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Introdução à Ciência Hermética

Giuliano Kremmeerz

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FUNDAMENTOS
5

DEUS E O ABSOLUTO

DEUS COMO LEI

O único conceito cientifico de Deus é este: a lei que governa a Universo no mais perfeito equilíbrio. Pg24

Essa lei é perfeita porque não admite qualquer violação, seja qual for; assim, um milagre que violasse a lei seria, a priori, impossível e, ao que parece, só se torna possível se, por razões ainda desconhecidas pelo homem, for o resultado da própria lei. Pg24

Quando os antigos patriarcas das histórias da Bíblia falavam da figura inexorável de Javé (Jeová), que beirava a crueldade e nunca era inconstante, estavam de fato fazendo reverencia a essa lei universal que dirige e cria tudo que existe, cuja alma é a essência do Ser, ou seja, a substância primária imutável e a forma secundária e variável. Pg24

Esta lei imutável é também compreendida como manifestação da essência inteligente primária universal, que salta das formas de todas as coisas, visíveis e invisíveis. Pg25

Essa inteligência universal (Deus invisível), por meio da sábia perseverança de suas manifestações, é a lei reguladora da natureza universal. Pg25

Resumo Pagina 24

IMAGENS DE DEUS

Os antigos sacerdotes de religiões iniciáticas clássicas nunca usaram formas definidas para representar o princípio primário ou a substância inteligente; usaram sempre uma variedade de formas adaptáveis para definir diferentes momentos do ato criativo, ou melhor, da encarnação do Deus Universal.

AS DUAS FACES DE DEUS

Todos os símbolos e hieróglifos dos antigos sábios dizem o mesmo: Ele tem duas faces: a visível, que representa sua manifestação no mundo físico, isto é, na Natureza que aparece, em nossas modernas filosofias materialistas; e a face invisível, representando o espírito da Natureza, isto é, a Inteligência, a lei de cada manifestação da Natureza – uma Força, uma imensa Alma que faz a árvore florescer, brilha através da água, endurece o metal e reflete o Sol.

A CONQUISTA DO PODER

A conquista de poderes nada mais é que o direito de os obter por essa lei (Deus). Um atleta que treina o dia inteiro para conseguir levantas pesos tem um direito de prioridade sobre todos os homens mais preguiçosos. Você não será capaz, independente da força que aplique, de curvar metais, mas um ferreiro habilidoso, com menos força física que você, consegue dobrá-los sem nenhum problema. Esse é o direito do poder. Uma conquista dentro a lei, não fora da lei universal.

(Quando alguém conquista algo — força, conhecimento, habilidades — é porque agiu em harmonia com a lei universal. O merecimento é resultado do esforço, não de privilégios divinos.)

A CRIAÇÃO

Criar não é tirar algo do nada, é dar vida e forma, pensamento e vontade, espirito, essência e aparência.

A criação, segundo o simbolismo sagrado, é a ação da suprema potencialidade da Inteligência Divina sobre a matéria não sublimada, que produz uma forma, que não passa de uma indicação da vontade reformadora. Deus criou o Homem ao misturar o Iodo da terra com seu sopro; tanto o iodo quanto o sopro existiam antes do homem e foram unidos e misturados pela vontade de criar uma forma mais perfeita de animal.

O Ato criativo

O prazer na vida dos sentidos é o resultado de todas as ações do mundo exterior sobre o centro intelectual inerte.

O ato criativo, a verdadeira imitação de Deus, a inteligência primeira, é, ao contrário de qualquer prazer profano, a preponderância do centro intelectual sobre os extremos da periferia em contato com o mundo exterior.

A ALMA HUMANA É PRISIONEIRA DO CORPO ANIMAL NAQUELES HOMENS QUE PERDEM A LUZ DA MENTE E IDENTIFICAM TODA A SATISFAÇÃO COM SENTIDOS CORPORAIS GROSSEIROS

A PALAVRA

Nosso vizinho fala conosco. Suas palavras despertam uma sensação em nós. Mas se pronunciarmos uma palavra, o trabalho é duplicado, porque teremos de conceber a ideia, coloca-la em palavras e projetá-la no espirito da pessoa que está nos escutando. A palavra que pronunciamos é uma projeção fluídica de nossa concepção e a prova desse esforço intenso pode ser encontrada por qualquer observador que, ao escutar uma palavra que não corresponde a uma ideia já cultivada, precisa se concentrar mecanicamente para captar a concepção fluídica que acompanha a ideia projetada.

Na Magia, a palavra é um instrumento de concretização e o silencio sobre as coisas sagradas da Verdade é a maneira de nos conservarmos puros para dar mais vida as ideias que devem ser projetadas, evitando que as repercussões de ideias projetadas perturbem os meios de recepção do mago.

As palavras mudam como os humores da pessoas; curve-se apenas diante da verdade, seja qual for o nome dado a ela, seja la copmo estiver sendo chamada, a verdade é uma só.

A TRINDADE

INTELIGENCIA A MENTE CAUSA

FORÇA CRIAÇÃO OS MEIOS EFEITO

DA MATERIA DA FORMA DO PLASMA DA FORMA

O pai, a inteligência, a mente, o espirito instrutor, o centro sensorial são sinônimos do vértice superior do triangulo; os outros dois veérticess representam o filho (matéria formadora, ou periferia) e o Espirito Santo (veiculo da força criativa humana no centro ativo, o pai)

O DIABO

A B

C

Ao colocar no vértice C o poder central que recebe sensações da periferia, descobriremos no triângulo invertido tudo o que corresponde a forma, ao pensamento e ao conceito religioso do diabo da Igreja Católica. É um símbolo de cegueira absoluta, no qual os centros sensoriais estão sob a influência cega dos extremos periféricos A e B: é a matéria criando seu Deus sem luz.

Leis Universais

A CAUSA E O EFEITO

O homem tem grande responsabilidade por suas ações na sociedade em que vive. Ele é recompensado ou punido pela justiça humana. Mas o bem conhecido Tribunal de Deus de que falam os católicos realmente existe, porque toda ação da consciência de um ser vivo é causa de vida ou morte, e a justiça incorruptível do equilíbrio da Divina Providência recompensa ou pune, dá ou tira das vidas que seguem a vida humana e a sociedade dos homens.

Devemos prestar contas de nossos pecados, isto é, de nossas faltas, e quitar nossas dívidas. O ladrão deve reembolsar o homem de quem roubou. Qui gladio ferit, gladio perit [Quem com ferro fere, com ferro será ferido]. O cálice de Cristo deve ser bebido até a última gota. É assim que devemos entender o “olho por olho” dos livros sagrados.

Perdão é expiação.

A lei do destino é inexorável. Jeová, que é o Deus justo, Todo-Poderoso, é também o Deus do destino: inexorável.

Colhes aquilo que plantas.

Se pintares de preto, será o preto o espectro da justiça para ti.

Assim, a doutrina dos essênios, mistura de ciência judaica, caldeia e egípcia, injetada no catolicismo, não podia definir o perdão sem invocar o sacramento da penitência.

Penitência é expiação, purificação, limpeza de pecados antigos.

O homem cria sua felicidade e sua infelicidade.

O Karma é o fruto de todas as nossas ações: lei inexorável, inviolável. Todos os homens estão sujeitos a ela.

Toda ação, boa ou má, tem de dar frutos: nenhuma graça de um Deus pessoal pode livrar o malfeitor das consequências do seu crime.

Na vida comum do homem, cada ação, cada palavra ou suspiro tem uma reação no mundo hiper físico, na vida magica dos iniciados, mesmo um pensamento fugidio é uma criação.

LEI DA CORRESPONDENCIA NO UNIVERSO

Universo tem movimento, respiração, evolução, retorno: o mesmo acontece com o homem. Tudo é análogo e o processo magico por excelência é analogia. Mesmo o símbolo sagrado, sujeito a tentativas de explica-lo por meio das semelhanças, é analógico; o mesmo acontece com a lei dos milagres e dos procedimentos mágicos, e o estudo da analogia leva ao conhecimento da magia ou da sabedoria de Salomão

A lei que governa o mundo também governa a vida de um inseto. Estudar de que modo as células se reúnem para um formar um órgão é estudar o modo como os reinos da natureza se reúnem para formar a Terra, um órgão de nosso Universo; é o modo de estudar como as pessoas de se reúnem para formar uma família, um órgão da humanidade.

Estudar a formação de um dispositivo por meio de suas partes é análogo a aprender sobre a formação de um mundo a partir de planetas e de uma nação a partir de famílias, ou ainda aprender sobre a constituição do Universo começando dos mundos e da humanidade a partir das nações. Tudo é análogo: conhecer o segredo da célula significa conhecer o segredo de Deus. O absoluto está em toda parte – a totalidade é indivisível em seu todo e em suas partes. Pelo que vimos antes, fica claro que a definição de vida, que à primeira vista parece fácil, é muito mais geral do que se costuma pensar. Para a humanidade, a vida é a força regeneradora de órgãos carregada pelos corpúsculos sanguíneos; mas isso na verdade é vida humana, não Vida. Essa força é na verdade apenas uma modificação do ar, que inclui a vida de todos os seres da Terra. Se quisermos, como fazem a maioria dos cientistas contemporâneos, identificar a origem da vida na atmosfera da Terra, podemos parar por aí. Mas a atmosfera da Terra, como o sangue humano, toma seus princípios doadores de vida do alto, do próprio Sol. Podemos, então, voltar ao infinito; mas como nosso conhecimento científico geral está limitado a nosso mundo, não podemos ir mais longe e, quando percebemos que a força do sangue vem do ar, a força do ar vem da Terra e a força da Terra vem do Sol, dizemos que a vida é força solar transformada.

O MOVIMENTO E A MENTE UNIVERSAL

A força única em continuo desdobramento de si mesma é Movimento; as forças simples são modos de ser do movimento ou movimento central.

O sol, com sua forma circular, representa uma rotação rápida e, com seu movimento aparente, um movimento ininterrupto. Onde quer que encontraremos círculos, rodas e símbolos redondos, podemos dizer que são a personificação do movimento central ou da vida do universo, de que os fiéis estão sendo lembrados.

F é a força e M seria a mente. O conceito de Deus seria:

D = M+F

Se a Mente representa o estimulo governante, F tem de ser a resistência, ou seja, M+F = REALIZAÇÃO.

Qualquer fenômeno de qualquer natureza e espécie, acima como abaixo, na matéria como no espirito, no invisível, no perceptível como no imperceptível, é produzido por um estimulo governante (M) e pela força única ou vida do Universo. A manifestação da mente e da força reside na produção dos fenômenos. É por isso que os magos do fogo, de Issac e Abraão acendiam uma pilha de lenha e, enquanto as labaredas subiam em direção ao céu e a madeira estalava, adoravam aquele que manifesta seu poder nas chamas que tudo consomem. É por isso que uma obstrita, ao escutar o primeiro choro de um bebe recém-nascido, pode venerar a força e a mente que perpetuam a vida animal e humana de um ser feito a nossa própria imagem. É por isso que, quando um homem moribundo da seu ultimo suspiro, o experimentalista mais cético deve tirar o chapéu e reconhecer a Vida do Universo e da Mente, que deixam a carcaça humana para os vermes. Pela mesma razão, devemos nos curvar a beleza física das mulheres que é o testamento da harmonia eterna da natureza.

Se existisse apenas Força (F), sem Mente:

Tudo seria movimento cego, caos, impulso sem direção.

Se existisse apenas Mente (M), sem Força:

Haveria intenção, mas nada se realizaria.

👉 A realidade só acontece quando M e F atuam juntas.

Por isso ele afirma:

M + F = Realização

Tudo que existe — matéria, espírito, visível, invisível, humano ou cósmico — nasce dessa combinação.

LEIS UNIVERSAIS E A QUESTÃO DA VONTADE

Podemos objetar que, na unidade humana, a vontade não está sujeita a qualquer lei fixa na direção dos movimentos de suas partes, enquanto o Universo está sujeito a leis matemáticas no movimento de todos os seus planetas, tanto que mesmo as órbitas dos mais longínquos cometas são estabelecidas e medidas por nossos astrônomos. Mas isso não é verdade.

Porque no corpo humano (microcosmo), assim como no Universo (macrocosmo), observamos uma idêntica analogia entre as leis fixas de movimentos pré-determinados e movimentos acidentais de qualquer espécie.

AS LEIS FIXAS NO HOMEM E NO UNIVERSO

Por exemplo, as leis fixas.

No homem, a circulação do sangue, a nutrição por meio da ingestão e a renovação constante de tecidos orgânicos.

No Universo, o movimento dos planetas, a rotação de nosso planeta, o movimento das estrelas em direção aos principais aglomerados e o movimento de ocasionais satélites.

SOLVET ET COAGULA

Em um dia de folia popular, de festa pública, olhe pela sua janela a onda humana que inunda as ruas. Feche então os olhos por um momento e imagine que se passaram cem anos. Em seguida, abra os olhos e, defrontando-se com as ruas desertas, pense que as milhares de pessoas há um instante aglomeradas nessas mesmas ruas estão mortas e voltaram ao pó.

Se você fizer isto enquanto está vivo, terá aprendido que a vida do homem, como a vida das multidões no calor dos sentidos físicos, é a enganosa volúpia do vazio, que homens e gerações passam como raios, cada um dos quais chamamos de século, e desaparecem como bolhas de sabão ou tornam-se pilhas de ossos apodrecendo em cemitérios.

Se você fizer isto e refletir com atenção, poderá se tornar um santo ou um pecador. Você vai se tornar um pecador se entender que, se o corpo e os sentidos são fúteis, o mesmo acontece com a moralidade; você vai se tornar um santo se entender que o espírito da Terra se alimenta da matança diária de tantos diferentes corpos humanos, sobre os quais flutua o gênio das raças e a alma do homem purificado, que se tornou, como diz Dante, a Inteligência separada da matéria, cujo lar está além do lugar comum e da falsa lógica dos sentidos.

Mas cada bolha de sabão tem uma alma; a criança que sopra a água com sabão por um canudo não criaria bolhas se não soprasse. Cada bolha, portanto, contém uma respiração ou um espírito, uma alma, um pensamento, um ideal.

Se a bolha de sabão estoura, sua respiração, seu espírito, sua alma desaparecem e morrem? Não existe a opção de, enquanto o corpo devolve à terra seu pesado fardo, à espera da decomposição, o espírito se fundir com a respiração universal e retornar ao caos do espírito do mundo? Poderia ele deixar de ser um sopro, um pensamento no processo de evolução?

Esse é o problema da Esfinge, da Ísis velada, da Cruz, da Estrela de cinco pontas, da Palavra inefável que expressa o nome de Jeová. Esse é o segredo incomunicável das antigas escolas de magia, capazes de todos os milagres e maravilhas.

MACROCOSMO E MICROCOSMO

A UNIDADE ORGÂNICA DO UNIVERSO

A unidade orgânica do corpo sentirá o esforço e o efeito — e o mesmo se aplica a qualquer movimento ou sensação.

Vamos considerar a unidade do Universo por analogia. Os membros, as vísceras, os apêndices deste monstro, que não podem ser contidos em sua síntese, são as estrelas, os planetas, o Sol, a Lua e assim por diante. Qualquer movimento de uma dessas partes da unidade está relacionado a todo o resto, o que podemos ver e perceber, da mesma forma como os membros humanos estão relacionados à unidade do corpo físico.

Ninguém no mundo negará que o Sol, nascendo no leste, faz sentir seu efeito benéfico em toda a Terra que ele ilumina; ou que a órbita aparente do Sol marca a passagem das estações; ou que certos signos do zodíaco trazem chuva ou tempo bom.

Na magia, o conceito do Universo é a síntese de tudo que existe. Tudo que existe é uma unidade, uma síntese de três elementos essenciais: matérias, vida e energia.

Nós, as pedras, o ar que respiramos, as estrelas do céu, são todos uma coisa só em um mesmo Universo.

Estude o homem e conhecerá o Universo, estude o Universo e conhecerá o homem; do Universo, desce ao homem e aplica a ele as leis do Universo; do homem, volta a subir para o Universo e descobre as leis ocultas de lá. O homem tem uma alma, um pensamento, uma direção, um proposito: o mesmo acontece com o Universo. O

MICROCOSMO E MACROCOSMO: A INFLUÊNCIA RECÍPROCA

Se, no entanto, relacionarmos as duas unidades, macrocosmo e microcosmo, o homem e o Universo, é lógico, estritamente científico, embora nem sempre perceptível, que qualquer movimento em qualquer parte da Criação influencia a outra parte e altera suas condições.

Vivemos na Terra e não precisamos recorrer a Sirius ou ao movimento dos satélites de Júpiter para reconhecer ou experimentar alguns efeitos visíveis; os movimentos de translação e rotação da Terra, a eclíptica solar e os movimentos da Lua bastam para confirmar as alterações mais evidentes que nos influenciam.

Tais elementos são suficientes para estabelecer que a influência planetária dos antigos astrólogos corresponde, sem a menor dúvida, à ação benéfica ou maléfica dos planetas em nossa natureza terrestre. É tudo uma questão de simplificar a forma antiga e buscar a verdade na expressão mais simples dos astrólogos.

OS MOVIMENTOS FORTUITOS

Movimentos fortuitos.

No homem, qualquer movimento voluntário ou involuntário de um órgão.

No Universo, variações térmicas, fluxo atmosférico e meteoros.

Os astrônomos podem tentar, por meio de pesquisas meteorológicas, estabelecer aproximações ou probabilidades, mas até agora ninguém descreveu ou determinou a lei constante que rege as origens e a trajetória de ciclones, tempestades, furacões, altas e baixas de temperatura, ventos não predominantes e assim por diante.

O SOL EM CAPRICÓRNIO E O SIMBOLISMO DO INVERNO

O Sol em Capricórnio tem uma influência maléfica.

Só um idiota poderia achar graça nisso. O Sol em Capricórnio é o signo do dezembro frio, desolado, congelante: a lenha do yule, cercada de gelo, o lobo faminto que sai do seu covil na montanha em busca da presa, e o inverno, inimigo dos pobres, que avança; no frio, o gelo, o vendaval do norte.

