Aparência
Fonte
Tema
Modo

Desenvolvimento Pessoal / Estoicismo

Autoconhecimento

Assunto reunido a partir de 9 trechos de livros cadastrados.

4livros9trechos1assunto principal8mencao no texto
Desenvolvimento PessoalEstoicismoestoicismopratica

Comparacao bibliografica

9 registros
Franz Bardon5 trechos

Magia Prática: Caminho do Adepto

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU II

Sem paginamencao no texto
Abrir livro

...dos só os pensamentos mais belos e puros, pois estes serão levados depois ao sono profundo." FIM DO SEGUNDO GRAU [Conceito-chave do Grau II] Enquanto o Grau I teve como objetivo o autoconhecimento e o controle inicial do espírito, da alma e do corpo, o Grau II aprofunda esse trabalho por meio da concentração, da auto-sugestão, do equilíbrio dos elementos e do domínio consciente do corpo, preparando o aprendiz para ex...

Fonte original colada

Entendido! Vou reiniciar a numeração a partir de 1 para este documento: 1. GRAU II 1.1 Auto-Sugestão ou o Mistério do Subconsciente Antes de passar à descrição de cada um dos exercícios do segundo grau, tentarei explicar o mistério do subconsciente a seu significado prático. Assim como a consciência normal, que possui sua morada na alma a age no corpo, ou melhor, na cabeça através do cérebro, o subconsciente também é uma característica da alma e encontra-se no cerebelo, isto é, na parte posterior da cabeça. Considerando a sua utilização prática na magia, estudaremos principalmente a função psicológica do cerebelo, portanto, do subconsciente. Em toda pessoa consciente de seus cinco sentidos a esfera da consciência normal está intacta, isto quer dizer que a pessoa está em condições de fazer use contínuo das funções de sua consciência normal. Como constatado pelas nossas pesquisas, não existe uma única força no Universo, assim como no homem, que não apresente o seu oposto. É por isso que podemos considerar a subconsciência como o oposto da consciência normal. Aquilo que na consciência normal entendemos como pensamento, sentimento, vontade, memória, razão, compreensão, reflete-se no no...

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU VI

Sem paginamencao no texto
Abrir livro

Instrução Mágica do Espírito (VI) Meditação sobre o Próprio Espírito Neste grau, Bardon introduz uma prática voltada ao autoconhecimento do espírito.

Fonte original colada

Antes de descrever os exercícios do sexto grau, eu gostaria de enfatizar novamente que todos os exercícios até agora apresentados devem estar totalmente dominados para que o equilíbrio seja mantido, inclusive nas etapas mais avançadas do desenvolvimento. Seria totalmente sem sentido pular qualquer uma dessas etapas, ou excluir a negligenciar qualquer um dos exercícios. Surgiria uma lacuna evidente, a seria muito difícil para o aluno recuperar um ou outro exercício depois. Portanto, a conscienciosidade é uma précondição muito importante para o sucesso! Instrução Mágica do Espírito (VI ) Meditação Sobre o Próprio Espírito Nesse grau nós estudaremos a meditação sobre o espírito. Na parte teórica deste livro eu já descrevi em detalhes o que é a esfera mental e o corpo mental, portanto o espírito. A missão desse grau é efetuar um retrato do próprio espírito com suas funções, relativamente aos quatro elementos, além de diferenciar essas funções entre si, o que pode ser realizado através de uma meditação especial. As características do espírito relativas aos quatro elementos são as seguintes: a vontade, que está subordinada ao princípio do fogo; o intelecto, com todos os seus aspectos par...

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU VII

Sem paginamencao no texto
Abrir livro

Segundo ele, esse estudo não foi apenas um exercício de autoconhecimento, mas também um meio de descobrir qual elemento predomina no corpo astral e, consequentemente, onde se encontra o principal centro de percepção sensitiva.

