Ciências Ocultas / Iniciação
Cosmologia Hermética
Assunto reunido a partir de 4 trechos de livros cadastrados.
Comparacao bibliografica
4 registrosCorpus Hermeticum Graecum
Corpus Hermeticum Graecum
CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / LIBELLUS II A - De Hermes para Tat
Deus, o Bem Supremo e a Natureza do Ser
Mesmo os maiores princípios da cosmologia hermética — Nous, Pneuma e Luz — possuem sua origem Nele.
Fonte original colada
# 2. Deus como o Bem Supremo e Pai de Todas as Coisas Com efeito, nem há nenhum não ser que ele não tenha deixado completo, mas todas as coisas que vieram a ser são provenientes das coisas existentes, não das não existentes. Pois as não existentes não têm a natureza de poder vir a ser, mas de não poder vir a ser algo e, por sua vez, as existentes não têm a natureza de nunca ser. — "Então, o que queres dizer do não ser nunca?" Portanto, Deus não é Nous, mas é o causador do ser Nous; nem do Pneuma, mas o causador do ser Pneuma; nem Luz, mas o causador do ser Luz. Donde é necessário reverenciar Deus por esses dois títulos, os quais têm sido aplicados somente a ele e a nenhum outro. Pois nem algum dos outros chamados deuses, nem dos homens, nem dos daimones, pode, segundo a grandeza, ser bom, exceto somente Deus. E esse é o Único, e não há nenhum outro. Porém todas as outras coisas são incapazes da natureza do Bem; pois são o corpo e a alma, não tendo lugar que pode comportar o Bem. Pois tal é a grandeza do Bem tanto quanto é a existência de todos os seres, incorpóreos como corpóreos, e dos sensíveis e dos inteligíveis. **Isso...
Libellus III — Discurso Sagrado de Hermes
A Manifestação do Cosmos e o Ciclo da Renovação
Este tratado apresenta uma síntese da cosmologia hermética, descrevendo a manifestação do universo desde o estado primordial até o surgimento da vida e da humanidade.
Fonte original colada
# 1. Deus como Princípio de Todas as Coisas e a Ordem da Criação Glória de todas as coisas é Deus: tanto ser divino quanto natureza divina. Princípio dos seres é Deus: tanto Nous quanto natureza e matéria, sendo ele a sabedoria para demonstração de todas as coisas. Princípio é o divino, tanto natureza quanto energia e necessidade, tanto fim quanto renovação. Pois havia escuridão indefinida, água e pneuma sutil e intelectual no abismo, estando essas coisas no caos pela potência divina. Então uma luz santa foi elevada da substância úmida, tendo sobressaído †da areia†, e todos os deuses †separaram† os elementos da natureza germinal. Porém, de todos os seres inacabados e não construídos, de todos os que têm sido separados e suspensos pelo fogo para serem conduzidos pelo pneuma, foram separados os leves para o alto e os pesados foram alicerçados sobre a areia úmida. E o céu foi visto em sete ciclos, e os deuses apareceram em formas de constelações, e foram articulados com todos os seus signos. Com os deuses em si, também a circunferência foi enrolada pelo ar, sendo conduzida em curso cíclico pelo pneuma divino. Porém cada deus leva...
Libellus XΙ - Nous para Hermes
Nous para Hermes
A Estrutura da Realidade
Neste trecho, Hermes apresenta uma das sínteses mais importantes da cosmologia hermética. Ele organiza toda a realidade em uma cadeia de emanações, mostrando como cada nível deriva do anterior e como todos permanecem unidos em uma ordem contínua. O texto responde à pergunta: como Deus se relaciona com o universo sem se confundir com ele?
A busca pela verdadeira explicação
O discípulo inicia reconhecendo que ouviu muitas interpretações diferentes sobre Deus e sobre o Todo.
"Como muitos têm dito muitas coisas acerca do Todo e acerca de Deus... eu não aprendi a verdade."
Essa abertura mostra uma característica recorrente do Corpus Hermeticum: a gnose não nasce da multiplicidade de opiniões, mas da revelação da ordem universal.
O conhecimento verdadeiro começa quando se abandona a confusão das opiniões e se busca compreender a estrutura da realidade.
A cadeia da manifestação
Hermes responde resumindo toda a criação em apenas quatro afirmações:
Deus faz o Aion.
O Aion faz o mundo.
O mundo produz o tempo.
No tempo acontece a gênese.
Essa sequência representa uma descida gradual do princípio absoluto até o mundo da mudança.
Fluxo da manifestação
```text
Deus
↓
Aion (Eternidade)
↓
Mundo (Cosmos)
↓
Tempo
↓
Gênese (Nascimento, transformação e morte)
```
Cada nível contém o seguinte e lhe dá existência.
Os cinco níveis da realidade
Nível | Função |
|---|---|
Deus | Princípio absoluto e origem de tudo. |
Aion | Eternidade; domínio da permanência e da imortalidade. |
Mundo (Cosmos) | Ordem visível onde tudo é organizado. |
Tempo | Fluxo das mudanças e das transformações. |
Gênese | Processo contínuo de nascimento, desenvolvimento e morte. |
Observe que a gênese não é a criação inicial, mas o ciclo permanente de transformação existente no universo.
Os atributos de cada nível
Hermes associa características específicas a cada plano.
Deus
Bem
Belo
Felicidade
Sabedoria
Deus não apenas possui essas qualidades.
Ele é sua própria fonte.
O Aion
identidade;
permanência;
imortalidade.
O Aion representa aquilo que permanece sempre igual, mesmo quando tudo muda.
O Mundo
ordem;
ciclos;
restauração contínua.
O cosmos manifesta equilíbrio através de movimentos repetitivos.
O Tempo
aumento;
diminuição;
transformação.
O tempo é o agente das mudanças.
Nada que pertença ao tempo permanece idêntico.
A Gênese
qualidade;
quantidade;
vida;
morte.
É o domínio da manifestação concreta.
Tudo aquilo que nasce, cresce, transforma-se e desaparece pertence à gênese.
Tabela — Atributos de cada plano
Plano | Características |
|---|---|
Deus | Bem, Beleza, Felicidade, Sabedoria |
Aion | Permanência, Identidade, Imortalidade |
Mundo | Ordem, ciclos, equilíbrio |
Tempo | Mudança, crescimento e diminuição |
Gênese | Vida, morte, qualidade e quantidade |
Onde cada coisa existe
Hermes apresenta uma estrutura de contenção.
```text
Deus
contém
↓
Aion
contém
↓
Mundo
contém
↓
Tempo
contém
↓
Gênese
```
Nada está isolado.
Cada plano existe dentro do anterior.
O universo como manifestação contínua
Hermes afirma algo interessante:
"O mundo jamais tendo vindo a ser, e sempre vindo a ser."
À primeira vista parece contraditório.
Mas a ideia é que o cosmos nunca está completamente terminado.
Ele está continuamente sendo produzido.
A criação não aconteceu apenas uma vez; ela acontece continuamente.
Por que o mundo não é destruído?
Hermes responde diretamente.
O mundo permanece porque está sustentado pelo Aion.
"O Aion é indestrutível."
Se a Eternidade permanece, o cosmos também permanece.
O que muda são as formas individuais.
O que realmente muda?
Hermes distingue dois níveis.
O que permanece
Deus;
Aion;
estrutura do cosmos.
O que muda
seres;
formas;
corpos;
acontecimentos.
Essa distinção é central em toda filosofia hermética.
A Sabedoria de Deus
O discípulo pergunta:
"Mas o que é a Sabedoria de Deus?"
Hermes responde de maneira inesperada.
A Sabedoria divina não é apenas conhecimento.
Ela é:
o Bem;
o Belo;
a Felicidade;
todas as virtudes;
o próprio Aion.
Ou seja, conhecer Deus não significa acumular informações.