Então o Sol vira de novo uma criança pequena na eclíptica do ano e, para a Igreja Católica, no vigésimo quinto dia de dezembro, nasce o Menino Jesus. O Menino Jesus, como o Sol, que sobe aos céus no signo de Áries, na Páscoa, quando o Sol volta a despertar a primavera na Terra.

O SOL, A LUA E A PASSAGEM DAS ESTAÇÕES

Agora, como nos casos evidentes de passagem das estações no ano astronômico, a influência do movimento evidente do Sol e o crescente e minguante da Lua têm um efeito mais definido e real do que em geral se acredita, às vezes exagerado, outras vezes minimizado, em todos os três reinos da natureza.

Com certeza, não preciso lembrar que o crescente e minguante da Lua têm uma influência evidente sobre os caranguejos, as ostras, a fecundação de peixes e moluscos; nem que, no campo, algumas fases da Lua são consideradas impróprias para a poda; nem que certas febres parecem assumir as características das fases da Lua em uma única semana; nem que há uma relação, provada em termos experimentais por Palmieri e seus colaboradores, entre o crescente e o minguante da Lua e as fases eruptivas dos vulcões.

A LUA E O CORPO HUMANO

Mas se aparecesse um gênio que revelasse ao mundo as leis que governam a relação entre as fases da Lua e os centros nervosos do corpo humano, haveria uma grande revolução na ciência experimental e encontraríamos a razão por trás de certas epidemias nervosas, em geral atribuídas às circunstâncias da época, e a razão por trás de muitos mistérios na cura de doenças comuns, que em um período planetário assumem uma forma benigna ou uma tendência maligna, enquanto desaparecem em outro período.

OS DOIS MEIOS

Os meios são dois, e são vários os caminhos.

A vida ascética ou religiosa passiva é o caminho mais fácil e o mais longo.

A vida iniciática ou magica ativa é o caminho mais curto, isto é, o mais rápido. Mas, na natureza, tudo é evolução e tudo avança por degraus, celeridade não significa a supressão de estágios intermediários, mas sim a condensação de períodos. Consequentemente, maiores são as dores, mais sangrentas as feridas e muito mais afiada a coroa de espinhos.

ANTROPOLOGIA ESOTÉRICA
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Estrutura do Homem

Para alguns o homem é somente matéria, para os teólogos o homem é matéria e espirito. Para a ciência dos magos, ele é o reflexo da vida do Universo, e, portanto, tripartido em sua formação: corpo, meio plástico ou corpo astral e alma.

A FORMAÇÃO DO HOMEM

a) Hereditariedade física (uma das conquistas da ciência moderna, mas que os antigos não deixavam de conhecer e estudar; foi conquista de uma verdade que nunca mais será modificada, simplesmente porque é uma verdade).

b) Circunstâncias climáticas e astrológicas (a ciência oficial não admite qualquer influência do momento do nascimento no subsequente curso da vida física do indivíduo, mas logo perceberá que tem de levar em consideração a influência desses momentos nas pessoas, da mesma forma como a filosofia zoológica teve de aceitar como necessária a influência do clima nas raças).

c) Educação humana (a educação na infância e juventude é um processo contínuo de sugestão que começa na tenra idade e termina quando o jovem, amadurecido para a vida, tornou-se uma máquina inconsciente como resultado da educação que recebeu; Jesus de Nazaré disse: “Nunca bata numa criança, porque bater, mesmo com uma flor, deixa uma impressão profunda no frágil espírito encarnado”; a criança é como uma terra não cultivada onde tanto boas sementes quanto ervas daninhas podem ser semeadas e dar frutos).

d) Vontade ou força volitiva (que é uma emanação do poder intelectivo individual modificado pelo ambiente humano em que o indivíduo cresce e age).

e) A resistência do meio ambiente à vontade do indivíduo (que sempre existe na sociedade como fator muito influente, que o indivíduo supera através da lei de adaptabilidade).

f) Perseverança da atividade volitiva (que é uma modificação do ambiente graças à tenacidade da força de vontade do agente individual).

g) A inteligência ou espírito de luz intelectual (que é sempre entravado ou alterado em alguns aspectos pela ação dos seis elementos anteriores).

A CHAVE MESTRA para a meta educativa de nossa personalidade há de ser encontrada nesta purificação da consciência das brumas das convenções humanas. Percebe uma dupla corrente:

A corrente sensorial, ou psíquica, que vem da periferia.

A corrente instintiva, que começa a remover as tendencias do homem antigo que está em nós.

Conhece-te a ti mesmo é precisamente a iniciação a luz, a purificação de tudo que é artificial ou ‘criado’ pela metade, e que a ignorância social humana nos impingiu. O ser humano tem em si mesmo uma profundidade insondável, onde todas as impressões, formas e ideias que podem ser esquecidas por nossa consciência são registradas desde o nascimento.

A constituição do homem:

Corpo saturnino: Um corpo sensível e solido (Carne, ossos, tecidos). Come, consome, se renova e se reproduz.

Corpo lunar: Uma emanação mais sutil derivadas do elemento acima, componde sua sensibilidade inferior (nervos, centros nervosos, cerebro). Reflete o de cima, assim como a Lua reflete a luz do Sol.

Corpo Mercurial: Uma individualidade mais completa derivada das duas anteriores, que constitui sua mentalidade (homem mental). A individualidade resultante, o homem mental com asas na cabeça e nos pés.

Corpo solar: Um luminoso principio intelectivo, que participa da vida universal, sendo, portanto, uma fonte inesgotável de vitalidade, tanto espiritual quanto física. A individualidade divina que não se manifesta para o homem, exceto através do corpo mercurial, que, por sua vez, se manifesta para o corpo lunar, enquanto este ultimo se manifesta para o corpo saturnino.

O CORPO ASTRAL

O corpo astral pode sair do corpo físico de modo consciente, como acontece com adepto ou iniciados perfeitos (magos); ou pode sair de modo inconsciente e, consequentemente, sujeitar-se as influencias casuais do momento (espíritos errantes), como acontece com qualquer médium.

Quando o corpo vai a falência ou se despedaça, o corpo astral alça voo e o homem morre. Se um homem sobrepõe seu corpo astral ao corpo astral de outra pessoa, ele a magnetiza.

O CORPO LUNAR E O SIDERAL

O corpo lunar, concebido como uma personalidade fluida, de uma matéria mais leve, contendo os outros dois princípios superiores (corpos solar e mercurial) e que pode se separar do corpo físico, seria semelhante a um anjo/homem (angelus = mensageiro) capaz de se deslocar sem precisar de um corpo físico.

O corpo lunar é a parte superior do corpo material e a parte inferior da mentalidade, ou espiritualidade, do homem.

Nas relações da vida corporal, o corpo lunar é usado para receber as impressões do corpo exterior e mais grosseiro, para expressar a nós mesmos com uma palavra conhecida, e é formado pela parte menos sensível da natureza inteligente e pela parte mais delicada do corpo físico: é o canal nervoso ou o canal da força muito sensível em qualquer organismo animal. É moldável e, portanto, adequado a todas as formas possíveis.

É extremamente sensível e, por isso, suscetível às mais sutis flutuações da vontade.

Sua plasticidade, combinada com um grau muito elevado de sensibilidade, torna-o mutável e ativo como receptáculo de tudo que age sensivelmente sobre ele; e nele todas as impressões sensoriais param e deixam sua marca.

Sua plasticidade, sua sensibilidade a impressões, é milhões de vezes mais delicada que a sensibilidade das chapas fotográficas mais sensíveis.

Isso explica como podemos aceitar sem medo de errar, tudo que o ascetismo atribui a ele: “Está em ti, ele vê, sente e lembra tudo; guarda tudo para o dia em que serás julgado”.

O corpo sideral reúne todas as impressões dos sentidos; separa, mistura e as devolve conforme solicitado, assim como os negativos fotográficos permitem que sejam feitas cópias de diferentes tamanhos. É a fêmea do corpo físico, ou seja, recebe do corpo físico imagens do mundo físico por meio de sensações. Imagens essas que conserva, adota, nutre e devolve para o corpo físico, de um modo oculto. Este, esquecendo que as criou, aceita-as e se torna seu representante.

O sistema nervoso do organismo humano (matéria lunar) é o delicado intermediário entre a inteligência (matéria mercurial) e o mundo exterior; por meio dele, são possíveis manifestações verbais, tônicas, escritas ou desenhadas. Toda a parte essencial do homem é encontrada ali, na sensibilidade dessa matéria lunar e pré-mercurial que constitui nosso ser. É um filtro das influências de energias naturais; é uma peneira fina que, selecionando as impressões de forças externas, leva-as ao cérebro em uma forma modificada.

O HOMEM SEGUNDO O ESPIRITISMO

Pagina 51,52 e 57

É composto por corpo físico, espirito e ‘’perispírito’’, que marca o elo entre o corpo material e o espirito.

O perispírito acompanha o espirito do homem após a morte do corpo físico e se conserva, enquanto, de acordo com a magia, o principio divino inteligente tende a uma progressiva atenuação, até ser assimilado em Deus.

O espirito, ou alma humana, tende a um aperfeiçoamento interminável por meio de sucessivas reencarnações.

Entre duas encarnações sucessivas, as almas permanecem em um espaço interplanetário e podem se comunicar com os vivos.

O HOMEM SEGUNDO O CATOLICISMO

Corpo: é o mundo e é simbolizado pelo Diabo ou pelo domínio dos sentidos e paixões, o Inferno.

Alma: é a mentalidade e é simbolizada na purificação gradual do homem pensante até o ponto mais alto de seu desenvolvimento, que corresponde ao Purgatório.

Espirito Divino ou Cristo: é o Eu divino ou o Filho de Deus feito homem, sendo a visão dele a visão do Paraíso.

Deduzimos, portanto, que Inferno, purgatório e Paraiso estão dentro de nos mesmos e que somos eternos na matéria, no espirito humano e no Reino de Cristo,

Psicologia Espiritual

O HOMEM BOM E O MAL

Pagina 68

Todos os homens são iguais, assim como todas as flores são flores, mas um crisântemo não é uma papoula e um lírio branco não é uma rosa vermelha. Há homens que são deuses e outros que são bestas.

A Dualidade da Consciência Humana e o Campo Astral

Existe em nós uma parte antiga e outra muito moderna. Essa parte antiga (homem histórico) é a espinha dorsal, o centro do homem superficialmente visível, raciocinando com uma consciência formada por sensações e pela adaptação de sua mentalidade ao ambiente em que ele opera.

O inconsciente, o subconsciente, o subliminar pertence àquele campo astral (astral = preto, sem luz) que está em nós, a partir do qual brotam, vez por outra, muitas desordens e as mais inconcebíveis maravilhas: o clarão do gênio e o paroxismo da loucura.

Identifique esse campo como um núcleo, uma entidade, uma pessoa e você vai encontrar uma unidade histórica de seu espírito ao longo de todas as suas vidas passadas. A palavra científica para este indivíduo histórico, que é nossa alma solar envolta em uma nuvem de névoa negra, ainda não foi inventada, porque a personalidade histórica em nós não é apenas alma, espírito ou puro sopro, mas toda uma atividade especial, que chega à nossa consciência como gente viva e gente vegetando, como chega o ponto para os atores de uma comédia nos momentos mais críticos de esquecimento e impotência.

O HEXAGRAMA

Na simbologia simples dos cabalistas, o triângulo equilátero (A) é a vida aparente, consciente, visível e perceptível, o homem que vive na plena consciência da razão externa, o homem que mantém a cabeça alta, acima do nível da terra (A’). Se o triângulo estiver de cabeça para baixo (B), como uma cunha cravada na terra, bem abaixo da superfície da terra (A’’), ele representa a misteriosa vida oculta na insondável escuridão da morte do homem, o homem vital em seu inconsciente, o campo astral enevoado, escuro e profundo, que não pertence à vida exterior, visível:

A’’

A’ --------------A’’

O triângulo duplo, ou seja, a penetração dos dois (C), de modo que o nível (A’’) é fixado na interseção central dos lados dos triângulos, é o mago, um homem integrado entre uma consciência externa aparente (triângulo na vertical) e a parte oculta de sua consciência (triângulo invertido), que fica no lugar do Deus oculto, com todos os seus poderes.

O inconsciente e suas intenções se manifestam por meio de ações espontâneas, que brotam sem controle consciente e volitivo. Freud usa as duas palavras interferência e intenção: atribui, portanto, a esta área interna, que se revela por meio de deslizes e surpresas, intenções que são ações volitivas e que dão ao inconsciente (campo astral) não só a capacidade de reter imagens e impressões, mas também um poder psíquico, ou seja, uma personalidade capaz de conceber os mesmos atos da nossa personalidade consciente.

Essa conclusão não é de Freud, mas minha; do ponto de vista da filosofia mágica, a consideração de poderes impressionantes, de uma segunda personalidade completa, representa a pedra no caminho de todas as filosofias.

O homem interior é o pai (qui es, eris, fuisti [quem você é, deve ser, foi]).

O homem consciente, o inibidor: que por meio de sua educação, das ideias nele incutidas, do meio em que vive e de seu respeito pelas leis civis, morais, penais e religiosas, suprime qualquer manifestação da personalidade histórica, assim que essa personalidade diverge da vida em conformidade com as reações do caráter externo e consciente.

Esse obstáculo censor, seja ele preexistente ou recente, é uma enorme ponte que desvia o homem comum das tentativas com experimentos mágicos, já que o obstáculo não é apenas espiritual, no sentido comum da palavra, mas tem influência sobre toda a vida psíquica e mental, influenciando o sucesso na vida prática ao funcionar como um poder inibidor do raciocínio, às vezes instintivo, marcado com mais

OS TRES TERMOS

Espirito, perispírito e corpo físico estão harmoniosamente relacionados uns com os outros.

A necessidade do homem se adaptar ao ambiente em que vive vai desenvolver, em maior ou menor proporção, seu espirito, seu perispírito e seu corpo físico. Em uma sociedade de gladiadores, o corpo físico predomina; em uma sociedade de intelectuais, domina o espirito; e o corpo sideral representa o elo entre um e outro, seguindo ode alguma forma, em seu desenvolvimento, a lei de compressão de corpos resilientes que absorvem o choque de uma colisão entre duas forças opostas. De outro ponto de vista, ele adquire as propriedades de extensão dos corpos elásticos que, embora permitindo o distanciamento entre dois fatores extremos, como espirito e matéria, preservam o poder de reuni-los assim que voltam ao estado de inercia.

SENSAÇÃO E OS SENTIDOS

Cada sensação é uma ideia e cada ideia é uma sensação: a ideia de um ser é um ser, e o poder central de tudo que foi e que pode ser criado no Universo ou no homem é o ser, ao mesmo tempo criador e criação, isto é, criador e criado, árvore e fruto.

Não são os sentidos, então que mentem, mas sim as sensações elaboradas nos centros conscientes de um homem que não é livre para julgar.

Os sentidos físicos são para as pessoas o único ponto de referencia da realidade, mas as impressões sensoriais adquirem seu valor conforme o estado de consciência e neutralidade psíquica do sujeito sensível.

Todo isolamento consciente ou inconsciente da força sensorial central abre caminho para a manifestação da potencialidade de reflexo das imagens que nos cercam e que vêm de outras pessoas ou coisas. O poder psíquico de uma pessoa aumenta quando exercitado, assim como o exercício físico desenvolve os músculos. A liberdade do poder intelectual central é alcançada relaxando a sensibilidade física na pessoa.

A INTUIÇÃO

Os meios práticos para a obtenção da intuição da verdade ultra-humana se resumem a apenas um: tornar dormentes os sentidos animais para dar completa liberdade a outro, aquele sentido que é o meio condutor entre o ultra-humano e o humano.

O SEXTO SENTIDO

Também chamado de percepção sutil, telema ou Mercurio intelectual.

Exemplo de um teste de uso:

Quando usamos o sexto sentido, apesar de não ser possível aos homens comuns controlar o método de teste, ou verificação sempre po0de ser feito em termos físicos. Um cavalheiro nos dá boas-vindas com belas palavras e bons modos, e intuímos, sentimentos, por meio da aguda percepção de nossa alma, que ele não está sendo sincero: nossa percepção, o sentimento que lemos de maneira profunda na alma dessa pessoa não pode ser testado em si mesmo; o método de teste é uma certeza para nós, mas o valor dele é duvidoso para os outros. Pedimos, no entanto, por uma prova após a qual ninguém possa negar a intuição que havíamos sentido. Esperamos alguns dias e, na primeira ocasião em que esse homem parece de novo sentir uma simpatia com relação a nos, ele revela quem ele é.

CONSCIÊNCIA DUPLICATA

As sensações podem ser ou podem não ser eficazes para determinar a verdade do que existe. Os dois fatores devem ser memória e vontade; consciência é apenas o sentimento persistente que resulta do trabalho conjunto dos três fatores:

sensibilidade

memória perene (evidência irrefutável, consciência)

vontade

A sensibilidade é enganosa, a memória pode ser igualmente enganosa, a vontade pode ser dominada por uma vontade de maior dinamismo. Consequentemente, a evidência da verdade tem de vir de um sentido que é mais sutil, mais profundo, mais elevado que a simples consciência animal ou sensorial.

A consciência é uma sensação na medida em que é resultado de coisas complexas e distintas agindo sobre o corpo humano: a natureza animal do homem, do homem equilibrado segundo a teoria zoosófica, não pode ter consciência além da sensação de memórias e de ações que ocorreram e que se completaram.

Mas o homem psiquicamente avançado tem uma segunda consciência, que não é resultado de ações físicas e que contém um certo sentido inexprimível, luminoso, que destaca e separa as duas setas resultantes da equação do livre poder individualizado do éter de Hipócrates e da corrente externa.

Vou esclarecer com um exemplo. Você tem sede e pega uma garrafa de um bom vinho. Você bebe. À medida que o vinho chega ao estômago, você vai ficando cada vez mais embriagado. Você está, no entanto, consciente da ação do vinho no seu cérebro.

Até que você fique completamente bêbado, terá consciência exata do atordoamento tendo efeito sobre as suas ações. Essa percepção profunda, que coloca você acima dos efeitos físicos da ação do vinho, foi apresentada por certas seitas filosóficas como a duplicata dinâmica, inteligente, da consciência da alma.