Fonte original colada

1.1Instrução Mágica do Espírito (VII) 1.1.1 Análise do Espírito em Relação à Prática No sexto grau o aluno aprendeu a tomar consciência do próprio espírito, tratá-lo no corpo como espírito a também a usar os sentidos conscientemente. Nesse grau passaremos a acompanhar e a utilizar conscientemente as qualidades do espírito ou do corpo mental. Além disso, como nos outros lugares, aqui também devemos levar em conta as analogias dos elementos. Como já dissemos, o elemento fogo pode ser transformado em luz a vice-versa, a luz no elemento fogo. Sem a luz não haveria a assimilação das cores pela visão, a sem a luz não poderíamos nem usar os nossos olhos. Por isso o sentido da visão é análogo ao fogo, a esse elemento fogo no espírito possui como característica específica a vontade. A característica do espírito correspondente ao ar é o intelecto, com todos os seus aspectos, e é atribuído à audição. O elemento água do espírito manifesta-se no tato ou na vida. Esses três elementos-princípios do espírito, portanto fogo, ar a água juntos, formam o princípio da terra, que se manifesta na característica específica da consciência. Em sua forma mais primitiva, o princípio do Akasha se manifesta na...

FRASES

FRASES

Sem paginamencao no texto
Abrir livro

AUTOCONHECIMENTO

A meditação deve revelar a atuação de cada função espiritual em si mesmo.

O conhecimento das funções do espírito permite fortalecê-las, dominá-las ou modificá-las conscientemente.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO

Sem paginamencao no texto
Abrir livro

O livro dirige-se principalmente aos leitores que buscam sinceramente: a verdade; o autoconhecimento; o conhecimento espiritual.

Fonte original colada

Conclusão Como mencionei na introdução deste livro, esta obra de iniciação não é um meio para um fim; não se destina à obtenção de riqueza, poder, glória a fama, mas é um estudo sério sobre o homem, portanto sobre o microcosmo em relação ao macrocosmo, com as suas leis. Em conseqüência disso o leitor poderá formar uma perspectiva totalmente nova sobre a magia a nunca mais rebaixá-la à condição de feitiçaria e evocação do demônio. Naturalmente cada leitor avaliará esta obra de iniciação de um ponto de vista muito individual. Uma pessoa de visão totalmente materialista, que não acredita em nada a que não sabe nada sobre o mundo sobrenatural, mas só conhece o mundo material, definirá esta obra como simples utopia. Não é função deste livro despertar alguma crença nessa pessoa ou conquistá-la, mudando a sua opinião a convencendo-a a adotar outro ponto de vista. Este livro é dedicado principalmente àqueles leitores que procuram a mais pura verdade e o conhecimento mais elevado. Muitas vezes a pessoa é convencida ou até induzida a seguir alguma direção espiritual, a passa pela experiência de ver essas diversas tendências tomarem-se inimigas, por causa da inveja ou da prepotência. O verdad...

Marco Aurélio2 trechos

Meditações

DESENVOLVIMENTO PESSOAL / ESTOICISMO / MEDITAÇÕES

Sobre o tempo e a procrastinação

Sem paginamencao no texto
Abrir livro

No estoicismo, viver bem é usar o tempo com clareza e intenção, voltado ao autoconhecimento e à ação correta.

DESENVOLVIMENTO PESSOAL / ESTOICISMO / MEDITAÇÕES

Sobre o Domínio da Mente

Sem paginamencao no texto
Abrir livro

Tradução psicológica (moderna) Relaciona-se com autoconhecimento e regulação interna.

Hermes Trismegisto1 trecho

Corpus Hermeticum Graecum

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Libellus I - Poimandres de Hermes Trismegisto

O Autoconhecimento e o Caminho de Retorno

Sem paginaassunto principal
Abrir livro

Depois de explicar a origem do homem e sua união com a Natureza, o Corpus Hermeticum passa a tratar da finalidade da existência humana. O foco do discurso deixa de ser a criação do cosmos e passa a ser o destino da alma, o significado da morte e o caminho pelo qual o homem pode retornar à sua condição primordial.

Segundo o tratado, o problema fundamental do homem não é a existência do corpo, mas o esquecimento de sua verdadeira natureza.


A geração da humanidade

Hermes pede que Poimandres continue o ensinamento.

Poimandres responde retomando o ponto em que havia interrompido o discurso.

Segundo o tratado, a Terra possuía uma natureza feminina e receptiva, enquanto a água exercia a função fertilizadora.

