegra enquanto irradia sua inteligência.
Hermes redefine a divindade humana: o homem não é Deus em essência, mas pode participar da vida divina ao despertar o Nous.
O sofrimento interior pode representar uma ação terapêutica do Nous, rompendo ilusões e apegos.
A verdadeira cura espiritual não consiste em evitar a dor, mas em remover aquilo que mantém a alma afastada do Bem.
A impiedade, para Hermes, é antes de tudo uma condição de ignorância e esquecimento da origem divina, mais do que uma simples falta religiosa.
O Nous, a Heimarmene e a Libertação do Vício
Neste trecho, Hermes responde a uma questão profunda: se tudo está submetido à heimarmene (Destino), como pode existir liberdade? Sua resposta distingue claramente dois níveis da existência. O corpo permanece sujeito ao destino, mas o homem iluminado pelo Nous pode libertar-se do domínio interior do vício, mesmo continuando a viver sob as leis do cosmos.
A alma sem o Nous
Hermes afirma que nem toda alma humana permite que o Nous governe sua vida.
Quando isso acontece:
a alma passa a seguir apenas os impulsos do corpo;
torna-se semelhante aos animais;
vive dominada pelos desejos e pelas paixões.
"Se tais almas humanas não ganharam o nous como comandante..."
O problema não é a ausência do Nous, mas a ausência de seu governo.
O Nous existe como possibilidade em todo homem, mas nem todos permitem que ele governe sua alma.
Tabela — A alma governada e a alma abandonada
Alma guiada pelo Nous
Alma sem o governo do Nous
Busca o Bem
Busca apenas o prazer
Domina os desejos
É dominada pelos desejos
Age conscientemente
Reage impulsivamente
Caminha para a gnose
Aproxima-se da natureza irracional
A queda para a natureza irracional
Hermes utiliza uma linguagem forte.
A alma passa a:
cooperar com os apetites;
seguir as concupiscências;
agir segundo impulsos irracionais.
Ela torna-se semelhante aos animais, não porque deixe de ser humana, mas porque deixa de exercer aquilo que a distingue: o Nous.
Os animais cumprem perfeitamente sua natureza.
O homem, porém, possui uma natureza superior.
Quando vive apenas pelo instinto, ele abandona justamente aquilo que o torna humano.
Os grandes vícios da alma
Hermes identifica dois impulsos fundamentais.
Cólera
Concupiscência
Esses dois são chamados de:
"os vícios irracionais superiores."
Segundo Hermes, deles derivam praticamente todos os demais desvios morais.
Tabela — As duas raízes do vício
Vício
Como se manifesta
Cólera
Violência, agressividade, vingança, perda da razão
Concupiscência
Desejo desordenado, apego, paixão excessiva, escravidão aos prazeres
A lei como correção
Hermes afirma algo importante.
"Deus fixou a lei para essas almas."
A lei não aparece como vingança divina.
Ela possui função educativa.
Sua finalidade é:
corrigir;
disciplinar;
conduzir novamente ao Bem.
Ela funciona como uma consequência natural das escolhas da alma.
A questão da Heimarmene
Tat então apresenta uma dificuldade filosófica.
Se tudo acontece pela Heimarmene...
como alguém pode ser culpado?
Ele pergunta, em essência:
Se estava destinado a adulterar, roubar ou cometer um crime, por que essa pessoa seria punida?
Essa é uma das questões mais profundas do hermetismo.
A resposta de Hermes
Hermes não nega a Heimarmene.
Pelo contrário.
Ele afirma:
"Todas as coisas são obras da heimarmene."
Nada corporal escapa dela.
Tudo o que pertence ao mundo material está submetido:
ao nascimento;
às mudanças;
às consequências.
Tabela — O alcance da Heimarmene
| Está submetido |
| ----------------------- |
| Corpo |
| Nascimento |
| Mudanças |
| Circunstâncias |
| Consequências das ações |A lei da consequência
Hermes acrescenta:
"Foi decretado também sofrer a coisa que foi feita."
Ou seja,
a Heimarmene inclui tanto:
a ação;
quanto
a consequência.
Não existe ação isolada.
Toda ação produz retorno.
Ele mostra que existe uma ordem universal onde:
ação e consequência pertencem ao mesmo princípio.
O verdadeiro tema do discurso
Hermes interrompe a discussão sobre destino.
Ele diz claramente:
"O discurso do agora não é acerca do vício e da heimarmene."
O objetivo agora é explicar:
o Nous.
Ou seja:
não como funciona o destino,
mas como o homem pode viver acima do domínio interior do vício.
O Nous nos homens e nos animais
Hermes faz nova distinção.
Nos animais:
o Nous atua apenas sustentando o instinto.
Nos homens:
o Nous combate os impulsos inferiores.
Ele atua contra:
a ira;
a concupiscência;
os excessos das paixões.
Tabela — A função do Nous
Nos animais
Nos homens
Sustenta o instinto natural
Corrige e governa a alma
Mantém a ordem biológica
Conduz ao Bem
Não combate paixões
Purifica as paixões
Todos estão sob a Heimarmene
Hermes afirma algo decisivo.
"Todos os homens estão sujeitos à heimarmene."
Inclusive:
os sábios;
os excelentes;
os iniciados.
O Nous não elimina o destino.
Ele transforma a forma como o homem o vive.
A diferença entre o sábio e o comum
Hermes afirma:
"Os excelentes... não sofrem semelhantemente como os outros."
Isso não significa que deixem de experimentar:
doenças;
perdas;
envelhecimento;
morte.
Significa que não permanecem escravos interiormente.
Tabela — Dois modos de sofrer
Homem comum
Homem conduzido pelo Nous
Sofre com revolta
Sofre com compreensão
É dominado pelas paixões
Permanece interiormente livre
Vive identificado com o acontecimento
Observa o acontecimento com consciência
O exemplo do adúltero
Tat pergunta:
O adúltero continua sendo mau?