Aqui está ela, em forma gráfica:

Mas isso não é o bastante: para além dessa consciência supersensível existe o princípio de julgamento, o eu interior, o livre e racional princípio da alma, julgando os dois tipos de consciência.

FORÇA E ENERGIA

MAGNETISMO

O magnetismo é a síntese da energia e da vida que cria uma unidade humana; o magnetismo é indefinível, a vida é indefinível; o primeiro, vindo de uma fonte universal, é o pai e centro supremo de todas as forças na natureza perceptível; a segunda, criada pelo primeiro, evolui ou se detém por razões incompreensíveis. Portanto, todos nós possuímos um poder magnético- mas em diferentes proporções, conforme nossa constituição natural- que pode se manifestar sem que o individuo tenha consciência disso

O MAGNETISMO ANIMAL

A maquina animal emite uma quantidade perceptível de som, calor, magnetismo, eletricidade e uma quantidade imperceptível de luz.

Se essas forças exclusivamente físicas são reduzidas no organismo humano ao movimento do sangue e ao principio inteligente que move o todo, encontramos o mistério da vitalidade e do movimento vital, que é sincronizado com o movimento que representa, no abstrato, a unidade de forças mecânicas na natureza visível.

AS DOENÇAS

O Esoterismo considera que todo o ser humano é único, como o Universo, e tenta explicar a causa da disfunção do organismo baseando seu exame não no fenômeno, mas na unidade psicofísica da pessoa que manifesta a enfermidade. A ciência intervém no corpo físico para eliminar o sintoma; o hermetismo insiste que a intervenção deve ter lugar no ser humano como um todo por meio do uso correto da força vital, cujas leis os humanos com frequência ignoram. Na realidade, as pessoas empregam a força vital não para seu bem-estar, mas para muitos outros fins que podem enfraquecer seu espirito, expondo-as a riscos que de outra forma poderiam ser evitados.  Pg 12

Evolução do Ser

O ser humano é um espirito em gestação, e a verdadeira iniciam espiritual consiste em antecipar conscientemente o nascimento para uma existência superior.

ANALOGIA DO EMBRIÃO E DO OVO:

A morte de um homem representa seu nascimento para uma segunda vida- assim como a morte de uma vida uterina anuncia um nascimento para a vida na Terra. O ovulo fertilizado no período da incubação da galinha representa, de forma análoga, o que o espirito humano que ainda se encontra no corpo material da mãe. O feto no útero e o pinto no ovo não podem, assim como o espirito humano não pode, se comunicarem com o mundo físico fora do útero e fora da casca do ovo.  

A UNIAO SEXUAL

A união sexual só se torna possível como um sacramento, ou seja, como a santificação do ato infernal cuja desculpa é a união de duas almas. Observem que não é a união entre dois espíritos, pois para os cristãos, uno não é o Espírito de Deus. Isto é, o Espírito Santo e a encarnação do Espírito Santo é Cristo. A comunhão de duas almas em uma única alma unida pelo amor é tangível em sua inspiração, em gozo compartilhado do paraíso

O MUNDO INVISIVEL
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LUZ ASTRAL

Pagina 57, 58,75,76,77,78,79

A magia ensina a unidade de força e matéria na corrente vital ou astral – a grande serpente de transformação na qual, como em um uma placa fotográfica muito sensível, a menor oscilação de um pensamento gera uma forma.

A luz astral segundo Eliphas Levi, está cheia de almas, que ela libera na continua geração de seres. Essas almas tem vontades imperfeitas que podem ser subjugadas, passando a servir vontades mais poderosas. Elas formam grandes cadeias invisíveis e podem dar origem e terminar grandes comoções dos elementos.

Na gramatica grega, a palavra aster significa ‘estrela’. Em grego hierático, astron é composto do prefixo negativo a- e stereon, o estado de estar fixado ou ser solido. Astron, então, significa sem ponto fixo, errante; portanto luz astral, em seu sentido secreto, é a luz que não está fixa, que é uma luz errante, etérea, evanescente.

Para ver a luz astral

Fechar os olhos

Evocar uma imagem na escuridão da mente

Com prática, isso ajuda a desenvolver um tipo de visão interior, não física, mas psíquica.

Quando dormimos e sonhamos, as imagens que vemos estão iluminadas. E, no entanto, não há sol e essa luz não é a luz do sol nem a luz elétrica. É a luz etérea ou astral.

CAMPO ASTRAL

Campo astral ou campo escuro é a fonte e repositório de toda a nossa consciência. Contudo, não estamos cientes dessa fonte e repositório, percebendo apenas as lembranças que dela extraímos através de evocações continuas por meio da memória. O campo astral, escuro, misterioso, que está dentro de nós mesmos, que está em todo ser humano, existe também na imensa síntese do Universo. Em um homem, é o repositório oculto de sua história; no Universo, é a matriz de todas as vidas que foram vividas, de todas as formas que foram imaginadas, de todos os pensamentos que foram desejados. O campo ou corrente astral universal contém em si todos os campos astrais parciais de todas pessoas. Portanto, a partir de nosso próprio campo astral podemos penetrar no campo astral universal e dai descer para cada um dos campos atrais singulares. Quando alguém diz ‘acho que me lembro’, a respeito de uma pessoa que já viu, esse alguém está buscando em seu inconsciente a imagem da pessoa que viu e que está agora evocando. Assim, a região astral é uma região escura, que está dentro de nós mesmos, onde tudo que é pensado, ouvido, e tudo que vem da experiencia de nossos sentidos é registrado.

Força astral é um sinônimo para a força do subconsciente, aura do inconsciente.

Dessa região interior, que registrar cada percepção, cada pensamento, cada sentimento, emerge, em certas ocasiões, uma mudança, graças a qual sentimos a manifestação de uma força que é liberada.

Tudo que é liberado de nós e representa um esforço ou uma grande impressão é fixado primeiro no inconsciente que temos como indivíduos e, depois, em suas fases complexas e sintéticas, é fixado no colódio universal.

Fechem os olhos externos e abram os olhos intelectuais ou interiores para a percepção deste mundo, que é vislumbrado primeiro e depois visto com um sentido que é uma síntese dos outros cinco; você terá então estabelecido por este relacionamento a comunhão da luz.

A relação entre as vibrações astrais percebidas pelos observadores compõe a corrente astral que, no devido tempo, você deve aprender a dominar.

O OCEANO E A ANALOGIA A LUZ ASTRAL

A alma do homem na luz astral é como o peixe na agua. Ela só é capaz de operar em harmonia com os poderes intelectuais ultra-astrais após adquirir o poder de subir e descer, como o peixe; antes de atingir esse estado, o homem comum é simbolizado pela tartaruga e o caracol, que representam o corpo astral no pesado recipiente da matéria carnal

Pegue uma vasilha cristalina bem grande, encha-a de água e coloque na água peixes de água doce, enguias e besouros d’água. Olhando para a água e os peixes através do vidro, você, ser humano, é, em comparação com os animais no líquido, o mesmo que é uma inteligência de ordem superior (um espírito purificado ou arcanjo) em comparação conosco, que estamos imersos na corrente astral. Já os três tipos de animais aquáticos do líquido (besouros, enguias e peixes) representam três estágios distintos no desenvolvimento do espírito humano.

Digo espírito humano porque, no homem, o espírito não está separado da matéria. Devemos, portanto, enfatizar que o espírito no homem carrega consigo a quantidade de matéria purificada (diáfana, corpo astral, perispírito) que é inerente ao seu desenvolvimento. Quanto mais pesado o recipiente, mais pesada a matéria que o envolve, menos sensitivo é o espírito inteligente.

Agora esqueça a vasilha de vidro com os peixes e observe a vida no oceano. Construa uma noção particular, mesmo que apenas aproximada, de tudo que está no oceano, de protozoários fosforescentes a algas marinhas em forma de espada, de moluscos protoplásticos a camarões, de peixes dourados a golfinhos, de tubarões a baleias. Se fizer isso, você terá retratado a vida animal no oceano astral, que, partindo da vida das pedras, passa através da vida vegetal para a inteligência instintiva de micróbios e, de lá, sobe a escada animal até chegar ao homem.

O caduceu

O Caduceu se tornou o símbolo dos químicos porque a saúde, em medicina oculta é representada por duas correntes de fluido etéreo equilibradas em torno de um instrumento projetor, um órgão simbolizado por uma haste, a partir da qual veremos mais tarde como a varinha do mago passou a existir.

A SERPENTE

Essa corrente astral é simbolizada na Bíblia pela serpente, pois ela se arrasta em volta da arvore do bem e do mal, o que significa que os dois aspectos da serpente são o baixo, terreno ou lamacento, que gera as ilusões, isto é, mentiras, e a parte superior, que é verdade e luz. Na mitologia, Apolo perfura com sua flecha a serpente Píton, nascido do Ido da terra. Giuseppe Balsamo, o bem conhecido conde de Cagl

iostro, tinha como seu símbolo uma serpente perfurada por uma flecha, isto é, a corrente astral perfurada por uma vontade poderosa e controlada. Essa serpente está aos pés da Virgem Imaculada porque a virgindade e a pureza a condensam a imobilidade e a dominam inteiramente. Mas quando não nos modelamos pelo divino Apolo, pela força de vontade ou pela virtude sobre-humana de uma Imaculada Concepção, a serpente nos entrelaçará em seus espirais, nos dominará e nos matará de modo fluídico.

Apolo falava da mesma maneira em todos os seus oráculos e a fabula grega de Apolo derrotando a serpente Píton é uma lenda magica porque o centro de luz, Apolo, dominou o espirito do Iodo terreste, que é a Serpente ASTRAL da magia e que corresponde a serpente que a estatuaria católica coloca, enrolada nos chifres da lua, aos pés da virgem maria.

Para os magos, a serpente piton é aquilo que devemos dominar. Para os espiritas, por outro lado, é aquilo que eles devem ouvir. Se nos abandonamos as espirais da serpente, torna-mos profetas do astral, sujeitos a todas as ilusões paranormais; somos apanhados no vórtice giratório de todas as impressões, de todas as imagens que constituem o cinema da alma da Terra.

Voce nunca sera um iniciado se continuar a brincar com sua serpente astral, que é terrena em todas as suas manifestações, mesmo na linguagem que, em comunicações espirituais vazias e acadêmicas, revela a forma gramatical humana, expressão das ideias familiares da terra e seus filhos.

Há duas espécies de eoperações no Universo da magia: uma implica comunicação com a alma do universo; a outra determina a dominação da serpente astral ou alma da terra.

A PARABOLA DO FILHO PRODIGIO

Ela se passa entre mestre e discípulo, como se pela experiência. O filho pega a riqueza do Pai e não hesita em desperdiçá-la em folguedos, supõe que pode encontrar em todos os lugares o que obteve de seu pai.

Uma bela manhã, quando o pretenso sábio menos gostaria de admitir, o pródigo tem de reconhecer que é menos que nada, que a riqueza se foi, que tudo se desintegrou ao seu redor.

A Luz, ou uma luz, surge na alma do discípulo e lhe diz: estuda, compreende, trabalha, ama; deves abraçar todo o mundo invisível e visível.

A Luz o impulsiona em direção a uma fonte onde ele pode matar sua sede por verdade. Ele se aproxima com apreensão; prova e diz, assim como o Deus bíblico após a criação da água: Et vidit hoc bonum esse [e viu que era bom]. A Luz então o conforta e ele se exibe nas águas azuis do lago. Então o orgulho do homem entra em jogo e o espírito da Terra, que a Bíblia simboliza na Serpente e que os cabalistas judeus simbolizam em Samiel e Astaroth, sussurra em seu ouvido com insistência: navegarás em águas profundas, mas não te afogarás — e o seduz.

O que forma a unidade mental do Logos no iniciado? A Luz divina ou o espírito da Terra? Obediência ou orgulho? O espírito do Universo ou o sopro da besta?

É por isso que, no atual estado de civilização de vários povos pretensamente civilizados, os homens realmente evoluídos são raros, exceto dentro das ordens mais austeras de distintas religiões. Na vida social profana, o homem não passa no teste da serpente da Terra e cai em suas mandíbulas.

A serpente tem a face de uma mulher ou de um belo rapaz; encanta quando fala.

Coloca-te para dormir ao respirar; deixa-te feliz quando silva. Mas mata, inevitavelmente, qualquer um que se entregue a ela de forma completa, perpétua, incondicional.

Os que estão começando têm uma falsa compreensão quando o espírito da Terra predomina neles. O que é essencialmente divino é o espírito de obediência e do amor.

Se refletirmos sobre todos os jogos de palavras e sofismas que o espírito individual do orgulho é capaz de fazer ao falar de obediência e de amor, entenderemos como é catastrófico forçar nossas próprias interpretações acerca deles.

E eu gostaria que meu paciente leitor compreendesse plenamente — agora e sempre — o espírito dessas coisas, que estou tornando mais simples para ele, para que ele possa comer as rosas e ver Ísis brilhando com beleza imortal.

Espíritos e Entidades

ESPIRITOS DOS MORTOS

Pagina 55, 58

A morte não separa o corpo físico de um corpo invisível inteligente- e portanto, não há espíritos dos mortos. Na realidade, o verdadeiro chamamento dos mortos é impossível, assim como sua evocação mental no sentindo em que isso costuma ser compreendido.

No espaço, onde os espiritas colocam os espíritos dos mortos mais ou menos perfeitos, a ciência coloca todas as formas fluídicas, todas as coagulações do fluido da vida universal:

Os espíritos dos mortos

Os corpos astrais dos médiuns e iniciados errantes

Os espíritos elementais ou espíritos dos elementos (Seres instintivos e mortais entre o mundo físico e o mundo intelectual. São espíritos ou almas dos elementos capazes de fazer o bem e o mal de acordo com a vontade que os guia e os domina)

Aquilo que foi concebido pelo homem

Os lêmures, as larvas e todas as criações pecaminosas e incompletas.

O GENIO OU ANJO DA GUARDA OU SAG

Pagina 74

Os antigos ensinavam que parra o conhecer, era necessário propicia-lo pela pratica da justiça e pela inocência de nossos hábitos; ele então nos ajudara com sua premonição das coisas que não sabemos, dará um conselho em nossos momentos de indecisão, vira em nosso auxilio quando estivermos em perigo e não nos privara de sua assistência na adversidade. Entrando as vezes em nossos sonhos, por meio de sinais visíveis, ou em outras oportunidades aparecendo diante de nós; é assim que nos ajudará a evitar os males. Vai derramar o bem sobre nós, vai nos levantar quando cairmos, nos sustentar quando estivermos em dúvida, clarear a escuridão de nossa pesquisa, conversar nossa boa sorte, afastando o azar.

Mundo Oculto

O MUNDO SECRETO

Existe um mundo secreto que os homens vislumbram, um mundo de cuja existência suspeitam, cujas manifestações os surpreendem, mas que não conseguem explicar. Para estuda-lo, devemos: Estudar de modo independente, o homem secreto que está oculto dentro de nós e estudar o mundo secreto e invisível das almas: das almas dos mortos, das divindades e dos seres que nunca foram seres humanos e que vivem em outra vida.

Esse mundo existe:

porque existe uma Mente, cuja manifestação é a lei da natureza

Porque criar significa dar forma, e o nada, a negação do ser, é inconcebível inexistente

Porque a mente humana, imagem da Mente Universal, segue a lei de todas as coisas que existem na natureza, liberta-se de tudo que lhe pesa e evolui buscando contato com a Mente Universal. Seria uma exceção se sua unidade, contra todas leis, se desintegrasse e desaparecesse com a morte do corpo físico

Em magia, a obra do mago é dupla: primeiro, entrar em contato, por todos os meios possíveis (sinais gráficos, visões, audições, intuição). Com o outro mundo; e em segundo lugar, mover-se ativamente nesse mundo para obter reações e efeitos na vida real cotidiana. Nada disso é feito quando estamos dormindo, hipnotizados ou magnetizados; é feito em um estado de exaltação extranormal ao qual nenhum desses três estados corresponde; a sensibilidade da pessoa fica, na realidade, estimulada ao máximo.

COMO ENTRAR NO OUTRO MUNDO

Nas manifestações mediúnicas, o médium é passivo. Em operações mágicas, o mago é ativo e cada mago tem seu modo especial de operar e estimular sua sensibilidade – mas definitivamente sem empregar o sono.

Não se trata de auto-hipnose nem de extase religioso: a linguagem moderna não possui uma palavra que expresse esse estado. O operador entra em um extase particular onde não apenas sofre as manifestações mas as governa, dando-lhes força.

O homem de lutar com todas as suas forças para integrar os poderes e virtudes de sua personalidade latente, sonolenta e distraída, diante da nova personalidade que lhe é imposta pela sociedade em que vive.

Ele não deve ser místico por excesso de espiritualidade ou embrutecido pela propoderancia do que há mais grosseiro em sua conduta. Assim, evoluindo devagar, ele entra na esfera da mag: um estado do ser que não pode ser compreendido por aqueles que não o experimentaram.

Mag é poder do transe ativo; não sei como explicar de maneira mais clara algo que muitos poucos podem entender: é o estado do transe automático, volitivo, uma sombra, em todas as suas manifestações e concretizações.

O GRANDE ARCANO

Pagina xx,81

O Arcano é de tal natureza que, quanto mais próximo é vislumbrado por alguém, menos a pessoa pode comunicar sobre ele

O filósofo vislumbra uma verdade que não consegue nentender, o segredo da vida, da morte, da razão de existir, do fim dos seres humanos, das nações, das raças e das espécies. A Esfinge é o símbolo desse problema. O discípulo da magia tem de definir para si mesmo o objetivo primeiro de se colocar na presença do ultimo monstro, que é o prenuncio do problema final, e de domina-lo, aquilo que Édipo não conseguiu fazer. Se o mago conseguir montar o monstro em vez de cortar sua cabeça, será capaz de por na cabeça a coroa de rei.

Fenômenos Espirituais

SOBRE Os MEDIUNS

Pagina 52

O médium é a pessoa que atua como meio de comunicação entre o espirito da pessoa morta, ainda não reencarnada, e os vivos.

