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Desenvolvimento Pessoal / Estoicismo

Deus

Assunto reunido a partir de 66 trechos de livros cadastrados.

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Desenvolvimento PessoalEstoicismoestoicismopratica

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66 registros
Franz Bardon23 trechos

Magia Prática: Caminho do Adepto

CIÊNCIAS OCULTAS / INICIAÇÃO / O GRANDE SEGREDO DO TETRAGRAMMATON

SOBRE OS ELEMENTOS

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As religiões chamam-no de Deus.

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... a oculta, sobre as forças dos elementos, por isso resolvi assumir a tarefa de tratar desse assunto ainda inexplicado e erguer os véus que encobrem as suas leis. Não é nada fácil esclarecer os nãoiniciados de modo a levar ao seu conhecimento não só a existência e a ação desses elementos, mas também dar a esses leitores a possibilidade de trabalhar posteriormente com essas forças na prática. O Universo todo iguala-se ao mecanismo de um relógio, com engrenagens mutuamente dependentes. Até mesmo o conceito da divindade como a entidade de alcance mais elevado, pode ser classificado de modo análogo aos elementos, em certos aspectos.

Há mais detalhes sobre isso no capítulo que trata do conceito de Deus.

1.2Os Tattwas nos Escritos Orientais

Nos escritos orientais mais antigos os elementos são definidos pelos Tattwas. Na nossa literatura européia só lhes damos atenção na medida em que enfatizamos seus bons efeitos ou apontamos suas influências desfavoráveis, o que quer dizer portanto que sob a influência dos Tattwas determinadas ações podem ser levadas adiante ou devem ser deixadas de lado. Não há dúvidas sobre a autenticidade desse fato, mas tudo o que nos foi revelado até hoje aponta só para um aspecto muito restrito dos efeitos dos elementos. A prova dos efeitos dos elementos em relação aos Tattwas, para o uso pessoal, consta de modo suficientemente explícito nas obras astrológicas. Porém eu penetro mais profundamente no segredo dos elementos, a por isso escolho uma outra chave, aliás análoga à astrológica, mas que não tem nada a ver com ela.

Pretendo ensinar as diversas maneir ...

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O KARMA

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Instintivamente, as pessoas sentem que todo o bem só produz bons frutos a todo o mal tem como conseqüência a produção de coisas más; ou como diz a boca do povo: "O que o homem semeia, ele colhe!" Essa lei irrevogável deve ser conhecida a respeitada por todos.

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1Karma, a Lei de Causa a Efeito

Uma lei imutável que possui seu aspecto característico justamente no princípio do Akasha, é a lei de causa a efeito. Toda causa provoca um efeito correspondente. Essa lei vale, em todos os lugares, como a lei suprema; assim toda ação tem como conseqüência um determinado efeito ou produto. Por isso o Karma deve ser considerado não só uma lei para nossas boas ações, como prega a filosofia oriental, mas, como podemos perceber nesse caso, seu significado chega a ser bem mais profundo. Instintivamente, as pessoas sentem que todo o bem só produz bons frutos a todo o mal tem como conseqüência a produção de coisas más; ou como diz a boca do povo: "O que o homem semeia, ele colhe!" Essa lei irrevogável deve ser conhecida a respeitada por todos. A lei da causa e efeito também é inerente aos princípios dos elementos. Não quero aprofundar-me nos detalhes dessa lei, que aliás podem ser expressos em poucas palavras, porque eles são claros a lógicos para a mente de qualquer pessoa. A lei da evolução ou do desenvolvimento também se subordina à lei da causa a efeito; é por isso que o desenvolvimento é um aspecto da lei do karma.

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O Corpo Humano

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O homem é a imagem verdadeira de Deus, portanto ele foi criado segundo o retrato do Universo.

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O Corpo Humano O homem é a imagem verdadeira de Deus, portanto ele foi criado segundo o retrato do Universo. Tudo o que se encontra no Universo numa escala maior, reflete-se no homem numa escala menor É por isso que o homem é definido como um microcosmo, em contraposição ao Universo como macrocosmo. Ao pé da letra, podemos dizer que no homem está refletida toda a natureza, e o objetivo desse capítulo é ensinar a observar, conhecer a dominar essa verdade. Não pretendo aqui descrever os processos físicos do corpo, pois essa descrição pode ser encontrada em qualquer obra especializada; o que eu quero é ensinar aos leitores como observar o homem do ponto de vista hermético a como utilizar nele a chave básica, i.e. os efeitos dos elementos. Há um famoso ditado que diz: "Num corpo sadio, uma mente sadia". No estudo do homem veremos como é profunda a verdadeira a afirmação dessa pequena frase. ...

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O Plano Material Denso ou o Mundo Material Denso

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Atração, Peso e Magnetismo Terrestre Através da característica específica de sua substância e condicionado pela composição dos seus elementos, cada objeto possui, relativamente ao fluido elétrico, determinadas irradiações, as assim chamadas oscilações de elétrons, que sofrem a atração provocada pelo fluido magnético geral de todo o mundo material.

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  1. O Plano Material Denso ou o Mundo Material Denso Nesse capítulo não pretendo descrever o mundo material denso, os reinos mineral, vegetal a animal, a nem ocupar-me dos processos físicos da natureza, pois com certeza todos já ouviram falar desses assuntos na escola, como p.e. da existência de um pólo sul a de um pólo norte, da formação da chuva, das tempestades, etc. Para os futuros iniciados esses processos têm pouco interesse; na verdade é bem mais útil para eles conhecer o mundo material por meio dos elementos a de sua polaridade. Não preciso mencionar que em nosso planeta existem fogo, água, ar a terra, o que é evidente para todas as pessoas que raciocinam logicamente. Mesmo assim seria bom se o futuro iniciado conhecesse a origem e o efeito de cada um dos quatro elementos a aprendesse a usá-los corretamente de acordo com as analogias correspondentes a outros planos. Como podemos entrar em contacto simultaneamente com os planos mais elevados através do conhecimento dos elementos materiais densos, é algo que será explicado em um outro capítulo sobre a aplicação prática da magia. No momento é importante saber que na nossa Terra o trabalho dos elementos, na sua forma mais sutil,...

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A Alma ou o Corpo Astral

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Centro mais elevado e divino.

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  1. A Alma ou o Corpo Astral Através das vibrações mais sutis dos elementos, dos fluidos elétrico a magnético a de sua polaridade, partindo do princípio do Akasha ou das vibrações sutis do éter, surgiu o Homem como tal, ou a sua alma. Do mesmo modo como se desenvolvem as funções dos elementos no corpo material denso, desenvolvem-se também as da alma ou do assim chamado corpo astral. A alma está ligada ou fundida ao corpo através do magneto quadripolar com suas características específicas. A fusão ocorre, analogamente ao corpo, através da influência eletromagnética dos elementos. O trabalho dos elementos, o assim chamado fluido eletromagnético da alma é chamado por nós, iniciados, de matriz astral, ou vida. Essa matriz astral ou fluido eletromagnético da alma não é idêntico à aura descrita pelos ocultistas, da qual pretendo ocupar-me mais adiante. A matriz astral ou fluido eletromagnético é o meio aglutinante entre o corpo e a alma. O princípio do fogo exerce na alma também o seu efeito construtor; o princípio da água exerce seu efeito vitalizante, o do ar o seu efeito equilibrador, gerador a preservador. O corpo astral possui exatamente as mesmas funções do corpo material denso. O h...

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O PLANO ASTRAL

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Como o Akasha é a origem de todo ser, naturalmente nele há o reflexo de tudo, isto é, de tudo o que já aconteceu no passado, acontece no presente e acontecerá no futuro.

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  1. O Plano Astral É muitas vezes definido como a quarta dimensão; não foi criado a partir dos quatro elementos, mas é um grau de densidade do princípio de Akasha, portanto de que tudo o que já aconteceu no passado, acontece no presente a acontecerá no futuro, no mundo material, enfim, tudo o que contém sua origem, sua regulamentação e sua existência. Como já referimos, em sua forma mais sutil o Akasha é o nosso velho conhecido éter, no qual, entre outras coisas, propagam-se as ondas elétricas a magnéticas. Ele é também a esfera das vibrações, de onde se originam a luz, o som, a cor, o ritmo, e com estes toda a vida que existe. Como o Akasha é a origem de todo ser, naturalmente nele há o reflexo de tudo, Le., de tudo o que já aconteceu no passado, acontece no presente a acontecerá no futuro. É por isso que consideramos o plano astral como a emanação do eterno, sem começo nem fim, a que portanto é isento de espaço a de tempo. O iniciado que consegue alcançar esse plano encontra tudo nele, mesmo quando se tratam de fatos ocorridos no passado, que ocorrem no presente ou ocorrerão no futuro. A amplitude do alcance da sua percepção depende do seu grau de aperfeiçoamento. 1.1 A Morte como...

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O ESPIRITO

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O Espírito O espírito é a parte imortal do homem. Corpo e alma são apenas veículos temporários através dos quais ele se manifesta. Segundo o texto, o espírito surge do princípio primordial do Akasha, a fonte original de toda a existência, e possui em si as quatro qualidades fundamentais dos elementos. Os Elementos no Espírito Elemento Aspectos Espirituais Associados Fogo Vontade, Força, Poder, Paixão Ar Intelecto,...

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1O Espírito

Como já dissemos antes, o homem foi criado à semelhança de Deus e é constituído de corpo, alma a espírito. Nos capítulos anteriores ficamos sabendo que o corpo e a alma servem somente como um invólucro ou uma vestimenta para o espírito, a são portanto passageiros. É por isso que só o espírito é a parte imortal do homem e a sua imagem semelhante a Deus. Não é fácil analisar e colocar em palavras exatas algo divino, imortal a eterno. Mas como em qualquer outro problema podemos, nesse caso, nos valer da ajuda da chave do magneto quadripolar.

1.1A Origem do Espírito e os Quatro Princípios

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PLANO MENTAL

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A Origem das Ideias O homem não seria o criador dos pensamentos.

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  1. O Plano Mental Assim como o corpo possui o seu plano terreno e o corpo astral ou alma o seu plano astral, o espírito também possui o seu plano próprio, chamado de esfera mental ou plano mental. É a esfera do espírito, com todas as suas propriedades. Ambas as esferas, tanto a material densa quanto a astral, surgiram através dos quatro elementos, do princípio do Akasha ou das Coisas Primordiais da esfera correspondente. A esfera mental também se formou dessa maneira, partindo do princípio akáshico do espírito. 1.1 O Corpo Mental e a Matriz Mental O que ocorre com o corpo mental na esfera mental ou espiritual é análogo ao que ocorre com o corpo astral, isto é, através do trabalho correspondente o espírito forma um magneto quadripolar dentro de si, a exterioriza o fluido eletromagnético em sua polaridade, como um fenômeno produzido pelo efeito dos elementos. Assim como o corpo astral forma uma matriz astral (o assim chamado "astralod") através do fluido eletromagnético do mundo astral, o fluido eletromagnético do mundo mental também forma uma matriz mental, que liga o corpo mental ao corpo astral. Essa matriz mental, ou "mentalod", a assim chamada matéria mental, é a forma mais suti...

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A VERDADE

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A fonte da sabedoria está em Deus, portanto no princípio das coisas primordiais (Akasha), em todos os planos do mundo material denso, do astral e do mental.

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À verdade pertence também a distinção correta entre a capacidade, o conhecimento e a sabedoria. Em todos os campos da existência humana o conhecimento depende da maturidade, da capacidade de assimilação da memória, da razão a da inteligência, sem considerar se esse conhecimento foi enriquecido através da leitura, da comunicação ou de outro tipo qualquer de experiência.

Entre conhecimento a sabedoria existe uma diferença imensa, e é muito mais fácil obter conhecimento do que sabedoria. A sabedoria não depende nem um pouco do conhecimento, apesar de ambos serem, numa certa medida, até idênticos. A fonte da sabedoria está em Deus, a portanto no princípio das coisas primordiais (no Akasha), em todos os planos do mundo material denso, do astral a do mental.

Portanto, a sabedoria não depende da razão e da memória, ma;; da maturidade, da pureza a da perfeição da personalidade de cada um. Poderíamos também considerar a sabedoria como uma condição da evolução do "eu". Em função disso a cognição chega a nós não só através da razão, mas principalmente através da intuição ou da inspiração. O grau de sabedoria determina portanto o grau de evolução da pessoa. Mas com isso não queremos dizer que se deve menosprezar o conhecimento; muito pelo contrário, o conhecimento e a sabedoria devem andar de mãos dadas. Por isso o iniciado deverá esforçar-se em evoluir, tanto no seu conhecimento quanto na sabedoria, pois nenhum dos dois deve ser negligenciado nesse processo.

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DEUS

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Deus

Desde os tempos primordiais o homem acreditou em algo superior, transcendental, algo que ele pudesse divinizar, não importando que fosse uma ideia personificada ou não de Deus.

Aquilo que o homem não conseguia assimilar ou compreender ele atribuía a um poder superior, conforme a sua concepção.

Desse modo surgiram as divindades dos povos, tanto as boas quanto as más (demônios). Ao longo do tempo foram adorados deuses, anjos, demiurgos, demônios e espíritos, correspondentes às mentalidades dos povos em questão.