Hermes responde de maneira muito sutil.
"O excelente não sofrerá como tendo adulterado..."
A frase é difícil porque trata de um nível metafísico.
Hermes não está justificando o pecado.
Ele explica que:
o homem iluminado não se identifica com o vício.
Ele compreende:
a lei;
a consequência;
a transformação interior.
Afirma que sua consciência já não permanece escravizada pelas paixões que produzem o vício.
O verdadeiro poder do Nous
Hermes encerra dizendo:
"...ao que possui o nous é possível se furtar do vício."
Essa é provavelmente a frase central do capítulo.
O Nous não elimina o destino; ele liberta o homem da escravidão interior ao vício.
Conceitos-chave
Conceito
Explicação
Nous
Governo espiritual da alma.
Heimarmene
Ordem universal que rege o mundo material.
Concupiscência
Desejo desordenado que escraviza a alma.
Cólera
Uma das principais raízes dos vícios.
Lei divina
Instrumento de correção e restauração da alma.
Excelente
Aquele que vive sob a direção do Nous.
Correspondências Herméticas
Corpus Hermeticum
Franz Bardon
Observação
O Nous governa a alma
O domínio sobre si mesmo é condição da iniciação
Ambos colocam o autodomínio como fundamento do caminho espiritual.
As paixões escravizam
Os desequilíbrios elementares produzem defeitos de caráter
As paixões impedem o progresso espiritual.
Todos vivem sob leis universais
O mago trabalha em harmonia com as leis do universo
A liberdade não consiste em negar as leis, mas em compreendê-las.
Libertar-se do vício
A purificação do caráter antecede qualquer poder oculto
O verdadeiro progresso é moral e espiritual antes de ser operativo.
Princípios Fundamentais
O Nous deve governar a alma.
Sem esse governo, o homem torna-se escravo das paixões.
Cólera e concupiscência são as principais raízes dos vícios.
A Heimarmene rege todas as coisas corporais.
A lei divina possui caráter corretivo, não arbitrário.
O sábio continua vivendo sob o destino, mas não sob a escravidão do vício.
O maior poder do Nous é conceder liberdade interior.
Insights Herméticos
Hermes distingue claramente destino exterior e liberdade interior: as circunstâncias podem ser inevitáveis, mas a forma como a alma responde a elas depende do governo do Nous.
A Heimarmene não é apresentada como um mecanismo de punição, mas como a ordem que vincula toda ação às suas consequências naturais.
A superioridade do homem não consiste em escapar das leis cósmicas, mas em participar conscientemente delas por meio da inteligência divina.
O verdadeiro iniciado não elimina as provas da existência; transforma sua relação com elas.
A frase "ao que possui o Nous é possível furtar-se do vício" resume um princípio central do hermetismo: a libertação espiritual não significa fugir do mundo, mas deixar de ser governado pelas paixões que nele atuam.
O Nous, a Palavra e a Supremacia sobre a Heimarmene
Neste trecho, Hermes aprofunda um dos ensinamentos mais elevados do Corpus Hermeticum: o Nous não apenas conduz a alma ao Bem, mas também pode elevá-la acima da Heimarmene. Além disso, revela outro dom divino concedido exclusivamente ao homem: a Palavra (Logos). Juntos, Nous e Logos constituem os instrumentos pelos quais o homem participa da vida divina.
O testemunho do Agathos Daimon
Hermes inicia recordando um ensinamento do Agathos Daimon, considerado um dos grandes reveladores da tradição hermética.
"Todas as coisas, e principalmente os corpos inteligíveis, são uma única coisa."
Essa afirmação expressa um dos princípios centrais do Hermetismo:
a unidade do Todo.
Apesar da multiplicidade das formas, tudo participa de uma única realidade fundamental.
A diversidade do universo é manifestação de uma única Inteligência.
Vivemos pela Potência, pela Energia e pelo Aion
Agathos Daimon afirma:
"Vivemos pela potência, pela energia e pelo Aion."
Cada termo possui um significado próprio.
Tabela — Os três princípios da existência
Princípio
Significado
Potência (Dynamis)
A capacidade divina que sustenta todas as coisas.
Energia (Energeia)
A ação contínua de Deus no universo.
Aion
A eternidade ou o princípio que mantém a existência permanente do cosmos.
Hermes mostra que a vida não depende apenas da matéria.
Ela é sustentada continuamente pela atividade divina.
O Nous de Deus governa tudo
Hermes afirma:
"O Nous desse é bom, assim como também a alma dele é boa."
Aqui ele fala do próprio cosmos.
O universo é governado por um Nous bom.
Por isso:
existe ordem;
existe inteligência;
existe finalidade.
Nada está totalmente separado dessa Inteligência.
O Nous está acima da Heimarmene
Hermes retorna à dúvida apresentada por Tat.
Agora oferece a resposta definitiva.
"O Nous, a alma de Deus, verdadeiramente prevalece sobre todas as coisas."
Inclusive sobre:
a Heimarmene;
a Lei;
todas as demais forças cósmicas.
Tabela — O que está abaixo do Nous
| Submetido ao Nous |
| ------------------------- |
| Heimarmene |
| Lei cósmica |
| Metábole (mudança) |
| Geração |
| Todas as forças do cosmos |A liberdade espiritual
Hermes faz uma afirmação extraordinária.
"Nada é impossível a ele."
E explica:
O Nous pode:
elevar uma alma acima da Heimarmene;
ou
permitir que outra permaneça abaixo dela.
Isso depende da condição espiritual da alma.
A Heimarmene governa quem vive apenas na ordem material; o Nous pode elevar a consciência acima desse domínio.
Ele ensina que a consciência iluminada deixa de ser escrava delas.
Essa distinção percorre todo o Corpus Hermeticum.
Tat levanta uma nova questão
Tat percebe uma aparente contradição.
Se o Nous atua nos animais através do instinto...
e o instinto envolve paixões...
então:
O Nous também seria uma paixão?