Por intermédio dos médiuns, os espíritos podem produzir todo tipo de fenômenos: mentais, sensíveis e físicos.

O Médium em suma, é um ser que, devido a uma constituição privilegiada, é escolhido pelos espíritos para suas manifestações

A MATERIAZALIAÇÃO

Cada materialização é uma exteriorização do corpo astral; na verdade, náo é assim, porque não há materialização sem a contribuição tanto do espirito quanto do corpo físico, e so a projeção para fora diz respeito ao perispírito. Se não fosse assim, as aparições materializadas não removeriam peso e fora dos médiuns catalépticos, nem eles, ao despertar, se sentiriam cansados, com o corpo físico exausto, sentindo a necessidade de recuperar as forças perdidas.

FORÇA ECTENICA -52

Pagina 52

É uma forma de manifestação e percepção do corpo astral ou fluídico dos ocultistas semelhante a força psíquica.

A FORÇA DO HOMEM E A CIENCIA

Pagina 53

A ciência oficial admite que existe uma força no homem (hipnótica, psíquica, ectenica), mas não determina ou aceita a ideia de que essa força é continuamente posta em movimento por uma inteligência externa ao sujeito ativo que a opera. Admite, sem dúvida, a potencialidade dessa força, mas exclui a mediunidade; isto é, nega a intervenção de um espirito inteligente, ou entidade inteligente, alheio as forças puramente físicas ou naturais do operador.

MESAS VOADORAS -

Pagina 55

O observador externo diz: ‘’É força psíquica, é magnetismo, está irradiando força nervosa, é força eletro biológica, automação inconsciente’’

O espirita, por outra lado, acredita que tudo é o trabalho de espíritos que querem se manifestas as pessoas.

O DISCIPULO
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DISCIPULO

Onde existe um mestre, há discípulos. Um fio invisível prende os discípulos ao mestre e uns aos outros, mesmo sem o conhecimento deles. Em um círculo, o mestre fica no centro e os discípulos ao redor.

Se um homem for feito do mesmo modo que a enorme massa de criaturas que povoam o mundo visível, ele não poderá se aproximar do mundo invisível e de suas criaturas.

O discípulo pode se considerar um iniciado assim que se retirar do fluxo comum.

Aqueles que são iniciados nas ciências e práticas ocultas acabam necessariamente entrando em conflito com as opiniões profanas do público.

O teste supremo do discípulo está em sua separação do mestre; se não possui a força necessária para levar adiante sua formação de modo independente, ele cai na corrente comum e é destruído.

Conceito da Rosa Mística

Muitas pétalas ao redor de um botão, que é sua alma, espírito, força e inteligência.

MUNDO VISIVEL E MUNDO INVISIVEL

O mundo visível se alimenta do medo constante de não ter e não possuir, enquanto o mundo invisível vive na eterna certeza de que o individuo obtém quando quer e quando precisa.

Os dois exemplos:

O HOMEM E A MULHER VULGAR

O homem vulgar ama uma mulher não apenas porque homens amam mulheres, mas também devido a um sentimento, que não pode ser confessado e que existe em todo animal e em todo grupo humano, de se considerar o mais viril dos homens. É a coisa mais natural do mundo não só pela oportunidade de reivindicarmos um momento de contenção sobre o intelecto quanto, para o homem razoável, de ceder a este momentâneo triunfo da carne, uma vez que a parceira tenha sido escolhida não só pelo corpo perfeito, mas também por uma homogênea e atraente gentileza moral. Mas um homem comum não se detém aqui, no que deveria ser o ponto de chegada. Torna-se um Casanova com relação a todas as mulheres que possam estimular sua autoestima; tem, por presunção masculina, de cheirar o perfume de cada flor que vê, sempre se comportando como um Átila voraz com todas as mulheres honestas que não lhe prestam homenagem. Jovens, adultos e velhos julgam que é seu dever degradar a essencialmente aristocrática natureza humana (que é divina em sua origem), transformando-a em um pântano lamacento de instintos animais básicos que marcam para sempre o indivíduo como um bode fedorento. Homens comuns adoram dinheiro. Chave para todas as arcas sagradas da vulgaridade, o ouro é um rei diante do qual todos os sentimentos de fingida honestidade, todas as forças da falsa moral se curvam. Não preciso dar um exemplo: todos sabem que para as massas o dinheiro representa o talismã mais poderoso, trazendo a serenidade de uma vida confortável, paz doméstica, satisfação de todos os caprichos, a doçura de todas as amantes pagas. Mas o discípulo da sabedoria divina, aspirando apenas a um ideal mais elevado, destrona esse rei e continua seguindo seu caminho, com seu manto, cajado e alforje, como um estoico que despreza um ídolo diante do qual, como diante de uma bela mulher, todos se curvam. Uma mulher comum quer apenas satisfazer sua vaidade. Elegante em seus modos, no vestir e nos penteados, sonha continuamente em escravizar todos os homens e deixar todas as amigas e conhecidas roxas de inveja. Mas a mulher que, como uma pétala da Rosa Mística, cai sob a influência de um mestre, pouco a pouco – de forma imperceptível, mas progressiva –, abre mão da vaidade, e o olho de sua mente voa cada vez mais alto.

FORMAÇÃO

Educação espiritual do discípulo

Melhorar as condições psicofísicas do aspirante a mago para que ele possa se aproximar de uma perfeição orgânica ideal.

Torná-lo sensível a influencia de quaisquer irradiações físicas ou inteligentes externas.

O novato deve apenas se instruir em cienciqa, não se deixar seduzir pelo mundo exterior e aspirar em silencio a que o Deus se manifeste dentro dele próprio.

Ao domínio absoluto da vida como o criador da própria vida.

A conquista do estado de santidade para que, segundo a vontade criativa que reside nele sob a forma mais elevada, o princípio solar, que é em si a principal virtude de todos, se manifeste no mundo material.

A posse do estado de mobilidade, para que todas as coisas possam ser dominadas.

A conquista do estado luminoso, para que todos os caminhos, todos os princípios possam ser iluminados pela verdade, e para que ele possa estar sempre consciente de si mesmo, como dominador ativo, criador e recriador de coisas.

Quem quer estudar e praticar a magia não deve esquecer que o conhecimento do eu interior constitui a primeira parte da manifestação inteligente e consciente do discípulo, após a qual entramos em relação com o mundo das causas, de modo consciente, e não por meio de uma fé cega.

Na Magia, assim que os rudimentos teóricos são aprendidos, o indivíduo deve operar; discutir é perda de tempo, o discípulo deve labor, orar, praticar.

As práticas da magia dadas por um mestre passam invariavelmente a seguinte orientação: cria, batalha, experimenta e não te preocupes em identificar de imediato o trabalho psíquico ou da alma, no qual o operador não repara pela simples razão de não entender de imediato o que suas operações produzem; mas a mão amiga que ele invocou começará, de maneira latente, a dissipar a escuridão e, de forma invisível, insensível, o trabalho de reintegração na luz beatificante não será interrompido até o dia do completo triunfo do intelecto da verdade nele.

Você só deve pedir e esperar da sua doutrina um único fenômeno: a reintegração de teu ego inteligente, que teu espírito seja iluminado, que possas encontrar a Luz e, na luz, o Mestre.

Uma vez que este único e grande fenômeno tenha acontecido, todos os outros viram brincadeira de criança: sabe-se o que são e não vale a pena correr o risco de nos embriagarmos.

Com isso terminei; acho que já escrevi o bastante, ou seja, o que é suficiente e necessário para que homens de boa vontade alcancem seus objetivos.

Salve, ó discípulo, eu te saúdo; lembra-te do clama ne cesses [clama em voz alta] de Isaías. O momento é propício.

CONCEITO DE INICIADO

O discípulo que emergiu da água estagnada das multidões e veio para dentro da zona de radiação do centro; isso pode ser melhor explicado se dissermos que aquele que está habilitado fez todo o trabalho de purificação e preparação em um neófito para destacá-lo por completo do meio comum, extraí-lo da corrente das massas vulgares e elevá-lo a águas mais puras, as quais a multidão não pode ascender devido ao seu peso natural – devido a essa lei inflexível e inexorável que condena o chumbo a afundar e as folhas a flutuar.

O DESENVOLVIMENTO PESSOAL PARA O DISCIPULO

O Iniciado tem de vencer a morte e ultrapassar a escravidão da inexorável lei. O iniciado enfrenta apenas o problema da continuidade da consciência, da travessaria do rio do esquecimento, Lethe, continuando sem interrupção seu sonho de integração com poderes divinos.

Ter coragem ilimitada e razão fria, que não se inflame com o primeiro lampejo de ilusão.

Ter um alto senso de retidão e moralidade e, em virtude isso, ter medo de abusar do que se tenta arrebatar do desconhecido.

Desejar luz, a fim de confortar aqueles cuja imperfeição terrena os impede de ver.

Entender e fazer entender que o homem tem dentro de si tudo que é necessário para desenvolver as qualidades super-humanas de seu espirito.

Estar convencido de que as consciências integras, desejosas do bem, e que são razoáveis e completas, sem hipocrisia e medo, convidam o gênio que está mais próximo da natureza do indivíduo a se manifestar

Estar convencido de que a maré de opiniões e frases banais deturpa, distorce e traduz mal a linguagem que o gênio dirige a nossa consciência, e que assim fechamos nossos ouvidos a verdade para dar ouvidos a mentiras

Estar convencido de que, se o gênio é tomado como guia, a serpente astral que aparece como signo da luta é dominada e o individuo torna-se um deus; se, em vez de compreender, ele entende mal, ou melhor, sonha com uma repreensão, vai cair na boca da serpente.

A. Ter coragem ilimitada e razão fria

“...que não se inflame com o primeiro lampejo de ilusão.”

Significado: O magista precisa ter coragem total, pois o caminho da magia envolve enfrentar o desconhecido — dentro e fora de si. Mas essa coragem deve vir acompanhada de razão fria, ou seja, autocontrole e discernimento.

Em termos práticos:

A coragem impede o medo de paralisar.

A razão impede o entusiasmo cego, a vaidade e as fantasias que iludem o aprendiz.

O verdadeiro magista não se deixa enganar por fenômenos, visões ou sensações — ele observa e analisa com calma.

Virtude-chave: Coragem equilibrada pela lucidez.

B. Ter um alto senso de retidão e moralidade

“...e, em virtude disso, ter medo de abusar do que se tenta arrebatar do desconhecido.”

Significado: Toda força espiritual é neutra — quem a usa é que dá direção a ela. Por isso, o magista precisa de ética elevada, para não usar o conhecimento oculto de forma egoísta, vaidosa ou destrutiva.

Em termos práticos:

A “moral” aqui não é dogmática, mas consciente — é o respeito pelas leis universais.

O medo saudável (“temor sagrado”) de abusar do poder mantém o praticante humilde.

Quem busca poder sem pureza moral, perde-se no orgulho e acaba sendo dominado pelas próprias criações mentais (o que os ocultistas chamam de “queda”).

🜏 Virtude-chave: Retidão e reverência ao mistério.

C. Desejar luz, a fim de confortar os que ainda não a veem

🔹 Significado: O objetivo da magia não é dominar, mas iluminar — trazer clareza, cura e conhecimento aos outros. O verdadeiro magista busca sabedoria não para si, mas para servir ao bem comum.

Em termos práticos:

“Luz” é o símbolo da consciência.

Desejar luz é desejar verdade, clareza e compaixão.

Quem alcança um pouco mais deve ajudar os que estão na escuridão da ignorância ou sofrimento.

🜏 Virtude-chave: Altruísmo e compaixão ativa.

D. Entender e fazer entender que o homem tem dentro de si tudo o que é necessário

“...para desenvolver as qualidades super-humanas de seu espírito.”

🔹 Significado: A magia verdadeira é interior. O poder não vem de fora (rituais, objetos, invocações), mas do espírito humano — que contém a centelha divina.

Em termos práticos:

O “milagre” é uma capacidade natural do ser humano desperto.

O aprendizado é, na verdade, um lembrar-se do que já está em nós.

Isso se opõe à superstição e à dependência de forças externas.

🜏 Virtude-chave: Autoconhecimento e autoconfiança espiritual.

E. Estar convencido de que consciências íntegras e voltadas ao bem atraem o gênio interior

“...o gênio que está mais próximo da natureza do indivíduo a se manifestar.”

🔹 Significado: O “gênio” aqui é o aspecto superior da própria alma, o “espírito guardião” ou eu divino do magista. Ele se manifesta quando a consciência é pura, equilibrada e sincera.

Em termos práticos:

Cada pessoa tem um “gênio” (um princípio espiritual) que a guia.

Esse gênio se aproxima quando o indivíduo vive em integridade e boa vontade.

Quando há falsidade, medo ou egoísmo, esse contato se rompe.

🜏 Virtude-chave: Integridade e harmonia interior.

F. Estar convencido de que opiniões banais distorcem a linguagem do gênio

“...e assim fechamos nossos ouvidos à verdade para dar ouvidos a mentiras.”

🔹 Significado: O “gênio” (ou voz interior) fala através da intuição e da consciência profunda. Mas as opiniões comuns, crenças coletivas e superficialidades sociais distorcem essa voz.

Em termos práticos:

A mente precisa ser purificada do barulho do mundo e das ideias prontas.

O magista aprende a ouvir o silêncio interno e a discernir o que é verdade do que é eco mental.

Se a pessoa vive de frases feitas e crenças alheias, não escuta a própria alma.

🜏 Virtude-chave: Silêncio interior e pensamento livre.

G. O gênio como guia e a serpente astral

“...se o gênio é tomado como guia, a serpente astral é dominada e o indivíduo torna-se um deus; se entende mal, cai na boca da serpente.”

🔹 Significado: A “serpente astral” é o símbolo da força vital e desejo — a energia que pode elevar ou destruir. Quando o homem segue seu “gênio interior”, essa força é domada e sublimada; quando segue a ilusão, o orgulho ou a confusão, é devorado por ela (isto é, cai em desequilíbrio espiritual, loucura ou egoísmo).

Em termos práticos:

Dominar a “serpente” é dominar as paixões, ilusões e instintos.

Tornar-se “um deus” significa unir-se à própria essência divina.

Ser “devorado” significa perder-se nos delírios, ilusões ou abusos de poder.

🜏 Virtude-chave: Domínio de si e iluminação consciente.

Síntese geral

Esses sete pontos descrevem o caminho do magista verdadeiro: um ser racional, corajoso, ético, altruísta, autossuficiente, livre de preconceitos e em contato com seu espírito interior. Quando atinge esse equilíbrio, ele não “faz magia” — ele é a própria magia em ação.

O NÃO CREDO

Não acredite em algo apenas por ouvir dizer

Não acredite em tradições que chegam a nós cansadas e distorcidas por línguas humanas

Não acredite em algo só porque as pessoas fala muito sobre aquilo;

Você também não deve acreditar apenas por causa do testemunho de um homem sábio

Não acredite em alguma coisa apenas por que há grande probabilidade de que ela seja verdadeira ou porque, graças ao habito, você a considera verdadeira

Não creia na autoridade exclusiva de seu mestre e sacerdote

O NECESSARIO PARA INICIAÇÃO

Para que você receba esta redenção, que é a obra de indispensável preparação, a lei diz o seguinte para você:

1. Leve sempre uma vida muito pura e austera. 2. Nunca se mostre, nem queira parecer, mas seja. 3. Faça o bem e guie-se pela mais pura justiça quando fizer isso.

4. Considere a gula, a luxúria e a influência do mundo profano como seus inimigos. 5. Purifique-se depois de cada ação e pense antes de agir. 6. Diga apenas o que sabe ser verdade, o que experimentou como verdadeiro; não dê o que ainda não possui; não deseje o que sua impureza lhe impede de obter. 7. Fale o menos que puder, não jogue pérolas aos porcos e nunca minta para si mesmo. 8. Seja sempre um exemplo de moral e justiça e, antes de violar a lei dos outros, pense que não quer que os outros violem a sua lei. 9. Purifique a sua palavra por meio do silêncio, seu corpo por meio do jejum e lembre-se de que boas palavras, bons pensamentos e boas ações abrem o reino oculto onde se pensa e se cria, onde se fica calado e onde se aprende.

Considere como verdade, e viva de acordo com essa verdade, apenas aquilo que as suas observações e a sua experiencia provarem ser bom para a sua saúde, seu bem estar e para o bem-estar de outros como você

OBJETIVO

Comece do germe espiritual e estabeleça um objetivo fixo e imutável; pense que você tem de alcançar esse objetivo, qualquer que seja, desde que seja honesto e ético.

Para estudar minuciosamente os meios para educar sua vontade, nunca mude seu objetivo. Você pode escolhê-lo livremente mas, uma vez feita a opção, jamais se afaste da meta.

ORIENTAÇÃO FINAL AOS INICIANTES

Dito isso, por uma questão de clareza, aconselho os iniciantes a escolher com cuidado o período em que vão começar seu trabalho.

Aconselho o período da Lua crescente e, principalmente, as lunações em novembro e dezembro ou, melhor ainda, os dois signos de Escorpião e Capricórnio, para tentar as primeiras operações sob Áries (abril) e as mais difíceis em Virgem, alcançando o equilíbrio em Libra. Com a mente serena, vamos dirigir nossas aspirações para o alto.

CONDUTA

O EQUILIBRIO FLUIDICO DO DISCIPULO

Os discípulos devem ser saudáveis de corpo e da mente.

Deve trazer consigo todas as suas forças florescentes e equilibradas, e renunciar, de modo espontâneo, a todas as ilusões que cultivou até aquela data.

A saúde no corpo é indispensável, porque cada prática carrega a marca indelével do estado de equilíbrio ou falta do praticante. Assim como a deformidade do corpo da origem a um estado quase permanente de desvio fluídico, enfermidades temporárias determinam um estágio passageiro de falta de equilíbrio no praticante.

EXORTAÇÕES AO DISCÍPULO

Cultive sua própria mente para que ela possa, depois de ter se elevado, primeiro perceber e logo conhecer as leis de nossa própria natureza física e espiritual.

Trabalhe em direção à perfeição em si mesmo para que a natureza animal, enquanto ainda estamos vivos na Terra, seja conquistada pela supremacia espiritual.