[Observação] O autor não discute aqui qual religião estaria correta; ele procura explicar a origem das diferentes concepções de Deus ao longo da história.

A Ideia de Deus para o Homem Comum

Para o homem comum a ideia de Deus serve como um ponto de apoio ou um suporte para o seu espírito, para que este não permaneça ou se perca no desconhecido.

Para ele, Deus é algo:

Incompreensível;
Abstrato;
Inimaginável.

A Ideia de Deus para o Mago

Para o mago as coisas não são desse modo.
Ele conhece o seu Deus sob todos os aspectos.
Não apenas dedica veneração à divindade, mas sabe que foi criado à sua imagem e que é parte dela.
Seu maior ideal, seu maior dever e seu objetivo mais sagrado é tornar-se uno com ela, tornar-se um homem-deus .

A União com Deus

A síntese da união com Deus consiste em desenvolver as ideias divinas desde os patamares mais baixos até os mais elevados, até que se consiga a unificação com o Universal.

Nesse processo, fica a critério de cada um:

Renunciar à própria individualidade;
Ou conservá-la.
Os grandes mestres que alcançam esse estado geralmente retornam à Terra com uma tarefa ou missão sagrada.

A Morte Mística

Nessa ascensão o mago iniciado é também um místico.
Somente na unificação, caso queira renunciar à sua individualidade, é que ele se desintegra voluntariamente.

Deus e os Quatro Elementos

Do ponto de vista mágico, a ideia de Deus pode ser compreendida através dos quatro elementos e do Tetragrammaton.

Elemento

Aspecto Divino

Fogo

Poder supremo e força suprema

Ar

Sabedoria, pureza e clareza

Água

Amor e vida eterna

Terra

Onipresença, imortalidade e eternidade


A Divindade Superior

Juntos, esses quatro aspectos formam a divindade superior.

O caminho em direção a essa divindade será percorrido gradualmente, começando na esfera mais baixa até alcançar a verdadeira concretização de Deus em nós.

[Conceito-chave] Neste capítulo, "realizar Deus" não significa adorar uma divindade externa, mas desenvolver dentro de si os atributos divinos associados aos quatro elementos: poder, sabedoria, amor e eternidade.

O autor encerra afirmando que esse objetivo está ao alcance de todos:

"Feliz é aquele que a alcança ainda nessa vida."

Na terminologia mística isso é chamado de:

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1Deus

Desde os tempos primordiais o homem acreditou em algo superior, transcendental, algo que ele pudesse divinizar, não importando que fosse uma idéia personificada ou não de Deus. Aquilo que o homem não conseguia assimilar ou compreender ele atribuía a um poder superior, conforme a sua concepção. Desse modo é que surgiram as divindades dos povos, tanto as boas quanto as más (demônios). Assim, ao longo do tempo, foram adorados deuses, anjos, demiurgos, demônios a espíritos, correspondentes às mentalidades dos povos em questão, sem que fosse levado em conta o fato de terem vivido efetivamente ou só na imaginação das pessoas. Quanto mais se desenvolvia. intelectualmente a humanidade, tanto menos as pessoas procuravam imagens divinas, principalmente quando, com ajuda da ciência, foram sendo explicados muitos fenômenos antigamente atribuídos aos deuses. Precisaríamos escrever muitas obras se quiséssemos entrar nos detalhes das diversas idéias de Deus na história dos povos.

1.1A Idéia de Deus do Ponto de Vista do Mago

Aqui porém estudaremos a idéia de Deus do ponto de vista do mago. Para o homem comum a idéia de Deus serve como um ponto de apoio ou um suporte para o seu espírito, para que este não permaneça no desconhecido, ou não se perca nele. Para ele esse Deus é incompreensível, abstrato a inimaginável. Mas para o mago as coisas não são desse modo; ele conhece o seu Deus sob todos os aspectos. E não é só porque dedica a essa divindade toda a veneração, pois sabe que foi criado à sua imagem, portanto é parte dela, mas também porque seu maior ideal, seu maior dever a seu objetivo mais sagrado é tomar-se uno com ela, tornar-se um homem-deus. A ascensão a esse objetivo sublime será descrita adiante.

1.2A União com Deus e a Morte Mística

A síntese da união com Deus consiste em desenvolver as idéias divinas desde os patamares mais baixos até os mais elevados, até que se consiga a unificação com o Universal. Nesse processo, fica a critério de cada um renunciar à sua própria individualidade ou conservá-la. Os grandes mestres que chegaram lá geralmente voltam à Terra com uma determinada tarefa ou missão sagrada.

Nessa ascensão, ou elevação, o mago iniciado é também um místico. Só na unificação, caso ele queira renunciar à sua individualidade, é que ele se desintegra voluntariamente, o que na terminologia mística é definido como morte mística.

1.3A Verdadeira Iniciação: Mística e Magia Unidas

Como podemos ver, na verdadeira iniciação não existe uma senda mística, a também nenhuma mágica. Existe somente uma única iniciação verdadeira que liga ambos os conceitos, em contraposição à maioria das escolas místicas a espiritualistas que se ocupam de imediato dos problemas mais elevados através da meditação ou outros exercícios espirituais, sem antes terem trabalhado os patamares inferiores. É exatamente como alguém que quer começar com os estudos universitários sem antes ter passado pelos cursos elementares. Em muitos casos as conseqüências de uma instrução tão unilateral podem ser muito graves, a às vezes até drásticas, dependendo do grau de envolvimento de cada um.

Muitas vezes o erro pode ser encontrado no fato de que grande parte do material provém do Oriente, onde o mundo material a astral é encarado como "maya" (ilusão) a quase não é considerado. Não é possível aqui entrar em detalhes, pois esse tema extrapolaria os limites desta obra. Num desenvolvimento adequadamente planejado a escalonado, não há desvios nem fracassos, nem conseqüências graves, pois o amadurecimento é lento a gradual, mas seguro. Se o iniciado escolhe Cristo, Buda, Brahma, Alá ou outro qualquer como seu conceito de divindade, é uma questão individual; no caso da iniciação o que importa é a idéia em si. O místico puro vai querer nutrir-se somente no amor abrangente de seu Deus. Geralmente o iogue também segue só um aspecto divino: o Bhakti Iogue segue o caminho do amor a da doação; o Raja e o Hatha Iogue seguem o caminho do domínio a da vontade, o Jnana Iogue segue o caminho da sabedoria a da compreensão.

1.4Deus e os Quatro Elementos (o Tetragrammaton)

Se encararmos a idéia de Deus do ponto de vista mágico, relativamente aos quatro elementos, o assim chamado Tetragrammaton, o Inexprimível, o Superior, teremos: ao princípio do fogo, corresponde o poder supremo, a força suprema; ao princípio primordial do ar a sabedoria, a pureza e a clareza, de cujos aspectos sobressai a regulação universal; ao princípio primordial da água corresponde o amor e a vida eterna, a ao princípio primordial da terra o onipresente, a imortalidade, a com ela a eternidade.

Juntos, esses quatro aspectos formam a divindade superior. O caminho em direção a essa divindade superior será por nós trilhado na prática, gradualmente, começando na esfera mais baixa, até alcançarmos a verdadeira concretização de Deus em nós. Feliz é aquele que a alcança ainda nessa vida. Ninguém deve temer todo esse esforço, pois todos podem alcançar esse objetivo, pelo menos uma vez na vida.

CIÊNCIAS OCULTAS / INICIAÇÃO / O GRANDE SEGREDO DO TETRAGRAMMATON

ASCESE

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Mas de qualquer maneira devemos protegê-la de todo o exagero.

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1Ascese

Desde os tempos antigos, todas as religiões, seitas, escolas espiritualistas a sistemas de instrução dão uma grande importância à ascese. Em alguns sistemas do Oriente a ascese chegou até aos limites do fanatismo, o que pode provocar grandes danos, pois o exagero nesse caso não é natural nem adequado. Em linhas gerais, a mortificação do corpo é tão unilateral quanto o desenvolvimento de um único lado do corpo em detrimento do outro.

Quando a ascese, sob forma de dieta, serve para libertar o corpo de diversas mazelas a impurezas, além de eliminar doenças a equilibrar desarmonias, então a sua utilização é correta. Mas de qualquer maneira devemos protegê-la de todo o exagero. Quando alguém trabalha duro, fisicamente, é uma loucura suspender a alimentação necessária à manutenção do corpo, só por causa da ioga ou algum outro exercício místico. Tais extremos levam inevitavelmente a danos de saúde de graves conseqüências.

1.1Vegetarianismo e Abstenção

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU I

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INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPIRITO (I) Controle do Pensamento, Disciplina do Pensamento, Domínio do Pensamento 1. Observação do Curso dos Pensamentos Sente-se confortavelmente numa cadeira ou deite-se num divã. Relaxe todo o corpo, feche os olhos durante cinco minutos e observe o curso dos pensamentos que você tenta fixar. No início irá perceber que uma grande quantidade desses pensamentos precipitar-se-ão em sua mente,...

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  1. Instrução Mágica do Espírito (I) Controle do Pensamento, Disciplina do Pensamento, Domínio do Pensamento 1.1 Observação do Curso dos Pensamentos Sente-se confortavelmente numa cadeira ou deite-se num divã. Relaxe todo o corpo, feche os olhos durante cinco minutos e observe o curso dos pensamentos que você tenta fixar. No início irá perceber que uma grande quantidade desses pensamentos precipitar-seão em sua mente, na sua maioria pensamentos relativos a coisas a situações do dia-a-dia, às suas atividades profissionais, suas preocupações em geral. Imagine-se na posição de um observador silencioso, totalmente livre a independente. Conforme o estado de ânimo e a situação em que você se encontrar no momento, esse exercício será mais ou menos difícil de realizar. Não se trata de perder o curso do pensamento ou de esquecê-lo, mas de acompanhá-lo com atenção. Devemos sobretudo evitar pegar no sono durante o exercício. Ao nos sentirmos cansados, devemos interromper o exercício imediatamente a adiá-lo para uma outra ocasião, quando então assumiremos o compromisso de não nos deixarmos dominar pelo cansaço. Para não perder o seu tempo precioso, os indianos, por exemplo, borrifam ou esfregam...

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU II

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A Visualização Durante todo o exercício: O desejo deve ser visualizado como se já estivesse realizado.

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Entendido! Vou reiniciar a numeração a partir de 1 para este documento: 1. GRAU II 1.1 Auto-Sugestão ou o Mistério do Subconsciente Antes de passar à descrição de cada um dos exercícios do segundo grau, tentarei explicar o mistério do subconsciente a seu significado prático. Assim como a consciência normal, que possui sua morada na alma a age no corpo, ou melhor, na cabeça através do cérebro, o subconsciente também é uma característica da alma e encontra-se no cerebelo, isto é, na parte posterior da cabeça. Considerando a sua utilização prática na magia, estudaremos principalmente a função psicológica do cerebelo, portanto, do subconsciente. Em toda pessoa consciente de seus cinco sentidos a esfera da consciência normal está intacta, isto quer dizer que a pessoa está em condições de fazer use contínuo das funções de sua consciência normal. Como constatado pelas nossas pesquisas, não existe uma única força no Universo, assim como no homem, que não apresente o seu oposto. É por isso que podemos considerar a subconsciência como o oposto da consciência normal. Aquilo que na consciência normal entendemos como pensamento, sentimento, vontade, memória, razão, compreensão, reflete-se no no...

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

OS QUATRO PILARES DA MAGIA

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Relativamente aos quatro elementos, são estas as características básicas que todo mago deve possuir se quiser alcançar o grau mais elevado desta ciência.

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1Conhecer, Ousar, Querer a Calar

Conhecer, Ousar, Querer a Calar são os quatro pilares principais do templo de Salomão, portanto do macro a do microcosmo sobre os quais foi erigida a sagrada ciência da magia. Relativamente aos quatro elementos, são estas as características básicas que todo mago deve possuir se quiser alcançar o grau mais elevado desta ciência. O saber mágico pode ser adquirido por qualquer um através de um estudo intenso, e o conhecimento de suas leis possibilita ao aprendiz alcançar, gradativamente, o estágio mais elevado da sabedoria.

1.1Querer

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU III

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Por isso reforça o princípio: "O homem colhe aquilo que semeia." Seu objetivo deve ser sempre o bem supremo.

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  1. Instrução Mágica do Espírito (III) Concentração do pensamento em duas ou três idéias simultaneamente No segundo grau nós aprendemos a praticar a concentração dos sentidos, isto é, a induzirmos a concentração de cada um de nossos sentidos. Nesse grau nós ampliaremos nossa capacidade de concentração, na medida em que nos fixaremos não só em um único sentido, mas em dois ou três simultaneamente. Eu gostaria de mostrar aqui alguns exemplos, através dos quais o próprio aprendiz poderá organizar o seu trabalho. Imagine plasticamente um relógio de parede com um pêndulo que vai a vem. A representação imaginária deve ser tão real a ponto de se achar que existe de fato um relógio na parede. Ao mesmo tempo experimente ouvir o seu tic-tac. Tente fixar essa dupla imaginação, da visão a da audição, durante cinco minutos. No início você só conseguirá fazê-lo durante alguns segundos, mas com a repetição constante você conseguirá fixá-las por mais tempo. A prática cria o mestre! Repita essa experiência com algum outro objeto semelhante, talvez um gongo, a além de tentar ouvir os seus golpes, tente também ver a pessoa que o está golpeando. Depois tente ver um regato a ouvir o murmúrio das águas....