Essa é uma pergunta extremamente refinada.
A resposta de Hermes
Hermes responde distinguindo dois conceitos frequentemente confundidos:
Passão (Pathos)
Passível
Todas as coisas incorpóreas sofrem ação no corpo
Hermes afirma:
"Todas as coisas incorpóreas no corpo são passíveis."
Enquanto permanecem ligadas ao corpo,
participam do movimento corporal.
Isso inclui:
alma;
pneuma;
Nous.
Não porque sejam materiais,
mas porque atuam através do corpo.
O movimento gera paixão
Hermes explica um princípio metafísico.
Tudo que move é incorpóreo.
Tudo que é movido é corpo.
Assim:
o motor atua;
o móvel recebe a ação.
Essa relação constitui aquilo que Hermes chama de paixão.
Tabela — Ação e paixão
Conceito
Significado
Motor
Aquilo que move.
Móvel
Aquilo que recebe o movimento.
Paixão
O ato de sofrer uma ação.
Passível
Aquilo que pode receber essa ação.
O Nous separado do corpo
Hermes acrescenta:
"Tendo o Nous se separado do corpo, é separado também da paixão."
Enquanto unido ao corpo,
o Nous participa da dinâmica corporal.
Quando livre,
não sofre mais essa condição.
Significa:
ser afetado.
O Nous puro permanece acima de qualquer afecção corporal.
Ação e paixão são aspectos da mesma realidade
Hermes faz uma observação filosófica importante.
"A ação e a paixão são a mesma coisa."
Toda ação implica:
alguém que atua;
e
alguém que recebe essa atuação.
São dois lados do mesmo processo.
Os dois maiores dons concedidos ao homem
Hermes então apresenta uma revelação fundamental.
"Deus agraciou ao homem com dois dons."
São eles:
Nous
Palavra (Logos)
Esses dois dons tornam o homem semelhante aos imortais.
Tabela — Os dois dons divinos
Dom
Função
Nous
Conhecer Deus e discernir o Bem.
Palavra (Logos)
Expressar conscientemente a Verdade e participar da razão divina.
O homem aproxima-se dos deuses
Hermes afirma:
"Quem utilizar corretamente esses dons não diferirá dos imortais."
A imortalidade aqui não significa apenas continuar existindo.
Significa participar da vida divina.
Após a morte,
essa alma é conduzida:
"ao coro dos deuses e dos bem-aventurados."
Ela acontece pelo correto uso do Nous e do Logos durante a vida.
Som e Palavra
Tat pergunta:
Os animais também possuem palavra?
Hermes responde:
"Não. Possuem som."
Tabela — Som e Logos
Som
Palavra (Logos)
Expressa impulsos
Expressa pensamento consciente
Próprio de cada espécie
Universal ao homem
Instintivo
Racional
Natural
Espiritual
A unidade da Palavra
Tat observa que existem muitos idiomas.
Hermes responde de maneira profunda.
Embora existam diversas línguas,
a Palavra é uma.
Ela apenas:
é traduzida;
assume diferentes sons;
adapta-se às culturas.
Mas sua essência permanece idêntica.
linguagem;
de
Logos.
Os idiomas mudam.
O Logos permanece.
A estrutura do ser humano
Hermes conclui com uma síntese extraordinária do homem.
Segundo Agathos Daimon:
"A alma está no corpo; a mente, na alma; a palavra, na mente; portanto, Deus é pai de todos."
Essa frase resume toda a antropologia hermética.
Mapa da constituição humana
```text
Deus↓
Logos (Palavra)
↓
Nous (Mente)
↓
Alma
↓
Corpo
```Cada nível sustenta o inferior.
O homem torna-se uma imagem em miniatura da ordem do universo.
Conceitos-chave
Conceito
Explicação
Agathos Daimon
Mestre divino citado por Hermes como autoridade espiritual.
Unidade
Todas as realidades inteligíveis participam de uma única essência.
Heimarmene
Ordem cósmica que governa o mundo material.
Nous
Inteligência divina capaz de elevar a alma acima do destino.
Logos
Palavra racional, dom exclusivo do homem.
Paixão
Condição de sofrer uma ação enquanto unido ao corpo.
Correspondências Herméticas
Corpus Hermeticum
Franz Bardon
Observação
O Nous está acima da Heimarmene
O iniciado aprende a agir em harmonia consciente com as leis universais
O domínio espiritual não elimina as leis, mas permite transcender sua influência interior.
O homem recebeu Nous e Logos
O espírito consciente diferencia o ser humano dos demais seres
Ambos reconhecem faculdades superiores exclusivas do homem.
A Palavra é um dom divino
A Cabala Hermética utiliza o poder criador do verbo
Em ambos, a palavra possui dimensão espiritual, não apenas linguística.
Tudo participa de uma única realidade
Microcosmo e macrocosmo refletem a mesma estrutura
A unidade é um princípio fundamental das duas tradições.
Princípios Fundamentais
Toda a realidade inteligível participa de uma única unidade.
O Nous divino está acima da Heimarmene.
A liberdade espiritual consiste em elevar a alma acima do domínio do destino.
O Nous sofre afecções apenas enquanto atua através do corpo.
Deus concedeu ao homem dois dons supremos: o Nous e o Logos.
A Palavra é universal em essência, ainda que se manifeste em diferentes idiomas.
O homem participa da ordem divina por meio da união entre Corpo, Alma, Nous e Logos.
Insights Herméticos
Hermes apresenta o Nous como o verdadeiro princípio de liberdade: não uma liberdade contra as leis do cosmos, mas acima da escravidão interior às suas determinações.
A distinção entre som e Logos revela que a linguagem humana possui uma dimensão espiritual que ultrapassa a simples comunicação biológica.
A estrutura Corpo → Alma → Nous → Logos → Deus mostra que o homem é concebido como um elo entre o mundo material e o divino.
A afirmação de que "a Palavra é uma" sugere que todas as línguas expressam uma mesma razão universal, antecipando uma visão metafísica da linguagem.