Significa participar dessas realidades.
Fluxo da existência
```text
Deus
↓
Bem
↓
Sabedoria
↓
Aion
↓
Cosmos
↓
Tempo
↓
Vida
```
O universo inteiro é apresentado como uma manifestação ordenada da inteligência divina.
Conceitos-chave
Conceito | Explicação |
|---|---|
Deus | Princípio absoluto e fonte de toda existência. |
Aion | Eternidade viva, onde não existe corrupção nem mudança essencial. |
Cosmos | Ordem universal organizada pelo Aion. |
Tempo | Movimento contínuo das transformações. |
Gênese | Processo de nascimento, desenvolvimento e morte das formas. |
Sabedoria | Manifestação do Bem, da Beleza e da plenitude divina. |
Correspondências Herméticas
Corpus Hermeticum | Franz Bardon | Observação |
|---|---|---|
Deus | Akasha como princípio primordial (em Bardon, manifestação do princípio causal, não equivalente ao Deus transcendente) | Ambos colocam um princípio originário acima dos elementos e da manifestação. |
Aion | Plano causal ou princípio da permanência | Representa a dimensão que sustenta a ordem antes da manifestação material. |
Mundo | Macrocosmo | O universo organizado segundo leis universais. |
Tempo | Manifestação dos ciclos naturais | Em Bardon, os ritmos e transformações pertencem ao plano manifestado. |
Gênese | Ação dos quatro elementos sobre as formas | A criação contínua das formas ocorre pela dinâmica dos elementos, enquanto a causa permanece superior. |
Observações importantes
O Aion não deve ser entendido simplesmente como "tempo infinito". No texto, ele representa uma dimensão de eternidade, permanência e identidade, distinta do tempo em que ocorrem as mudanças.
Hermes estabelece uma diferença entre criação e gênese: Deus é a origem da ordem inteira, enquanto a gênese corresponde ao processo contínuo de nascimento e transformação das formas dentro do tempo.
A afirmação de que o mundo "jamais tendo vindo a ser, e sempre vindo a ser" indica que o cosmos é visto como uma manifestação continuamente sustentada, e não como um evento único encerrado no passado. Deus como Princípio Vivo do Cosmos
Neste trecho, Hermes aprofunda a estrutura do universo apresentada anteriormente e mostra que Deus não apenas criou todas as coisas, mas permanece continuamente presente, sustentando e vivificando toda a existência. Nada está separado Dele: desde o Aion até a matéria, tudo forma uma cadeia viva de manifestação. O universo não funciona por abandono, mas por uma atividade divina incessante.
A Hierarquia da Existência
Hermes apresenta uma sequência que mostra como cada plano depende do anterior.
```text
DEUS
│
▼
AION (Eternidade)
│
▼
MUNDO (Cosmos)
│
▼
CÉU
│
▼
TERRA
```
Em seguida, apresenta uma segunda cadeia, agora voltada ao ser humano:
```text
│
▼
MENTE (Nous)
│
▼
ALMA
│
▼
MATÉRIA
```
Toda a realidade é organizada como uma hierarquia de emanações, onde os níveis inferiores permanecem sustentados pelos superiores.
O engendramento depende do Aion
Hermes afirma:
"O engendramento tem dependido do Aion, como também o Aion tem dependido de Deus."
Isso significa que toda geração, transformação e nascimento acontecem apenas porque existe uma realidade eterna que sustenta esses processos.
O Aion representa o domínio da permanência.
O engendramento representa o domínio da mudança.
Sem a eternidade, não existiria o tempo; sem o tempo, não haveria nascimento nem transformação.
Dois modos da existência
Hermes diferencia claramente dois níveis do universo.
No Céu
Na Terra
Imutável
Mutável
Incorruptível
Corruptível
Permanente
Transitório
Próximo do Aion
Submetido ao Tempo
Essa distinção aparece diversas vezes no Corpus Hermeticum.
O plano celeste conserva a ordem.
O plano terrestre manifesta continuamente nascimento, crescimento e dissolução.
A presença de Deus em todas as coisas
Hermes descreve uma cadeia de interiorização extremamente importante.
Deus está na Mente.
A Mente está na Alma.
A Alma está na Matéria.
Essa sequência mostra que Deus não age apenas de fora sobre o universo.
Sua presença percorre todos os níveis da realidade.
É uma visão profundamente diferente da ideia de um criador distante.
O Universo como um grande Vivente
Hermes afirma que existe um único grande corpo que contém todos os outros corpos.
Esse grande corpo é:
preenchido interiormente;
envolvido exteriormente;
vivificado continuamente.
O mundo inteiro é descrito como um organismo vivo.
Estrutura do Grande Vivente
```text
Deus↓
Nous
↓
Alma Universal
↓
Cosmos
↓
Todos os seres vivos
```Cada ser participa dessa Vida maior.
O Aion como princípio de unidade
Hermes afirma que o Aion reúne o universo:
pela necessidade;
pela providência;
pela natureza.
Ele não escolhe apenas uma dessas explicações.
Mostra que todas são manifestações de uma única operação divina.
Providência, necessidade e natureza são diferentes aspectos da mesma ação de Deus.
A Energia Divina nunca cessa
Hermes faz uma afirmação central:
"Deus não é inativo."
Se Deus deixasse de agir, toda a realidade cessaria imediatamente.
A criação não depende apenas de um ato inicial.
Ela depende de uma operação permanente.
A inexistência da inação
Hermes chega a dizer:
"Inação é um nome vazio."
Ou seja:
não existe absolutamente nada completamente parado.
Tudo participa de algum tipo de movimento.
Mesmo aquilo que parece imóvel participa da atividade universal.
Tabela — O que Deus realiza continuamente
| Deus continuamente... |
| ----------------------- |
| Sustenta a existência |
| Vivifica todos os seres |
| Mantém a ordem cósmica |
| Gera continuamente |
| Renova continuamente |
| Opera sem interrupção |A Potência Divina
Hermes descreve Deus como uma potência:
insuperável;
incomparável;
inesgotável;
continuamente ativa.
Nenhuma potência humana ou divina pode ser comparada à potência criadora.
Isso reforça uma característica constante do Corpus Hermeticum:
Deus não é apenas o maior dos seres.
Ele pertence a uma ordem completamente diferente.
Nada é semelhante a Deus
Hermes adverte:
"Nunca pensarás ser alguma coisa semelhante a Deus."
Essa advertência combate qualquer tentativa de reduzir Deus às criaturas.
O Criador não pertence à mesma categoria da criação.
Mesmo as inteligências celestes dependem Dele.
A criação nunca termina
Hermes afirma:
"É necessário que todas as coisas sempre venham a ser."
A realidade inteira encontra-se em permanente atualização.
Não existe um universo terminado.
Existe um universo continuamente acontecendo.
O mundo eternamente jovem
O trecho termina com uma imagem muito bela.
Hermes diz:
"Nada será mais velho; porém será continuamente vigoroso e novo."
O cosmos envelhece apenas em suas partes.
O Todo permanece sempre renovado.
Essa renovação constante decorre da energia inesgotável de Deus.
Tabela — Cadeia da Vida Universal
Nível
Função
Deus
Fonte absoluta da existência
Nous
Inteligência divina
Alma
Princípio vivificador
Matéria
Manifestação corporal
Cosmos
Grande organismo vivo
Seres
Participações individuais da Vida
Conceitos-chave
Conceito
Explicação
Aion
Eternidade que sustenta toda manifestação.
Engendramento
Processo contínuo de nascimento e transformação.
Providência
Ação ordenadora de Deus sobre o universo.
Nous
Inteligência divina presente em toda a criação.
Grande Vivente
O Cosmos entendido como um único organismo vivo.
Energia Divina
Atividade incessante que mantém toda a existência.