O fogo fornecia o princípio de maturação e o éter comunicava o pneuma, isto é, o sopro vital.

Desse modo, a Natureza produziu os corpos segundo a imagem do Homem primordial.

Entretanto, o Homem não era apenas corpo.

O texto afirma:

"O Homem, de vida e luz, veio a ser em alma e mente."

Essa frase resume a constituição do ser humano segundo o Corpus Hermeticum.

Aspecto

Origem

Corpo

Produzido pela Natureza.

Alma

Procede da Vida.

Mente (Nous)

Procede da Luz divina.

A separação dos sexos

Poimandres explica que, terminado um determinado ciclo da criação, ocorreu uma transformação importante.

Até então, os seres eram apresentados como macho-fêmea.

Por vontade de Deus, essa unidade foi desfeita.

O texto afirma que todos os viventes passaram a existir como machos e fêmeas separados.

Em seguida, Deus pronuncia uma palavra sagrada:

"Crescei em crescimento e multiplicai em multidão todas as criaturas."

Essa passagem recorda a ideia de expansão da vida e da continuidade das espécies.

Entretanto, o tratado acrescenta imediatamente uma instrução que ultrapassa a simples reprodução.

"O sensato reconheça a si sendo imortal."

Assim, a multiplicação da vida física é acompanhada por um chamado ao despertar espiritual.


O verdadeiro sentido da morte

Logo após falar sobre a imortalidade, Deus acrescenta:

"Reconheça que a causa da morte é o eros."

Essa é uma das afirmações mais profundas e também mais frequentemente mal compreendidas do Poimandres.

O termo grego eros não se refere apenas ao desejo sexual.

No contexto do tratado, ele representa o apego apaixonado ao mundo sensível.

Segundo o texto, não é o corpo em si que produz a morte espiritual.

É a identificação exclusiva com aquilo que é transitório.

Providência, Heimarmene e liberdade

O tratado continua afirmando que:

  • a Providência atua;

  • a Heimarmene organiza;

  • a Harmonia estabelece os engendramentos.

Tudo passa a multiplicar-se segundo sua própria espécie.

Entretanto, Poimandres estabelece uma distinção entre dois tipos de seres humanos.

Quem...

Resultado

Reconhece a si mesmo

Alcança o bem próprio.

Ama apenas o corpo

Permanece na escuridão.

Essa oposição percorre todo o restante do tratado.

O verdadeiro problema não é possuir um corpo.

É viver como se somente ele existisse.


Por que os homens permanecem na morte?

Hermes então formula uma pergunta essencial.

"Por que tanto erram os ignorantes?"

Poimandres responde perguntando se Hermes realmente refletiu sobre aquilo que ouviu.

Após Hermes demonstrar que compreendeu parcialmente o ensinamento, Poimandres explica que a morte procede da própria natureza corporal.

Segundo o tratado, o corpo nasce da natureza sensível.

E aquilo que nasce no mundo da geração também participa da dissolução.

O erro do homem consiste em identificar completamente sua identidade com aquilo que inevitavelmente perece.


Conhecer a si mesmo

Poimandres recorda uma expressão já pronunciada anteriormente:

"O que compreende a si mesmo vai para si."

Hermes explica essa frase dizendo:

"Porque de luz e vida se consiste o Pai de todos, do qual tem se originado o Homem."

Poimandres confirma essa interpretação.

Segundo ele, quem aprende que sua origem está na Vida e na Luz retorna novamente para essa mesma Vida.

Quem possui o Nous?

Hermes faz uma pergunta surpreendente:

"Então nem todos os homens possuem Nous?"

Poimandres responde de maneira cuidadosa.

Ele afirma aproximar-se:

  • dos santos;

  • dos bons;

  • dos puros;

  • dos misericordiosos;

  • dos devotos.

Segundo o tratado, a presença do Nous torna-se auxílio para essas pessoas.

Graças a essa presença:

  • conhecem todas as coisas;

  • voltam-se amorosamente para o Pai;

  • vivem em gratidão;

  • cantam hinos;

  • desapegam-se das paixões do corpo.

O texto apresenta o Nous não apenas como um princípio cósmico, mas também como uma presença ativa na transformação interior do ser humano.