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GRAU IV

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Instrução Mágica do Espírito (IV) Transposição da Consciência para o Exterior a) Em objetos Neste capítulo mostrarei a vocês como se transpõe a consciência para o exterior. Devemos aprender a transpor a nossa consciência para qualquer objeto, animal ou ser humano. Preparação Coloque alguns objetos à sua frente, de preferência daqueles que você usa diariamente. Sente-se na posição habitual, fixe o pensamento em um...

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  1. GRAU IV Antes de começar a descrever esses exercícios um pouco mais difíceis do Grau IV volto a enfatizar que o aluno não deve se precipitar em seu desenvolvimento. Ele deve gastar o tempo que for preciso para alcançar um sucesso absoluto em seu caminho mágico. Deve ter o domínio total de todos os exercícios das etapas anteriores, antes de passar aos subseqüentes. 1.1 Instrução Mágica do Espírito (IV) 1.1.1 Transposição da Consciência para o Exterior 1.1.1.1 a) em objetos Neste capítulo mostrarei a vocês como se transpõe a consciência para o exterior. Devemos aprender a transpor a nossa consciência para qualquer objeto, animal, a ser humano. Coloque algumas coisas à sua frente, daquelas que você usa todos os dias. Sentado na posição costumeira, fixe o pensamento num dos objetos por algum tempo, a registre com força em sua mente a sua cor, forma a tamanho. Então imagine-se transformado no objeto em questão. Você deverá, por assim dizer, sentir-se, perceber-se como o tal objeto, assimilando todas as suas características. Você deve sentir-se como se estivesse preso naquele local em que o objeto foi colocado, só podendo libertar-se através de uma intervenção externa. Pense também qu...

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU V

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No simbolismo hermético: Deus → Centro.

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  1. GRAU V O sábio Arquimedes disse uma vez: "Mostre-me um ponto no Universo a eu tirarei a Terra de seus eixos". Só muito poucos sabem que essa frase contém um grande mistério oculto, que é justamente aquele da quarta dimensão. Na escola nós aprendemos que tudo possui uma forma; a pedra, a planta, o animal, o homem, enfim, todos os corpos têm um comprimento, uma largura a uma altura conhecidos. Se imaginarmos um cruzamento duplo no meio de uma forma, como por exemplo uma esfera, então se produzirá um ponto no local da intersecção, o assim chamado ponto de profundidade. Foi nesse ponto que Arquimedes pensou ao formular a frase, pois trata-se tanto de um ponto de partida quanto de chegada. Ele é o núcleo de todas as formas. Do ponto de vista desse ponto, todas as formas são regularmente objetivas, por exemplo, encontram-se em seu verdadeiro equilíbrio. É nisso que reside o segredo da quarta dimensão, portanto do conceito de tempo a de espaço, ou da ausência deles, a com isso também do mistério da magia em ambientes. Recomenda-se ao aluno que medite sobre isso, assim ele poderá alcançar profundidades insuspeitadas a adquirir uma grande intuição como recompensa. 1.1 Instrução Mágica do...

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU VII

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1 Instrução Mágica do Espírito (VII) 1.1 Análise do Espírito em Relação à Prática No sexto grau o aluno aprendeu a tomar consciência do próprio espírito, tratá-lo no corpo como espírito e também a usar os sentidos conscientemente. Neste grau, Bardon amplia esse trabalho. O objetivo agora é acompanhar e utilizar conscientemente as qualidades do espírito (corpo mental), sempre levando em consideração as analogias do...

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Você deverá estar tão convicto da característica da luz que não terá nenhuma sombra de dúvida.

Se você for religioso, será mais fácil acreditar que essa luz universal seja uma parte de Deus, que possui todas as características aqui descritas.

Depois de ter sugado a luz para dentro de seu corpo, com as características aqui descritas, a sentir a sua tensão a força penetrante, então tente represá-la a partir dos pés a mãos em direção à cabeça, comprimindo-a de modo a concentrá-la nas íris de seus dois olhos.

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GRAU VIII

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Segundo Bardon, toda religião possui um caminho próprio capaz de conduzir seus adeptos a Deus, de acordo com seu grau de maturidade espiritual.

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2.5Religião e Maturidade Espiritual

Um mago verdadeiro desconhece o ódio religioso ou sectário; ele sabe que toda religião possui seu sistema específico que levará seus devotos a Deus, por isso ele a respeita. Ele sabe que toda religião tem erros, mas ele não a julga, pois cada dogma serve ao estágio de maturidade espiritual de seu adepto.

2.6O Julgamento do Semelhante

FRASES

FRASES

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DEUS

Desde os tempos primordiais, o homem acreditou em um poder superior e transcendental.

O homem atribui a um poder superior aquilo que não consegue compreender.

Para o homem comum, Deus é incompreensível, abstrato e inimaginável.

Para o mago, Deus é conhecido sob todos os seus aspectos.

O mago sabe que foi criado à imagem de Deus e que é parte Dele.

O maior ideal, dever e objetivo sagrado do mago é tornar-se uno com Deus e alcançar a condição de homem-deus.

Deus representa a unidade suprema acima de todas as manifestações.

A consciência divina é percebida quando todas as dualidades são transcendidas.

A realização espiritual culmina na experiência da unidade absoluta.

A frase "Eu sou Deus" simboliza a união entre consciência individual e princípio universal.

Na iniciação, o que importa não é o nome da divindade, mas a ideia em si.

O místico busca nutrir-se no amor abrangente de seu Deus.

O Bhakti Iogue segue o caminho do amor e da entrega.

O Raja Iogue e o Hatha Iogue seguem o caminho do domínio e da vontade.

O Jnana Iogue segue o caminho da sabedoria e da compreensão.

A divindade representa o princípio supremo acima de todas as manifestações.

Deus é compreendido como a realidade mais elevada, justa e perfeita existente.

A essência divina não depende de uma forma específica, mas da qualidade espiritual representada.

Cristo, Buda, um deva, o Sol, a luz ou a chama podem representar símbolos da divindade suprema.

A divindade manifesta quatro características fundamentais: onipotência, sabedoria, amor e imortalidade.

A onipotência representa o poder criador universal.

A sabedoria representa o conhecimento das leis eternas.

O amor universal representa a união e harmonia entre todas as coisas.

A imortalidade representa a continuidade da consciência além da matéria.

O princípio divino reúne todos os aspectos superiores da existência.

A compreensão da divindade conduz à unificação com as leis universais.


A divindade manifesta-se através de símbolos, qualidades e estados superiores de consciência.

A essência divina permanece além de qualquer imagem criada pela mente humana.

As quatro características divinas representam aspectos fundamentais da manifestação superior.

A onipotência revela a força criadora da divindade.

A sabedoria revela a inteligência universal presente na criação.

O amor universal revela a unidade entre todos os seres.

A imortalidade revela a natureza eterna da consciência divina.

A verdadeira percepção de Deus ocorre quando a divindade deixa de ser apenas uma ideia e torna-se uma realidade interior.

A divindade representa a união entre a consciência humana e o princípio superior.

A manifestação divina ocorre quando as qualidades superiores tornam-se vivas na consciência.

A divindade deixa de ser apenas contemplada quando passa a ser realizada interiormente.

A consciência espiritual busca tornar-se semelhante àquilo que reconhece como divino.

A união com a divindade representa a integração das qualidades superiores no próprio ser.


A divindade representa a manifestação de diferentes aspectos do princípio superior.

Cada divindade simboliza uma expressão específica das forças universais.

A compreensão das divindades ocorre através das qualidades que representam.

O iniciado busca compreender a essência por trás das formas divinas.


A divindade representa o princípio supremo de unidade e perfeição.

Todas as tradições espirituais podem ser compreendidas como diferentes expressões do princípio divino.

A ligação com a divindade exige transformação interior.

A busca divina conduz à superação do ego e ao desenvolvimento da alma.


INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU IX

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2.3 A Impregnação do Corpo Astral com as Quatro Características Divinas Básicas Neste grau, Bardon ensina que o desenvolvimento espiritual alcança um novo nível: o praticante deixa de compreender Deus apenas como objeto de devoção e passa a assimilar conscientemente os atributos universais da Divindade dentro de si.

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... s olhos do não-iniciado esse fenômeno não passa de uma quimera, mas um mago desenvolvido consegue produzir esse a outros fenômenos ainda maiores, que normalmente seriam considerados milagres. Como já explicamos antes esses fenômenos não são milagres, pois para o mago não existem milagres no sentido estrito da palavra. Para ele só existe o emprego de energias a leis superiores. Eu ainda poderia citar muitos exemplos do que o mago poderia fazer com seu corpo astral, mas para o aluno sinceramente empenhado bastam algumas indicações.

2.2A impregnação do corpo astral com as quatro características divinas básicas

Ao chegar a esse grau de desenvolvimento o mago começa a transformar a sua visão de Deus em idéias concretas. O místico instruído unilateralmente, como o Yogui, a outros, vê na divindade um único aspecto, ou seja, o da veneração, das homenagens a do reconhecimento. O verdadeiro iniciado, que em seu desenvolvimento leva em conta o tempo todo o aprendizado evolutivo relativo aos quatro elementos, atribuirá ao conceito de Deus as leis universais referentes a quatro aspectos, que são: a Onipotência, correspondente ao princípio do fogo, a Sabedoria, ligada ao princípio do ar, a I mortalidade, correspondente ao princípio da água, e a Onipresença, ligada ao princípio da terra. A tarefa desse grau consiste em se meditar, em seqüência, sobre essas quatro idéias aspectos - da divindade. A meditação profunda chega quase a colocar o mago em condições de entrar em êxtase diretamente com uma dessas virtudes divinas a fluir com ela de tal forma a se sentir ele próprio como a virtude ...

INSTRUÇÃO MÁGICA DO ESPÍRITO, DA ALMA A DO CORPO

GRAU X

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A interpretação da passagem bíblica Com base nessa concepção, Bardon afirma que o mago compreenderá o significado da passagem bíblica segundo a qual o homem foi criado "à imagem e semelhança de Deus".

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... s meses depois, o principal é que ele não perca de vista a sua meta de it sempre em frente até alcançar as mais iluminadas alturas do reconhecimento divino. Numa visão retrospectiva o mago verá que já trilhou um longo caminho em sua evolução, o que é muito mais do que imaginou; mas ele precisa saber que esse é só o primeiro degrau de uma longa escalada. Quando ele tiver consciência de quanto conhecimento a experiência terá de acumular a absorver, adotará uma posição de humildade a reverência diante da fonte divina da sabedoria. Em seu coração ele não deverá abrigar ambição, egoísmo a convencimento, enfim, nenhuma característica negativa, pois quanto mais profundamente penetrar na oficina de Deus, tanto mais dedicado a receptivo se tomará, internamente. A sua primeira tarefa no décimo grau será obter o conhecimento da esfera dos elementos. Com seu corpo mental ele deverá visitar as diversas esferas dos elementos, a se transportar ao reino dos gnomos ou espíritos da terra, depois aos espíritos da água ou das ninfas. Conhecerá o reino do ar, ou dos silfos, ou fadas, e finalmente o reino das salamandras, ou espíritos do fogo. Para um não-iniciado essas possibilidades soarão como fábulas, ou contos de fada, a vai considerá-las uma mera utopia. Para o verdadeiro iniciado não existem contos de fada ou lendas; elas devem ser basicamente entendidas como histórias simbólicas, que muitas vezes contêm verdades profundas. O mesmo vale para os gnomos, ninfas, silfos a salamandras. Baseando-se em suas próprias observações o mago se convencerá da existência efetiva desses seres. Uma pessoa ...

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO

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Segundo o autor, essas tradições frequentemente entram em conflito entre si, apesar de todas afirmarem buscar Deus.

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... é função deste livro despertar alguma crença nessa pessoa ou conquistá-la, mudando a sua opinião a convencendo-a a adotar outro ponto de vista. Este livro é dedicado principalmente àqueles leitores que procuram a mais pura verdade e o conhecimento mais elevado. Muitas vezes a pessoa é convencida ou até induzida a seguir alguma direção espiritual, a passa pela experiência de ver essas diversas tendências tomarem-se inimigas, por causa da inveja ou da prepotência. O verdadeiro mago sentirá pena dessas pessoas, seitas e tendências espirituais (?), mas não deverá odiar, falar mal ou desprezar ninguém; ele deverá dar a devida atenção a toda a pessoa que também segue ou busca o caminho que leva a Deus. É triste, mas é verdade que os teósofos, espiritualistas, espíritas, ou como todos eles se chamam, se opõem mutuamente a se tomam inimigos, como se todos os caminhos não levassem a Deus. Todas as pessoas que procuram o caminho que leva a Deus deveriam lembrar-se bem das palavras de Cristo, o grande Mestre dos Místicos: "Ame o próximo como a si mesmo." Essas palavras deveriam ser um mandamento sagrado para todo o buscador que trilha a senda espiritual. Muitos seres que tiveram de deixar o nosso mundo material e não tiveram a oportunidade de alcançar o verdadeiro conhecimento espiritual, alegaram, nas esferas mais elevadas, que em nossa Terra o verdadeiro conhecimento era, no passado, reservado só para alguns eleitos, a portanto não estaria disponível para todos. Por causa disso os Mistérios, ocultos por milhares de anos, são mostrados pela Providência Divina, gradualmente, a todo o ...