Entre em contato com os seres invisíveis ao seu redor, domine o mau e o inferior e aprenda com o mais perfeito, para se aproximar da verdade suprema

Penetre nas leis que governam cada realização terrena e não deixe de usá-las no momento certo, para ajudar seus semelhantes.

Prepare o progresso espiritual da humanidade com todas as suas forças, porque à medida que a espiritualidade das pessoas progride, a civilização avança, pois civilização significa concretização da espiritualidade das multidões.

Fortaleça os laços de fraternidade entre os homens e, resolvendo o problema das almas, resolva o problema social dos povos.

O ESTILO DE VIDA

Junto com o ato sexual, todos os outros atos externos, que praticamos em comum com outros animais, tem uma grande influencia sobre a disposição, crescimento e o poder do corpo fluídico do discípulo.

O SONO

1. Duração e qualidade do sono

O tempo de sono não deve ser excessivamente longo, pois o estado de sono no organismo humano contribui para tornar pesado o organismo animal, tornando pesados os componentes do corpo e deixando o potencial fluídico entorpecido. A energia animal do sono deve ser recuperada de forma adequada, uma vez que o organismo fluídico do homem, que retira vitalidade de seu invólucro físico, não deve se sentir cansado, superalimentado ou entorpecido.

2. Condições físicas do repouso

O praticante deve dormir em cama dura, utilizando um cobertor que não seja nem muito pesado nem muito leve, em um quarto amplo e bem ventilado. Durante o sono, não deve haver nenhuma lâmpada ou vela acesa, pois o homem que está misticamente adormecido deve reentrar na escuridão total do astral enquanto o organismo recupera sua energia.

A ventilação do quarto, a limpeza da roupa de cama e a extrema limpeza do corpo — alcançada por banhos de manhã e à noite — estão de pleno acordo com as regras mais estritas da higiene, as quais, embora registradas em livros, nem sempre são postas em prática com facilidade.

3. Sono, psiquismo e luz astral

Enquanto dorme, o homem inteligente deve tentar ultrapassar a zona escura para alcançar a branca luz astral. Esse processo ocorre de modo instintivo nos indivíduos que possuem desenvolvimento psíquico avançado, mesmo quando pertencem à multidão. Os sonhos proféticos ou sonhos de luz branca não passam de tentativas bem-sucedidas da psique da pessoa adormecida de entrar no mundo da luz astral não contaminado pela poluição terrestre.

4. Convergência entre prática mágica e higiene

Ao examinar as regras das ordens religiosas monásticas, cujos fundadores foram reconhecidos como reveladores de antigas formas de magia ou sabedoria, percebe-se que as regras lógicas e exclusivamente científicas da prática mágica coincidem não apenas com as monásticas, mas também com os preceitos de estrita higiene. A higiene ensinada atualmente aproxima-se dessas regras à medida que se torna mais plena.

5. Influência das cores no ambiente de descanso

Deve-se considerar também a cor das paredes e do teto do quarto onde se dorme. As cores, por meio do sentido da visão, exercem efeito direto sobre o cérebro, o cerebelo e os nervos. Tintas coloridas produzidas de matéria mineral ou vegetal, que podem influenciar o cérebro pela inalação de seus vapores e inclusive através da pele, apresentam o pior efeito.

Os que têm meios e oportunidade deveriam substituir o reboco das paredes e do teto de seus quartos e caiá-los, evitando pinturas brancas com base de chumbo. A cor branca é a mais adequada para sensações psíquicas de origem visual e, em termos místicos, projeta-se como imagem da pureza. Sua associação simbólica com a pureza e a virgindade decorre da verdade mágica segundo a qual a cor confere sua virtude conforme a ideia e a qualidade que lhe são atribuídas.

6. Contágio fluídico e isolamento do espaço pessoal

Móveis, roupas, tecidos, cobertores e cadeiras, mesmo quando lavados, conservam a marca — ou o cheiro — de quem os utilizou, tornando-se geradores de contágio fluídico, sob a mesma lei geral atribuída ao contágio por micro-organismos. Por essa razão, aquele que puder deve preparar para si uma sala exclusiva para sua própria vida fluídica.

CORPO MATERIAL X FLUIDICO E A NUTRIÇÃO

A nutrição física do corpo humano depende não apenas da qualidade e quantidade de comida ingerida, mas também dos vapores que o corpo absorve durante a vida diária. O poder de absorção é especifico do corpo fluídico e de seu tipo vampiresco de nutrição e, enquanto o copo material digere e transforma comida mastigada em caloria, o corpo fluídico tira sua vida da aspiração e da nutrição do sistema nervoso e das partes ganglionares moles do corpo físico.

Seja frugal. Voltados para a comida simples, natural, preparada sem muito alvoroço. De preferencia a vegetais, evite ao máximo possível carne vermelha e sangue. Desfrute o aroma de uma caneca de vinho tinto, mas procure bebê-lo de maneira muito moderada e recuse aguardente e drinques alcoólicos. Coma o que quiser, mas sendo frugal. Beba o que precisar, mas com moderação. Durma quando puder, mas sendo trabalhador.

Seja abstêmio ou ceda a algumas vontades, mas torne-se senhor de suas ações.

Se não der certo, diga que o problema está em você mesmo e procure-o até encontra-lo.

Corrija seus caminhos, escolha a trilha certa e remova todas as manchas de maldade que houver em você.

O jejum é um renascimento simbólico do corpo, um renascimento para a vida de luz; é uma regeneração moral e material. É uma ajuda muitíssimo poderosa para o desenvolvimento e a liberdade do corpo astral.

Uma doença no corpo físico de um mago representa sempre um erro cometido por ele no domínio do corpo fluídico, tão próxima é a relação entre desenvolvimento fluídico e saúde física magnética

EXERCICIOS FISICOS

Onde predominam baixos instintos animais de voracidade vulpina, tudo que seria psique ou inteligência no animal avançado está atrofiado, ou melhor, ainda não se desenvolveu. E nos filósofos e pensadores, tudo que possa estar relacionado a animalidade básica está em continua regressão.

Em escolas europeias, a ginástica é o antídoto teórico para a quantidade de veneno que os meninos absorvem em seus livros: em outras palavras, o exercício físico deve equilibrar o exercício intelectual para que o desenvolvimento físico e o mental de um garoto andem de mãos dadas; mas, na prática, mesmo nas escolas, podemos ver que isso não acontece. Aqueles em quem um corpo atlético combina com uma inteligência brilhante são poucos e estão muito dispersos; em geral quando um aspecto predomina, o outro é deficiente. Para a educação perfeita de um rapaz que tenha um desenvolvimento mental normal, sugiro, em vez de exercícios feitos em casa ou no ginásio, esportes em que o interesse mental seja sempre mantido vivo: futebol, por exemplo, ou equitação, esgrima, natação e longas caminhadas.

A interpretação iniciática

O que se refere à apresentação dos segredos divinos, não tome as palavras literalmente, mas considere a intenção ou o sentido por trás delas. As parábolas de Cristo, assim como a história das migrações judaicas, estão cheias de lutas e regras nas quais o nome de cada homem expressa um espírito de ação e cada comando de batalha aponta para o conflito entre espírito e forma profana. Os anjos são taciturnos, mas ativos: falam muito pouco, mas suas ações falam alto. As ações são a obra de Deus, os feitos são a linguagem dos espíritos de Deus. Palavras, discursos, fala gramatical pertencem à multidão e tornam os homens semelhantes a animais que precisam de suas vozes para expressar suas necessidades. É por isso que gramáticos, peritos em linguagem e discurso humanos, foram extremamente depreciados pelos filósofos da Antiguidade que brotaram das escolas órfica e pitagórica dos templos consagrados à verdade.

O silencio iniciático

O silêncio subjetivo, ou a ausência de fala, coloca o indivíduo fora de qualquer estagnação artificial de criações autônomas.

As palavras que pronunciamos são a confirmação de nossas próprias ideias, materializadas repetidas vezes por meio de sons articulados.

Pessoas que falam muito condensam conceitos que elas ainda não foram capazes de assimilar no plano físico. Aquele que não acredita, mas diz, acaba acreditando naquilo que diz.

A educação para o silêncio interior e pessoal é a melhor preparação psíquica para que o corpo mais pesado se separe dos três elementos superiores.

Não há iniciação que não comece com o silêncio: “Não fales do que saberás ou do que verás, e fica calado não apenas com tua boca, que é o órgão de transmissão do pensamento”. A educação no silêncio, por irradiação mecânica, influencia a sensibilidade lunar da alma, que também aprenderá a ser silenciosa, como é silenciosa uma boca fechada.

Tudo deve estar em silêncio ao redor daquele que se propõe a conquistar uma reintegração para que sua inteligência solar se manifeste: você deve ser silencioso em termos subjetivos e objetivos, com a boca, em ação e em pensamentos, enquanto dorme ou quando acorda, pois aquele que fala cria e cada criação é um deslocamento da forma e, por conseguinte, uma ocultação da verdade amorfa primitiva, ou espírito da luz.

O discípulo deve saber como permanecer em silêncio e viver no meio da multidão que é facilmente influenciada, mas que não influencia o homem sábio, cuja alma tem de ser insensível a todas as palavras, ruídos e costumes, que são as principais influências sobre as pessoas. E isso não é tudo: ele deve manter silêncio com sua alma e obrigar todos os espíritos que falam com ela ficarem também em silêncio.

A PUREZA

Pureza mágica, ou hermética, mas não pureza religiosa, é a neutralidade consciente e inalterável que mantemos com relação a nossos semelhantes. Um homem que, no auge de seus poderes perceptivos, consegue ser neutro, que consegue, portanto, manter a consciência serena, íntegra, separada das sensações e pronta para julgá-las sem qualquer tipo de favoritismo, seja ele qual for, eleva-se acima do nível da multidão humana. Prece, castidade, jejum, coisas sobre as quais já falamos, despojadas de qualquer ideia mística, contribuem para a liberação gradual do corpo lunar, que é a sede do astral dos Magos, das impressões sensoriais vindas do corpo saturnino. E isso não acontece porque as impressões sensoriais não sejam mais registradas quando chegam ao corpo lunar, mas porque sua recepção não é mais seguida por uma perturbação ressonância nas esferas afetiva e emotiva.

RELAÇÃO COM O SAGRADO

O IMÃ E O DISCIPULO

As duas correntes, a falsa, muito poderosa e o verdadeiro e incorruptível oculto atuam sobre o discípulo da mesma forma que dois imas de força igual e oposta trabalham sobre um pedaço de ferro colocado a igual distância de seus extremos. A peça de ferro não tem vontade, por isso se mantem inerte. Mas o discípulo tem uma vontade, e essa vontade a empurra um pouco para um lado, um pouco para o outro.

O MESTRE PERFEITO

Todas as criaturas, diante da natureza, são iguais.

O mestre do ensinamento oculto é a pessoa mais avançada em comparação com os neófitos. Nenhuma sociedade espiritual pode evitar esse poder do Mestre, porque ele, que vê e entende de modo mais claro, será sempre o instrutor dos espiritualmente jovens.

O que o mestre fala torna-se dogmático, um dogma assusta sem motivo todos os experimentadores porque eles atribuem a esta palavra um significado que ela não possui. O dogma é um pensamento, que corresponde uma projeção fluídica, um pensamento sinteticamente coagulado na psique de um mestre, é um dogma, porque é verdadeiro.

Aqueles que operam com magia devem recorrer ao equilíbrio resultante de seu progresso para que sejam capazes de neutralizar todas as forças adversas e para serem considerados Mestres Perfeitos nas duas partes da magia. Devem possuir virtudes negativas e positivas, serem capazes de dar e receber, de coagular e dissipar todas as forças psíquicas condensadas ao seu redor para conceder, por um certo momento, suas próprias virtudes a um estudante ou discípulo.

PRECE

Uma prece é um ato de fluidificação concreta da própria vontade.

Formular uma ideia e desejar sua realização é uma prece. Mesmo sem precisar de livros de oração, meus leitores devem ter em conta que, se aspiram à ascensão espiritual, suas ideias têm de estar formuladas com muita clareza em suas mentes — para que os resultados não demorem a chegar. As ideias formuladas com clareza atravessam a aura astral da Terra e serão recolhidas por um servo guardião que está ao lado do trono do Sol.

O discípulo da magia não deve expressar desejos em suas orações; desejar é o contrario a todas as realizações magicas. É dessa forma que os falsos adeptos da magia morrem em desespero, sem graça e sem virtude, porque desejam a graça antes de obtê-la.

O discípulo da magia expõe sua necessidade a Deus e pede que ela seja atendida se for isto a coisa certa a ser feita. Não tens pão; não tens um teto; talvez esteja escrito no principio de absoluta justiça que você deve passar fome para se redimir.

A HARMONIA

Harmonia é a proporção correta da relatividade entre os elementos trinitários constituindo a síntese que é o homem: na realidade, assim como a circuferencia é proporcional ao raio, assim como o conteúdo é proporcional ao recipiente. A musica, a harmonia e o som são obtidos por meio dos vários componentes do som geral, cada um dos quais é as vezes predominante, as vezes silencioso. É a mais exata expressão de harmonia dos três elementos que constituem o homem; a harmonia dos sonos é a expressão, estabelecida, de sua reciprocidade.

Caminho do Mago

É aquele que possui a ciência de Deus, é seu repositório vivo e quem o usa.

Os antigos sacerdotes só compartilhavam essa ciência nos templos com aqueles que se tornavam dignos de aprendê-la e praticá-la depois de longas e terríveis provações, e que ela era passada pouco a pouco, em ritos e cerimonias que nossa Igreja Católica preservou nas ordens sagradas. Pode-se então, afirmar que aqueles que ensinavam essa ciência terrível e conheciam sua importância procuravam qualidades que um homem comum não possui.

O NECESSARIO PARA SER UM MAGO DE LUZ:

Perfeita retidão de atitude;

Uma clara noção do que é bom;

Uma total aversão á criação do que é mau;

Um grande amor por seu semelhante;

Uma consciência livre de qualquer mácula;mago

Nenhum desejo que não seja para o bem dos outros;

Nenhum medo do mal que pode nos atingir quando estamos fazendo o bem.

Devemos ser dotados de todas as virtudes, ter uma consciência limpa, desejar o bem, em nome de Deus, para si mesmo e para os outros; não devemos ter inclinações para coisas ou ações triviais

Escrever e falar sobre magia não significa ser um mago: um mago é criado por meio de um processo continuo de autocriação, primeiro através da determinação da analise mais próxima da sensualidade e do sentimento sem os preconceitos do ascetismo e do materialmente mecânico, depois através da iniciação do arcano.

SANTO X MAGO

Pagina 68 e 69

A religião é o conjunto integral e completo de uma doutrina sagrada capaz de ser compreendida pelas massas: mesmo que tenha uma origem verdadeira, profunda e cientifica, fala a multidão sob o disfarce de preceitos e advertências divinas. Personifica a divindade e transmite uma relativa moralidade ao progresso das massas.

Magia, sabedoria e ensinamentos sobre o que existe, síntese das leis das coisas criadas, o processo de criação em si no domínio da verdade e da natureza, esta é a chave de todas as religiões tradicionais.

Tanto o homem religioso quanto o discípulo da magia buscam conhecimento do mundo divino, o primeiro de modo passivo, aplicando preceitos religiosos, o segundo de modo ativo, tentando forças a natureza humana a penetrar no mundo invisível, a descobrir as leis e usa-las, como queriam os mestres, para a conquista de poderes divinos.

O homem religioso pode se tonar um santo.

O discípulo da magia tem de se tornar um mago ou desaparecer.

A santidade é a virtude do iniciado, não seu objetivo. O objetivo do mago é a integridade divina com suas virtudes sobre-humanas.

O santo pode chegar a graça; o mago tem de realizar ações divinas.

O Santo é aquele que identifica sua razão humana com a razão fatal das coisas e dos espíritos. O santo é um altruísta que se considera um viajante em um hotel durante uma parada em sua jornada para a evolução infinita e final de todas as coisas criadas. O santo é aquele que tem a sabedoria de não se iludir sobre razões visíveis e que se faz digno da ciência de Deus.

O primeiro não precisa de ciência; o ultimo não pode existir sem a ciência.

Um frade piedoso, após uma longa vida de abnegação e oração, alegra-se com os estigmas da crucificação. Um cientista deve ser capaz de explicar qual é a causa desses estigmas.

O frade piedoso não tem desejos, está à mercê da graça de Deus e torna-se um instrumento dela: cura os enfermos, antecipa boas notificas; sai em ajudo dos necessitados quando menos contam com ele.

O mago, em consonância com seus poderes, deve obrar e realizar sempre que quiser e sempre tem de usar sua sabedoria, seu poder, as forças a sua disposição.

A santidade é alcançada; a magia é conquistada.

A INICIAÇÃO E AS PROVAÇÕES ANTIGAS

Nos templos egípcios, o neófito entra, empurrando a porta do sinédrio onde os mestres de primeiro grau estão sentados ao redor do fogo, com vestimentas vermelhas, mascarados, as cabeças envoltas em faixas sacerdotais. Quando o neófito abre a porta, todos os mestres correm para ele, fazem um cerco ao seu redor e aproximam as adagas de sua garganta chamando-o de traidor e violador do segredo inviolável da natureza. Em seguida discutem sobre a forma que usarão para matá-lo e, para sacrificar seu espírito aos deuses que protegem a Ordem, montam um tribunal e o condenam à morte pelo fogo. Vão então para um grande recinto onde uma pira é acesa. Dois mestres despem o traidor, atiram suas roupas no fogo e chegam a ponto de chamuscar a carne do condenado. Nesse momento, entra o hierofante, ou grande mestre, e adia a execução. A exortação que ele faz ao neófito, no diante do fogo flamejante, é mais ou menos assim:

Foste tão ousado a ponto de violares a porta que guarda os mistérios da verdade da vulgaridade dos vivos, o que prova que ou és um homem de coragem ou um idiota estouvado. Posso julgar-te porque posso ler o que há em tua alma e considero tua ousadia uma loucura irrefletida; não sabias que estavas te condenando à morte de um violador. Adio tua execução; adio, não te perdoo; se quiseres salvar-te tens de derrotar o fogo que te consome.