A proteção do Nous

Poimandres acrescenta uma ideia importante.

Ele afirma:

"Eu mesmo não permitirei que as atividades viciosas sejam levadas a termo."

Segundo o tratado, o Nous atua como um guardião da consciência.

Ele fecha as portas pelas quais os impulsos desordenados procuram dominar o homem.

Essa imagem sugere uma cooperação entre o esforço humano e a presença da Inteligência divina.


O afastamento do Nous

Em contraste, Poimandres descreve a condição daqueles que permanecem presos aos vícios.

Ele cita:

  • os insensatos;

  • os maliciosos;

  • os invejosos;

  • os avarentos;

  • os assassinos;

  • os ímpios.

Segundo o tratado, nesses casos o Nous se afasta.

Em seu lugar atua um daimon vingador.

É importante observar que o texto não descreve esse daimon de maneira detalhada.

Sua função aparece como a de intensificar as consequências das próprias escolhas desordenadas.

Quanto mais o indivíduo se entrega aos desejos descontrolados, mais permanece preso ao sofrimento e às trevas.

A ascensão da alma

Hermes pede então que Poimandres explique como ocorre a ascensão.

Essa pergunta introduz um dos ensinamentos mais importantes de todo o tratado.

Poimandres responde descrevendo o início do processo após a dissolução do corpo.

Segundo o texto:

  • o corpo retorna à mudança;

  • sua aparência desaparece;

  • os hábitos ligados ao corpo são abandonados;

  • as sensações retornam às suas próprias fontes;

  • a ira;

  • a concupiscência;

retornam à natureza irracional.

Percebe-se que o tratado descreve a morte como uma separação progressiva entre aquilo que pertence à Natureza e aquilo que pertence ao princípio espiritual.

O que retorna

Destino segundo o tratado

Corpo

À transformação da Natureza.

Sensações

Às suas próprias fontes.

Ira

À natureza irracional.

Concupiscência

À natureza irracional.

O texto interrompe a descrição nesse ponto para desenvolvê-la na sequência do tratado.


A ascensão da alma através das esferas

Depois de explicar que, na morte, o corpo retorna à Natureza e que as paixões inferiores são abandonadas, Poimandres descreve a etapa seguinte da jornada da alma.

Segundo o Corpus Hermeticum, a ascensão não ocorre instantaneamente. A alma atravessa sucessivamente as sete esferas planetárias, libertando-se, em cada uma delas, das influências que adquiriu durante sua existência no mundo sensível.

Essa subida representa um processo de purificação, no qual tudo aquilo que pertence ao domínio da Heimarmene é progressivamente deixado para trás.

O abandono das influências das sete esferas

Poimandres descreve que, em cada zona celeste, a alma entrega uma determinada potência ou inclinação ligada à existência terrena.

Esfera

O que é abandonado

Primeira

A energia aumentativa e diminutiva, ligada aos processos de crescimento e decadência da vida corporal.

Segunda

A maquinação dos maus e o dolo, que se tornam inoperantes.

Terceira

O engano licencioso, fruto dos desejos desordenados.

Quarta

A ostentação e a vaidade da posição ou do poder.

Quinta

A presunção, a temeridade e a audácia imprudente.

Sexta

A cobiça e os maus recursos associados à riqueza.

Sétima

A mentira ardilosa e toda forma de falsidade.

Segundo o Corpus Hermeticum, essas características não pertencem ao homem essencial, mas foram adquiridas durante sua permanência no mundo governado pela Heimarmene.

À medida que a alma sobe, elas deixam de exercer qualquer influência sobre ela.


A libertação da Heimarmene

Ao atravessar completamente as sete esferas, a alma encontra-se livre da influência da ordem cósmica que governa o mundo da geração e da corrupção.

Isso significa que ela já não está submetida:

  • ao nascimento;

  • à morte;

  • às paixões;

  • às limitações da matéria;

  • às determinações da Heimarmene.

O homem retorna, então, à condição que possuía antes de sua união com a Natureza.

A entrada na Ogdóada

Depois de abandonar completamente as obras das sete esferas, Poimandres afirma:

"Vem estar na natureza ogdoática."

A palavra Ogdóada significa literalmente oitava esfera.