Ao citar o Agathos Daimon, Hermes reforça que a iniciação consiste em reconhecer a unidade de todas as coisas e despertar, por meio do Nous e do Logos, a participação consciente nessa unidade divina.
Vida e Imortalidade do Todo
O trecho aprofunda a relação entre Deus, Nous, Alma, Pneuma, matéria e corpo, mostrando uma estrutura hierárquica na qual o divino está presente em todos os níveis da realidade. A partir disso, Hermes desenvolve uma consequência fundamental: no Todo não existe destruição absoluta, mas transformação, dissolução e renovação.
A cadeia entre Deus e a matéria
Hermes apresenta uma sequência de correspondências:
"A palavra é a imagem e o nous de Deus; e o corpo, da ideia; e a ideia, da alma."
E estabelece uma espécie de descida do mais sutil ao mais denso:
Deus → Nous → Alma → Ar → Matéria
Segundo o texto:
a mente está ao redor da alma;
a alma está ao redor do ar;
o ar está ao redor da matéria;
Deus está ao redor de todas as coisas e através de todas elas.
O divino não está separado da criação: ele a envolve, atravessa e sustenta em todos os seus níveis.Mapa da estrutura
Nível
Relação apresentada
Deus
Ao redor e através de todas as coisas
Nous
Ao redor da alma
Alma
Ao redor do ar
Ar
Ao redor da matéria
Matéria
Base dos corpos compostos
Providência, necessidade e natureza
Hermes acrescenta que:
"A necessidade e a providência e a natureza são órgãos do ornamento e da ordem da matéria."
Essas três forças aparecem como instrumentos pelos quais a ordem se manifesta na matéria.
Podemos visualizar assim:
Providência + Necessidade + Natureza → Ordem da matéria
Isso se conecta diretamente aos trechos anteriores sobre a Heimarmene, pois o universo material não aparece como um caos sem estrutura, mas como uma realidade submetida a diferentes princípios de ordenação.
Número, unidade e composição
Hermes introduz outro princípio importante:
"Sem um número, é impossível vir a existir uma combinação ou uma composição ou uma dissolução."
A unidade gera o número, e o número permite:
combinação;
composição;
dissolução;
reorganização.
A matéria, entretanto, permanece uma.
As coisas podem se separar e recombinar, mas aquilo que constitui o Todo permanece.
O mundo como grande Deus e imagem do Deus maior
Hermes então eleva o mundo a uma posição extremamente importante:
"Todo esse mundo, sendo o grande deus e a imagem do maior Deus..."
O mundo é apresentado como:
imagem do Deus maior ;
plenitude da vida ;
unido à vontade do Pai;
participante da ordem divina.Por isso, Hermes afirma algo radical:
"Nenhuma coisa nem tem vindo a ser nem é nem será morta no mundo."
Não significa que os corpos permaneçam eternamente com a mesma forma.
A questão é mais profunda.
A forma individual desaparece, mas a vida do Todo não é destruída.
Morte ou dissolução?
Tat pergunta como os viventes podem morrer se são partes de um universo vivo.
Hermes responde distinguindo morte de dissolução.
"A dissolução não é morte, mas desintegração da mistura."
O corpo composto se desfaz.
Porém:
desfazer ≠ destruir
Aquilo que foi composto pode ser novamente reorganizado.
Tabela — A interpretação hermética da morte
Aparência
Perspectiva de Hermes
Morte
Dissolução da composição
Destruição
Transformação
Fim de um corpo
Reorganização dos elementos
Corrupção
Mudança de estado
Vida
Movimento
A vida é movimento
Hermes pergunta:
"E qual é a energia da vida? Não é a moção?"
E logo estabelece:
"Nada, ó filho."
Nada no mundo permanece absolutamente imóvel.
Mesmo aquilo que parece parado participa de processos de movimento, aumento, diminuição ou transformação.
A terra também se move
Tat apresenta a objeção natural:
"A terra não te parece imóvel, ó pai?"
Hermes rejeita a ideia de que a terra seja verdadeiramente imóvel.
Ela é apresentada como:
"policinética e parada"
Ou seja, embora pareça imóvel em determinada perspectiva, participa do movimento e da atividade do Todo.
Hermes considera absurdo imaginar que aquilo que gera e sustenta os seres seja completamente inerte.
Movimento, vida e transformação
Hermes apresenta então uma relação fundamental:
Movimento → Vida → Transformação
Tudo aquilo que se move participa da vida.
Mas isso não significa que todas as coisas vivas sejam iguais.
"Não há necessidade de todo vivente ser o mesmo."
O Todo permanece:
imutável enquanto totalidade
enquanto suas partes permanecem:
mutáveis e transformáveis.
O Todo permanece; as formas mudam.
Engendramento não é vida; metábole não é morte
Essa é uma das formulações mais importantes do trecho:
"O engendramento não é vida, mas o sentido; nem a metábole é morte, mas esquecimento."
Hermes reformula completamente nossa maneira habitual de interpretar nascimento e morte.
Tabela — Termos fundamentais
Termo
No sentido apresentado
Engendramento
Aparição / manifestação de uma forma
Metábole
Mudança / transformação
Dissolução
Separação da composição
Morte
Não é destruição absoluta
Vida
Movimento e permanência do princípio vital
A cadeia da imortalidade
Hermes afirma que são imortais:
"a matéria, a vida, o pneuma, a alma, o nous"
A afirmação culmina no homem:
"O homem é o mais imortal, pois o homem é receptor de Deus e consubstancial com Deus."
Aqui aparece novamente a ideia de que o homem possui uma posição singular no cosmos.
Não é apenas um animal terrestre.
Ele é capaz de receber Deus, conhecer o divino e estabelecer comunicação com ele.
O homem como receptor do divino
Hermes apresenta uma relação especial entre Deus e o homem:
"Deus conversa só com esse vivente."