Correspondências Herméticas
Corpus Hermeticum
Franz Bardon
Observação
Deus presente em tudo
Akasha como princípio causal presente em toda manifestação (sem identificar Akasha ao Deus transcendente)
Ambos descrevem uma realidade superior que permeia toda a criação.
Grande Vivente
Macrocosmo
O universo é entendido como um organismo vivo governado por leis universais.
Nous
Inteligência consciente do princípio divino
Em ambos, a consciência ocupa um papel organizador da manifestação.
Providência
Harmonia das Leis Universais
A ordem do universo não é aleatória, mas resultado de princípios permanentes.
Princípios Fundamentais
Deus sustenta continuamente toda a existência.
O Aion é o fundamento eterno do engendramento.
A mente precede a alma, e a alma precede a matéria.
O Cosmos é um organismo vivo, não um mecanismo inerte.
Não existe verdadeira inação na criação.
Toda renovação deriva da potência divina.
Insights Herméticos
A eternidade (Aion) não elimina o tempo; ela o sustenta.
O envelhecimento pertence às partes, não ao Todo.
A criação é um processo contínuo, e não um evento encerrado no passado.
A atividade constante da natureza reflete a atividade incessante de Deus.
A verdadeira contemplação consiste em perceber que toda vida participa de uma única Vida universal.
Perguntas para Contemplação
Se Deus está continuamente operando, como posso perceber essa ação na natureza e em mim mesmo?
Em minha experiência, o que pertence ao mundo das mudanças e o que aponta para o eterno?
De que maneira a ideia do cosmos como um "grande vivente" transforma minha visão da realidade?
O que significa viver em sintonia com essa ordem universal descrita por Hermes?
A Unidade de Deus e a Harmonia do Cosmos
Neste trecho, Hermes desenvolve um dos princípios centrais de toda a filosofia hermética: a unidade do Criador é demonstrada pela unidade da criação. A perfeita ordem do universo, a coordenação dos movimentos celestes e a integração de todas as formas de vida revelam que existe apenas um único Princípio ordenador. O texto também apresenta Deus como a própria Vida em ação, continuamente sustentando todas as coisas.
A Ordem dos Sete Mundos
Hermes convida o discípulo a contemplar o cosmos.
Ele descreve os sete mundos (ou esferas planetárias) como estando ornamentados pela ordem eterna, cada um seguindo seu próprio curso, sem perder a harmonia do conjunto.
A diversidade dos movimentos não destrói a unidade do universo; ela a manifesta.
A Luz nasce da Harmonia
Um detalhe profundamente simbólico aparece logo no início.
Hermes afirma:
"Todas as coisas repletas de luz, porém em lugar nenhum há fogo."
A luz não é apresentada como simples resultado do fogo.
Ela nasce da:
amizade;
combinação;
equilíbrio dos contrários.
Essa imagem revela uma importante ideia hermética:
A verdadeira luz surge da harmonia, não do conflito.
Tabela — Simbolismo da Luz
Elemento
Significado
Fogo
Potência, energia primordial.
Luz
Manifestação da ordem e da inteligência divina.
Amizade dos contrários
Harmonia que produz equilíbrio.
A Lua como mediadora
Hermes atribui uma função específica à Lua.
Ela é chamada de:
precursora ;
instrumento da natureza ;
transformadora da matéria terrestre.
No contexto hermético, a Lua representa o elo entre os ciclos celestes e os processos de geração, crescimento e transformação do mundo inferior.A Terra como centro da geração
A Terra é descrita como:
sedimento do belo mundo;
nutriz;
ama dos seres terrestres.
Ela não aparece como um lugar inferior ou desprezível, mas como o grande campo onde a vida é continuamente cultivada.
A Alma Universal
Hermes afirma:
"Todas as coisas plenas de alma."
Nada está completamente separado da Vida.
O universo inteiro é apresentado como um organismo animado.
Essa visão é coerente com diversos outros textos do Corpus Hermeticum.
```text
Deus↓
Alma Universal
↓
Cosmos
↓
Todos os seres
```A Unidade da Ordem demonstra um único Criador
Hermes desenvolve um argumento filosófico.
Ele observa:
existem inúmeros corpos;
inúmeros movimentos;
inúmeras formas;
mas existe apenas:
uma ordem;
uma velocidade universal;
uma harmonia.
Por isso conclui:
Não podem existir vários criadores independentes.
Argumento Hermético
```text
Muitos movimentos↓
Uma única ordem
↓
Um único princípio ordenador
↓
Um único Deus
```Por que não podem existir vários criadores?
Hermes usa um raciocínio interessante.
Se existissem vários criadores:
competiriam entre si;
produziriam ordens diferentes;
haveria conflito entre as obras.
Mas a natureza mostra exatamente o contrário.
Tudo permanece integrado.
A unidade da criação revela a unidade do Criador.
Um Deus porque há uma única Vida
Hermes apresenta outra demonstração.
Existe:
uma matéria;
uma alma;
uma vida.
Logo:
deve existir um único princípio que as sustenta.
Tabela — As Unidades Fundamentais
Existe apenas um...
Portanto existe um...
Cosmos
Criador
Alma Universal
Fonte da Vida
Ordem
Legislador Universal
Vida
Princípio Vivificador
O exemplo do próprio homem
Hermes utiliza um exemplo extremamente simples.
Pergunta implicitamente:
Quem vê?
Quem ouve?
Quem pensa?
Quem anda?
Quem respira?
A resposta é:
A mesma pessoa.
Não existe um ser diferente realizando cada função.
Da mesma maneira, o universo possui inúmeras operações diferentes, mas todas pertencem ao mesmo Princípio.
A atividade contínua de Deus
Hermes afirma algo recorrente em sua filosofia:
Deus nunca está inativo.
Se Deus deixasse de agir:
a vida cessaria;
a ordem desapareceria;
o cosmos deixaria de existir.
A criação é uma atividade permanente.
A perfeição implica ação
Hermes estabelece uma relação importante.
O imperfeito deixa de agir.
O perfeito realiza plenamente sua natureza.
Por isso:
Deus faz todas as coisas.
Não porque precise fazê-las,
mas porque sua própria essência é atividade criadora.
A Obra única de Deus
No final do trecho, Hermes resume toda sua doutrina.
A única obra de Deus consiste em fazer com que todas as coisas:
venham a existir;
permaneçam existindo;
continuem existindo.
Essa operação nunca termina.
Vida, Beleza, Bem e Deus
O texto termina identificando quatro realidades.
Vida.
Beleza.
Bem.
Deus.
Não aparecem como conceitos separados.
São diferentes nomes da mesma realidade suprema.
Conceitos-chave
Conceito
Explicação
Sete Mundos
Esferas celestes governadas por uma ordem única.
Luz
Manifestação da harmonia entre os princípios da criação.
Lua
Mediadora entre o mundo celeste e o mundo terrestre.
Alma Universal
Vida presente em toda a criação.
Unidade
Princípio que governa toda a realidade.
Vida
A própria atividade contínua de Deus.
Correspondências Herméticas
Corpus Hermeticum
Franz Bardon
Observação
Unidade da criação
Lei da Analogia ("Como acima, assim abaixo")
Ambos descrevem um universo organizado por princípios universais coerentes.
Alma Universal
Fluido vital universal
Em ambos, a vida permeia toda a criação, embora os conceitos não sejam idênticos.
Harmonia dos contrários
Equilíbrio dos quatro elementos
A ordem nasce do equilíbrio entre forças complementares.
Deus continuamente operante
Akasha como princípio causal ativo da manifestação (sem equivaler Akasha ao Deus transcendente)
A criação depende de uma ação permanente do princípio superior.
Princípios Fundamentais
A ordem do cosmos revela um único princípio criador.
A diversidade da criação manifesta uma unidade superior.
A luz nasce da harmonia dos contrários.
Deus nunca está inativo.
A vida é expressão direta da ação divina.
A criação é continuamente renovada.