Giuliano Kremmeerz22 trechos

Introdução à Ciência Hermética

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / FUNDAMENTOS

DEUS E O ABSOLUTO

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O único conceito cientifico de Deus é este: a lei que governa a Universo no mais perfeito equilíbrio. Pg24; Essa lei é perfeita porque não admite qualquer violação, seja qual for; assim, um milagre que violasse a lei seria, a priori, impossível e, ao que parece, só se torna possível se, por razões ainda desconhecidas pelo homem, for o resultado da própria lei. Pg24; Quando os antigos patriarcas das histórias da Bíblia falavam da figura inexorável de Javé (Jeová), que beirava a crueldade e nunca era inconstante, estavam de fato fazendo reverencia a essa lei universal que dirige e cria tudo que existe, cuja alma é a essência do Ser, ou seja, a substância primária imutável e a forma secundária e variável. Pg24; Esta lei imutável é também compreendida como manifestação da essência inteligente primária universal, que salta das formas de todas as coisas, visíveis e invisíveis. Pg25; Essa inteligência universal (Deus invisível), por meio da sábia perseverança de suas manifestações, é a lei reguladora da natureza universal. Pg25; Resumo Pagina 24; Os antigos sacerdotes de religiões iniciáticas clássicas nunca usaram formas definidas para representar o princípio primário ou a substância inteligente; usaram sempre uma variedade de formas adaptáveis para definir diferentes momentos do ato criativo, ou melhor, da encarnação do Deus Universal.; Todos os símbolos e hieróglifos dos antigos sábios dizem o mesmo: Ele tem duas faces: a visível, que representa sua manifestação no mundo físico, isto é, na Natureza que aparece, em nossas modernas filosofias materialistas; e a face invisível, representando o espírito da Natureza, isto é, a Inteligência, a lei de cada manifestação da Natureza – uma Força, uma imensa Alma que faz a árvore florescer, brilha através da água, endurece o metal e reflete o Sol.; A conquista de poderes nada mais é que o direito de os obter por essa lei (Deus). Um atleta que treina o dia inteiro para conseguir levantas pesos tem um direito de prioridade sobre todos os homens mais preguiçosos. Você não será capaz, independente da força que aplique, de curvar metais, mas um ferreiro habilidoso, com menos força física que você, consegue dobrá-los sem nenhum problema. Esse é o direito do poder. Uma conquista dentro a lei, não fora da lei universal.; (Quando alguém conquista algo — força, conhecimento, habilidades — é porque agiu em harmonia com a lei universal. O merecimento é resultado do esforço, não de privilégios divinos.)

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / FUNDAMENTOS

A CRIAÇÃO

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Deus criou o Homem ao misturar o Iodo da terra com seu sopro; tanto o iodo quanto o sopro existiam antes do homem e foram unidos e misturados pela vontade de criar uma forma mais perfeita de animal.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / FUNDAMENTOS

Leis Universais

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Mas o bem conhecido Tribunal de Deus de que falam os católicos realmente existe, porque toda ação da consciência de um ser vivo é causa de vida ou morte, e a justiça incorruptível do equilíbrio da Divina Providência recompensa ou pune, dá ou tira das vidas que seguem a vida humana e a sociedade dos homens.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / FUNDAMENTOS

MACROCOSMO E MICROCOSMO

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Qualquer movimento de uma dessas partes da unidade está relacionado a todo o resto, o que podemos ver e perceber, da mesma forma como os membros humanos estão relacionados à unidade do corpo físico.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / ANTROPOLOGIA ESOTÉRICA

Estrutura do Homem

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O perispírito acompanha o espirito do homem após a morte do corpo físico e se conserva, enquanto, de acordo com a magia, o principio divino inteligente tende a uma progressiva atenuação, até ser assimilado em Deus.

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Psicologia Espiritual

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...ngulos, é o mago, um homem integrado entre uma consciência externa aparente (triângulo na vertical) e a parte oculta de sua consciência (triângulo invertido), que fica no lugar do Deus oculto, com todos os seus poderes.

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SENSAÇÃO E OS SENTIDOS

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Cada sensação é uma ideia e cada ideia é uma sensação: a ideia de um ser é um ser, e o poder central de tudo que foi e que pode ser criado no Universo ou no homem é o ser, ao mesmo tempo criador e criação, isto é, criador e criado, árvore e fruto.

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FORÇA E ENERGIA

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MAGNETISMO O magnetismo é a síntese da energia e da vida que cria uma unidade humana; o magnetismo é indefinível, a vida é indefinível; o primeiro, vindo de uma fonte universal, é o pai e centro supremo de todas as forças na natureza perceptível; a segunda, criada pelo primeiro, evolui ou se detém por razões incompreensíveis.

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A UNIAO SEXUAL

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Observem que não é a união entre dois espíritos, pois para os cristãos, uno não é o Espírito de Deus.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / O MUNDO INVISIVEL

LUZ ASTRAL

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Ele se aproxima com apreensão; prova e diz, assim como o Deus bíblico após a criação da água: Et vidit hoc bonum esse [e viu que era bom].

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Fenômenos Espirituais

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Por intermédio dos médiuns, os espíritos podem produzir todo tipo de fenômenos: mentais, sensíveis e físicos.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / O DISCIPULO

DISCIPULO

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Os dois exemplos: O HOMEM E A MULHER VULGAR O homem vulgar ama uma mulher não apenas porque homens amam mulheres, mas também devido a um sentimento, que não pode ser confessado e que existe em todo animal e em todo grupo humano, de se considerar o mais viril dos homens.

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FORMAÇÃO

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O novato deve apenas se instruir em cienciqa, não se deixar seduzir pelo mundo exterior e aspirar em silencio a que o Deus se manifeste dentro dele próprio.

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CONDUTA

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As ações são a obra de Deus, os feitos são a linguagem dos espíritos de Deus.

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RELAÇÃO COM O SAGRADO

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O discípulo da magia expõe sua necessidade a Deus e pede que ela seja atendida se for isto a coisa certa a ser feita.

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Caminho do Mago

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É aquele que possui a ciência de Deus, é seu repositório vivo e quem o usa.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / MAGIA

FUNDAMENTOS

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É uma palavra que abrange todos os atributos da onipotência divina, se por Deus entendemos a inteligência suprema que cria, regula e preserva o Universo.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / MAGIA

PREPARAÇÃO

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Portanto, para invocar o deus da força, precisamos sentir, ou melhor, nos identificarmos com a justiça divina.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / MAGIA

PRÁTICA

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...s tendo uma determinada vida evolutiva, esse esforço representa a involução de nosso próprio ser para a vida inferior (inferno, satanismo, feitiçaria) Se, ao contrario, tende para Deus, isto é, para o supremo Infinito Todo-Poderoso, representa evolução (paraiso, magia divina) O operador pode usar o mesmo nome para evocar e para invocar.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / MAGIA

DESVIOS E PERIGOS

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MISTICOS E OS FALSOS DOUTORES MISTICOS são uma legião: dos exageros religiosos daqueles que falam com Deus e com os santos, profetas e arcanjos, até aqueles que evocam os espíritos dos mortos.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / SIMBOLOGIA E TRADIÇÃO

TRADIÇÃO SIMBÓLICA E ENSINAMENTO OCULTO

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“Tu bem sabes, meu filho, que és o filho de Virgo (Virgem), e se Virgem tu violas, matas a semente do teu povo, te tornas um parricida incestuoso e assim teu cérebro queimará; mas se podes imaginar Mercúrio com Virgem, a Gloriosa, pondo a lua crescente sob seus pés, tu por tua vez te tornarás o pai de semideuses.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / INTRODUÇÃO Á CIÊNCIA HERMÉTICA / AFORISMOS

AFORISMOS

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1º AFORISMO

UNO É O MUNDO, UNO É O HOMEM E UNO É O OVO. O MUNDO, O HOMEM E O OVO DÃO TRÊS. EM CADA UM, VEMOS TRÊS; NO MUNDO, NO HOMEM E NO OVO, ENCONTRAMOS TRÊS VEZES TRÊS.

Se quiseres aprender o segredo do ovo, pega três. Se quiseres entender o mistério do homem, eleva-te a seis. Se quiseres a intuição do grande arcano do mundo, sobe a nove. Inspira e expira três vezes para conheceres o segredo do ovo. Seis vezes para o mistério do homem, nove vezes para o arcano do mundo.

Então Ea (Jeová) criou primeiro o mundo, depois o homem, depois o ovo e ao último entregou o segredo tanto do homem quanto do mundo.

Assim, meu filho, o primeiro aforismo das coisas sagradas e ocultas está no número 369. Sem luz, sem ruído, sem qualquer pensamento que não seja um anseio por Ea, enterra-te vivo em uma caverna onde não entre luz terrestre, com os ouvidos tampados com cera de abelha e lã de cordeiro, e lá inspira e expira 369 vezes até veres o Mundo no Ovo de Ea.

2º Aforismo

Quando criou o mundo, Ea contemplou duas coisas, branco e preto, quente e frio. Sua respiração tornou-se fria e quente e ele deu seu sopro quente para o homem e o sopro frio para a mulher, porque o primeiro era para acender e aquecer e o segundo para aceitar e preservar; então tu, meu filho, assim que viste o mundo de Ea, “aprendeste” o que é a vida e como a vida é soprada do mundo de Ea para o mundo do ovo; e descobrirás que a vida das coisas masculinas não é a vida das coisas femininas, e que Ea soprou duas vezes apenas nas coisas que têm uma dupla natureza.

Assim, o segundo aforismo que deves lembrar é que não podes fazer uma obra divina sem um conhecimento da natureza da vida no ovo, no homem e no mundo de Ea.

3º Aforismo

Depois que aprendeste a inspirar e expirar, a distinguir a natureza da vida de homens e mulheres nas coisas do mundo de Ea, tens de aprender a soprar, como Ea fez no mundo, no ovo de coisas ainda não criadas. Em seguida, volta para teu sepulcro vivo, tampa de novo os ouvidos e, em vez de inspirar e expirar, sopra 369 vezes nas coisas que sentes, mas não vês. Enquanto sopras, incha as bochechas, não inches a barriga, caso contrário o sopro vai voltar para onde se originou e vais morrer. Se praticares esta regra, meu filho, vais descobrir como, soprando para o céu, acendes o fogo (pyr).

4º Aforismo

Se aprendeste a conhecer o mundo de Ea, a vida da dupla respiração e a saber como acender, soprando (insuflando) o fogo no céu, tu te transportarás para a montanha mais alta de teu país e sentarás no chão desnudo, com uma árvore frutífera à direita e uma semente à esquerda. Soprando na árvore, vais secá-la como se ela fosse atingida pelo vento do Schen (o deserto) e soprando na semente vais refazer a árvore. Então verás uma serpente com duas cabeças brotar do chão e, com duas vozes, ela te dirá: primeira cabeça, “eu sou a semente”; segunda cabeça, “eu sou a árvore”. Então entenderás que as duas cabeças têm um único tronco, portanto a semente e a árvore são a mesma coisa. Aí secarás a nova árvore, bem como uma nova semente, e pedirás que Ea te ensine. Acende o fogo com tua respiração e Ea falará contigo das chamas.

5º Aforismo

Assim que Ea tiver falado contigo, o espírito dele, o gigantesco Egs (Áries) começará a agitar os ventos ao teu redor. Esses ventos são a fonte de seu poder, de sua força e de sua luz; mas cuidado para não te entregares inteiramente a eles, porque Ea e seu espírito Egs são mais fortes que tu, e morrerias se fosses alçado vivo para onde o homem não pode viver.

6º Aforismo

Constrói para ti um navio com uma vela que o vento de Egs não possa rasgar e, assim que vires o vento ondulando as águas e as águas subindo para o céu, entra no navio e diz a Egs: “Leva-me para onde as águas não possam me alcançar”. Então o volume das águas será aumentado pelos sete espíritos de Egs.

Fou – empurra Xi – redireciona Mne – sustenta Ag – conduz

Mor – segura Mô – ouve e fala Râ – vê

No quadragésimo dia, sentirás o navio tocando a terra.

Mô dirá: “A água recua”. Râ verá o topo de uma montanha triangular.

Para conheceres a verdade, transforma-te então em um pássaro preto, voa e encontrarás os cadáveres e carcaças que te acorrentarão. Volta, então, em espírito para o teu navio, transforma-te numa pomba e agradece a Ea. Egs continua a girar e farás, a teu bel-prazer, as águas se avolumarem e retrocederem; conhecereis, então, o segundo espírito, Ise.

Minha prosa, quando parece obscura e quando não posso torná-la mais explícita, servirá como sinalizador no caminho misterioso daquele que pratica e que vai entender com o tempo, como e quando estiver nas condições que estou mencionando.

Hermes Trismegisto11 trechos

Corpus Hermeticum Graecum

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Ensaios do Autor

Hermética como conhecimento do Sentido da Vida

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O Corpus Hermeticum é uma disciplina de reflexões e especulações sobre Deus, o cosmo e o homem, que culmina na visão mística, ou seja, na deificação do ser humano.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Ensaios do Autor

As Bases Filosóficas e Religiosas do Hermetismo: Teurgia e Mântica, Simpatia e Astrologia

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Deus está em TODOS os lugares!