Essa comunicação pode ocorrer:
através dos sonhos;
através de símbolos;
através dos pássaros;
através das entranhas;
através do espírito;
através do carvalho.
O homem, portanto, procura conhecer:
o passado → o presente → o futuro
Isso transforma o homem em uma espécie de intérprete do cosmos.
Insight
O trecho estabelece uma correspondência entre microcosmo e macrocosmo: o homem participa dos diferentes elementos do universo e, justamente por isso, pode buscar compreender o Todo.
O homem participa de todos os elementos
Hermes observa que cada vivente normalmente se relaciona principalmente com uma região do mundo:
Vivente
Elemento / domínio
Aquáticos
Água
Terrestres
Terra
Voláteis
Ar
Homem
Terra, água, ar e fogo
O homem possui, portanto, uma condição particularmente abrangente.
Ele participa dos quatro elementos.
E acima de todos:
"Deus também está ao redor de todas as coisas e através de todas as coisas."
Correspondência central
```text
Deus
↓
Nous
↓
Alma
↓
Pneuma / Ar
↓
Matéria
↓
Corpos
```
Mas esse movimento não deve ser entendido apenas como uma descida.
O homem, através do Nous e da gnose, pode realizar o movimento inverso:
```text
Matéria
↑
Alma
↑
Nous
↑
Gnose
↑
Deus
```Essa leitura se conecta diretamente com os trechos anteriores sobre ascensão, divinização e conhecimento de Deus.
No Todo não existe um verdadeiro "fim": existem nascimento, movimento, dissolução e renovação.
O homem ocupa posição privilegiada porque participa de todos os elementos e, sobretudo, porque é receptor de Deus. Por meio do Nous, ele pode compreender a estrutura do Todo e reconhecer a presença divina através de todas as coisas.
Conceitos-chave
Conceito
Ideia central
Deus
Está ao redor e através de todas as coisas
Nous
Princípio inteligível superior
Alma
Intermediária entre Nous e os níveis inferiores
Pneuma
Princípio vital associado ao movimento
Matéria
Base dos corpos compostos
Mundo
Grande Deus e imagem do Deus maior
Movimento
Energia fundamental da vida
Dissolução
Desintegração da composição, não destruição
Metábole
Transformação
Gnose
Capacidade de reconhecer a estrutura divina do Todo
Insight para o AZOTH
Há aqui uma correspondência especialmente interessante com todo o desenvolvimento anterior:
O homem não precisa sair do mundo para encontrar Deus, porque Deus está "ao redor de todas as coisas e através de todas as coisas".
O problema não é a ausência de Deus.
O problema é a incapacidade de percebê-lo.
Por isso, a gnose não consiste simplesmente em adquirir novas informações, mas em mudar o modo pelo qual o Nous contempla a realidade.
"Deus também está ao redor de todas as coisas e através de todas as coisas."
Essa frase funciona como uma excelente chave de leitura para os trechos anteriores sobre contemplação, Nous, Logos, ascensão e divinização.
Deus em Todas as Coisas
O trecho aprofunda uma das ideias centrais dos discursos anteriores: Deus não é um agente externo ao cosmos, que ocasionalmente intervém nele. As próprias forças que mantêm, vivificam, transformam e ordenam o universo são apresentadas como energias de Deus.
A contemplação da ordem
Hermes começa indicando a Tat como contemplar Deus:
“Veja a ordem do mundo e o bom ornamento da ordem.”
A contemplação passa pela própria estrutura do cosmos:
a ordem do mundo;
a necessidade das coisas manifestas;
a providência das coisas que vêm a ser;
a matéria plena de vida;
os deuses;
os daimones;
os homens.
Contemplar a ordem do mundo é, para o texto, uma forma de contemplar a própria ação divina.
Não é necessário procurar Deus somente em algo extraordinário. A própria organização do Todo constitui uma manifestação de sua energia.
As energias como membros de Deus
Tat percebe que tudo aquilo são energias. Hermes então leva a pergunta adiante:
“Por quem são energizadas?”
A resposta é construída através de uma correspondência entre as partes do cosmos e aquilo que o texto chama de membros de Deus.
No cosmos
Em Deus
Céu
Membro do Todo divino
Água
Membro do Todo divino
Terra
Membro do Todo divino
Ar
Membro do Todo divino
Vida
Membro de Deus
Imortalidade
Membro de Deus
Necessidade
Membro de Deus
Providência
Membro de Deus
Natureza
Membro de Deus
Alma
Membro de Deus
Nous
Membro de Deus
Permanência
Aquilo que é chamado Bem
Essa passagem é particularmente importante porque amplia o conceito de divindade.
Deus não aparece apenas como uma inteligência acima do cosmos. As próprias funções pelas quais o cosmos existe e se mantém são apresentadas como manifestações de Deus.
Deus e a matéria
Tat faz então uma pergunta fundamental:
“Então, ó pai, ele está na matéria?”
Hermes responde afirmativamente, mas não simplesmente dizendo que Deus está dentro da matéria como algo colocado em um recipiente.
O raciocínio é outro:
Se a matéria é energizada, quem a energiza?
Se todas as energias são partes de Deus, então aquilo que chamamos de matéria também depende da atividade divina.
Hermes leva isso aos diferentes níveis:
Aquilo que consideramos
Sua energia
Matéria
Materialidade
Corpo
Corporeidade
Substância
Substancialidade
Viventes
Vida
Viventes imortais
Imortalidade
Viventes mutáveis
Transformação
E então vem a conclusão:
“E isto é Deus, o Universo.”
Aqui o texto chega a uma formulação extremamente abrangente: o Universo não está separado da atividade de Deus, porque tudo aquilo que possui existência, movimento ou energia depende dele.
O Todo como manifestação divina
Hermes afirma:
“E no todo nada é que ele não seja.”