Enquanto as sete primeiras esferas pertencem ao universo sujeito ao movimento e ao destino, a Ogdóada representa um plano superior, situado além da Heimarmene.

Segundo o tratado, trata-se da região onde as almas purificadas vivem em comunhão com as potências divinas.

Ali, elas:

  • conservam sua própria potência;

  • unem-se aos demais seres espirituais;

  • participam continuamente do louvor ao Pai.

Os hinos ao Pai

Poimandres descreve que, na Ogdóada, todos cantam hinos ao Pai.

Esse louvor não aparece como uma obrigação ritual, mas como uma consequência natural da contemplação da realidade divina.

O texto acrescenta que aqueles que chegam a essa esfera são recebidos com alegria pelos seres que ali já habitam.

Além disso, escutam potências superiores entoando hinos acima da própria Ogdóada.

Essa imagem sugere que a realidade divina continua estendendo-se para além do que Hermes contempla naquele momento, preservando o caráter inesgotável do mistério de Deus.


A união com Deus

Poimandres continua afirmando:

"...subem para o Pai, eles se doam em potências, e vindo a ser potências, vêm a estar em Deus."

Essa é uma das passagens culminantes de todo o Poimandres.

Segundo o tratado, o destino final da alma não consiste apenas em contemplar Deus, mas em participar plenamente da vida divina.

O texto resume esse estado com uma afirmação de grande importância:

"Isso é o bom final aos que têm tido gnose: ter sido divinizado."

A missão de Hermes

Após concluir o ensinamento, Poimandres dirige uma última exortação a Hermes.

Pergunta-lhe:

"Já que recebeste todas as coisas, não vens a ser guia aos dignos?"

O conhecimento recebido não deveria permanecer reservado apenas ao próprio Hermes.

Segundo o tratado, aquele que alcança a gnose recebe também a responsabilidade de conduzir outros ao mesmo caminho.

Por isso, Hermes torna-se mestre e anunciador da sabedoria recebida.


O chamado ao despertar

Depois que Poimandres desaparece entre as potências, Hermes passa a anunciar publicamente o ensinamento.

Seu primeiro chamado dirige-se aos homens adormecidos espiritualmente.

Ele proclama:

"Sede sóbrios."

A embriaguez mencionada pelo tratado simboliza o estado de inconsciência produzido pelo apego ao mundo sensível e pelo desconhecimento de Deus.

Hermes convida seus ouvintes a despertarem desse estado.


O convite à imortalidade

Hermes continua perguntando:

"Por que vos tendes entregado à morte, já que tendes a autoridade de obter a imortalidade?"

Segundo o Corpus Hermeticum, a imortalidade não é apresentada como um privilégio reservado a poucos.

Ela corresponde ao destino próprio do homem quando este reconhece sua verdadeira origem.

Por isso, Hermes conclama:

  • abandonar o erro;

  • deixar a ignorância;

  • voltar-se para a luz;

  • abandonar a corrupção.

Esses quatro movimentos resumem o caminho da regeneração apresentado ao longo do tratado.


O nascimento da comunidade dos discípulos

O texto relata que as reações ao ensinamento foram diferentes.

Alguns rejeitaram as palavras de Hermes e permaneceram no caminho da morte.

Outros, porém, aproximaram-se dele pedindo instrução.

Hermes levanta esses homens e torna-se seu guia.

O tratado afirma que ele semeia neles as palavras da verdade, enquanto eles são nutridos pela "água de ambrosia", imagem que simboliza o alimento espiritual recebido por aqueles que ingressam na vida da gnose.


A transformação interior de Hermes

O tratado encerra-se com uma profunda reflexão pessoal de Hermes.

Ele afirma que a experiência vivida transformou completamente sua percepção da realidade.

Por isso declara:

"O sono do corpo veio a ser a sobriedade da alma."

Essa frase resume simbolicamente toda a iniciação descrita no Poimandres.

O que antes parecia simples repouso corporal tornou-se vigilância espiritual.

Da mesma forma:

  • o fechamento dos olhos transformou-se em verdadeira visão;

  • o silêncio tornou-se fecundo;

  • a Palavra produziu frutos de bondade.