Insights Herméticos
A unidade não elimina a diversidade; ela a organiza.
A verdadeira luz surge da reconciliação dos opostos, e não da vitória de um sobre o outro.
O universo funciona como um único organismo, apesar da multiplicidade de suas partes.
Assim como uma única consciência coordena as funções do corpo humano, uma única Inteligência coordena o cosmos.
Contemplar a ordem da natureza é um caminho para reconhecer a unidade de Deus.
Mapa Conceitual
```text
│
┌───────────┴───────────┐
│ │
VIDA ORDEM
│ │
▼ ▼
Alma Universal Sete Esferas
│ │
└───────────┬───────────┘
▼
Harmonia Cósmica
│
▼
Luz • Beleza • Bem • Criação
```
Perguntas para Contemplação
Se há uma única ordem governando todas as coisas, como posso aprender a reconhecê-la em minha própria vida?
Em que aspectos a diversidade da natureza manifesta uma unidade mais profunda?
O que significa afirmar que Deus é Vida e não apenas o criador da vida?
Como a harmonia dos contrários pode servir de modelo para o equilíbrio interior?
A Vida Divina e a Transformação Eterna
Neste trecho, Hermes aprofunda uma das ideias centrais do hermetismo: Deus é a própria Vida em atividade. Criar não é um ato realizado em um passado distante, mas a própria natureza divina. Ao mesmo tempo, Hermes redefine o conceito de morte, mostrando que nada é verdadeiramente destruído; tudo apenas muda de estado dentro da ordem eterna do cosmos.
Deus cria por sua própria natureza
Hermes convida o discípulo a observar um reflexo da criação divina no próprio ser humano.
"Veja o que acontece em ti quando queres engendrar."
Entretanto, ele faz uma distinção fundamental:
O homem necessita de cooperação para gerar.
Deus não.
Ele cria por sua própria natureza, sem depender de qualquer agente externo.
A criação divina não resulta de necessidade nem de desejo; ela é expressão natural do próprio ser de Deus.
Deus nunca interrompe sua obra
Hermes afirma:
"Sendo perpetrador, sempre está na obra."
Deus não alterna entre agir e descansar.
Sua ação é contínua.
Se essa atividade cessasse:
toda vida desapareceria;
toda ordem seria dissolvida;
toda existência deixaria de existir.
Tabela — A atividade permanente de Deus
| Deus continuamente... |
| ------------------------ |
| Cria |
| Sustenta |
| Vivifica |
| Ordena |
| Renova |
| Conserva todas as coisas |A Vida é uma só
Hermes apresenta outro argumento em favor da unidade divina.
Se:
todos os seres vivem;
toda vida possui uma mesma origem;
então:
"A vida de todos vem a ser uma por Deus."
Isso significa que existe apenas uma Vida universal manifestando-se em inúmeras formas.
Fluxo da Vida Universal
```text
DEUS↓
VIDA
↓
MENTE
↓
ALMA
↓
Todos os seres vivos
```A diversidade das criaturas não rompe a unidade da Vida.
O verdadeiro significado da morte
Hermes redefine completamente a morte.
"A morte não é a destruição dos elementos congregados, mas a dissolução da união."
Ou seja:
a matéria continua existindo;
os elementos permanecem;
o que desaparece é apenas a união temporária que constituía determinado ser.
No hermetismo, morrer não significa deixar de existir, mas desfazer uma composição para que outra possa surgir.
Tabela — Vida e morte segundo Hermes
Vida
Morte
União da mente e da alma
Dissolução dessa união
Organização
Separação
Manifestação
Transformação
Movimento
Reorganização
A cadeia das imagens
Hermes apresenta uma sequência extremamente importante.
```text
DEUS↓
AION
↓
MUNDO
↓
SOL
↓
HOMEM
```Cada nível manifesta o anterior.
Nenhum substitui o anterior.
Cada um funciona como uma imagem ou reflexo do princípio superior.
O mundo nunca é destruído
Hermes afirma:
"Cada parte do mundo vem a estar no obscuro a cada dia, mas nunca é destruída."
Aqui surge uma importante ideia hermética.
Aquilo que desaparece da percepção não deixa necessariamente de existir.
O ocultamento faz parte do ciclo universal.
As paixões do mundo
Hermes identifica duas grandes características do cosmos.
rotação;
desaparecimento.
Mas explica imediatamente:
A rotação produz movimento.
O desaparecimento produz renovação.
Aquilo que parece terminar prepara um novo ciclo.
Tabela — Os ciclos do cosmos
Movimento
Significado
Rotação
Continuidade da ordem cósmica
Desaparecimento
Renovação das formas
Transformação
Permanência da vida sob novas manifestações
Deus é omniforme
Hermes faz uma reflexão filosófica profunda.
Se o mundo possui inúmeras formas...
...como pode ser Aquele que criou todas elas?
Ele responde:
Deus não pode ser limitado por uma única forma.
Mas também não é amorfo.
Ele manifesta todas as formas sem estar preso a nenhuma delas.
As formas pertencem à manifestação; Deus permanece acima de todas elas.
A forma incorporal
Hermes utiliza uma analogia interessante.
Assim como:
uma palavra possui significado sem possuir corpo,
Deus pode possuir realidade sem possuir forma material.
Outro exemplo:
Nas pinturas, as montanhas parecem possuir relevo.
Na tela, porém, permanecem completamente planas.
Da mesma maneira, as formas revelam algo que as transcende.
Exemplo Filosófico
A pintura não é a montanha.
A palavra não é a ideia.
O mundo não é Deus.
Mas todos manifestam algo daquele princípio invisível.
O Bem como movimento eterno
Hermes encerra o trecho com uma definição extremamente importante.
"Nem Deus pode viver não fazendo o Bem."
O Bem não aparece apenas como uma qualidade moral.
Ele é a própria atividade criadora.
Fazer viver.
Mover.
Sustentar.
Criar.
Tudo isso constitui o Bem.
Conceitos-chave
Conceito
Explicação
Engendramento
Manifestação contínua da vida.
Vida
União entre mente e alma.
Morte
Dissolução dessa união, não destruição absoluta.
Omniforme
Aquele que manifesta todas as formas sem estar limitado por nenhuma.
Renovação
Processo constante da natureza universal.
Bem
A própria atividade criadora de Deus.
Correspondências Herméticas
Corpus Hermeticum
Franz Bardon
Observação
Nada é destruído; tudo se transforma
Transformação contínua dos elementos e dos estados da manifestação
Ambos descrevem um universo governado por transformação, embora usem linguagens diferentes.
Vida como princípio universal
Fluido vital universal
A vida é vista como uma força que permeia toda a criação.
Mundo como imagem do princípio superior
Lei da Analogia
O plano manifestado reflete princípios superiores.
Deus além de todas as formas
Princípio primordial além das manifestações
Em ambos, o princípio supremo transcende qualquer forma individual.
Princípios Fundamentais
Deus cria continuamente.
A vida possui uma única origem.
A morte é transformação, não aniquilação.
O universo renova continuamente suas formas.
Deus transcende todas as formas sem deixar de manifestá-las.
Fazer o Bem é a própria atividade da Vida divina.
Insights Herméticos
O oposto da vida não é a morte, mas a separação temporária de uma unidade.
Aquilo que desaparece dos sentidos pode apenas ter mudado de estado.
A criação é um fluxo permanente, e não um acontecimento encerrado.
Deus não possui uma forma específica porque é a fonte de todas as formas.
O Bem, no Corpus Hermeticum, é um princípio ontológico: significa comunicar existência, vida e ordem.
Mapa Conceitual
```text
│
Cria continuamente
│
▼
VIDA UNA
│
┌──────────┴──────────┐
│ │
MENTE ALMA
│ │
└──────────┬──────────┘
▼
FORMAS VIVENTES
│
Dissolução da união
▼
TRANSFORMAÇÃO (MORTE)
│
▼
NOVA MANIFESTAÇÃO
```
Perguntas para Contemplação
Se a morte é apenas a dissolução de uma união, como isso modifica minha compreensão sobre o fim da vida?