Isso retoma diretamente uma ideia que apareceu nos textos anteriores:
Deus → todas as coisas
e também:
todas as coisas → manifestação de Deus
Mas é importante perceber a formulação específica do texto: Deus não é identificado simplesmente com uma coisa particular dentro do universo. Ele é apresentado como aquilo que permeia e sustenta o Todo.
“O Todo está através de todas as coisas e ao redor de todas as coisas.”
Esquema
```text
┌─────────┼─────────┐
↓ ↓ ↓
Natureza Nous Alma
↓ ↓ ↓
Matéria Vida Providência
↓ ↓ ↓
COSMOS
↓ ↓ ↓
homens daimones deuses
```
A intenção não parece ser criar uma divisão rígida entre esses níveis, mas mostrar uma continuidade da energia divina através deles.
Deus além das categorias
Hermes acrescenta uma afirmação ainda mais radical:
“Donde nem grandeza nem lugar nem qualidade nem formato nem tempo é referente a Deus; pois ele é tudo.”
Aqui aparece uma tensão importante.
Por um lado:
Deus está em todas as coisas.
Por outro:
Deus não pode ser limitado pelas características das coisas.
Ele não possui uma localização específica, não está restrito a uma dimensão, forma, tamanho ou momento temporal.
Tabela — O que não limita Deus
Categoria
Por que não o limita
Grandeza
Deus não é mensurável
Lugar
Está através e ao redor de todas as coisas
Qualidade
Não é uma qualidade particular
Formato
Não possui forma delimitadora
Tempo
Não está limitado pelo tempo
Deus está em todas as coisas sem ser limitado por nenhuma coisa.
A contemplação transforma-se em conduta
O trecho termina de maneira muito interessante.
Hermes não termina dizendo simplesmente:
“Compreenda Deus.”
Ele diz:
“Prosta-te e observa religiosamente esse discurso, ó filho.”
E imediatamente estabelece o significado da verdadeira reverência:
“A observância religiosa de Deus é uma: não ser mau.”
Isso conecta diretamente gnose e ética.
Conhecer Deus não é apenas acumular conhecimento metafísico.
Se alguém compreende que todas as coisas participam de uma ordem divina, mas continua deliberadamente orientado pela maldade, sua compreensão permanece incompleta dentro da própria lógica do texto.
1 Contemplação
Observar a ordem, a natureza, a vida e o cosmos.
2 Reconhecimento
Perceber que aquilo que movimenta e vivifica todas essas coisas são energias divinas .
3 Compreensão
Entender que Deus está através de todas as coisas e ao redor de todas as coisas , sem ser limitado por nenhuma delas.
4 Conduta
Transformar essa compreensão em uma vida orientada pelo Bem.
A verdadeira reverência a Deus, segundo o próprio texto, não é apenas contemplá-lo, mas deixar de agir contra o Bem.Insight para o AZOTH
Há uma progressão muito bonita que pode ser acompanhada ao longo do Corpus Hermeticum que você está organizando:
ver → contemplar → compreender → conhecer → transformar-se → agir segundo o Bem.
Aqui, a contemplação do cosmos deixa de ser apenas uma observação da natureza. Ela se torna uma via de gnose: olhar para a ordem do Todo é aprender a reconhecer a atividade divina que o sustenta. E o resultado dessa gnose deveria aparecer no comportamento do próprio homem.
Fonte original colada
Libellus XΙI — De Hermes Trismegistos a Tat: Sobre o senso comum
1O nous, ó Tat, é da própria essência de Deus, se ao menos houver alguma essência de Deus; só esse certamente sabe de que natureza vem a ser, caso exista alguma. Portanto, o nous não é separado da essencialidade de Deus, mas emitido como a luz do Sol. E esse nous, deveras, é Deus no homem. Por isso, alguns dos homens são deuses, e a sua humanidade é próxima da divindade; pois também o Agathos Daimon disse que os deuses são <homens> imortais; e os homens, deuses mortais; e o instinto está nos viventes irracionais.
2Pois onde está a alma, lá também está o nous, assim como onde está a vida, lá também está a alma; porém, nos viventes irracionais, a alma é a vida vazia de nous. Com efeito, o nous é o benfeitor das almas dos homens; pois as opera para o bem, e, por um lado, nos viventes irracionais, coopera com o instinto através de cada um; por outro lado, age contrariamente nas almas dos homens. Pois toda alma que vem a estar no corpo imediatamente é reprimida tanto pela tristeza como pelo prazer. Com efeito, a tristeza e o prazer do corpo composto ardem como temperos, nos quais tendo entrado a alma, é batizada.
3Portanto, quando e se o nous for conhecido por tais almas, ele mostrará o seu fulgor a essas, reagindo contra as superstições delas. Como um bom médico aflige o corpo surpreendido pela doença, queimando ou cortando, do mesmo modo também o nous aflige a alma, expugnando-a do prazer, do qual toda doença da alma vem a existir; e a grande doença da alma é a impiedade, depois a opinião enganosa, das quais todas as coisas más resultam e não há nenhum bem; assim então o nous contrariando-a, causa o bem à alma, assim como também o médico traz a saúde ao corpo.4 E se tais almas humanas não ganharam o nous como comandante, sofrem a mesma coisa que aquelas almas dos viventes irracionais; pois vindo a ser cooperador com elas e deixando à sorte das concupiscências, para as quais são levadas pela veemência do apetite, tendendo ao irracional e como os irracionais dentre os viventes, irracionalmente sendo encolerizados e irracionalmente desejando ardentemente, não cessam, nem têm saciedade das coisas viciosas; pois o acesso de cólera e as concupiscências são os vícios irracionais superiores; e, como uma punição e correção, Deus fixou a lei para essas almas.