“...e a água que te sufoca”, acrescenta o mestre mais velho. “...e o ar que carrega o sopro da terra”, acrescenta outro. “...e a terra que engole almas”, diz um terceiro.

Então, o hierofante volta a falar:

Se conseguires derrotar esses quatro poderosos fantasmas da negação do espírito, juntar-te-ás à nossa família e avançarás; caso contrário, tua morte só ficará adiada até o dia de teu tremor.

E ninguém conseguirá te resgatar, pois a prova de tua traição é que violaste, sem merecimento, a entrada do templo.

O hierofante então designa um mestre para o neófito, que o veste de branco; e o neófito jura manter silêncio sobre tudo que viu ou verá e suportar sua provação ou morrer.

OS NOVE PASSOS

O Mundo:

Instito

Julgamento

Razão Sensorial

O homem ou Alma

Razão pura

Vontade

Inspiração

O ovo ou Cristo:

Logos, a palavra encarnada

Espirito universal

Deus-homem

As riquezas

Para resumir, mais uma vez: a fim de praticar a vida mágica, você deve ter um objetivo definido na sua frente. Diga a você mesmo ‘Quero ciência’ ou ‘Quero virtude’ ou ‘Quero riquezas’ e tente vincular seu ideal a um dos três elementos mágicos do primeiro aforismo.

A ciência pertence ao princípio divino, a virtude pertence à mentalidade e as riquezas pertencem ao mundo.

Você alcançará a ciência evoluindo para seu princípio divino mais elevado; a virtude, praticando-a; e as riquezas... dominando-as.

Permita-me uma digressão.

Muitas pessoas querem estudar magia para adquirir riquezas. Na verdade, o segredo para tornar-se rico é o mais fácil de todos os segredos.

As riquezas representam abundância além das necessidades do indivíduo: entre um filósofo que se alimenta de migalhas de pão e vive em um barril e um milionário que trabalha e rouba seus semelhantes para aumentar o patrimônio, o filósofo é o mais rico.

Antes de desejar riquezas, é preciso esclarecer o que se deseja: queremos riquezas para satisfazer necessidades vitais? Tal satisfação só é recusada para aqueles que têm de expiar erros e pecados ainda não purificados. A providência é uma verdade experimentada por todos os homens justos, pacientes e fiéis.”

MAGIA
4

PREPARAÇÃO

PREPARAÇÃO PARA A MAGIA

Pagina 79,80, 95

CONVERTA OS PODERES INTEGRATIVOS DO INTELECTO HUMANO (A VONTADE) NO MESTRE ABSOLUTO DA ESTRUTURA ANIMAL, TRANSFORMANDO ESSA ESTRUTURA EM UMA ESCRAVA PONTUAL E OBEDIENTE Á AUTORIDADE PSICODINÂMICA QUE EXISTE DENTRO DE NÓS; LIVRE-SE SE TODOS OS OBSTACULOS AO LIVRE EXERCICIO DA VONTADE INTELIGENTE SOBRE O CORPO, QUE É O INSTRUMENTO NECESSARIO PARA A VIDA HUMANA; LIBERTE-SE DAS NECESSIDADES MUNDANAS.

Para a prática da magia, deve-se substituir tudo, do maior ao mais insignificante item da vida humana, rejeitando como impura qualquer intrusão do fluido de outra pessoa. A única exceção são mestres muito avançados na arte que não operem de forma impura, pois, se pessoas melhores que nós viermos à nossa casa, há muito a ganhar e nada a perder.

O CATECISMO DOS PRIMEIROS ESTÁGIOS DA MAGIA

Aqueles que querem ser bem-sucedidos tem de manter silencio, mas devem operar enquanto mantem o silencio.

Operar é agir.

Agimos sobre coisas que parecem inanimadas e sobre seres animados visíveis e invisíveis por meio de três fatores:

VONTADE

CIENCIA

EQUILIBRIO

1- RITOS E VONTADE

Para o discípulo, os ritos são como instrumentos mágicos, chave para qualquer magia que se desenvolva; portanto, os ritos contra os quais todas as pessoas ignorantes se rebelam são os recursos mais poderosos para educar e direcionar a vontade, para reservar o lugar da ciência em quem não tem ciência nenhuma, para gerar equilíbrio naqueles que estão sujeitos às paixões.

Narrativas religiosas completas são mantidas vivas por ritos cheios de sabedoria, cujas chaves de acesso, muitas vezes – com muita frequência –, foram perdidas pelos sacerdotes. Se abolirmos os ritos nesse cenário de perda de consciência sacerdotal, destruiremos a religião.

Um rito e uma fórmula ritual não obedecem magicamente à personalidade consciente do operador; obedecem à consciência privada do indivíduo, isto é, à consciência oculta do indivíduo integral.

Se não houver homogeneidade entre a consciência oculta e a consciência normal, o efeito do rito, embora seja uma contribuição inegável à cadeia da Schola, está com frequência em contradição direta com os desejos expressos pelo praticante.

Na magia, a prática de um rito é, por si só, um arcano porque aquele que o cumpre deve ter vontade e, na magia, o significado hermético da palavra vontade não é o que em geral entendemos que seja.

Dai muitos erros de interpretação, muito desânimo, muitíssimos equívocos. O exercício da vontade humana reside no domínio específico da paixão impulsiva que assume, com frequência, a forma de raciocínio lógico; assim parece que, quando desejamos algo que parece natural, tal desejo envolve todo o nosso ser, quando na verdade foi apenas nossa consciência inferior, relativa, que se deixou intoxicar por ele.

A vontade tem um potencial mágico real quando é a expressão predominante de nossa consciência oculta ou quando a personalidade externa concorda com o indivíduo oculto dentro de nós.

Naqueles que agem de forma mágica, é possível observar a mesma coisa que podemos observar nos médiuns: neles, o estado de transe, quando é profundo, mostra com frequência uma personalidade oculta em contradição direta com a personalidade visível.

A integração do homem começa quando sua personalidade consciente coincide com a consciência do homem oculto e histórico.

Os que não compreendem isto não devem perder seu tempo tentando praticar magia, porque estão destinados ao fracasso.

Uma prática mágica difere da prece religiosa no sentido de que a primeira tem de encontrar seu poder volitivo na vontade interior e acentuar o valor da imagem (imago = in-magus), enquanto a segunda vem da consciência exterior que acredita no que está acima e no que não vê.

Kremmerz provavelmente refere-se aqui à escola ou à ordem hermética. (N. do T.)

Educar a vontade é dirigi-la, substituir a ciência é gerar: não é possível obter um equilíbrio ativo sem o método mágico.

Regnum regnare docet [o reino ensina a governar]: operar é aprender agindo. Vamos para a guerra primeiro como recrutas e depois como veteranos, mas, quando já somos veteranos, podemos mostrar as marcas dos ferimentos sofridos quando éramos recrutas.

2- Vontade e Desejo

Devemos determinar com clareza nossa vontade.

Querer e saber é um grande segredo.

Aqueles que querem e não sabem como querer não são mágicos nem nunca se tornarão magos.

Querer não é desejar. O desejo mata à vontade. Basta o desejo sem o querer para destruir qualquer trabalhar de magia.

3- Vontade e Invocação

A força mais poderosa é a vontade de um homem que sabe o que quer

Invocar significa chamar em ti

Evocar significa chamar para ti.

4- Ariel e a vontade alma

Essa vida universal consiste de matéria tangível e etérea. Mas o éter também é matéria; consequentemente, a vida é matéria. A ação vibrante dessa matéria é inteligência em movimento, ou vontade ativa, que como resultado da matéria em vibração é matéria-alma.

Ariel, como todos os anjos, como todos os espíritos, como tudo que é, tem de ser considerado tangível em todos os aspectos, mesmo nas intuições mais normais da mentalidade humana.

Invoque Ariel se você quiser se tornar forte.

Ariel vem quando os fracos o chamam para ajudá-los em todas as boas obras.

Davi está diante de Golias. Jeová lhe envia Ariel. A pedra atinge o gigante; mas a causa estava apenas no concreto integral da fase israelita, caso contrário Ariel não teria respondido ou teria se tornado um demônio e enganado o menino ousado.

Tudo isso significa que Ariel só empresta sua força a homens justos.

Só presta ajuda a causas justas.

Portanto, para invocar o deus da força, precisamos sentir, ou melhor, nos identificarmos com a justiça divina.

Pretendo dessa forma alertar aqueles que pensam que podem usar espíritos visíveis ou invisíveis para saciar a sórdida luxúria. Para atrair os anjos, devemos respeitar a justiça de Deus, caso contrário espíritos alados, como a águia, não virão. Já disse e repeti isso inúmeras vezes.

Nas invocações, a natureza humana coincide com uma natureza semelhante à sua, mas em um nível diferente. Quando tal natureza é um deus, o operador é divinizado.

5- Vontade e Palavra

Existem ritos e conjurações para invocações bem-sucedidas. Os latinos os chamavam de carmina, os hebreus os chamavam de salmos, os italianos, feitiços.

As vibrações que colocam o éter em movimento no mundo da matéria muito fina são rítmicas por sua própria natureza.

A matemática sublime contém as chaves para as séries e relações entre as vibrações geradas pela vontade e a repercussão do ato volitivo do éter sobre o mundo tangível e visível.

Palavras são articulações de notas musicais produzidas com a boca, uma espécie de trompete cujo som é modulado à vontade. Cada nota correspondente a uma sílaba ou letra tem um valor vibratório no éter. As artes da oratória, do teatro e do canto estão baseadas na teoria dos sons, exceto quando a harmonia de ideias não coincide com a arte. As palavras agem de forma tangível, como todos os sons, sobre o aparelho auditivo das pessoas sensíveis.

Mas isso não é tudo.

Certos sons produzidos de uma forma específica têm uma ação poderosa sobre a psique humana, como um ímã sobre o ferro. Os experimentos de sons com sonâmbulos que entram em catalepsia são antigos. No teatro, multidões são atraídas por uma nota produzida por uma voz doce e poderosa. Em um exército e antes de uma batalha, algumas palavras ditas por um líder podem decidir o desfecho da luta.

Portanto, a palavra ou o som rítmico tem um efeito poderoso e tangível sobre coisas vivas. A canção de ninar da avó traz o sono para a criança no berço, a criança que ainda não se tornou consciente de antigas ideias transportadas de suas vidas passadas e sobre quem o canto atua de forma mecânica.

A palavra, portanto, é uma força. Ariel é invocado, ou pode ser invocado, por meio de palavras poderosas.

6- Vontade e Conjurações

Essas palavras poderosas são canções e emissões articuladas de vontade. Sejam animadas ou não por ideias concretas, tais palavras são tanto mais poderosas quanto maior for o magnetismo de que foram saturadas por outros operadores e quanto mais seus sons correspondam às ideias que queremos despertar.

Os salmos dos hebreus são mágicos. Mas em hebraico eles têm mais poder do que em latim, e precisamos ter a chave para usá-los. Mais poderosos que os salmos, no entanto, são as imprecações, exorcismos e feitiços de magia egípcia e caldeia, pois, ao serem pronunciados ou cantados, despertam não só as ideias das gerações anteriores na zona astral; também os espíritos dos praticantes que, durante mais de cinquenta séculos, repetiram-nos mecanicamente são envolvidos na tentativa de dar-lhes força.

É por isso que esses feitiços são confiados apenas aos que os merecem, porque são forças por si mesmas já ativamente vitalizadas, a tal ponto que seus efeitos são rápidos e precisos, ao contrário das preces já aceitas na liturgia católica (os salmos), que têm um valor relativo em função do modo variado como têm sido usadas.

Se um mago afirmar que colocou ladrões para correr com uma palavra, acredite nele, porque isso é possível. Se um praticante de magia diabólica afirmar que possuiu uma mulher ao dirigir a palavra a ela pela primeira vez, acredite nele, porque isso é possível.

Certas palavras, que não repetimos em vão, são patrimônio de homens muito excepcionais e terão sua eficácia comprometida se forem usadas em excesso, pois tais palavras foram aprendidas diretamente do céu de Ea, e cada uma delas contém, de forma sintética, um ato embrionário de criação. Ai daqueles que não pronunciam as palavras no tempo devido, permitindo que o germe vital da criação seja abortado!

As invocações dos rituais e grimórios convencionais são quase inúteis. Os feitiços não são falados quando as pessoas podem ouvi-los com os ouvidos do corpo físico, mas são disparados como muitas flechas, à distância ou à queima-roupa, no corpo mental das coisas ou dos seres que são evocados.

Em magia, não falar significa também não dizer palavras inúteis. Quando fala, o mago deve operar. Quando você fala, você cura, consola, salva ou mata. O mistério das palavras e sons na magia é profundo.

7. Vontade e Sinais Gráficos

Devemos agora considerar que cada palavra não é apenas um som, mas também uma expressão gráfica do som, se as ondas vibratórias do som estão refletidas nos delicados dispositivos que servem como receptores.

Dej, em outro lugar, o exemplo do fonograma sensível de um fonógrafo onde o som é espontaneamente gravado. Considerando que a natureza da psique humana é mil vezes mais sensível que um fonograma, podemos entender por que todos os sons podem ser traduzidos em sinais gráficos. Assim, Ariel está na expressão de signos: quando os signos são gráficos e são geradores de força, o anjo vem ao simplesmente grafarmos esses caracteres.

Em outras palavras:

O discípulo de magia não deve apenas estudar profundamente o valor das palavras articuladas no tempo para gerar sensações, mas deve também traduzi-las de maneira gráfica por meio da arte esfígmica, ou arte das pulsações e das batidas, cujas leis gerais e algumas particulares são encontradas naquele poço de verdade que é a Bíblia hebraica, escrita em letras hebraicas sem pontos e, para aqueles que não sabem hebraico, em Platão, Aristóteles e Avicena; para os que conhecem apenas o italiano, certos traços, bem poucos sem dúvida, podem ser encontrados nos poetas que precederam Dante Alighieri, no próprio Dante e em Petrarca.

Entre o pensamento e o caractere que o representa, há toda uma lei de evocação e reprodução do trabalho envolvido para gerá-lo.

Cifras, caracteres, palavras sagradas têm um valor correspondente não à vontade dos que os utilizam pela primeira vez, mas à soma de todas as vontades daqueles que os utilizaram, ou seja, milhões de vontades fortes, serenas e efetivas.

Talismãs representam criações das vontades iniciais ou da vontade evocada, algo como uma ferramenta psíquica, isto é, aquela que atua sobre a psique ou alma, imprimindo como um selo na cera virgem da alma as propriedades sutis evocadas por meio de signos, cifras e assim por diante.

O poder deles se apoia na perfeição e força relativas daquele que os faz e os conserva; e seus efeitos vêm mais ou menos rapidamente e são mais ou menos poderosos dependendo das cifras, caracteres, analogias e da capacidade mágica de quem os faz.

São manifestações analógicas da vontade e não do desejo. São manifestações refletidas da vontade na alma humana, instrumentos de pequenos, breves milagres de tempo, de força e de expansão limitados aos efeitos desejados, conforme a intensidade da força de quem os fez.

8. Ciência e Vontade

Força-Ariel é o princípio e a consequência da ciência. A ciência é a aplicação intensiva e concreta da força em magia. O mago deve ter um onhecimento perfeito da ação de forças psíquicas e hiperfísicas a fim de obter a realização de Ariel.

Com isso, fica provado que, na magia, não existe aplicação, explicação ou adaptação da vontade sem o conhecimento prévio do modo como essas ações funcionam. Aqueles que agem por impulso pela revelação advinda daquele subconsciente sensível, que forma o substrato de médiuns e histéricos, não são magos, mas bons sujeitos nas mãos de uma pessoa que sabe o que faz e como fazê-lo. Pelo contrário, aqueles que trabalham de forma consciente, mesmo que empregando apenas uma porção muito pequena de sua força de vontade, podem ser chamados magos ou sábios.

Vou divagar por um momento para dizer por que a terapia classifica os médicos mais presunçosos entre os empíricos. Todos os cientistas já mencionados, incluindo os médicos que diagnosticam enfermidades conhecidas, são sem a menor dúvida desse tipo quando não partem da observação das leis imutáveis da natureza na matéria, na ordem da criação, no espírito e nos elementos naturais e inferiores.

O médico emerge da escuridão da velha medicina empírica estudando assiduamente o corpo humano até poder descrever as minúcias invisíveis a olho nu. Se dermos uma olhada na história da anatomia até o surgimento do microscópio mais aperfeiçoado, veremos que o homem quis perceber exatamente do que é feito o corpo humano. E foi bem-sucedido. Não há célula que não tenha sido explicada pela pesquisa. Não há poro que não seja objeto de um texto específico. Mas quando o homem quis curar o corpo enfermo, sua ciência falhou e os túmulos se abriram e se abrem hoje como no tempo de Irnerius e da Escola de Salerno!

Os agentes patogênicos que os médicos contemporâneos procuraram em bactérias para explicar a propagação de doenças (e isso sairá de moda mais rápido do que se pensa) serão encontrados pela futura medicina em um elemento inconcebível para a pesquisa atual: no espírito do homem em contato ou em contraste com o espírito das coisas.

Ocorrerá, então, uma revolução profunda no conhecimento humano que representará o fim do mundo – isto é, o fim do mundo de ignorância educada que lança raios e excomunhão contra aqueles que a contradizem. A era da escuridão chegará ao fim e começará uma nova era em que as ciências humanas serão ciências do espírito humano. Então a condição social dos povos mudará, porque o espírito de Cristo terá se tornado carne; a justiça humana será um reflexo preciso, consciente e constante da justiça divina, justiça essa que hoje, para o homem imperfeito, muitas vezes parece injustiça divina, pois os homens, que são relativos em todas as suas concepções, não podem imaginar nem compreender a justiça em termos absolutos.

Estudar o princípio vital em nós, separá-lo se for separável, integrá-lo se for integrável, levá-lo ao máximo de sua potencialidade, torná-lo capaz de extrair o máximo de energia da fonte do princípio de vida universal, até que ele possa usar essa fonte, alimentar-se dela e alimentar os organismos que carecem dessa energia: tudo isso representa a educação hermética e leva ao conceito de um médico hermético. O hermetismo encontra uma ajuda, que todos os médicos modernos deixam de considerar, no espírito ou na profunda vitalidade inteligente do paciente, em cujo espírito não podemos agir com drogas, mas sim com a quintessência de todas as drogas dos três reinos, que está sintetizada no espírito ou na vitalidade inteligente do médico que cura, isto é, que ajuda o paciente a superar a doença.