Em que aspectos percebo, na natureza, os ciclos de ocultamento e renovação descritos por Hermes?
O que significa afirmar que Deus é "omniforme", mas não está limitado por nenhuma forma?
Se fazer o Bem é a própria atividade de Deus, como posso participar conscientemente dessa atividade em minha própria vida?
A Expansão da Consciência e a Compreensão de Deus
Neste trecho, Hermes abandona a descrição cosmológica e conduz o discípulo para uma experiência contemplativa. O ensinamento deixa de ser apenas intelectual e passa a ser um exercício interior: Deus não pode ser compreendido por uma mente limitada à percepção comum. Para conhecê-Lo, é necessário expandir a própria consciência até participar simbolicamente da totalidade.
Deus não contém as coisas como um recipiente
Hermes afirma:
"Todas as coisas estão em Deus."
Mas imediatamente esclarece que isso não deve ser entendido materialmente.
Deus não é um espaço onde as coisas estão guardadas, como objetos dentro de uma caixa.
O próprio conceito de "lugar" pertence ao mundo corporal.
Deus é incorpóreo, e sua presença não ocupa espaço físico.
As coisas estão em Deus porque dependem continuamente do seu ser, não porque estejam localizadas dentro dele.
Sua ideia é muito mais profunda.
Deus não está em um lugar.
O próprio espaço existe porque Deus o sustenta.
A natureza do incorporal
Hermes descreve o incorporal por contraste com o corpo.
O corpo:
ocupa lugar;
possui limites;
move-se lentamente;
encontra obstáculos.
O incorporal:
não possui limites;
não está preso ao espaço;
não sofre impedimentos;
ultrapassa todas as coisas.
Tabela — Corpo e Incorporal
Corpo
Incorporal
Ocupa espaço
Não ocupa espaço
Possui limites
Ilimitado
Sofre obstáculos
Nada o restringe
Move-se no espaço
Está além do espaço
É finito
É ilimitado
O experimento da mente
Hermes propõe um exercício extremamente interessante.
Ele diz:
"Ordena à tua alma para ir à Região Índica."
E afirma:
Antes mesmo da ordem terminar...
...a mente já estará lá.
Depois:
atravessar o oceano;
subir aos céus;
ultrapassar as estrelas;
romper o próprio cosmos.
Tudo isso acontece sem deslocamento físico.
O que Hermes pretende demonstrar?
A consciência não está sujeita às mesmas limitações do corpo.
O pensamento:
não percorre distância;
não necessita de tempo;
não precisa vencer obstáculos físicos.
Esse exercício mostra que existe, no homem, algo que participa da natureza do inteligível.
Exemplo cotidiano
Enquanto você lê esta frase, pode imaginar instantaneamente:
uma galáxia distante;
o oceano;
sua infância;
uma montanha.
Sua mente não percorreu quilômetros.
Ela simplesmente esteve presente ao objeto pensado.
Hermes utiliza exatamente essa experiência para iniciar o discípulo na contemplação do incorpóreo.
A velocidade da mente
Hermes mostra que:
A mente:
atravessa o Sol;
atravessa o éter;
atravessa as estrelas;
ultrapassa o cosmos inteiro.
Nada disso exige movimento físico.
Isso revela uma diferença essencial entre:
movimento corporal;
atividade inteligível.
Conhecer Deus exige tornar-se semelhante a Ele
Hermes apresenta uma das frases mais importantes do Corpus Hermeticum.
"Se não te igualares a Deus, não podes compreender a Deus."
Essa talvez seja uma das afirmações centrais de toda a filosofia hermética.
Ela significa:
não se conhece Deus apenas estudando;
não se conhece Deus apenas acreditando;
conhece-se Deus tornando-se semelhante ao princípio que se deseja compreender.
O semelhante conhece o semelhante.
Correspondência Hermética
Este princípio aparece repetidamente no Corpus Hermeticum:
o puro compreende o puro;
o inteligível compreende o inteligível;
Deus é conhecido por participação.
O conhecimento aqui é transformação interior.
Fazer-se Aion
Hermes então conduz o discípulo a uma meditação.
Ele diz:
"Venha a ser Aion."
Não significa tornar-se literalmente uma divindade.
Trata-se de ampliar a consciência até contemplar o tempo inteiro como uma unidade.
O Aion representa a dimensão eterna da realidade.
Tabela — Expansão da consciência
Etapa
Significado
Sair da identificação com o corpo
Superar os limites sensoriais
Tornar-se Aion
Contemplar a eternidade
Tornar-se imortal
Pensar além da existência corporal
Reunir todas as experiências
Perceber a unidade do Todo
O exercício contemplativo
Hermes praticamente descreve uma prática meditativa.
Ele pede que o discípulo imagine simultaneamente:
fogo;
água;
seco;
úmido;
terra;
mar;
céu;
juventude;
velhice;
nascimento;
morte.
Não como imagens isoladas.
Mas como uma única consciência contendo todas elas.
Mapa da Contemplação
```text
EU LIMITADO↓
abandona a identificação exclusiva com o corpo
↓
expande a consciência
↓
contempla todos os tempos
↓
contempla todos os lugares
↓
contempla todas as formas
↓
percebe a unidade
↓
aproxima-se da compreensão de Deus
```A simultaneidade do Todo
Hermes pede algo extraordinário.
Pensar simultaneamente:
estar na Terra;
estar no mar;
estar no céu;
estar no ventre materno;
ser criança;
ser velho;
morrer;
existir após a morte.
Isso não descreve uma viagem física.
É um exercício para romper a percepção fragmentada.
Conhecer Deus exige abandonar a visão parcial da realidade e contemplar o Todo simultaneamente.
Conceitos-chave
Conceito
Explicação
Incorporal
Aquilo que não ocupa espaço nem sofre limitações materiais.
Aion
A eternidade, dimensão superior ao tempo sucessivo.
Semelhante conhece semelhante
Só é possível conhecer Deus tornando-se semelhante ao princípio divino.
Contemplação
Expansão da consciência além das limitações do corpo.
Totalidade
Percepção simultânea da unidade de toda a realidade.
Correspondências Herméticas
Corpus Hermeticum
Franz Bardon
Observação
Expandir a consciência ao Todo
Expansão da consciência e identificação com o macrocosmo
Ambos descrevem o crescimento da consciência além do ego individual, embora por métodos diferentes.
O semelhante conhece o semelhante
O desenvolvimento interior permite perceber planos mais elevados
Em ambos, o conhecimento depende da transformação do praticante.
Superação da identificação corporal
Separação entre consciência e corpo nos exercícios mentais
A mente não se limita ao corpo físico.
Aion
Estados superiores de consciência ligados ao princípio causal
Ambos distinguem níveis de realidade acima do tempo comum.
Princípios Fundamentais
Deus não ocupa espaço.
O incorpóreo transcende todas as limitações materiais.
A mente participa dessa natureza superior.
O semelhante conhece o semelhante.
A contemplação amplia a consciência até a percepção da unidade.
Conhecer Deus é uma transformação interior, não apenas intelectual.
Insights Herméticos
O pensamento já demonstra que existe em nós algo que não está preso ao espaço físico.
A imaginação contemplativa, para Hermes, não é fantasia, mas um instrumento de ascensão da consciência.
O exercício de reunir tempos, lugares e estados em uma única visão busca romper a percepção fragmentada da realidade.
A frase "faze-te semelhante a Deus" resume toda a pedagogia hermética: o conhecimento supremo nasce da participação, não da observação externa.
O percurso descrito por Hermes é menos uma viagem pelo cosmos do que uma expansão do próprio centro consciente até abarcar simbolicamente o Todo.