5— Então, ó pai, o discurso acerca da heimarmene transmitido anteriormente a mim corre o risco de ser refutado. Pois se tem sido decretado totalmente a este alguém adulterar ou roubar os templos ou cometer algum outro mal, também é punido o que tem cometido a ação pela necessidade e pela heimarmene? — Todas as coisas são obras da heimarmene, ó filho, e sem ela não existe nenhuma das coisas corporais: nem coisa boa nem coisa má vêm a existir. E tem sido decretado também sofrer a coisa boa que foi feita; e por isso, age para que sofra aquilo pelo qual se apaixona porque agiu. 6 Porém <o> discurso do agora não é acerca do vício e da heimarmene. De fato, em outros discursos acerca dessas coisas temos falado; porém agora para nós o discurso é acerca do nous, o que o nous pode ser e como é diferente, nestes homens, mas modificado nos viventes irracionais; e também que nos outros viventes não é benfeitor, mas dissemelhante em todas as coisas, queimando o irascível e o concupiscente, e também é necessário compreender que dentre esses há os homens excelentes e os irracionais, e todos os homens estão sujeitos à heimarmene, e ao engendramento e à metábole; pois essas coisas são princípio e o fim da heimarmene. 7 E, de fato, todos os homens sofrem as coisas decretadas, e os excelentes, dos quais dissemos que o nous os conduz, não sofrem semelhantemente como os outros, mas tendo se livrado do vício, não sendo viciados, não sofrem. — Como novamente dizes isso, ó pai? O adúltero não é mau? O assassino não é mau, e todos os outros? — Mas o excelente, ó filho, não sofrerá tendo adulterado, mas como tendo adulterado, nem tendo assassinado, mas como tendo assassinado, e é impossível fugir da qualidade da metábole, assim como do ENGEDAMENTRO, POSSUINDO O NOUS É POSSIVEL FUGIR DO VICIO.
8Por isso, também eu ouvi o Agathos Daimon dizendo sempre, e se tivesse dado por escrito, certamente o gênero humano teria sido devedor; pois somente ele, ó filho, verdadeiramente, como um deus primogênito, tendo visto todas as coisas, proferiu discursos divinos; portanto o ouvi uma vez dizendo que todas as coisas e principalmente os corpos inteligíveis são uma única coisa; e vivemos pela potência e pela energia e pelo Aion; e que o nous desse é bom, assim como também a alma dele é boa. Quando este existe, nada é distante dos inteligíveis; assim, com efeito, é possível que o nous, arconte de todas as coisas e a alma de Deus, faça o que ele quer.
9Tu, porém, compreende e adscreve esse discurso em relação à pergunta que inquiriste a mim nos discursos anteriores: digo, os discursos sobre a heimarmene do nous. Se, pois, certamente eliminares os discursos discordantes, ó filho, descobrirás que o nous, a alma de Deus, verdadeiramente prevalece sobre todas as coisas, sobre a heimarmene e sobre a lei e sobre todas as outras coisas; e nada é impossível a ele: nem é impossível a ele colocar a alma humana acima da heimarmene nem é impossível a ele colocar aquela que tem sido negligente, como existe, abaixo da heimarmene. E sejam ditas essas melhores coisas do Agathos Daimon sobre tal assunto. — E essas, ó pai, sejam ditas divina e verdadeiramente e com utilidade. 10 Mas ainda me explica aquilo. Pois disseste que o nous atua nos viventes à maneira do instinto, cooperando com os impulsos deles; e os impulsos dos viventes irracionais, como suponho, são paixões, e o nous, então, é paixão, tendo contato com as paixões? — Bem falado, ó filho; nobremente perguntas; e é justo que eu também responda.
11Todas as coisas incorpóreas no corpo, ó filho, são passíveis, e principalmente porque elas são paixões; pois tudo que move é incorpóreo, e tudo que é movido é corpo, e também os imóveis são movidos pelo nous; e o movimento é paixão; portanto, ambos sofrem, o motor e o móvel, tanto o que rege como o que é regido; e tendo o nous se separado do corpo, é separado também da paixão; mais ainda quando, ó filho, nada for impassível, todas as coisas serão passíveis. Mas a paixão difere do passível: o que atua, e o que sofre. E os corpos também segundo si mesmos agem. Pois ou são imóveis ou são movidos. Quer seja um, quer seja outro, existe paixão, e os corpos sempre sofrem ação, e, por isso, são passíveis. Portanto, que não te perturbem as designações. A ação e a paixão são a mesma coisa. Mas não é penoso querer usar o nome mais auspicioso.
12— Mui claramente, ó pai, concedeste o discurso. — E também observa isto, ó filho, que Deus agraciou ao homem, dentre os viventes mortais, com esses dois dons: com o nous e com a palavra, equivalentes à imortalidade, ademais, o homem tem a palavra proferida. E entre esses dons, se alguém quiser aqueles que forem necessários, não diferirá dos imortais; e principalmente tendo saído do corpo, será conduzido por ambos os dons até o coro dos deuses e dos bem-aventurados.
13— Pois os outros viventes não usam palavra, ó pai? — Não, filho, mas som; e palavra difere muito do som. Pois, deveras, a palavra de todos os homens é comum, e o som é próprio de cada gênero vivente. — Mas também dentre os homens, ó pai, a palavra não é diferente segundo a etnia?
— Deveras, é diferente, ó filho, mas o homem é um: assim também a palavra é uma e é traduzida e a mesma é encontrada também no Egito e na Pérsia e na Grécia. E me pareces, ó filho, desconhecer a virtude e a grandeza da palavra. Pois o bem-aventurado deus Agathos Daimon disse que a alma está no corpo; e a mente, na alma; e a palavra, na mente; portanto, Deus é pai de todos.