Hermes reconhece que essa transformação não nasceu de sua própria capacidade, mas do ensinamento recebido de Poimandres, identificado como seu Nous e como o Logos da Autoridade.


Fonte original colada
3A Separação dos Sexos, o Conhecimento de Si e a Ascensão da Alma

"E depois dessas coisas, ó Poimandres? Pois cheguei a um grande desejo e anelo ouvir; não saias do assunto."

E o Poimandres disse:

"Mas fica quieto. De modo nenhum expliquei o primeiro discurso a ti."

"Eis que faço silêncio", disse eu.

Então veio, como eu disse, o engendramento desses sete desta forma: com efeito, feminina era a terra e a água fertilizadora, porém do fogo era a prova de maturação. Do éter, a natureza recebeu o pneuma e produziu os corpos conforme a aparência do Homem. Porém o Homem, de vida e luz, veio a ser em alma e mente: de vida, a alma; e de luz, a mente. E todas as coisas do mundo sensível permaneceram assim até o fim de um período e até as origens das espécies.

Escuta o resto, o discurso que queres escutar: cumprido o período, a conjunção de todas as coisas foi solta pela vontade de Deus; pois todos os viventes, sendo macho-fêmeas, separaram-se conjuntamente com o homem e vieram a ser os machos em parte e as fêmeas semelhantemente. E Deus logo disse uma palavra santa:

"Crescei em crescimento e multiplicai em multidão todas as criaturas e obras; e o sensato reconheça a si sendo imortal, e reconheça que a causa da morte é o eros, e reconheça todos os seres."

Isso ele tendo dito, a providência, através da heimarmene e da harmonia, fez as misturas e estabeleceu os engendramentos, e todas as coisas se multiplicaram segundo a espécie. E o que tem reconhecido a si tem vindo ao bem especial; porém o que tem amado o corpo proveniente do engano da paixão, esse, sendo enganado, permanece na escuridão, sofrendo sensivelmente as coisas da morte.

"Por que tanto erram os ignorantes, de modo que se privam da imortalidade?", disse eu.

"Ei! Pareces não ter refletido sobre as coisas que ouviste. Não disse a ti para compreenderes?"

"Compreendo e lembro-me, e agradeço ao mesmo tempo."

"Se tivesses compreendido, dize-me: por que são dignos da morte os que estão na morte?"

"Porque principia a escuridão tenebrosa do corpo familiar, da qual a natureza procede, da qual, por sua vez, o corpo se compõe no mundo, do qual a morte é irrigada."

"Ei! Compreendeste corretamente. Porém por que a palavra de Deus tem aquilo que 'o que compreende a si mesmo vai para si'?"

Disse eu:

"Porque de luz e vida se consiste o Pai de todos, do qual tem se originado o Homem."

"Dizes bem, falando: luz e vida é Deus e Pai, do qual veio a ser o Homem. Logo, se aprenderes que ele sendo de vida e luz e que desses vens a ser, para vida novamente irás."

Essas coisas o Poimandres disse.

"Mas ainda, dize-me: como para vida eu irei, ó meu Nous?", disse eu.

Pois Deus diz:

"O homem sensato reconhecerá a si mesmo."

"Então nem todos os homens possuem Nous?"

"Ei! Bendize falando; achego-me eu mesmo, o Nous, junto aos santos e bons, e aos puros e misericordiosos, aos devotos; e a minha presença vem a ser uma ajuda, e imediatamente conhecem todas as coisas e apaziguam amorosamente o Pai e agradecem bendizendo e cantando hinos ordeiramente para ele com ternura."

E antes de entregar o corpo à própria morte, odeiam as sensações, tendo visto as atividades delas; melhor, eu mesmo, o Nous, não permitirei que as atividades, quando atacam o corpo, sejam levadas a termo. Sendo atalaia, fecharei as entradas das atividades viciosas e obscenas, cortando fora as recordações.

Porém, quanto aos insensatos e viciosos, aos maliciosos e invejosos, aos cúpidos e assassinos, aos ímpios, estou distante, cedendo lugar ao daimon vingador, que, quando aplica a agudez do fogo, assalta o homem sensivelmente e principalmente o prepara para as ilegalidades, para que ele ganhe muitos açoites; também não descansa dos muitos desejos, tendo concupiscência; e, insaciavelmente lutando em trevas, prova isso, e o fogo aumenta sobre ele acima da completude.