Deus Manifesto em Todas as Coisas
Neste trecho final, Hermes encerra o ensinamento com uma exortação prática. Depois de explicar a natureza de Deus, do cosmos e da mente, ele mostra que o maior obstáculo para conhecer Deus não é a distância entre o homem e o divino, mas a limitação que o próprio homem impõe a si mesmo. A ignorância nasce quando a consciência se identifica apenas com o corpo e esquece sua origem superior.
A prisão da consciência
Hermes descreve uma atitude interior que aprisiona o homem.
"Nada compreendo, nada posso; temo o mar, não posso subir para o céu; não sei quem eu era, não sei quem serei."
Essas frases representam a consciência limitada pela matéria.
Não significam apenas medo físico, mas uma postura existencial:
acreditar ser apenas um corpo;
pensar que a realidade termina nos sentidos;
esquecer a própria origem espiritual;
viver preso às limitações aparentes.
A verdadeira prisão do homem não é o corpo, mas acreditar que ele é somente o corpo.
Ela nasce quando o homem reduz sua identidade ao mundo material.
Enquanto a mente permanece identificada apenas com o corpo, ela perde a capacidade de contemplar o Todo.
O maior mal
Hermes afirma categoricamente:
"O mal supremo é o desconhecer a Deus."
Essa frase resume praticamente toda a ética hermética.
O mal não aparece aqui como uma força rival de Deus.
Ele nasce da ignorância.
Quando o homem ignora sua origem:
vive apenas para os sentidos;
esquece sua natureza inteligível;
afasta-se do Bem.
Tabela — O mal segundo Hermes
Não é o mal
O verdadeiro mal
Sofrimento físico
Desconhecimento de Deus
Pobreza
Ignorância espiritual
Limitações externas
Esquecimento da própria origem
Corpo
Identificação exclusiva com o corpo
O caminho do Bem
Hermes surpreende ao afirmar que o caminho não é complicado.
Ele diz que o caminho do Bem é:
direto;
fácil;
acessível.
Mas exige três atitudes fundamentais:
querer conhecer;
buscar conhecer;
esperar conhecer.
Ou seja:
a disposição interior precede a revelação.
Mapa Hermético
```text
Desejo sincero↓
Busca
↓
Conhecimento
↓
Reconhecimento de Deus
↓
União com o Bem
```Deus encontra quem o procura
Hermes faz uma das afirmações mais belas do Corpus Hermeticum.
"Ele te encontrará caminhando em todo lugar."
Deus não precisa ser procurado em um lugar específico.
Ele pode ser percebido:
acordado;
dormindo;
caminhando;
navegando;
falando;
em silêncio;
durante o dia;
durante a noite.
A presença divina não depende do lugar, mas da disposição da consciência.
O encontro não acontece porque o homem percorre grandes distâncias.
Acontece porque sua percepção muda.
A invisibilidade de Deus
Hermes então questiona:
"Dizes que Deus é invisível?"
E responde imediatamente:
"Há alguém mais manifesto do que Ele?"
À primeira vista isso parece contraditório.
Mas é justamente o centro da metafísica hermética.
Deus é invisível como objeto...
...mas absolutamente visível através de suas obras.
Tabela — Invisível e Manifesto
Como objeto
Como causa
Invisível
Totalmente manifesto
Não possui forma
Todas as formas o revelam
Não é visto diretamente
É percebido por tudo o que existe
Não aparece aos sentidos
Manifesta-se em toda a criação
Deus manifesta-se através da criação
Hermes explica por que existe o universo.
"Ele fez todas as coisas para que através delas o vejas."
O mundo torna-se uma linguagem.
Cada ser:
manifesta uma inteligência;
revela uma ordem;
expressa uma causa superior.
A contemplação da natureza conduz à contemplação do Criador.
Exemplo
Assim como uma pintura revela seu pintor...
...o cosmos revela seu Demiurgo.
Não porque Deus seja idêntico ao universo,
mas porque sua ação permanece presente em tudo aquilo que existe.
O Nous vê Deus
Hermes conclui distinguindo duas formas de percepção.
"O nous é visível no pensar; Deus é visível no fazer."
Essa frase resume boa parte do Corpus Hermeticum.
O Nous manifesta-se quando pensamos.
Deus manifesta-se quando contemplamos:
a ordem;
a vida;
o movimento;
a criação;
a inteligência presente no cosmos.
Tabela — Como perceber cada realidade
Realidade
Como é percebida
Corpo
Pelos sentidos
Nous
Pelo pensamento
Deus
Pela contemplação de sua ação em todas as coisas
O convite final de Hermes
Hermes encerra dizendo:
"Pensa segundo ti mesmo todas as outras coisas semelhantemente e não serás enganado."
Ele deixa de transmitir apenas ensinamentos.
Entrega um método.
O discípulo deve aprender a contemplar toda a realidade segundo os mesmos princípios:
unidade;
ordem;
inteligência;
manifestação do divino.
Não basta repetir os discursos.
É preciso aprender a enxergar.
Conceitos-chave
Conceito
Explicação
Desconhecimento de Deus
A verdadeira raiz do mal segundo Hermes.
Corpo
Não é o problema; o problema é identificar-se exclusivamente com ele.
Nous
Faculdade que permite perceber o inteligível.
Deus manifesto
Invisível em si, mas revelado continuamente por suas obras.
Contemplação
Método de reconhecer Deus através da ordem do universo.
Correspondências Herméticas
Corpus Hermeticum
Franz Bardon
Observação
O maior mal é ignorar Deus
O desenvolvimento espiritual exige autoconhecimento e aproximação do princípio divino
Ambos colocam a ignorância como o maior obstáculo ao progresso espiritual.
Deus manifesta-se em toda a criação
O macrocosmo revela as leis universais
A natureza é vista como expressão das leis divinas.
Conhecimento nasce da contemplação
A observação consciente da natureza é parte da iniciação
Em ambos, o estudo do universo conduz ao conhecimento espiritual.
O semelhante percebe o semelhante
A purificação interior amplia a percepção dos planos superiores
A transformação do praticante é condição para compreender o divino.
Princípios Fundamentais
O maior mal é ignorar Deus.
A limitação nasce da identificação exclusiva com o corpo.
O caminho para o Bem começa pelo desejo sincero de conhecer.
Deus manifesta-se em toda a criação.
O universo é um espelho da inteligência divina.
O nous percebe Deus pela contemplação de suas obras.
Insights Herméticos
Hermes desloca a busca de Deus do espaço exterior para a transformação da consciência.
O universo não é apenas criação; é também uma linguagem simbólica pela qual Deus se torna cognoscível.
A invisibilidade de Deus não significa ausência, mas transcendência: Ele não pode ser visto como um objeto porque é a causa de todos os objetos.
O ensinamento final transforma a contemplação da natureza em um exercício permanente de gnose.
O convite "pensa segundo ti mesmo todas as outras coisas semelhantemente" mostra que Hermes não deseja formar repetidores de doutrinas, mas contempladores capazes de reconhecer o divino em toda a realidade.
Fonte original colada
Libellus XΙ — Nous para Hermes
1Guarda, portanto, o discurso, ó Hermes Trismegistos, e memoriza as coisas que são ditas, e como ocorreu a mim, não hesitarei em dizer — Como muitos têm dito muitas coisas acerca do Todo e acerca de Deus, e essas são explicações diferentes, eu não aprendi a verdade. Tu, senhor, explana-me sobre isso; pois também para que eu possa acreditar somente em ti por causa da revelação acerca disso. 2 — Escuta, ó filho, como Deus possui o todo. Deus, o aion, o mundo, o tempo, a gênese. Deus faz o aion; e o aion, o mundo; e o mundo, o tempo; e o tempo, a gênese. E de Deus, como substância, é o Bem, o Belo, a Felicidade, a Sabedoria; e do aion, a identidade; e do mundo, a ordem; e do tempo, a metábole; e da gênese, a vida e a morte. E a energia de Deus é o nous e a alma; e do aion, a permanência e a imortalidade; e do mundo, a apocatástase e a antapocatástase; e do tempo, o aumento e a diminuição; e da gênese, a qualidade e a quantidade. Portanto, o aion está em Deus; e o mundo, no aion; e o tempo, no mundo; e a gênese, no tempo. E, deveras, o aion tem se estabelecido em torno de Deus, e o mundo é movido no aion, e o tempo passa no mundo, e a gênese vem a ser no tempo.