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Ensaios do Autor

A unicidade de Deus Entre os Deus no Hermetismo

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Diferença entre a monoteísmo, henoteismo, politeísmo e monolatria

Monolatria se refere a um culto dedicado a um deus e não à existência única e exclusiva daquele deus

Monoteísmo se refere ao culto e à existência de um único deus, implicando a falsidade e a inexistência de quaisquer outros deuses.

A henolotria, ou seja, a adoração única e ilimitada a um Deus como seu protetor dentre vários deuses. É o culto de um Deus aceitando a existência de muitos deuses (politeismo)

O Hermetismo e deuses

Em todo caso, nos tratados Hermeticos, mesmo reconhecendo a superioridade e unicidade de um Deus bom por natureza, não há exclusão dos deuses celestes e seus daimones:_"Pois, nem algum dos outros chamados deuses nem dos homens, nem dos daimones, pode, segundo a grandeza, ser bom, exceto somente Deus. E esse é o Único e não há nenhum outro.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Libellus I - Poimandres de Hermes Trismegisto

A Criação do Homem e sua Queda na Natureza

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Segundo o texto, o homem não surge como um ser comum entre os demais viventes, mas como uma imagem direta do próprio Deus, possuindo uma dupla natureza: divina em sua essência e mortal em sua manifestação corporal.

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2O Nous Demiurgo, a Criação do Homem e o Mistério da Natureza

Porém o Nous Deus, sendo macho-fêmea, sendo vida e luz, gestou com uma palavra outro Nous Demiurgo, que, sendo Deus do fogo e do ar, criou uns sete regentes, os quais envolvem o mundo sensível em ciclos, e cuja regência é chamada heimarmene.

O Logos de Deus saltou imediatamente dos elementos inferiores [de Deus] para a pura obra da natureza, e se uniu ao Nous Demiurgo (pois era consubstancial), e foram deixados embaixo os irracionais inferiores da natureza, tal que eram somente matéria.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Libellus I - Poimandres de Hermes Trismegisto

O Autoconhecimento e o Caminho de Retorno

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ComentárioO tratado distingue claramente aquilo que pertence à Natureza daquilo que procede diretamente de Deus.

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Então veio, como eu disse, o engendramento desses sete desta forma: com efeito, feminina era a terra e a água fertilizadora, porém do fogo era a prova de maturação. Do éter, a natureza recebeu o pneuma e produziu os corpos conforme a aparência do Homem. Porém o Homem, de vida e luz, veio a ser em alma e mente: de vida, a alma; e de luz, a mente. E todas as coisas do mundo sensível permaneceram assim até o fim de um período e até as origens das espécies.

Escuta o resto, o discurso que queres escutar: cumprido o período, a conjunção de todas as coisas foi solta pela vontade de Deus; pois todos os viventes, sendo macho-fêmeas, separaram-se conjuntamente com o homem e vieram a ser os machos em parte e as fêmeas semelhantemente. E Deus logo disse uma palavra santa:

"Crescei em crescimento e multiplicai em multidão todas as criaturas e obras; e o sensato reconheça a si sendo imortal, e reconheça que a causa da morte é o eros, e reconheça todos os seres."

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / Libellus I - Poimandres de Hermes Trismegisto

O Hino de Louvor ao Pai

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O Hino de Louvor ao Pai

Ao concluir a revelação recebida de Poimandres, Hermes eleva uma oração de louvor a Deus. Diferentemente das explicações filosóficas apresentadas ao longo do tratado, este trecho assume a forma de um hino sagrado, no qual o conhecimento adquirido transforma-se em adoração.

O texto demonstra que a gnose não conduz apenas ao entendimento intelectual, mas também à contemplação, ao reconhecimento da majestade divina e à gratidão.

No Hermetismo, o conhecimento verdadeiro culmina naturalmente no louvor ao Pai.

A santidade de Deus

Hermes proclama sucessivamente a santidade de Deus, exaltando diferentes aspectos de sua natureza.

"Santo é Deus e Pai de todos."

Deus é apresentado como o princípio universal de toda a existência, origem comum de tudo o que existe.

"Santo é Deus, cuja vontade é cumprida pelas suas próprias potências."

Toda a criação manifesta a vontade divina por intermédio das potências que procedem do próprio Deus. Nada atua independentemente de sua Inteligência.

"Santo é Deus, que quer ser conhecido e é conhecido pelos seus."

Segundo o Corpus Hermeticum, Deus não permanece oculto por desejar esconder-se, mas torna-se conhecido por aqueles que voltam sua mente para Ele através da gnose.

"Santo és, que tens constituído por ti os seres com a palavra."

A criação é novamente atribuída ao Logos, a Palavra divina por meio da qual todas as coisas foram estabelecidas.

"Santo és, cuja toda natureza produziu uma imagem."

Toda a Natureza manifesta reflexos da realidade divina. A criação torna-se uma imagem da ordem e da beleza que procedem de Deus.

"Santo és, que a natureza não formou."

Embora tudo tenha origem em Deus, Deus não pertence à Natureza nem foi produzido por ela. Ele permanece anterior e superior à própria criação.

"Santo és, o mais forte do que a potência."

Toda força existente encontra seu fundamento naquele que está acima de toda potência.

"Santo és, o maior do que toda proeminência."

Nenhuma autoridade, dignidade ou grandeza pode ser comparada à supremacia divina.

"Santo és, o melhor que os louvores."

Nenhuma palavra humana é capaz de expressar plenamente a grandeza de Deus.


O verdadeiro sacrifício

Hermes prossegue dizendo:

"Recebe os sacros sacrifícios racionais de alma e coração..."

O tratado não apresenta aqui um sacrifício material.

O oferecimento agradável a Deus é constituído pela:

  • alma;

  • coração;

  • razão;

  • devoção sincera.

Deus é ainda chamado de:

  • Inexprimível ;
    Inefável ;
    Aquele que é chamado em silêncio .
    Esses títulos indicam que a realidade divina ultrapassa qualquer linguagem humana. Existe um nível de contemplação em que o silêncio torna-se mais adequado do que as palavras.


    O pedido pela gnose

    Depois do louvor, Hermes apresenta seu pedido.

    Ele não solicita riquezas, poder ou benefícios materiais.

    Sua oração concentra-se inteiramente na sabedoria.

    "Que não sejamos destituídos da gnose referente à nossa essência."

    A gnose aparece novamente como o maior bem que o homem pode receber.

    Conhecer a própria essência significa recordar a origem divina da alma e permanecer unido ao Pai.

    Hermes pede ainda:

    "Consente a mim e me investe de potência."

    Essa potência não é solicitada para benefício próprio.

    Ela possui uma finalidade claramente espiritual.


    A missão de iluminar os homens

    Hermes declara qual será o propósito da potência recebida.

    "Iluminarei os que estão na ignorância do gênero humano, meus irmãos, mais ainda teus filhos."

    A revelação recebida transforma-se imediatamente em responsabilidade.

    Quem conhece a verdade deve compartilhá-la.

    O tratado apresenta toda a humanidade como pertencente à mesma origem divina.

    Por isso Hermes chama os homens de:

    • meus irmãos ;
      teus filhos .


      A profissão de fé

      O tratado encerra-se com uma declaração de confiança.

      "Por isso, creio e testifico: eu vou para vida e luz."

      Essa afirmação resume toda a jornada descrita ao longo do Poimandres.

      O homem parte da ignorância, recebe a revelação do Nous, conhece sua verdadeira origem, supera a escravidão da Heimarmene e retorna à Vida e à Luz, princípios dos quais procedeu.

      Hermes conclui sua oração dizendo:

      "Bendito és, Pai; a tua humanidade quer consagrar contigo, conforme entregaste toda a autoridade a ela."

      O tratado termina reafirmando a dignidade concedida ao ser humano. Criado à imagem de Deus e chamado à divinização, o homem encontra sua realização não no domínio do mundo sensível, mas na consagração de toda a sua existência ao Pai.


Fonte original colada

Santo é Deus e Pai de todos.

Santo é Deus, cuja vontade é cumprida pelas suas próprias potências.

Santo é Deus, que quer ser conhecido e é conhecido pelos seus.

Santo és, que tens constituído por ti os seres com a palavra.

Santo és, cuja toda natureza produziu uma imagem.

Santo és, que a natureza não formou.

Santo és, o mais forte do que a potência.

Santo és, o maior do que toda proeminência.

Santo és, o melhor que os louvores.

Recebe os sacros sacrifícios racionais de alma e coração, dedicados a ti, ó Inexprimível, ó Inefável, tu que és chamado em silêncio.

Ao que se solicita que não sejamos destituídos da gnose referente à nossa essência; consente a mim e me investe de potência, e iluminarei os que estão na ignorância do gênero humano, meus irmãos, mais ainda teus filhos, através dessa graça.

Por isso, creio e testifico:

Eu vou para vida e luz.

Bendito és, Pai. A tua humanidade quer consagrar contigo, conforme entregaste toda a autoridade a ela.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / LIBELLUS II A - De Hermes para Tat

O Movimento do Universo

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A partir dessa reflexão, o tratado introduz temas fundamentais da metafísica hermética, como o incorpóreo, o inteligível, Deus e a origem do movimento no cosmos.

Fonte original colada

— Que seja concordado.

Portanto, o espaço é incorporal, mas o incorporal ou é divino ou é Deus. Porém eu estou falando agora do divino, não do engendrado, mas do inengendrado.

Se, pois, for divino, é essencial; porém, se for Deus, também vem a ser sem essência. E, de outra maneira, é inteligível.

CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / CORPUS HERMETICUM Graecum / LIBELLUS II A - De Hermes para Tat

Deus, o Bem Supremo e a Natureza do Ser

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Neste trecho, Hermes Trismegistos desenvolve uma das ideias mais profundas de toda a filosofia hermética: a identidade entre Deus e o Bem. O tratado procura demonstrar que tudo aquilo que existe procede do Ser, enquanto o Bem pertence exclusivamente a Deus, sendo impossível encontrá-lo em sua plenitude em qualquer outro ser.

O Bem não é uma qualidade de Deus; o Bem é a própria natureza de Deus.

O Ser e o não ser

Hermes inicia explicando que tudo aquilo que veio à existência procede do que verdadeiramente existe.

As coisas existentes possuem a capacidade de gerar outras existências, enquanto o não ser não possui qualquer poder criador.

Segundo o tratado:

  • o não ser não pode produzir o ser;

  • tudo o que existe tem origem no que já possui existência;

  • o ser nunca procede da inexistência absoluta.


Deus como causa de todas as coisas

Hermes faz então uma afirmação importante.

Deus não é o Nous, mas o causador do Nous.

Da mesma forma, afirma que Deus:

  • não é o Pneuma, mas a causa do Pneuma;

  • não é a Luz, mas a causa da Luz.

Isso significa que todas essas realidades procedem de Deus, mas nenhuma delas esgota sua natureza.

Tabela – Deus e os princípios da criação

Princípio

Relação com Deus

Nous

Deus é sua causa.

Pneuma

Deus é sua causa.

Luz

Deus é sua causa.


O Bem pertence somente a Deus

Hermes declara que apenas Deus pode receber plenamente o título de Bom.

Nenhum:

  • homem;

  • daimon;

  • ou mesmo os demais deuses;

possui o Bem por natureza.

Segundo o tratado:

"Esse é o Único e não há nenhum outro."

Todas as demais coisas possuem corpo, alma ou alguma limitação própria da criação.

Por isso, não conseguem conter a plenitude do Bem.


A grandeza do Bem

Hermes amplia essa ideia afirmando que a grandeza do Bem corresponde à totalidade da existência.

O Bem abrange:

  • os seres corpóreos;

  • os seres incorpóreos;

  • os inteligíveis;

  • os sensíveis.

Tudo encontra sua origem no Bem.

Por isso afirma:

"Isso é o Bem, isso é Deus."

No Hermetismo, Deus e o Bem são inseparáveis. Onde está a origem de toda existência, ali está também o Bem absoluto.


O erro dos homens sobre o Bem

Hermes observa que praticamente todos pronunciam a palavra bem, mas poucos compreendem seu verdadeiro significado.

Segundo o tratado, muitos chamam:

  • homens;

  • deuses;

  • ou outras realidades;

de "bons".

Entretanto, isso ocorre por ignorância.

O Bem não é um título honorífico.

Ele pertence exclusivamente à natureza de Deus.


Deus dá tudo e nada recebe

Hermes apresenta uma definição simples e profunda.

"O que dá todas as coisas e nada recebe é bom."

Segundo o tratado:

  • Deus concede todas as coisas;

  • Deus nada necessita receber;

  • por isso, Deus é o Bem.

A capacidade de doar sem depender de nada manifesta a perfeição da natureza divina.

Tabela – Características do Bem

O Bem

Segundo o tratado

Todas as coisas.

Recebe

Nada.

Natureza

Exclusivamente divina.

Identidade

O próprio Deus.


Deus como Pai

Hermes acrescenta outro título exclusivo de Deus.

Além de Bem, Deus é chamado de Pai.

Esse nome deriva do fato de ser o autor e o gerador de todas as coisas.