"Ensinaste bem todas as coisas como eu queria, ó Nous; ainda, porém, fala-me sobre como acontece a ascensão."

Sobre essas coisas o Poimandres falou:

"Primeiramente, deveras, na dissolução do corpo material, entregas o próprio corpo à mudança e a aparência que tinhas vem a ser imanifesta. O costume ineficaz entregas ao daimon, e as sensações do corpo voltam para as fontes delas mesmas, vindo elas a ser partes e novamente compondo-se na energia; também a ira e a concupiscência vão para a natureza irracional." E assim move-se o homem doravante para cima através da harmonia das esferas planetárias: à primeira zona, entrega a energia aumentativa e diminutiva; e à segunda, a maquinação dos maus, dolo inoperante; e à terceira, o engano licencioso inoperante; e à quarta, a ostentação primacial desvantajosa; e à quinta, a presunção insana e a audácia da aventura; e à sexta, os recursos maus inoperantes da riqueza; e à sétima zona, a mentira ardilosa.

E quando se desnudar das obras da harmonia das esferas planetárias, vem estar na natureza ogdoática, tendo a própria potência, e canta com os seres hinos ao Pai. Mas ainda, os presentes se regozijam com a presença desse, e, tendo sido assemelhado aos companheiros, ouve também algumas potências cantando hinos com uma voz prazerosa acima na natureza ogdoática; e quando, em ordem, sobem para o Pai, eles se doam em potências, e, vindo a ser potências, vêm a estar em Deus.

Isso é o bom final aos que têm tido gnose: ter sido divinizado.

De resto, o que pretendes? Já que recebeste todas as coisas, não vens a ser guia aos dignos, a fim de que o gênero humano, através de ti, por Deus, seja salvo?

Quando disse essas coisas a mim, o Poimandres se misturou às potências. E, depois que eu agradeci e louvei o Pai de todos, fui liberado, tendo sido investido de potência e tendo sido ensinado por ele sobre a natureza do todo e sobre o grandessíssimo espetáculo, e comecei a apregoar aos homens a beleza da devoção e da gnose:

"Ó povos, homens terrenos, vós que tendes vos entregado à bebida forte e ao sono e ao desconhecimento de Deus, sede sóbrios; mas ainda, cessai vós que vos intoxicais, e vós que sois vencidos pelo sono."

Porém os que ouviram seguiram unanimemente. E eu disse:

"Por que vós vos tendes entregado à morte, já que tendes a autoridade de obter a imortalidade? Mudai de mente, vós que caminhais no erro e que comungais com a ignorância; mudai da luz tenebrosa, e obtende a imortalidade, deixando a corrupção."

E os que depreciaram entre eles afastaram-se, entregues ao caminho da morte. Porém, os que rogaram para serem ensinados se lançaram aos meus pés. E eu, tendo-os erguido, vim a ser guia do gênero humano, ensinando as palavras, como e por qual maneira eles seriam salvos; e semeei neles as palavras, e foram nutridos da água de ambrosia.

E quando se aproximou a tarde, e começou o raio do sol a se pôr totalmente, pedi-lhes para agradecer a Deus; e, tendo cumprido a ação de graça, cada um foi para seu próprio leito.

E eu registrei a benfeitoria do Poimandres em mim mesmo, completando também todas as coisas sobre as quais desejava me deleitar. Pois o sono do corpo veio a ser a sobriedade da alma; e a oclusão dos olhos, uma visão verdadeira; e a minha quietude, impregnada do bem; e a extração da palavra, os produtos das boas coisas.

Porém isso aconteceu comigo, tendo recebido do meu Nous, isto é, do Poimandres, do Logos da Autoridade. Vim divinamente inspirado da verdade.

Por isso, dou um elogio a Deus, Pai de toda alma e força.

Giuliano Kremmeerz1 trecho

Introdução à Ciência Hermética

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / O DISCIPULO

FORMAÇÃO

Sem paginamencao no texto
Abrir livro

🜏 Virtude-chave: Autoconhecimento e autoconfiança espiritual.