3Portanto, tanto Deus é fonte de todas as coisas como o aion é essência, e o mundo é matéria. Porém o aion é a potência de Deus; e obra do aion, o mundo, jamais tendo vindo a ser, e sempre vindo a ser pelo aion; por isso nem será destruído jamais (pois o aion é indestrutível) nem alguma das coisas no mundo é destruída, porque o mundo é contido pelo aion. — Mas o que é a Sabedoria de Deus? — O Bom e o Belo e a Felicidade e todas as virtudes e o aion. Portanto, o aion ornamenta a imortalidade e a permanência, sendo introduzido pela matéria.4 Pois o engendramento tem dependido do aion, como também o aion tem dependido de Deus. Pois o engendramento e o tempo existem no céu e na terra, sendo diferentes: tanto imutáveis e incorruptíveis no céu como mutáveis e corruptíveis na terra. E Deus é a alma do aion; e o aion, do mundo; e o céu, da Terra. E Deus está na mente; a mente, na alma; a alma, na matéria; e todas essas coisas através do aion. E todo esse corpo, no qual todos esses corpos existem, a alma plena de mente e de Deus tanto o preenche interiormente como o envolve externamente, avivando o Todo: tanto avivando interiormente esse grande e perfeito vivente, o mundo, como avivando internamente todos os viventes; e tanto perseverando pela identidade em cima, no céu, como transformando o engendramento embaixo, na Terra.
5E o aion reúne esse mundo, seja por necessidade, seja por providência, seja por natureza ou também por alguma outra coisa que alguém pensa ou pensará ser. Esse Todo é Deus operando, e a energia de Deus, potência sendo insuperável, com a qual nem as coisas humanas nem as divinas alguém possa comparar. Por isso, Hermes, nunca das coisas superiores nem das inferiores pensarás ser alguma coisa semelhante a Deus, visto que tu te desviarás da verdade; pois nem é semelhante ao dessemelhante e ao Um e Único. E nem pensarás em conceder a potência a algum outro. Pois depois daquele, existe algum feitor de vida e de imortalidade e de metábole? E que outra coisa a não ser que ele possa fazer? Pois Deus não é inativo, visto que todas as coisas seriam inativas. Pois todas as coisas estão cheias de Deus. E nem no mundo existe inação em nenhum lugar, nem em alguma outra coisa; pois inação é um nome vazio, tanto do que faz como do que vem a ser, 6 e é necessário que todas as coisas sempre venham a ser e de acordo com o momento de cada lugar. Pois o que faz existe em todas as coisas, não tendo sido fixado em alguma coisa, nem fazendo em alguma coisa, mas fazendo todas as coisas. Pois a potência sendo energética, não é autossuficiente pelos que vêm a ser, mas as coisas que vêm a ser lhe são submetidas. E contemple através de mim o mundo subjacente à tua visão, e o compreenda com exatidão, o corpo inteiro e do qual nada será mais velho, porém, será continuamente vigoroso e novo, e mais e mais vigoroso 7 Veja também os sete mundos subjacentes ornamentados pela ordem eterna e pelo curso diferente, enchendo o aion, e todas as coisas repletas de luz, porém em lugar nenhum há fogo; pois a amizade e a combinação dos contrários e dos dessemelhantes têm vindo a ser luz, e sendo iluminada pela energia de Deus, Gerador de todo bem e Arconte de toda ordem e Líder dos sete mundos; e veja a Lua, a precursora de todos aqueles, instrumento da natureza transformando a matéria daqui de baixo; veja a terra no meio do Universo, sedimento fixado do belo mundo, nutriz e ama dos terrestres. E contemple também quão grande é a massa dos viventes imortais e dos mortais, e contemple a lua rodeando no meio de ambos, dos imortais e dos mortais. 8 e todas as coisas plenas de alma e todas as coisas sendo movidas, tanto as ao redor do céu, como as ao redor da terra; e nem as coisas da direita estão sobre as da esquerda, nem as da esquerda estão sobre as da direita, nem as de cima sobre as de baixo nem as debaixo sobre as de cima. E também que todas essas coisas são geradas, ó caríssimo Hermes, já não necessitas aprender de mim. Pois também os corpos têm alma e são movidos. É impossível agregar esses em um ser sem aquele que agrega; portanto é necessário esse alguém existir e ser totalmente um. 9 Pois sendo os movimentos diferentes e muitos, e os corpos sendo não semelhantes, e existindo uma única velocidade ordenada a todos os corpos, é impossível dois ou mais feitores existirem; pois uma única ordem não é cumprida passando por cima de muitas outras. E a emulação do melhor é seguida por muitos. E te digo: se também outro fosse o feitor dos viventes mutáveis e mortais, também ele desejaria fazer os imortais, assim como também ele sendo o feitor dos imortais desejaria fazer os mortais. E vamos também supor que se existem dois, sendo uma a matéria e uma a alma, a quem caberia o cuidado da feitoria? E se algo cabe aos dois, a quem caberá a maior parte?
10E assim compreenda, como feitor de todo corpo vivente tendo a combinação de matéria e alma, também do imortal e do mortal, e do racional e do irracional; pois todos os corpos viventes são animados, e os não viventes são matéria por si mesma, e a alma semelhantemente por si mesma é a causa da vida, aquela subjacente ao feitor, e todo causador da vida é o causador das coisas imortais. Portanto, como também o feitor cria os viventes mortais não criaria outros dos viventes imortais? E como o Imortal que faz a imortalidade não faz as coisas mortais dos viventes? 11 E que há alguém que criou essas coisas é evidente; e que também é Um, isso é mais manifesto: pois também há uma alma e uma vida e uma matéria. E quem é esse? E qual é outro senão o Único Deus? A que outro também possa ser apropriado fazer os viventes animados senão somente a Deus?
Portanto Um é Deus. †O mais ridículo é que† também concordaste ser sempre um o mundo e o Sol e ser sempre uma a Lua e ser sempre uma a Divindade, mas queres que Deus mesmo seja um dentre quantos?
12Pois ele faz todas as coisas † ridicularizado pela massa†. E se tu fazes tantas experiências diversificadas, o que há de tão grande em Deus fazer a vida, a alma, a imortalidade e a metábole? Pois também vês, falas, escutas, cheiras, tocas, andas, pensas e respiras; e não é outro o que vê, e não é outro o que ouve, e não é outro o que fala, e não é outro o que tem tato, e não é outro o que tem olfato, e não é outro o que anda, também não é outro o que pensa, também não é outro o que respira, mas um são todas essas coisas. Mas não são possíveis serem aquelas coisas sem Deus. Pois, assim como, se fores desvinculado dessas, já não és vivente; assim nem Deus será desvinculado daquelas, o que não é justo dizer, já não é Deus.