Segundo o tratado, criar pertence propriamente ao Pai.

Por isso, a geração da vida recebe enorme importância dentro da obra.


A geração da vida

O tratado afirma que gerar filhos constitui uma das maiores responsabilidades da existência humana.

Segundo o texto, participar da geração significa cooperar com a continuidade da criação.

Por essa razão, considera extremamente infeliz aquele que deixa esta vida sem descendência.

Hermes afirma que, após a morte, a alma daquele que permaneceu sem filhos sofre uma punição imposta pelos daimones, permanecendo privada das características próprias do homem e da mulher.


A contemplação da natureza

Hermes encerra dizendo a Asclépio que tudo aquilo que foi exposto constitui apenas um anúncio da natureza de todas as coisas.

O ensinamento apresentado até aqui não pretende esgotar o conhecimento da realidade.

Ao contrário, funciona como uma introdução à contemplação da ordem divina presente em toda a criação.


Fonte original colada
2Deus como o Bem Supremo e Pai de Todas as Coisas

Com efeito, nem há nenhum não ser que ele não tenha deixado completo, mas todas as coisas que vieram a ser são provenientes das coisas existentes, não das não existentes. Pois as não existentes não têm a natureza de poder vir a ser, mas de não poder vir a ser algo e, por sua vez, as existentes não têm a natureza de nunca ser.

"Então, o que queres dizer do não ser nunca?"

Portanto, Deus não é Nous, mas é o causador do ser Nous; nem do Pneuma, mas o causador do ser Pneuma; nem Luz, mas o causador do ser Luz.

Donde é necessário reverenciar Deus por esses dois títulos, os quais têm sido aplicados somente a ele e a nenhum outro. Pois nem algum dos outros chamados deuses, nem dos homens, nem dos daimones, pode, segundo a grandeza, ser bom, exceto somente Deus.

E esse é o Único, e não há nenhum outro.

Porém todas as outras coisas são incapazes da natureza do Bem; pois são o corpo e a alma, não tendo lugar que pode comportar o Bem.

Pois tal é a grandeza do Bem tanto quanto é a existência de todos os seres, incorpóreos como corpóreos, e dos sensíveis e dos inteligíveis.

Isso é o Bem; isso é Deus.

Portanto, não digas que alguma coisa é boa porque, por sua vez, serás ímpio, ou que Deus é alguma outra coisa, exceto somente o Bem.

Assim, portanto, o Bem é pronunciado em palavra por todos, porém não é nunca entendido por todos o que ele é. Por isso, Deus não é entendido por todos, mas, pela ignorância, chamam os deuses e alguns dos homens de bons, nunca podendo esses ser nem vir a ser bons por natureza; pois o Bem é inalienável e inseparável de Deus, sendo ele o próprio Deus.

Assim, portanto, todos os outros deuses imortais têm sido honrados pelo título de deus; porém Deus é o Bem, não segundo a honra, mas segundo a natureza; pois uma é a natureza de Deus, o Bem, e só há uma única espécie de ambos, da qual todas as espécies se originam.

Pois o que dá todas as coisas e o que nada recebe é bom. Portanto, Deus dá todas as coisas e nada recebe; portanto, Deus é o Bem, e o Bem é Deus.

Porém o outro título é o de Pai, também por causa da feitoria de todas as coisas; pois o fazer é do pai.

Por isso, a procriação é a maior e a mais piedosa solicitude na vida para os sábios, e o maior infortúnio e impiedade é que alguém sem filho dentre os seres humanos deixe a vida, e esse seja condenado pelos daimones depois da morte.

Porém sua punição é esta: que a alma do sem filho seja condenada, não tendo nem a característica sexual de homem nem de mulher, como o que é execrado abaixo do Sol.

Portanto, ó Asclépio, não regozijes com nenhum ser sem filho; pelo contrário, porém, apieda-te da infelicidade, sabendo como a condenação permanece lá.

Quantas e tantas coisas sejam ditas, ó Asclépio, é apenas um prognóstico da natureza de todas as coisas.

Libellus III — Discurso Sagrado de Hermes

A Manifestação do Cosmos e o Ciclo da Renovação

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Diferentemente de uma narrativa histórica, o texto expõe uma visão simbólica da criação, mostrando como Deus, por meio de sua potência, estabelece a ordem do cosmos e conduz todas as coisas segundo um movimento contínuo de geração, dissolução e renovação.

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1Deus como Princípio de Todas as Coisas e a Ordem da Criação

Glória de todas as coisas é Deus: tanto ser divino quanto natureza divina.

Libellus V - De Hermes ao Filho Tat

Que Deus imanifesto é o mais manifesto

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O Deus Imanifesto

Neste trecho, Hermes apresenta um dos conceitos mais profundos de toda a filosofia hermética: Deus é invisível justamente porque é o fundamento de toda manifestação. Aquilo que os sentidos não conseguem perceber é, paradoxalmente, a realidade mais presente e mais verdadeira.

O que é absolutamente real não precisa aparecer para existir; é dele que todas as aparências surgem.

O Imanifesto é mais real que o manifesto

Hermes inicia afirmando:

"O que parece ser o imanifesto para muitos virá a ser mais manifesto para ti."

Essa frase parece contraditória, mas é justamente o centro da metafísica hermética.

Para Hermes:

  • tudo aquilo que aparece aos sentidos foi engendrado;

  • tudo o que foi engendrado possui um começo;

  • aquilo que possui começo também pode desaparecer.

Já Deus:

  • nunca começou;

  • nunca foi produzido;

  • portanto, nunca precisou aparecer para existir.


O manifestado depende do Imanifesto

Hermes explica uma relação fundamental.

Tudo aquilo que vemos existe porque algo invisível o sustenta.

"O imanifesto sempre existe, pois não necessita ser manifestado para existir."

Enquanto as criaturas precisam aparecer para serem conhecidas, Deus não depende da manifestação.

Pelo contrário:

  • Ele torna todas as coisas manifestas;

  • mas permanece acima de todas elas.

Tabela — Manifesto × Imanifesto

Manifesto

Imanifesto

Engendrado

Inengendrado

Possui forma

Não possui forma

É percebido pelos sentidos

É conhecido pela intelecção

Surge e desaparece

Existe eternamente

Depende da causa

É a própria causa


O Inengendrado é Um

Hermes afirma:

"O inengendrado plenamente e inaparente e imanifesto é Um."

Aqui aparece novamente a ideia da Unidade Absoluta, já apresentada em outros tratados.

Esse Um é:

  • anterior à criação;

  • anterior aos elementos;

  • anterior às formas;

  • anterior até mesmo à manifestação da luz.

Toda multiplicidade nasce dessa Unidade.


A oração ao Pai Único

Hermes então aconselha Tat a realizar uma oração.

Não para pedir bens materiais.

Mas para receber um único dom.

"Que possas encontrar favor para que um único raio resplandeça em teu pensamento."

Esse "raio" simboliza uma iluminação interior.

Não é o conhecimento adquirido pelos livros.

É uma compreensão direta da realidade divina.

Toda a gnose começa quando um único raio da inteligência divina ilumina a mente.


A intelecção contempla o invisível

Hermes faz uma distinção muito importante entre os sentidos e a mente.

Os olhos físicos contemplam apenas formas.

A intelecção (Nous) contempla aquilo que não possui forma.

Por isso afirma:

"Somente a intelecção vê o imanifesto."

Não se conhece Deus pelos sentidos.

Não se conhece Deus pela imaginação.

Não se conhece Deus apenas pelo raciocínio.

Conhece-se Deus pelo Nous, a inteligência espiritual.


A manifestação de Deus

Hermes afirma que Deus pode manifestar-se.

Mas essa manifestação não depende da vontade humana.

"O Senhor é livre para se manifestar através de todo o mundo."

Isso significa que Deus:

  • permanece invisível por natureza;

  • porém pode tornar-se perceptível à mente purificada.

Não porque mudou.

Mas porque a consciência tornou-se capaz de percebê-Lo.


A imagem de Deus está dentro do homem

Hermes encerra com uma pergunta profundamente filosófica.

"Podes contemplar a imagem de Deus?"

Em seguida afirma algo ainda mais surpreendente:

"O manifesto está em ti e por ti."

Isso significa que o homem é o lugar onde Deus pode tornar-Se conhecido.

O caminho da busca não é apenas exterior.

É interior.


Conceitos-chave

Conceito

Significado

Imanifesto

Deus em sua essência eterna, anterior a toda manifestação.

Manifesto

Tudo aquilo que foi criado e pode ser percebido pelos sentidos.

Inengendrado

Aquilo que nunca foi criado e sempre existiu.

Um

A Unidade Absoluta, origem de toda a multiplicidade.

Intelecção (Nous)

Faculdade espiritual capaz de conhecer o invisível.

Raio divino

Iluminação interior concedida por Deus à mente.

Resumo0

Hermes ensina que Deus é chamado de imanifesto não porque esteja ausente, mas porque Sua existência não depende de aparecer aos sentidos. Tudo o que vemos é manifestado porque foi criado; Deus, sendo eterno e inengendrado, permanece além das formas. Apenas o Nous, a inteligência espiritual, pode contemplá-Lo. A verdadeira oração consiste em pedir que um único raio dessa luz ilumine a mente, permitindo reconhecer que a própria imagem de Deus habita no interior do homem.
A Ordem do Cosmos

Hermes continua explicando como aquilo que chamou de Deus Imanifesto pode ser conhecido. Se Deus não possui forma, não pode ser diretamente captado pelos sentidos; entretanto, suas obras são visíveis por toda parte.

O caminho proposto agora é contemplar o próprio Cosmos: o Sol, a Lua, as estrelas, seus movimentos, medidas e proporções.

O Imanifesto torna-se manifesto através da ordem presente em suas obras.

Deus Conhecido por Suas Obras

Hermes orienta Tat:

"Se queres vê-lo, pensa no Sol, pensa no curso da Lua, pensa na ordem das estrelas."

Não significa que o Sol seja o próprio Deus Supremo. O argumento é que, contemplando a regularidade dos fenômenos cósmicos, a mente pode começar a perceber aquilo que está por trás deles.

Hermes parte de uma pergunta:

Quem preserva essa ordem?

Se existem:

  • ciclos;

  • movimentos;

  • proporções;

  • medidas;

  • posições;

  • limites;

então existe, segundo o raciocínio hermético do texto, um princípio ordenador que torna essa estrutura possível.

Número, Espaço e Medida

Uma frase importante aparece:

"Toda ordem tem sido delimitada por número e espaço."

Aqui, número não deve ser entendido somente no sentido matemático moderno.

Ele representa proporção, medida e organização.

O Cosmos não aparece como algo aleatório, mas como algo ordenado segundo relações determinadas.

Conceito

Sentido no trecho

Número

Proporção e determinação

Espaço

Lugar ocupado por cada coisa

Medida

Limite que impede o indeterminado

Ordem

Organização das partes do Cosmos

Movimento

Atividade realizada dentro dessa ordem

Assim, ordem, número e medida são sinais da atuação divina no mundo.


O Sol e a Hierarquia Celeste

Hermes utiliza então o Sol como o exemplo máximo dessa ordem visível.

Ele o chama de:

"O maior deus dos deuses no céu."

Dentro da cosmologia apresentada pelo texto, o Sol ocupa uma posição central entre os poderes celestes.

Mas Hermes imediatamente apresenta outra questão.

Se até mesmo o Sol possui:

  • movimento;

  • posição;

  • função;

  • relação com os outros astros;

quem determina aquilo que o próprio Sol deve fazer?

Essa pergunta é fundamental.

Hermes está conduzindo Tat para além do Sol.

Mesmo aquilo que parece gigantesco e divino dentro do Cosmos encontra-se submetido a uma ordem superior.

A pergunta por trás da pergunta

Quando Hermes pergunta:

"Quem ele respeita e quem ele teme, ó filho?"

ele está procurando aquilo que está acima da própria ordem cósmica visível.

Portanto, podemos representar a ideia assim:

Deus → Ordem → Cosmos → Astros → Mundo sensível

Quanto mais Tat contempla a ordem, mais sua mente é conduzida em direção à sua origem.


Quem Estabeleceu os Limites?

Hermes amplia seu argumento:

"Quem é o que tem atribuído limites ao mar? Quem é o que tem assentado a terra?"

Agora ele deixa de observar apenas os céus e olha para a própria Terra.

A mesma ordem aparece.

O mar possui limites.

A Terra possui estabilidade.

Os astros possuem trajetórias.

O Cosmos possui estrutura.

E Hermes conclui:

"Pois existe alguém, ó Tat, o feitor e senhor de todas essas coisas."

Esse Feitor é o princípio responsável pela organização do Todo.

Dar limite significa transformar o indeterminado em algo determinado.

Aquilo que poderia estar disperso passa a possuir:

forma → posição → proporção → função → ordem.

É dessa maneira que o Cosmos deixa de ser caos e torna-se Cosmos, isto é, um Todo ordenado.

Criar não significa apenas produzir coisas; significa estabelecer ordem, proporção, medida e lugar.


Até a Desordem Está Dentro da Ordem

Hermes introduz então uma ideia mais sutil.

Mesmo aquilo que parece desordem não consegue escapar completamente do princípio ordenador.

Ele afirma que até aquilo que apresenta:

  • incompletude;

  • irregularidade;

  • incomensurabilidade;

continua existindo dentro de uma realidade governada pelo princípio superior.