O arcano da recuperação do vigor é, em sua mecânica de autonutrição, concebível porque explica o resultado da revitalização da força humana após um sono muito curto e leve, mas não pode ser comprovado pelos métodos comuns de demonstração científica.

Nenhuma teoria vitalista jamais chegou perto da concepção da vitalidade sintética de um homem sendo conectada a um centro, um nódulo ou uma célula magnética que compõe o ser e que está em relação de reverberação e reabastecimento com um centro magnético terrestre que, por sua vez, está conectado ao centro magnético dos mundos planetários e estelares de todo o universo.

Centro único de energia: magnetismo único.

Não me refiro a uma unidade de força, mas a uma única força central de vida, da qual todas as expressões são apenas estados de ser.

A inteligência essencial do ser, que é uma parte predominante de distribuição, provoca adaptações e formas de mudança rápida das unidades específicas.

O sono é a condição indispensável para restaurar a energia que despendemos. Todas as dispersões de nossa energia são correntes acumuladas de magnetismo vital que são externalizadas e entram no grande rio invisível de vibrações terrestres e universais para retornar ao centro universal da vida.

Se a integração de poderes humanos pode levar à formação do mago, um reservatório vivo de forças extraídas de fontes mais ricas de energia, uma simples progressão da riqueza magnética acumulada em nós através de uma provocação de atos e atrações de entidades não humanas pode tornar possível uma medicina divina ou hermética para que possamos ser úteis a todos aqueles que sofrem e vêm até nós.

Saber que estamos irradiando centros de vida que atraem uma vitalidade inteligente e essencial do centro inesgotável do mundo universal nos permite conceber o valor do Senhor das causas como o mais generoso, incomensurável e nobre provedor já concebido pela imaginação religiosa ou mística.

Nos pacientes, toda crise que é curada acontece durante o sono; uma dor desaparece apenas no sono; o estado de coma é um estado de sono em que os centros nucleares magnéticos se esforçam para garantir um reabastecimento que não está acontecendo e, quando os recursos que constituem o organismo humano como um centro de magnetismo tornam-se muito fracos, a dissolução do organismo é iminente.

Para voltar ao ponto: assim como no conhecimento profano, o empirismo é excluído e amaldiçoado porque, segundo essa crença, apenas a aplicação do que sabemos é considerada sábia; nas altas ciências do espírito, apenas um homem que usa as leis espirituais pode ser conscientemente chamado de mago, cum scientia et ratione [com ciência e fundamentação], como os escolásticos costumavam dizer.

Onde está a ciência, está Ariel, ou seja, a força divina e mágica, capaz de fazer milagres; pois, assim como o mundo visível é conhecido pelo profano, o invisível deve ser conhecido pelo iniciado. Quem é você que, seguindo a inspiração sem ter o conhecimento da inspiração em si, obtém um resultado acidental? Um mago ou o joguete da manifestação do incognoscível e do invisível?

9. Como a Força é Comunicada

Se você tem um mestre visível, fique atento ao fato de que a ciência dele é uma luz que não pode ser oferecida mas, assim como o fogo acende pedaços de carvão mortos, ao entregar o Ariel elementar de fogo, ele acende em sua alma o fogo da ciência e, por meio da ciência, transmite a força para você. O método desejado pelo profano, com uma descrição das leis do conhecimento feita para o discípulo, não pode ser seguido e não pode ser adaptado ao ensino da magia.

Para convertê-lo, caso esteja preparado para um aprimoramento, o mestre apela à sua razão desenvolvida e filia você à escola dele para facilitar seus passos iniciais. Assim como faz o mestre de alunos de uma escola convencional, ele dá a você aquilo que considera útil.

Mas, diz o cético, o que pode nos converter é a imponência do resultado. Se alguém pretende ser um mestre e quer nos converter, deve agir assim.

Mas por que o mestre se importaria se não queremos nos converter à espiritualidade?

A pergunta é semelhante à de uma criança que estava visitando a Basílica de São Pedro:

– Papai, por que o sr. não compra uma cúpula como a da Basílica de São Pedro para colocar na nossa casa?

O pai, sorrindo, respondeu ao filho:

– Meu querido, não há lugar para essa cúpula na nossa casa; primeiro temos de preparar a casa, depois colocaremos a cúpula sobre ela.

Você, que tem um intelecto sadio, acha que o organismo de um homem evoluído em termos espirituais, capaz de dar a você prova de fenômenos transcendentais e intelectuais, pode ser a cúpula para proteger uma casa modesta?

Digo apenas o seguinte: permita que eu dê a você a certeza de um poder oculto, humano ou extra-humano, por meio de uma iniciação progressiva. Essa prática serve para adornar o organismo psíquico nu do neófito, dando-lhe a possibilidade de realizar fenômenos de uma ordem superior, e é a chave para todo um edifício filosófico. Tal edifício terá grande influência na criação de uma escola que facilitará a pesquisa individual e o progresso daqueles que se sentirão estimulados, pelo sucesso, a continuar sua pesquisa.

Assim como o mundo inteligente superior só se manifesta ao inferior por meio de símbolos, analogias e palavras com sons vocálicos semelhantes, o ensino da magia é realizado por meio de atos analógicos, que o mestre pratica com o discípulo.

A ciência dos mestres do fogo só pode ser comunicada através do contato, enquanto os mestres da luz só a comunicam em silêncio. A Igreja recomenda que, ao ler os livros sagrados, devemos prestar atenção ao espírito que está contido neles. Mas, ao ler os livros de magia, você não deve se deter nem nas palavras nem no espírito das palavras: para além do que é dito e mostrado, há um mestre que indica uma meta a ser alcançada e, estimulando a sede do discípulo, ensina, sem dizer, o abertamente como atingir o objetivo; aprender então é entender e roubar a força que ninguém dá a você; assim, morre a besta e nasce o anjo dentro de você.

A magia é uma ciência aristocrática que evita seu ensino às massas, que devem ter a intuição da existência da divina ciência, mas não podem possuí-la. Aquele, no entanto, que das massas colhe a semente e conquista ciência e força, torna-se monarca de tudo.

Procure saber como compreender, e assim você aprenderá.

10. Ciência, Vontade e Força

Se você unir ciência e vontade, encontrará a solução para o problema da força, mas não os meios para adaptar e concentrar a força nas coisas que devem ser mudadas. Mas se a ciência estiver unida à vontade transformada em força, todos os milagres são possíveis.

Siga as seguintes regras para se adaptar à força:

Vontade sem desejo.

Vontade sem medo.

Vontade sem arrependimento.

Desejo, medo e arrependimento matam a vontade: se você vai operar coisas difíceis ou duvidosas, não comece antes de se distanciar dos três pecados do mago.

Se você deseja, teme e se arrepende, o encantamento não funcionará e todas as forças se enfraquecerão.

No item dois, eu disse que vontade não é desejar; agora digo que se arrepender ou temer neutraliza cada ato de vontade.

Para não desejar, não temer e não se arrepender, você deve se sentir justo de uma forma divina, isto é, sem os preconceitos humanos de justiça egoísta.

11. Equilíbrio e Força

Inspirar-se pela justiça absoluta significa estar em equilíbrio, ser justo.

Portanto, vontade, ciência e equilíbrio são as três condições essenciais de Ariel ou o mago da força.

12. Justiça e Força

Vontade sem ciência e ciência sem equilíbrio representam a negação de qualquer tipo de magia.

Um mago não deve fazer tudo o que quer, mas apenas o que é correto fazer pois, de outro modo, sua ação seria uma violência pecaminosa contra todo o poder e todas as naturezas inferiores à sua própria natureza.

Você quer possuir a força de um deus? Seja justo como um deus! Quer ter a força de um demônio? Seja tão injusto quanto Satã!

A força, na magia, é uma ação providencial que é fecunda e benéfica quando está de acordo com o princípio providencial; mas não é assim quando, por reação, atrai contra si todas as repercussões da justiça ferida.

Razão é ordem; ordem é Deus, porque ordem é justiça. Loucura é desordem; desordem é Satã, porque desordem é injustiça.

13. Pureza e Força

A magia das paixões é dominada pela invocação do mais puro Ariel. As paixões são dominadas por meio da pureza.

A força pura não tem paixão. A força impura é rica em todos os tormentos das paixões. Pureza mágica e hermética não é pureza religiosa.

Aqui nossa pureza, entendida de forma integral, é a neutralidade consciente e inalterável que mantemos com relação a nossos semelhantes.

Purificação significa eliminar tudo que a educação moderna tem imposto a nós e nos apresentarmos nus para o batismo – sicut erat in principio [como era no princípio] –, revelando assim o eu adormecido e evocando todos os poderes naturais da alma em sua simplicidade.

Cada sentimento de ódio ou de amor, cada interesse do operador hermético na realização de algo desejado anula, destrói e torna inútil o resultado esperado.

É por isso que eu disse que o sentimento de justiça é o único fator de qualquer progresso no sentido da reintegração.

Existe um obstáculo que se opõe a nós sempre que nosso ser se move na direção do mal.

Por que a medicina hermética obtém resultados milagrosos com facilidade? Porque não podemos ir correndo ajudar os enfermos com ódio. Ninguém pode ajudar ou ter vontade de ajudar um doente que odeia: seria uma contradição do objetivo do trabalho.

14. Paixões e Força

As paixões podem ser usadas como estimulantes do organismo para a produção e invocação de Ariel armado? Quer dizer, o pecado ou o vício podem ser o estimulante para o desencadeamento de poderes ocultos em algumas criaturas?

Sim, mas esse é o método desprezível das seitas de magos perversos. A magia divina só encontra estímulo na virtude.

Virtude é Ariel, virtude é força, virtude é purificação. A fonte pura da magia divina reside no amor ao próximo, no sacrificar-se em benefício de seus semelhantes, no sacrifício de suas posses para a redenção de outros.

O amor ao próximo deve ser cristão, isto é, extremamente puro, casto e sem qualquer expectativa de recompensa. Sacrifício significa dor.

Na profunda poesia do amor, sem expectativa de recompensa e da dor sem expectativa de alívio, a magia pura encontra a fonte de todos os grandes milagres: a fé na glória sem fim do outro mundo e a alegria de, através do holocausto de si mesmo, aproximar-se de Ea.

15. A Pureza de Ariel

Na magia, o bem e o mal dependem mais da pureza e justiça do operador do que dos meios por ele empregados.

O bem e o mal devem permanecer no portal, sem entrar no templo; não devem passar do peristilo, onde se aglomerava a multidão de comerciantes que Cristo expulsou do templo com seu chicote. No oculto, onde só existe a lei implacável do progresso na natureza e nas formas que ela cria, só pode existir o bem absoluto, isto é, a justiça que é Jeová, o deus invisível que se manifesta por meio de sua inflexível e inevitável bondade no ato de criação.

Meu discípulo deve aprender que, a fim de abandonar todas as paixões humanas, purificar-se de todas as dramáticas e pesadas algemas que prendem o corpo do anjo encoberto, só duas virtudes divinas devem ser seguidas: o amor pelas pessoas e o perdão; essas duas virtudes estão implícitas no ideal de caridade.

O homem faz para si mesmo, assim como faz de Deus, uma curiosa estatueta de benevolência e a alimenta com ambição, vanglória, ignorância, providência humana e filantropia. Que o leitor sensível examine de perto as instituições da civilização para ver como elas são diferentes da caridade divina de que falam Buda e Cristo. Isso mostra o quanto somos bárbaros agora, vivendo numa época em que o egoísmo social predomina em todos os atos da soberania dos Estados contra os interesses dos súditos. Todas as teorias que agora parecem utópicas e impossíveis poderiam se tornar realidade com a transformação da natureza humana para o bem, isto é, com a divina regeneração do homem que desperdiçou seus direitos divinos. Mas a lei que governa os espíritos e coisas em sua transformação é una: é a lei serial, geométrica ou aritmética segundo o valor das progressões; é uma lei de regeneração para sofrermos conforme o grau de convulsão do organismo social. Mas a caridade ainda está muito longe do ideal moderno de comercializar a caridade na política, em sociedades religiosas e nas famílias onde o ouro, que representa a síntese de todo bem-estar, só serve para difundir o preconceito segundo o qual o bem reside no prazer e o mal reside na dor. As instituições humanas substituíram a palavra filantropia pela palavra caridade, mas, só quando a filantropia tornar-se de novo caridade, teremos dado mais um passo no sentido da perfeição sacerdotal.

Qualquer discípulo que trabalhe com magia deve saber amar e perdoar. Amor sem egoísmo é divino, embora as mulheres não possam conceber como podem ser amadas intensamente e de maneira ideal sem alguma mancha de ciúme, que representa a condenação do egoísmo no amor. O amor é a mais fascinante benevolência instintiva; sua decadência é a prostituição de todos os sentimentos nobres, isto é, dos sentimentos divinos e divinizadores nas pessoas. O amor é o mais precioso complemento do intercâmbio social e é a chave da Isis mais pura, que abre os férteis tesouros da divindade nas dedicadas criaturas humanas. Os mistérios de Vênus nada mais eram que a celebração do culto desse amor integral, que une os dois polos da criação, na criação do vital e inteligente Mercúrio. A Rosa Mística é a Rosa do Amor. Le Roman de la Rose [Romance da Rosa] e o amor cortês na Idade Média, as canções dos trovadores, poemas como os de Dante Alighieri, Brunetto Latini e outros são apenas os romances da caridade [da entrega integral no amor e o “romance” é amor através da caridade [da doação]]. Ninguém jamais foi poeta sem amor; a poesia é descrita como amor; mas no amor há verdade, isto é, caridade no embrião. Daqui vêm os rituais satânicos exaltando a glória da geração feita de amor impuro, o aborto criado pela prostituição e pela vida sem amor, vida que é inteiramente sensual e libertina.

O perdão é um dos lados do amor mais puro. Saber amar significa saber perdoar. O pai e a mãe perdoam o filho, porque têm amor por ele. O amor materno é o menos falso entre todos os falsos amores, porque é o menos egoísta de todos. Mas nem mesmo o amor materno é verdadeiro, exceto na inconsciência do perdão, e a mãe que chora por causa da dor que regenera seu filho é egoísta, como egoístas são a maioria das mães.

Aprenda a perdoar e você se tornará um deus na Terra. Não permita que a ofensa o machuque e considere seu agressor como uma criança inocente que cospe no seu rosto. A educação mágica divina e divinizadora é educação no perdão; caso contrário, um mago se tornaria um instrumento poderoso contra todas as paixões das outras pessoas.

Amor e perdão unidos na caridade são completamente diferentes da filantropia por conta do caráter divino do primeiro e do caráter humano do último. A caridade é tão poderosa quanto o sacrifício do ser relativo ao ser absoluto; filantropia é a paixão de zoófilos que tentam proteger os animais para aliviar seus sofrimentos, mas não para vê-los sentados em suas mesas de jantar nem para puxar carroças pesadas no lugar deles.

A caridade é a reação do mundo da matéria contra o mundo do espírito; a caridade é a carnalidade espiritualizada.

O Cristianismo sente a compaixão pelos outros, porque se transforma em sua carne e sofrimentos físicos, isto é, sente a dor que os outros sentem, o que é bem diferente da filantropia, que representa o puro e simples sentimento de amizade por alguém que sofre.

Um exemplo de compaixão é quando a mãe sente um frio no peito vendo o filho que chora de fome.

A filantropia, ao contrário, é uma virtude cerebral, que não se deixaria perturbar pela exposição da miséria de outras pessoas.

Se todo homem evocasse em si mesmo o Cristo que se sacrifica para o bem de outras pessoas, a sociedade dos ladrões de hoje se transformaria em um paraíso terrestre. É por isso que se diz, e eu digo isso, que qualquer elemento que cause separação é um mal social e que todo bem vem da solidariedade humana.

17. Ariel Dominador

Aqueles que conseguem transformar o ódio contra seus inimigos em amor, conseguem dominá-los de forma inevitável. O triunfo do amor reside no ato de força de sua justiça e é invencível em seu poderoso triunfo.

Ariel, como a força e o espírito atraente do amor, é generoso no perdão.

As virtudes e os vícios das almas são trocados em proporção direta a seu amor recíproco e em proporção inversa ao seu ódio.

Quanto mais forte o amor entre duas pessoas, mais elas trocam, através de seu amor, suas respectivas virtudes.

Isso explica por que você não pode dominar uma pessoa que odeia, embora possa possuir a pessoa que ama.

Esta é a lei pela qual a virtude de todas as coisas reais é difundida, e sociedades visíveis e invisíveis se agrupam e se separam de acordo com a mesma lei.

Bismarck disse que a lei era uma tola invenção dos fracos, porquanto não há outra lei a não ser a força. Em termos absolutos, ele tem razão. Esta força é lei porque o deus que não é justo não é forte.

Lembre-se da fábula do cachorrinho que atacou um leão; o leão, mordido, deu-se conta de que os dentes do cãozinho não tinham sequer ferido a sua pele. Então ele disse a seu inimigo: “Olha, eu podia matar e comer você. Mas vou poupar sua vida porque é pequeno demais”. O cãozinho tentou outra vez e obteve o mesmo resultado. O leão deixou que fizesse aquilo e, de novo, não o atacou. Nesse caso, a força do leão tornou-o generoso, mas, se não fosse forte, o leão não poderia ter concedido o perdão dos poderosos.

O INCENSO

Os perfumes e fumigações têm efeitos diferentes dependente de quem os usa, do momento em que são usados, do local e do praticante.

Nesse contexto, recomendam-se as substâncias tradicionalmente usadas para purificar lugares, indicadas em antigos livros de instrução, como o incenso, a babosa, o enxofre, o benjoim, o betume, o sândalo, as ervas aromáticas e as flores. A ciência experimental contemporânea procura substituí-las, por motivação científica, por fenol e outros desinfetantes semelhantes.