13Pois se tem sido demonstrado a ti que tu, não fazendo, não podes existir, quanto mais Deus? Pois se existe algo que ele não faz, o que não é justo dizer, ele é imperfeito; e se não é inativo, mas perfeito, então ele faz todas as coisas. Porém se te entregares a mim por um breve tempo, ó Hermes, compreenderás facilmente que é uma a obra de Deus, para que todas as coisas vindo a ser venham a ser; ou as que uma vez tendo existido existam; ou as que havendo de vir a ser existam. E isso é, ó querido, vida. E isso é o Belo, e isso é o Bem, isso é Deus. 14 E se também queres compreendê-lo pela obra, veja o que acontece em ti quando queres engendrar; mas isso não é semelhante àquele; logo não tem prazeres; pois não tem outro cooperador; pois sendo perpetrador, sempre está na obra, ele sendo o que faz; pois se puderem ser separadas dele, tanto será necessário que todas as coisas desabem como será necessário que todas as coisas morram, como não tendo vida. E se todas as coisas são viventes, e também a vida é uma, e então Deus é Um. E novamente se todos os viventes existem, existem os viventes no céu e os viventes na terra. E a vida de todos vem a ser uma por Deus, e esta é Deus. Logo, por Deus todas as coisas vêm a ser, e a vida é a união da mente e da alma; e a morte não é a destruição dos elementos congregados, mas a dissolução da união.
15Por isso, o aion é a imagem de Deus; e o mundo, do aion; e o Sol, do mundo; e o homem, do Sol; e dizem que a metábole é morte, tanto pelo fato de o corpo se dissolver como de a vida ir para o obscuro. Digo que as coisas dissolutas, e por essa razão, ó meu querido Hermes, também o mundo, †porque escutas reverentemente†, são transformadas pelo simples fato de que cada parte do mundo vem a estar no obscuro a cada dia, mas nunca é destruída. E essas são as paixões do mundo: rotações e desaparecimentos. E tanto a rotação é um giro como a dissimulação é uma renovação. 16 E ele é omniforme, não tendo as formas envoltas, e em si mesmo ele mudando as formas. Portanto, visto que o mundo é omniforme, tem vindo a ser, o que pode ser aquele que o fez? Pois, de fato, amorfo não poderia ser. E se também é omniforme, semelhante ao mundo será. Mas tendo apenas uma forma? Segundo isso, ele será menor que o mundo. Então, o que diremos ser ele, para que circundemos em aporia? Pois nada sendo pensado sobre Deus é embaraçante; portanto, tem uma forma. Se há alguma forma dele, a qual em visão não possa ser colocada, é incorporal. E mostra todas as formas através dos corpos.
17E não admires se houver alguma forma incorporal; pois é como a imagem da palavra; e nas pinturas, os cimos das montanhas são vistos sobressaindo, porém são lisos por natureza e são completamente planos. E compreenda o que está sendo dito, o que é mais ousado e mais verdadeiro: pois como o homem sem vida não pode viver, desse modo, nem Deus pode viver não fazendo o Bem. Pois isso é como vida e como movimento de Deus, mover todas as coisas e fazer os viventes.18 E algumas das coisas que são faladas devem ter seu próprio significado; por exemplo, compreenda o que digo: todas as coisas estão em Deus. Não como as que jazem em um lugar (de fato, o lugar é também corpo, e é um corpo imóvel, e as coisas que jazem não têm movimento); mas ele se estabelece de outra maneira numa manifestação incorporal. Compreenda aquele que contém todas as coisas, e entenda que nem é restritivo, nem há nada mais rápido nem mais poderoso que o incorporal; mas ele é o mais ilimitado, mais rápido e mais poderoso do que todas as coisas.
19E assim pensa de ti mesmo, e ordena à tua alma para ir à Região Índica, e mais rápida do que tua ordem lá estará. Ordena-lhe atravessar sobre o oceano, e, assim, lá rapidamente estará também, não como que mudasse de um lugar para outro, mas como que estivesse lá. Ordena-lhe voar alto para o céu, e nem necessitará de asas. E nenhum obstáculo haverá para ela, nem o fogo do Sol, nem o éter, nem o tornado, nem os corpos estelares; mas atravessando todas as coisas, voará alto até o último corpo. E se quiseres rompê-lo todo e contemplar as coisas externas (se, pelo menos, algo externo do mundo existir), isso te será lícito.
20Vê quanta potência e quanta velocidade tens; se, então, podes essas coisas, e Deus não poderia? Portanto, desta forma compreenda Deus, como o ter em si mesmo todos os significados, o mundo, o si mesmo, o Todo.
Portanto, se não te igualares a Deus, não podes compreender a Deus; pois o inteligível é semelhante ao semelhante. Faça a ti mesmo crescer com uma grandeza incomensurável, saltando do corpo inteiro, e venha a ser Aion, erguendo todo o tempo, e compreenderás a Deus; resistindo, nada é impossível a ti, conduza a ti mesmo sendo imortal e podendo entender todas as coisas, toda técnica e toda episteme, e o hábito de todo vivente; e venha a ser mais alto que toda a altura e mais profundo que toda profundeza; e junte todas as sensações de todas as coisas criadas em ti mesmo, do fogo, da água, do seco, do úmido, e semelhantemente estar em tudo, na Terra, no mar, no céu, e jamais ter vindo a estar; estar na barriga, ser jovem e velho, e ter vindo a morrer, e ser as coisas depois da morte; e todas estas coisas tendo pensado, a saber, tempos, lugares, práticas, qualidades e quantidades, podes compreender a Deus. 21 E se trancares tua alma no corpo e a humilhares e disseres: “nada compreendo, nada posso; temo o mar, não posso subir para o céu; não sei quem eu era, não sei quem serei”, o que há entre ti e Deus? Pois não podes nenhuma das coisas belas e boas, enquanto és amante do corpo e mau. Pois o mal supremo é o desconhecer a Deus; porém o caminho do Bem é †propriamente direto† e fácil, produzindo o poder conhecer e o querer conhecer e o esperar conhecer. Ele te encontrará caminhando em todo lugar e será visto em todo lugar, onde e quando não esperares, acordando, dormindo, navegando, caminhando, de noite, de dia, falando, silenciando; pois nada é que ele não é.
22Então dizes que “Deus é invisível”? Bendize. E há alguém mais manifesto do que ele? Por isso mesmo ele fez todas as coisas, para que, através de todas as coisas o vejas. Isso é o Bem de Deus, e está é sua virtude: ser manifestado através de todas as coisas; pois nada é invisível, nem dos incorpóreos. O nous é visível no pensar, Deus é visível no fazer.
Essas coisas têm sido manifestadas a ti até esse ponto, ó Trismegistos; porém, pensa segundo ti mesmo todas as outras coisas semelhantemente e não serás enganado.
Magia Prática: Caminho do Adepto
Magia Prática: Caminho do Adepto
INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO
FORÇAS OCULTAS
ComentárioBardon apresenta essa explicação como consequência lógica de sua cosmologia hermética, segundo a qual a vida depende da interação harmoniosa entre diferentes princípios sutis.
Fonte original colada
Sugestão No capítulo sobre o subconsciente esse tema já foi por mim abordado, ao descrever a auto-sugestão ou auto-influência. As mesmas regras valem também para a sugestão sobre outras pessoas. Um pré-requisito para isso é que a fórmula da sugestão seja mantida, ao pé da letra, na forma verbal presente a imperativa. Em função do seu desenvolvimento espiritual o mago poderá transpor a sugestão desejada ao subconsciente de qualquer pessoa que não possua maturidade suficiente, sugestão esta que não precisará necessariamente ser pronunciada em voz alta, mas poderá ser formulada em pensamento ou telepaticamente. Para um mago é bastante fácil transmitir sugestões mesmo a grandes distâncias. Isso pode ser feito de duas maneiras; uma delas é procurar, com o espírito, a pessoa em questão, para influenciá-la sugestivamente, de preferência enquanto ela estiver dormindo. A outra seria desligar, através do Akasha, a distância que o separa do sujeito a ser sugestionado. Nem preciso dizer que nas sugestões à distância o mago também poderá usar o espelho mágico. É óbvio que uma sugestão poderá ser dada de forma a surtir efeito só num futuro distante, Le., o momento exato para que a sugestão surta...