Portanto, a desordem não constitui um segundo princípio independente rivalizando com Deus.

Ela continua subordinada ao Todo.

Não é isso que o texto está propondo.

A Ordem é soberana.

Aquilo que percebemos como desordem ocorre dentro dela e não fora dela.


A Visão do Cosmos do Alto

Então Hermes muda a perspectiva.

Ele pede que Tat imagine algo extraordinário:

"Se somente fosse possível a ti, vindo a ser alado, voar no ar..."

Imagine abandonar momentaneamente a perspectiva limitada de alguém sobre a superfície terrestre.

Subir.

E observar simultaneamente:

  • a Terra;

  • o mar;

  • os rios;

  • o ar;

  • o fogo;

  • as constelações;

  • o movimento do céu.

Hermes está propondo uma espécie de contemplação cósmica.

Por que observar de cima?

Porque quando observamos somente uma pequena parte da realidade, podemos enxergar caos.

Mas quando ampliamos a perspectiva, começamos a perceber relações.

Aquilo que isoladamente parecia desconectado passa a fazer parte de uma estrutura maior.

Essa é uma ideia muito forte dentro deste trecho:

a compreensão aumenta conforme a consciência deixa de observar somente as partes e começa a contemplar o Todo.


O Imóvel que Move

É então que surge uma das imagens filosóficas mais importantes do trecho:

"O imóvel se movimentando por si só."

Há aqui um paradoxo deliberado.

O Cosmos inteiro está em movimento:

estrelas se movem;

planetas se movem;

águas se movem;

o fogo se eleva;

o ar circula;

os seres nascem e morrem.

Entretanto, por trás dessa transformação existe um princípio permanente.

O movimento acontece.

O princípio permanece.

Podemos representar assim:

Mundo Manifesto

Princípio Divino

Movimento

Permanência

Mudança

Eternidade

Multiplicidade

Unidade

Formas

Sem forma

Visível

Invisível

Engendrado

Inengendrado

Isso conecta diretamente esta passagem com o trecho anterior.


O Imanifesto se Torna Visível

Hermes finalmente fecha o raciocínio:

"O imanifesto sendo manifestado através das coisas que ele faz."

Aqui está a resposta para o aparente paradoxo apresentado anteriormente.


A Ordem do Mundo

A última frase sintetiza todo o ensinamento:

"Essa é a ordem do mundo e esse é o mundo da ordem."

Não é apenas dizer que existe ordem dentro do Universo.

É algo mais profundo.

Para Hermes, o próprio Cosmos é expressão dessa ordem.

Deus permanece Imanifesto em sua essência, mas torna-se reconhecível através daquilo que produz.

Assim:

Deus é invisível → sua potência produz → a criação manifesta → a ordem aparece → o homem contempla → o Nous reconhece a origem.

Não se vê Deus como uma coisa dentro do Universo; reconhece-se Deus através da ordem pela qual o próprio Universo existe.

Ligação com o trecho anterior

No texto anterior, Hermes havia dito que somente a intelecção poderia contemplar o Imanifesto.

Agora ele explica como essa contemplação começa.

Primeiro contemplamos aquilo que está diante de nós.

Depois procuramos sua causa.

Sol → Lua → estrelas → movimentos → proporções → ordem → causa da ordem → Deus.

Portanto, contemplar a Natureza não é o objetivo final.

É uma escada.

A mente começa nas coisas visíveis e, através delas, sobe intelectualmente até aquilo que não pode ser visto.

É justamente nesse sentido que "Deus imanifesto é o mais manifesto": Ele não aparece como mais um objeto entre os objetos porque é o princípio que possibilita que todos os objetos, movimentos, medidas e ordens existam.

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O Homem como Obra do Demiurgo

Neste trecho, Hermes muda o foco da contemplação do Cosmos para o ser humano. Se antes ele utilizava o Sol, a Lua e as estrelas para demonstrar a existência de uma Inteligência ordenadora, agora ele afirma que o próprio corpo humano é uma prova ainda mais próxima da atuação do Deus Imanifesto.

Quem contempla verdadeiramente a estrutura do homem encontra sinais da sabedoria do Criador.

A Anatomia como Revelação da Inteligência Divina

Hermes convida Tat a observar atentamente a formação do homem ainda no ventre materno.

Em vez de apresentar respostas imediatas, ele formula uma longa sequência de perguntas:

Quem contornou os olhos?

Quem furou as narinas e os ouvidos?

Quem abriu a boca?

Quem estendeu os tendões?

Quem distribuiu as veias?

Quem fortaleceu os ossos?

Quem revestiu a carne com pele?

Quem separou os dedos?

Quem modelou o coração?

Essas perguntas possuem um propósito filosófico: levar o discípulo à contemplação da extraordinária organização presente no corpo humano.

Cada órgão, cada estrutura e cada função revelam uma ordem que dificilmente poderia ser considerada fruto do acaso dentro da perspectiva apresentada pelo texto.


A Harmonia da Criação

Hermes destaca que todas essas estruturas surgem de uma única matéria, mas produzem funções completamente diferentes.

Ele chama atenção para três características da criação:

  • unidade de origem ;
    diversidade de funções ;
    perfeita proporção .

    Tabela — Características da criação humana

    Observação de Hermes

    Significado

    Uma única matéria

    Toda a formação parte da mesma substância.

    Muitas técnicas

    Cada órgão possui uma função específica.

    Tudo exatamente medido

    Nada aparece sem proporção ou finalidade.

    Tudo diferente

    A diversidade não destrói a unidade da criação.

    Essa diversidade organizada reforça a ideia apresentada anteriormente de que o Cosmos inteiro manifesta uma Inteligência ordenadora.


    Quem é o verdadeiro Artífice?

    Depois da longa contemplação do corpo humano, Hermes faz a pergunta central:

    "Quem fez todas essas coisas?"

    Em seguida responde:

    "Senão o Deus imanifesto, tendo criado todas as coisas pela vontade de si mesmo?"

    Aqui reaparece um dos principais ensinamentos do Hermetismo:

    O Deus Imanifesto não trabalha como um artesão material.

    Sua criação acontece por sua Vontade.

    Ela não necessita de ferramentas nem de matéria externa.

    Toda a criação procede diretamente do querer divino.

    A Vontade de Deus é apresentada como a causa imediata da ordem e da vida.


    A Analogia do Escultor

    Hermes utiliza então um exemplo simples.

    Ele afirma:

    "Ninguém diz que uma estátua veio a ser sem escultor ou sem pintor."

    Se uma pequena obra humana exige um autor reconhecido, quanto mais o próprio homem.

    A comparação estabelece um raciocínio por analogia:

    Obra

    Autor

    Estátua

    Escultor

    Pintura

    Pintor

    Corpo humano

    Demiurgo

    O objetivo não é provar filosoficamente a existência de Deus, mas despertar no discípulo a percepção de que toda obra organizada pressupõe um princípio ordenador.


    A Cegueira Espiritual

    Hermes reage com forte indignação diante da possibilidade de alguém admirar a criação sem reconhecer seu Autor.

    Ele exclama:

    "Oh, que grande cegueira!"

    "Oh, que grande impiedade!"

    "Oh, que grande imprudência!"

    Essas expressões revelam que, para Hermes, a verdadeira ignorância não consiste em desconhecer detalhes da natureza, mas em contemplar a ordem do Universo e não reconhecer sua origem.

    É uma incapacidade interior de perceber aquilo que está sendo continuamente manifestado através da criação.


    O Demiurgo como Pai

    Hermes conclui com uma das definições mais importantes do trecho.

    "Tal é o Pai de todas as coisas."

    E acrescenta:

    "Essa é sua obra por si: ser Pai."

    Essa afirmação amplia o conceito de criação.

    Deus não é apresentado apenas como um construtor do Universo.

    Ele é chamado de Pai, porque:

    • gera;

    • sustenta;

    • organiza;

    • conserva;

    • mantém a existência de todas as coisas.

    Tabela — Os títulos de Deus neste trecho

    Título

    Significado

    Deus Imanifesto

    A causa invisível de toda manifestação.

    Demiurgo

    O Artífice que organiza e produz a criação.

    Pai

    A origem viva de todos os seres.


    Relação com os trechos anteriores

    Este capítulo desenvolve a mesma linha apresentada anteriormente.

    Primeiro Hermes mostrou que:

    • o Cosmos revela Deus pela ordem dos astros.

    Agora amplia essa contemplação:

    • o homem revela Deus pela perfeição de sua constituição.

    Assim, o discípulo é conduzido da contemplação do grande Universo (macrocosmo) para a contemplação do próprio ser humano (microcosmo).

    Ambos manifestam a mesma Inteligência criadora.

    Assim como a ordem do céu aponta para o Criador, a estrutura do homem também testemunha silenciosamente a sabedoria do Demiurgo.
    ```markdown

    Deus como Totalidade do Ser

    Neste trecho, Hermes leva sua exposição ao ponto mais elevado da teologia hermética. Depois de mostrar Deus através da ordem do cosmos e da estrutura do homem, ele afirma que Deus não é apenas o Criador, mas o próprio fundamento de toda existência. Tudo existe nele, por ele e através dele.

    Deus não apenas criou todas as coisas; Ele é a realidade na qual todas as coisas existem.

    A Essência de Deus é criar

    Hermes afirma:

    "A essência desse é o criar e fazer todas as coisas."

    Aqui, criar não é entendido como um acontecimento ocorrido apenas no início do universo. A criação é apresentada como uma atividade contínua.

    Deus cria continuamente.

    Se Ele deixasse de criar, toda a existência cessaria imediatamente.


    A Criação Permanente

    Hermes amplia essa ideia dizendo que Deus atua:

    • no céu;

    • no ar;

    • na terra;

    • no abismo;

    • em todas as coisas do mundo;

    • em todas as coisas do Todo.

    Não existe uma região onde a ação divina esteja ausente.

    Tabela — Alcance da ação criadora

    Região

    Presença da ação divina

    Céu

    Sim

    Ar

    Sim

    Terra

    Sim

    Abismo

    Sim

    Todo o Cosmos

    Sim

    Todo o Ser

    Sim

    Assim, Deus não atua apenas em determinados lugares; Sua atividade permeia toda a existência.


    O Ser e o Não Ser

    Hermes escreve uma frase profunda:

    "As existentes ele manifestou, porém, as não existentes ele tem em si mesmo."

    Essa passagem exige atenção.

    No contexto hermético, "não existentes" não significa simplesmente "aquilo que não existe".

    Refere-se às possibilidades ainda não manifestadas.

    Podemos compreender da seguinte forma:

    • Existentes → aquilo que já se manifestou.
      Não existentes → aquilo que permanece em potência no próprio Deus.


      O Deus Imanifesto e o Mais Manifesto

      Hermes retoma uma ideia central dos capítulos anteriores:

      "Deus é o melhor nome, esse é o imanifesto, esse é o mais manifesto."

      À primeira vista parece uma contradição.

      Como algo pode ser invisível e, ao mesmo tempo, o mais visível?

      A resposta é a mesma desenvolvida anteriormente.

      Deus permanece invisível em Sua essência, mas manifesta-se continuamente através de Suas obras.

      Assim:

      • é imanifesto em si;

      • é manifesto em tudo aquilo que existe.

      Toda manifestação do universo é uma expressão da presença invisível de Deus.


      O Incorpóreo e Omnicorpóreo

      Hermes descreve Deus com uma sequência de expressões aparentemente paradoxais:

      "Esse é o incorpóreo, multicorpóreo, mas principalmente omnicorpóreo."

      Cada expressão possui um significado específico.

      Tabela — Os atributos apresentados

      Expressão

      Significado

      Incorpóreo

      Deus não possui um corpo limitado.

      Multicorpóreo

      Manifesta-se através de inúmeras formas.

      Omnicorpóreo

      Todas as formas existentes dependem dele e expressam sua presença.

      Hermes não afirma que Deus seja idêntico às criaturas, mas que nenhuma delas existe separadamente da realidade divina.


      Todos os nomes pertencem a Deus

      Hermes afirma:

      "Nada é que ele não é."

      E continua:

      "Ele tem todos os nomes."

      Por quê?

      Porque todos os seres procedem do mesmo Pai.

      Assim, cada qualidade existente encontra sua origem na própria divindade.

      Isso não significa que Deus seja apenas a soma das criaturas.

      Significa que toda perfeição encontrada nelas possui sua fonte nele.


      Não Existe um Lugar Fora de Deus

      Hermes inicia então um verdadeiro hino.

      Pergunta:

      "Onde te bendirei?"

      Em seguida responde implicitamente:

      • acima?

      • abaixo?

      • dentro?

      • fora?

      Nenhuma dessas direções serve.

      Por quê?

      Porque Deus não ocupa um espaço determinado.

      Hermes conclui:

      "Não há direção, não há lugar ao redor de ti."

      O universo inteiro existe em Deus.

      Não existe um "fora" da realidade divina.


      Tudo Está em Deus

      Hermes sintetiza sua visão:

      "Todas as coisas estão em ti, todas as coisas vêm de ti."

      Esse talvez seja um dos princípios mais importantes de toda a metafísica hermética.