14Sendo assim, a palavra é a imagem e o nous de Deus; e o corpo, da ideia; e a ideia, da alma. Por isso, deveras, a coisa mais sutil da matéria é o ar; e do ar, a alma; e da alma, a mente; e da mente, Deus; e Deus está ao redor de todas as coisas e através de todas as coisas; e a mente, ao redor da alma; e a alma, ao redor do ar; e o ar, ao redor da matéria. Porém a necessidade e a providência e a natureza são órgãos do ornamento e da ordem da matéria, e dentre os inteligíveis, cada coisa é essência; e a identidade é essência deles; e dentre os corpos do Universo, cada coisa é um conjunto de coisas; pois os corpos compostos tendo a identidade e fazendo a metábole em outros corpos, sempre salvam a incorruptibilidade da identidade. ♦
15E em todos os outros corpos compostos, há um número de cada um. Pois sem um número, é impossível vir a existir uma combinação ou uma composição ou uma dissolução; e as unidades geram o número e aumentam e novamente recebem em si mesmas o que é desintegrado, e a matéria é uma. E todo esse mundo, sendo o grande deus e a imagem do maior Deus, e unido a esse e ajudando a salvar a ordem e a vontade do pai, é a plenitude da vida; e não há nada nele, através do aion da apocatástase paterna, nem nada do Universo, nem nenhuma das partes, que não tenha vida. Pois nenhuma coisa nem tem vindo a ser nem é nem será morta no mundo. Com efeito, o pai quis que ele fosse vivente enquanto se constituísse; por isso, é necessário que seja um deus. 16 Portanto, como pode ser possível, ó filho, existirem coisas mortas em Deus, na imagem do Universo, na plenitude da vida? Pois a mortandade é corrupção, e a corrupção é destruição. Então, como alguma parte do incorruptível pode ser corrompida ou alguma parte de Deus pode ser destruída? — Então, ó pai, não morrem os viventes, sendo partes dele? — Bendize, ó meu filho; tu és enganado pela designação daquilo que vem a ser. Pois não morrem, ó filho, mas como corpos compostos, eles são desintegrados. E a dissolução não é morte, mas desintegração da mistura; e são desintegrados, não para serem destruídos, mas para virem a ser novas coisas. E qual é a energia da vida? Não é a moção? Então o que é imóvel no mundo? Nada, ó filho.
17— A terra não te parece imóvel, ó pai? — Não, filho, mas também somente ela é policinética e parada; como não seria ridículo supor que a motriz de todas as coisas, aquela que tem feito nascer e tem engendrado todas as coisas, fosse imóvel? Pois é impossível que algo faça nascer o que é nascido sem movimento. E é mui ridículo o que perguntaste, se a quarta parte do mundo será inútil. Pois nada diferente significa o corpo imóvel que uma inutilidade. 18 Agora saiba totalmente que tudo no mundo está sendo movido, ou segundo a diminuição ou segundo o aumento; e o que está sendo movido também vive, e não há necessidade de todo vivente ser o mesmo; pois estando junto o mundo inteiro, ó filho, ele é imutável; mas todas as partes dele são mutáveis, e nada é perecível e destruído; e estas designações perturbam os homens: pois o engendramento não é vida, mas o sentido; nem a metábole é morte, mas esquecimento. Assim, agora enquanto essas coisas, todas são imortais, a matéria, a vida, o pneuma, a alma, o nous, de que todo vivente tem se composto.
19Então todo vivente é imortal por causa do nous; e dentre todos, o homem é o mais imortal, pois o homem é receptor de Deus e consubstancial com Deus. Pois Deus conversa só com esse vivente, tanto de noite através de sonhos, quanto de dia através de símbolos, e lhe prediz todas as coisas futuras através de todas as coisas, de pássaros, de entranhas, de espírito, de carvalho; por isso, também o homem procura conhecer as coisas acontecidas antes e as coisas presentes e as coisas futuras. 20 E também veja isto, ó filho, que cada um dos viventes visita frequentemente uma parte do mundo: com efeito, de fato, os aquáticos, a água; e os terrestres, a terra; e os voláteis, o ar; e o homem tem relações com todos esses, com a terra, com a água, com ar, com fogo; e deus também está ao redor de todas as coisas e através de todas as coisas; pois é a energia e potência; e também nada difícil há para compreender Deus, ó filho.
21E se quiseres também o contemplar, veja a ordem do mundo e o bom ornamento da ordem; veja a necessidade das coisas manifestas e a providência das coisas que têm vindo a ser e as que estão vindo a ser; veja a matéria mui plena de vida; veja esse tão grande deus sendo movido com todas as coisas boas e belas, com os deuses e os daimones, e com os homens.
— Mas essas, ó pai, são energias. — Portanto, se são energias totalmente, ó filho, por quem são energizadas? Por outro deus? Ou desconheces que céu e água e terra e ar são como partes do cosmo, do mesmo modo a vida e a imortalidade †e o sangue† e a necessidade e a providência e a natureza e a alma e o nous são membros de Deus, e a permanência de todos esses é o que é chamado Bem? Também ainda não há nenhuma das coisas que vêm a ser ou das que têm vindo a ser onde Deus não esteja.
22— Então, ó pai, ele está na matéria? — Pois a matéria, ó filho, existe sem Deus, para que lhe atribuas que lugar? E o que supões ser ela senão sendo uma pilha de coisas confusas, não sendo energizada? E se é energizada, de quem é energizada? Pois dissemos serem as energias partes de Deus. Então, por quem todos os viventes são vivificados? Por quem os viventes imortais são imortalizados? Por quem os viventes mutáveis são transformados? E quer fales de matéria, ou de corpo, ou de essência, saiba também que essas são as próprias energias de Deus; e a energia da matéria é a materialidade; e dos corpos, a corporeidade; e da substância, a substancialidade; e isto é Deus, o Universo.
23E no todo nada é que ele não seja. Donde nem grandeza nem lugar nem qualidade nem formato nem tempo é referente a Deus; pois ele é tudo; e o Todo está através de todas as coisas e ao redor de todas as coisas. Prosta-te e observa religiosamente esse discurso, ó filho; e a observância religiosa de Deus é uma: não ser mau.
Meditações
Meditações
DESENVOLVIMENTO PESSOAL / ESTOICISMO / MEDITAÇÕES
Sobre a identidade e o caráter
No hermetismo, isso é perigoso porque inverte a ordem: em vez da mente superior governar, a inferior assume o controle.