Os magos da antiga Pérsia, ajoelharam-se ao lado do berço de Cristo, usavam incenso, mirra, sândalo e resinas raras, como faziam os magos da Idade Média e como fazem praticantes modernos tanto no Oriente quanto no Ocidente, porque o conceito científico que está na origem dos magos tanto antigos quanto modernos é exatamente o mesmo. A relação fundamental sobre a qual repousa a ciência do que existe é: o pensamento, em termos fluídicos, é generativo; cada projeção realizada tem sua origem não só no pensamento do criador, mas também no instrumento de projeção.

Vou ilustrar com um exemplo.

A vontade de um operador, consciente ou inconsciente, é a causa de cada imponderável perturbação fluídica em um ambiente. Desde que o pensamento seja ajudado por um instrumento de projeção do organismo humano, sua realidade, mais cedo ou mais tarde, torna-se um fato. A perturbação gera um distúrbio físico, que no limite suprime a vida animal, o que significa morte.

Vamos ver agora como neutralizar a causa primeira do ponto de vista oposto. Devemos agir sobre a vontade do praticante, seja influenciando seu dispositivo de projeção ou isolando nossa própria radiação fluídica para que as projeções prejudiciais e mortais não alcancem o alvo.

Perfumes, dos mais sutis aos mais fortes, por meio de uma ação direta em nosso organismo e no organismo daqueles que entram em um lugar específico, são capazes de desenvolver tamanha preponderância de fluido em nós que as tentativas de contágio fluídico feitas por outros são em vão.

Desse ponto de vista, não precisamos zombar dos antigos que purificavam casas com incenso — nem devemos considerar ilógico que seja usado em ritos religiosos.

OPERAÇÃO NA MAGIA

Todas as regras da magia ensinam que, quando alguém não está com a saúde perfeita, não pode operar, porque cada pratica carrega a marca indelével do estado de equilíbrio ou falta de equilíbrio do praticante. Pg 94

Toda a operação na magia tem duas fases, uma de reação outra de ação: a primeira fase é negativa e a segunda é positiva. O novato, vendo ocorrer o efeito contrário, quase sempre detém-se, assustado, e há uma completa desordem. Através, no entanto, da resistência, insistência e coerção, os esforços do operador são recompensados por resultados positivos. O tumulo de todas os ideais é a falta de persistência. Pg152 Se você deseja o sucesso, fique sempre vigilante, persistente e ativo.

PRÁTICA

INICIAÇÃO MAGICA

Cristo resumiu toda a preparação mágica em: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’’ e ‘’fazeis aos homens tudo o que quereis que eles vos façam’’. Os que se empenham de todo o coração na prática desses dois preceitos e se conduzem de forma discreta estão prontos para começar. A iniciação a magia é combate com o dragão da corrente astral. Como em todas as lutas, podemos ganhar ou perder – mas, nessa luta, a pessoa ganha ou morre. Enquanto você viver a vida comum, a Serpente irá protege-lo e dormir, mas assim que você tentar ir além dos seus limites, a Serpente acorda, dá um silvo agudo e começa a apertá-lo para que você se contenha. Homens e mulher de fé obstinada a derrotam; os loucos que a provocam, sem força e sem vontade, acabam sendo comidos, porque em toda magia, a interrupção de uma operação antes de sua conclusão provoca uma reação terrível, cujo efeito é exatamente o oposto daquilo que o operador almeja.

EVOCAÇÃO E INVOCAÇÕES

Cada invocação ou evocação é um esforço para compreender.

Evocar significa chamar com a voz para si mesmo; invocar significa chamar com a voz em si mesmo.

Se esse esforço é direcionado para objetivos inferiores, isto é, para corpos finitos tendo uma determinada vida evolutiva, esse esforço representa a involução de nosso próprio ser para a vida inferior (inferno, satanismo, feitiçaria)

Se, ao contrario, tende para Deus, isto é, para o supremo Infinito Todo-Poderoso, representa evolução (paraiso, magia divina)

O operador pode usar o mesmo nome para evocar e para invocar.

Quando você pensa, evoca; quando concebe, cria; mas o ato magico da Concepção não pode ser compreendido como resultado de meditação e longas vigílias.

Quer que Ariel, que é vida, criação, vitória e pensamento, desça e venha para ator perversos? Tem sede de poder e quer uma era de tirania para atacar? Invoque-o da mesma maneira. Ariel não virá. Quem chegará será o espirito da mentira; é a larva de sua maldade que ganha vida no delírio de sua paixão.

NOMES DE ENTIDADES NA ARTE MÁGICA

Na prática de magia, portanto, os nomes de entidades divinas devem ser apreendidos e compreendidos como tendo uma aplicação tripla:

Inteligencia ou projeção da vontade divina central: O fenômeno é mental

Espirito ou manifestação de tendencia: O fenômeno é astral

Gênio, ou demônio, em sua manifestação real: O fenômeno é material

Exemplo: Ariel, na magia divina, é a inteligência absoluta da força criativa divina. Inteligência significa compreensão, penetração, intuição sutil do valor do poder de criação. Em sua segunda fase de adaptação, é um espírito ou um anjo agindo na corrente astral. Na terceira aparição, é o ato de força materializada; isto é, a encarnação de inteligência.

O TETRAGRAMA

Ente é a ideia absoluta do espírito universal de Deus, e mente é a palavra para a ideia relativa do espirito universal encarnado e contido no corpo humano.

Para os cabalistas YHVH, para a magia, as formulas magicas não foram um nome, mas correspondem ao Tetragrama, ou seja, uma ‘palavra de quatro letras’ que encobre o nome do Deus Universal em vez de revela-lo. Eles também o chamam ‘o Inefável’, ou seja, aquele que não pode ser expresso por palavras. Mas se quiser determinar o espirito divino encarnado, você terá de usar cinco letras, ou melhor, o pentagrama mágico.

Deus não pode ser definido.

A descrição gráfica de Deus, feita pela cabala é um tetragrama, uma palavra de quatro letras, um yod, um he, um vau e um segundo he.

YOD – PRINCIPIO ATIVO DE TODAS AS COISAS

HE – PRINCIPIO DE RECEPÇÃO PASSIVA

VAU – FECUNDAÇÃO ATIVA E GERAÇÃO

HE – PRINCIPIO DE RECEPÇÃO PASSIVA

Jeová é uma adaptação latina da vocalização hebraica do tetragrama YHWH.

Por seguinte, o hebraico Jeová, aquele Jeová de quem autoridades ignorantes acerca da filosofia sagrada tanto zombaram, não era uma coisa definida para sacerdotes hebreus; era, ao contrário, um grande e verdadeiro Deus contendo todos os princípios de Força, Mente e Realização. As quatro letras expressam uma lei eterna.

O camponês que abre um buraco na terra, planta uma semente e, depois de transcorrida mais uma estação, colhe os frutos, realiza todas as quatro operações indicadas no tetragrama hebraico:

YOD – PRINCIPIO ATIVO, CAMPONES CAVANDO O BURACO

HE – A TERRA, OU ELEMENTO PASSIVA, NO QUAL É FEITO O BURACO

VAU- SEMENTE FRUTIFERA

HE – A COLHEITA

Essa operação simples do camponês é semelhante a operação realizada pelo homem ao se reproduzir e é semelhante a qualquer ação que ocorre em todos os reinos da natureza.

Esse nome cabalístico sagrado, que expressa de maneira perfeita a lei terna da criação, podee ser entendido de modo diferente conforme o desenvolvimento psíquico dos que pensam nessa Unidade de Mente e Força. Logo vieram os nomes dos anjos, onde arcanjos ou inteligências mais elevadas não são mais do que raios desse poder central; assim, a religião católica ainda conserva os nomes de Miguel, Rafael e Gabriel, que são diferentes aspectos do centro luminoso eterno, ou melhor, são manifestações elevadas do poder universal de Jeova, o Grande Deus.

Esses nomes em hebraico, cada um, são uma lei geral ou principio divino.mundo

O PENTAGRAMA

O pentagrama, como pode ser observado com facilidade, é a imagem do homem com braços e pernas estendidos. Corresponde a estrela de cinco pontas, que os magos que cultuaram Cristo viram brilhar nos céus. Esse símbolo representa o equilíbrio universal no homem: assim, os magos operacionais consideram este símbolo talismânico muito importante, apresentando indiscutíveis virtudes quando traçado por mestres, com os ritos adequados, no momento mais propicio.

ENTE (SER) – 4 LETRAS

MENTE – 5 LETRAS

Inteligencia é o esforço da mente para conceber, assimilando suas virtudes, o Ser(ente) do qual se origina.

DESVIOS E PERIGOS

MISTICOS E OS FALSOS DOUTORES

MISTICOS são uma legião: dos exageros religiosos daqueles que falam com Deus e com os santos, profetas e arcanjos, até aqueles que evocam os espíritos dos mortos.

Os PSEUDODOUTORES são aqueles que, usando a metodologia da experimentação cientifica convencional, tentam falar com uma aparência de autoridade sobre essa coisa que todos possuem e que ninguém pode explicar, ou seja, a alma interior da criatura humana, rica em virtudes e insondáveis mistérios. Pg 22

MAGIA NEGRA

Nos feitiços de magia negra (encantamentos, feitiços malignos, atos de bruxaria), uma parte do perispirito não é expelida do corpo para ser ligada a objetos envolvidos, mas o sentimento de amor ou ódio é materializado através da exteriorização e fixação do magnetismo no corpo físico, sob a ação do espirito sobre o corpo sideral, que no mago, através da ação masculina do intelecto inspirador, opera como um elemento feminino na realização da concepção ativa e da nutrição do fato concreto. É por isso que as antigas escolas de magia utilizavam o termo andrógino para indicar que, em cada operação magica, havia um verdadeiro processo de incubação generativa, cujo mecanismo é percebido através da prática.

A MORTE

Tu, oh morte, és a solução para o enigma dentro do homem vivo e dentro das ocultas profundezas de sua desconhecida alma

O Problema do ALÉM só será resolvido por aqueles capazes de atingir um conhecimento de si mesmos, isto é, da estrutura, da anatomia e da ‘química’ de suas próprias almas. Pg 23

FUNDAMENTOS
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SIMBOLOGIA E TRADIÇÃO
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TRADIÇÃO SIMBÓLICA E ENSINAMENTO OCULTO

“Tu bem sabes, meu filho, que és o filho de Virgo (Virgem), e se Virgem tu violas, matas a semente do teu povo, te tornas um parricida incestuoso e assim teu cérebro queimará; mas se podes imaginar Mercúrio com Virgem, a Gloriosa, pondo a lua crescente sob seus pés, tu por tua vez te tornarás o pai de semideuses.

Pois se podes unir, com o antigo fio de Ariadne, a água de Órion e a lua branca de Mercúrio e Virgem, e se podes te esquivar do fogo de Marte, teus olhos terão visões até então nunca vistas e colherás milagres com a foice da Lua virada para a Terra.

Então, se me reconheces como o pai deles, deves conseguir arrancar o segredo de mim, afastando a bengala de tua incitação da vara de Moisés e Aarão, que é minha vara, e te mantendo inteiro, se não quiseres que eu te destrua por minha generosidade.

Aqui verás o segredo de Saturno, que é o presente de vida e morte, de amor, de geração e abundância, e não deves esquecer que em Virgem tu, usando os métodos de nossa arte, deves preparar a vara (la verga), como teu mestre te ensina, sem nó e cortada de forma limpa com a foice na forma de um consagrado crescente.

Sem a vara de Virgem (verga di virgine), não poderás te tornar um mago; não deves me entender mal ou semearás teu mercúrio na areia, nem esperes que eu escreva com maior clareza; deves pedir ao teu guia a inteligência disto.” — Do meu livro, Delle Stelle e dei Soli.

VIRGEM MARIA

A LUA MINGUANTE +

A lua minguante sob seus pés, ela está livre de qualquer eflúvio terreste

Coloca a seus pés toda a mutabilidade influenciando o mundo terrestre, é cercada por doze estrelas: são os aspectos astrais, que nunca mudam, e ainda brilham com a mesma luz e a mesma intensidade ao redor da cabeça sorridente da Sabedoria.

A LUA MINGUANTE –

Nos ritos dos feiticeiros, Astarte, assim como Persefone nos ritos órficos, em vez de ter a luz a seus pés, aparece como uma meia Lua com os chifres para cima emergindo de seus cabelos.

SEREIA

A sereia encanta sedutoramente os que viajam em busca da verdade. Como iras contê-la se teu coração estremece e tua carne se arrepia com a volúpia de sua música? O mestre que leva seu discípulo a bordo na viagem para a conquista da verdade deve testá-lo e jogá-lo na praia onde a sereia está á espera de amantes e vítimas. O discípulo cede a sereia: muito mal! O discípulo resiste: muito bom para ele!

O CREDO DO OCULTISMO

Esse é o credo científico e humanitário do ocultismo, mas não é um programa para uma vida, e sim para séculos; é o programa do sacerdócio da ciência.

Um homem modesto de boa vontade, uma pequena engrenagem na grande roda da humanidade, faz o pouco que pode com toda a humildade, e começará a compreender aquela parte do grande ideal que julga mais compatível com seu caráter.

AFORISMOS
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AFORISMOS

1º AFORISMO

UNO É O MUNDO, UNO É O HOMEM E UNO É O OVO. O MUNDO, O HOMEM E O OVO DÃO TRÊS. EM CADA UM, VEMOS TRÊS; NO MUNDO, NO HOMEM E NO OVO, ENCONTRAMOS TRÊS VEZES TRÊS.

Se quiseres aprender o segredo do ovo, pega três. Se quiseres entender o mistério do homem, eleva-te a seis. Se quiseres a intuição do grande arcano do mundo, sobe a nove. Inspira e expira três vezes para conheceres o segredo do ovo. Seis vezes para o mistério do homem, nove vezes para o arcano do mundo.

Então Ea (Jeová) criou primeiro o mundo, depois o homem, depois o ovo e ao último entregou o segredo tanto do homem quanto do mundo.

Assim, meu filho, o primeiro aforismo das coisas sagradas e ocultas está no número 369. Sem luz, sem ruído, sem qualquer pensamento que não seja um anseio por Ea, enterra-te vivo em uma caverna onde não entre luz terrestre, com os ouvidos tampados com cera de abelha e lã de cordeiro, e lá inspira e expira 369 vezes até veres o Mundo no Ovo de Ea.

2º Aforismo

Quando criou o mundo, Ea contemplou duas coisas, branco e preto, quente e frio. Sua respiração tornou-se fria e quente e ele deu seu sopro quente para o homem e o sopro frio para a mulher, porque o primeiro era para acender e aquecer e o segundo para aceitar e preservar; então tu, meu filho, assim que viste o mundo de Ea, “aprendeste” o que é a vida e como a vida é soprada do mundo de Ea para o mundo do ovo; e descobrirás que a vida das coisas masculinas não é a vida das coisas femininas, e que Ea soprou duas vezes apenas nas coisas que têm uma dupla natureza.

Assim, o segundo aforismo que deves lembrar é que não podes fazer uma obra divina sem um conhecimento da natureza da vida no ovo, no homem e no mundo de Ea.

3º Aforismo

Depois que aprendeste a inspirar e expirar, a distinguir a natureza da vida de homens e mulheres nas coisas do mundo de Ea, tens de aprender a soprar, como Ea fez no mundo, no ovo de coisas ainda não criadas. Em seguida, volta para teu sepulcro vivo, tampa de novo os ouvidos e, em vez de inspirar e expirar, sopra 369 vezes nas coisas que sentes, mas não vês. Enquanto sopras, incha as bochechas, não inches a barriga, caso contrário o sopro vai voltar para onde se originou e vais morrer. Se praticares esta regra, meu filho, vais descobrir como, soprando para o céu, acendes o fogo (pyr).

4º Aforismo

Se aprendeste a conhecer o mundo de Ea, a vida da dupla respiração e a saber como acender, soprando (insuflando) o fogo no céu, tu te transportarás para a montanha mais alta de teu país e sentarás no chão desnudo, com uma árvore frutífera à direita e uma semente à esquerda. Soprando na árvore, vais secá-la como se ela fosse atingida pelo vento do Schen (o deserto) e soprando na semente vais refazer a árvore. Então verás uma serpente com duas cabeças brotar do chão e, com duas vozes, ela te dirá: primeira cabeça, “eu sou a semente”; segunda cabeça, “eu sou a árvore”. Então entenderás que as duas cabeças têm um único tronco, portanto a semente e a árvore são a mesma coisa. Aí secarás a nova árvore, bem como uma nova semente, e pedirás que Ea te ensine. Acende o fogo com tua respiração e Ea falará contigo das chamas.

5º Aforismo

Assim que Ea tiver falado contigo, o espírito dele, o gigantesco Egs (Áries) começará a agitar os ventos ao teu redor. Esses ventos são a fonte de seu poder, de sua força e de sua luz; mas cuidado para não te entregares inteiramente a eles, porque Ea e seu espírito Egs são mais fortes que tu, e morrerias se fosses alçado vivo para onde o homem não pode viver.

6º Aforismo

Constrói para ti um navio com uma vela que o vento de Egs não possa rasgar e, assim que vires o vento ondulando as águas e as águas subindo para o céu, entra no navio e diz a Egs: “Leva-me para onde as águas não possam me alcançar”. Então o volume das águas será aumentado pelos sete espíritos de Egs.

Fou – empurra Xi – redireciona Mne – sustenta Ag – conduz

Mor – segura Mô – ouve e fala Râ – vê

No quadragésimo dia, sentirás o navio tocando a terra.

Mô dirá: “A água recua”. Râ verá o topo de uma montanha triangular.

Para conheceres a verdade, transforma-te então em um pássaro preto, voa e encontrarás os cadáveres e carcaças que te acorrentarão. Volta, então, em espírito para o teu navio, transforma-te numa pomba e agradece a Ea. Egs continua a girar e farás, a teu bel-prazer, as águas se avolumarem e retrocederem; conhecereis, então, o segundo espírito, Ise.

Minha prosa, quando parece obscura e quando não posso torná-la mais explícita, servirá como sinalizador no caminho misterioso daquele que pratica e que vai entender com o tempo, como e quando estiver nas condições que estou mencionando.