      Podemos representar assim:

      Deus

      Origina todas as coisas

      Sustenta todas as coisas

      Todas permanecem nele

      Essa ideia reaparece diversas vezes ao longo do Corpus Hermeticum.


      Deus Nada Recebe

      Hermes continua:

      "Tu todas as coisas dás e nada recebes."

      Isso ocorre porque Deus já possui a plenitude.

      Nada pode ser acrescentado àquilo que é absoluto.

      Ele doa sem diminuir.

      Cria sem perder.

      Sustenta sem necessitar receber.

      Ela manifesta Sua abundância.


      O Hino da Unidade

      Hermes então faz uma pergunta profundamente contemplativa.

      "Como te cantarei hinos?"

      Ele percebe que qualquer forma de louvor parece insuficiente.

      Não existe:

      • tempo;

      • lugar;

      • direção;

      capazes de conter Deus.

      Então surge uma das afirmações mais belas do tratado:

      "Tu és o que eu for, tu és o que eu fizer, tu és o que eu disser."

      Essa frase expressa que toda existência depende continuamente da presença divina.

      Não existe ação, pensamento ou ser separado absolutamente de Deus.


      Os Títulos de Deus

      Hermes encerra reunindo diversos nomes divinos.

      Título

      Significado

      Nous

      Porque pode ser conhecido pela inteligência espiritual.

      Pai

      Porque gera todas as coisas.

      Deus

      Porque governa e opera continuamente.

      Bom

      Porque cria e sustenta toda a existência.

      Cada nome revela um aspecto diferente da mesma realidade.


      A Hierarquia da Sutileza

      O trecho termina com uma sequência interessante:

      "O ar é mais minucioso do que a matéria; e a alma, do que o ar; e a mente, do que a alma; e Deus, do que a mente."

      Hermes apresenta uma escala de níveis da realidade.

      Tabela — Escala hermética da realidade

      Nível

      Característica

      Matéria

      O mais denso.

      Ar

      Mais sutil que a matéria.

      Alma

      Mais sutil que o ar.

      Mente (Nous)

      Superior à alma.

      Deus

      Superior até mesmo ao Nous criado.

      Quanto mais elevado o nível, menos dependente ele é da matéria e mais próximo se encontra da fonte de toda existência.


      Conexão com os capítulos anteriores

      Este trecho conclui a sequência iniciada anteriormente:

      • primeiro, Hermes mostrou Deus através da ordem do Cosmos;

      • depois, através da perfeição do corpo humano;

      • agora, revela que Deus não apenas está presente nas coisas, mas que todas as coisas existem Nele e procedem Dele.

      O discípulo deixa de contemplar apenas as obras e passa a compreender que a própria existência é sustentada continuamente pela presença divina.

      Para Hermes, Deus não é apenas o Criador do universo; Ele é o Ser absoluto que sustenta, contém e vivifica todas as coisas, manifestando-se sem jamais deixar de permanecer Imanifesto.

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Fonte original colada

Libellus V — De Hermes ao Filho Tat Que Deus imanifesto é o mais manifesto.

1E este discurso, ó Tat, explicarei a ti, para que não sejas não iniciado nos mistérios do melhor nome, que é Deus. Porém compreenda como o que parece ser o imanifesto para muitos virá a ser mais manifesto para ti. Pois não existiria <sempre> se <não> fosse imanifesto. Pois tudo que é manifestado é engendrado; com efeito, foi manifestado; e o imanifesto sempre existe, pois não necessita ser manifestado para existir; com efeito, sempre existe. Sendo ele imanifesto, faz todas as outras coisas manifestas; como sempre existe, ele não é manifestado pelas coisas manifestas; <engendra> não sendo engendrado; mas todas as coisas <não são> de aparências sensíveis e em aparência sensível. Pois a aparência sensível é somente dos engendrados. Por isso, nada mais é o engendramento do que a aparência sensível. 2 E o inengendrado plenamente e inaparente e imanifesto é Um, mas todas as coisas de aparências sensíveis são manifestadas através de todas as coisas, em todas as coisas, e principalmente nas quais ele quiser ser manifesto. Portanto, tu, ó filho Tat, ora primeiramente ao Senhor e Pai e Único, e que não é o Um, mas de quem vem o Um; a fim de que possas encontrá-lo favorável a ti para resplandecer um raio, ainda que só um dele, em teu pensamento, e possas compreender tão grande Deus. Pois somente a intelecção, e como sendo ela imanifesta, vê o imanifesto. Se puderes, ele se manifestará aos olhos da mente, ó Tat; pois o Senhor é livre para se manifestar através de todo o mundo. Podes ver a intelecção e receber com as próprias mãos, e contemplar a imagem de Deus? Porém também, o manifesto está em ti e por ti. Como, †o si mesmo em ti mesmo†, através dos olhos, será manifestado a ti?3 Porém se queres vê-lo, pensa no Sol, pensa no curso da Lua, pensa na ordem das estrelas. Quem é o preservador da ordem? (Pois toda ordem tem sido delimitada por número e espaço). O Sol, o maior deus dos deuses no céu, ao qual todos os deuses celestes se submetem como a um rei e dinasta; e tão grande é esse, o maior que a Terra e o mar; retém, tendo sobre si mesmo as estrelas menores que ele, as quais abrem sulcos para ele passar; quem ele respeita e quem ele teme, ó filho? Havendo cada uma dessas estrelas, cada uma não faz o curso semelhante ou igual, estando no céu? Quem é o que define o modo e a grandeza do curso para cada uma?

4Essa Ursa, que gira em torno de si e tendo conduzido o mundo inteiro, quem é o que tem adquirido esse instrumento? Quem é o que tem atribuído limites ao mar? Quem é o que tem assentado a terra? Pois existe alguém, ó Tat, o feitor e senhor de todas essas coisas. Pois é impossível ser preservado ou lugar, ou número, ou medida, sem aquele que fez. Pois toda ordem é <feita, e somente a> excentralidade e a incomensurabilidade são não feitos. Porém essa não é insubordinada, ó filho. Pois, se também a desordem é incompleta, †quando restringe o modo da ordem†, também ainda não está abaixo do soberano que tem dado a ordem.

5Se somente fosse possível a ti, vindo a ser alado, voar no ar. E tendo sido elevado ao meio da terra e do céu, ver a solidez da terra, a onda que se espalha no mar, as correntezas dos rios, a liberação do ar, a agudez do fogo, o curso das constelações, a rapidez do céu, a proteção ao redor dos mesmos pontos; contemplar todas essas coisas desse espetáculo bem-aventurado, ó filho, por um só instante de tempo: o imóvel se movimentando por si só, e o imanifesto sendo manifestado através das coisas que ele faz. Essa é a ordem do mundo e esse é o mundo da ordem. 6 Se queres, também, contemplar através dos seres mortais sobre a terra e no abismo, considera, ó filho, o homem sendo gerado na barriga e examina exatamente a técnica da criação, e aprende quem é o que cria essa imagem bela e divina do homem. Quem é o que tem contornado os olhos? Quem é o que tem furado as narinas e os ouvidos? Quem é o que tem aberto a boca?

Quem é o que tem estendido e posto em rede os tendões? Quem é o que tem desviado por um canal as veias? Quem é o que tem feito sólidos os ossos?

Quem é o que tem vestido a pele na carne? Quem é o que tem separado os dedos? Quem é o que tem ampliado a planta aos pés? Quem é o que tem definido os poros? Quem é o que tem estendido o baço? Quem é o que tem feito o coração em forma de pirâmide? Quem é o que tem conjuntado os †tendões†? Quem é o que tem alargado o fígado? Quem é o que tem cavado o pulmão? Quem é o que fez o útero um espaço amplo? Quem é o que tem imprimido as coisas honrosas na coisa aparente e tem ocultado as coisas vergonhosas? ♦

7Veja quantas técnicas de uma única matéria e quantas obras de uma única descrição, e todas as coisas mui lindas e todas medidas exatamente, porém todas são diferentes. Quem fez todas essas coisas? Que tipo de mãe, que tipo de pai, senão o Deus imanifesto, tendo criado todas as coisas pela vontade de si mesmo?

8E, deveras, ninguém diz que ou estátua ou imagens têm vindo a ser sem escultor ou sem pintor. Porém essa obra veio a ser sem Demiurgo? Oh, que grande cegueira! Oh, que grande impiedade! Oh, que grande imprudência!

Nunca, ó filho Tat, prives as obras do Demiurgo ................... Mas ainda principalmente porque ele é maior †e tal é o nome de Deus †. Tal é o Pai de todas as coisas; pois esse é o Único, e essa é sua obra por si: ser Pai. 9 Porém se necessitas que eu diga algo mais desafiador, a essência desse é o criar e fazer todas as coisas, de maneira que sem aquele que faz, é impossível algo vir a ser assim como esse não pode sempre ser se não faz sempre todas as coisas no céu, no ar, na terra, no abismo, em todas as coisas do mundo, em todas as coisas do todo, no ser e no não ser. As existentes, deveras, ele manifestou, porém, as não existentes ele tem em si mesmo. 10 Deus é o melhor nome, esse é o imanifesto, esse é o mais manifesto; o visível pela mente, esse é perceptível pelos olhos; esse é o incorpóreo, multicorpóreo, mas principalmente omnicorpóreo. Nada é que ele não é. Pois todas as coisas <que> existem também ele é, e por isso, ele tem todos os nomes, porque são de Um Único Pai. Então, quem te bendirá abaixo de ti ou em direção a ti? Mas ainda, onde te bendirei, olhando em cima, embaixo, dentro ou fora? Pois não há direção, não há lugar ao redor de ti, nem outra coisa, nenhum dos seres; porém todas as coisas estão em ti, todas as coisas vêm de ti. Tu todas as coisas dás e nada recebes. Pois tens todas as coisas, e nada existe que não tenhas.

11Mas quando te cantarei hinos? Pois nem hora nem tempo pode te prender. Mas ainda, pelo que cantarei? Pelas coisas que criaste ou pelas que não criaste? Pelas que manifestaste ou pelas que ocultaste? E por que eu te cantarei? Como sendo de mim mesmo, como tendo algo próprio, como sendo outro? Pois tu és o que eu for, tu és o que eu fizer, tu és o que eu disser. Pois tu és todas as coisas, e nenhuma outra coisa existe: o que não existe, tu és. Tu és tudo o que tem vindo a ser, tu és tudo que não tem vindo a ser: nous por ser pensado; e Pai por criar; e Deus por operar; e Bom também por fazer todas as coisas. [Pois, deveras, o ar é mais minucioso do que a matéria; e a alma, do que o ar; e a mente, do que a alma; e Deus, do que a mente].

Libellus X - A Chave de Hermes Trismegistos

A Chave de Hermes Trismegistos

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Deus, o Bem e a Vontade Criadora

Neste trecho, Hermes aprofunda um dos temas centrais de toda a filosofia hermética: Deus não é apenas o Criador; sua própria essência é querer que todas as coisas existam. O Bem não é uma qualidade de Deus, mas a própria natureza de Deus.


O Bem como essência de Deus

Hermes inicia lembrando que o discurso é um resumo ("epítome") de ensinamentos maiores já transmitidos a Tat.

O ensinamento principal é que:

  • Deus

  • Pai

  • Bem

não são três realidades diferentes, mas três nomes para a mesma realidade suprema, observada sob aspectos diferentes.

  • Deus → o Ser absoluto.
    Pai → aquele que gera e sustenta todas as coisas.
    Bem → aquele cuja natureza é doar existência sem receber nada em troca.
    No Hermetismo, Deus é identificado diretamente com o Bem absoluto.

    A essência de Deus é querer que tudo exista

    Hermes faz uma afirmação extremamente profunda:

    "A energia desse é a vontade, e a essência dele é o querer que todas as coisas existam."

    Aqui aparecem dois conceitos importantes.

    Conceito

    Significado

    Essência

    Aquilo que Deus é em si mesmo.

    Energia

    A maneira como Deus atua e se manifesta.

    A essência divina não é permanecer imóvel.

    Sua própria essência consiste em:

    • gerar;

    • sustentar;

    • conservar;

    • fazer existir.

    Não porque precise do universo, mas porque é sua própria natureza.


    A Vontade como força criadora

    Segundo Hermes, Deus não cria por necessidade.

    Também não cria para completar algo que lhe falta.

    Ele cria porque:

    quer que o ser exista.

    Assim:

    ```

    Deus

    Vontade

    Existência

    Todos os seres

    ```

    A criação é consequência direta da vontade divina.


    O significado do Bem

    Hermes apresenta uma definição diferente da moral comum.

    O Bem não significa apenas:

    • bondade;

    • virtude;

    • justiça.

    O Bem é aquilo que:

    • produz existência;

    • concede vida;

    • sustenta tudo;

    • nada exige em troca.

    Por isso ele afirma:

    "O que é Deus, o Pai e o Bem, senão o ser de todos os entes?"


    Deus é a fonte do ser

    Uma frase difícil do texto afirma:

    "...o ser de todos os entes que ainda não são..."

    O sentido filosófico é que Deus contém em si a possibilidade de todos os seres, mesmo daqueles que ainda não apareceram no universo.

    Ou seja:

    Antes que algo exista...

    ...já existe como possibilidade na Vontade divina.

    Isso lembra uma sequência como:

    ```

    Vontade Divina

    Possibilidade

    Manifestação

    Ser existente

    ```


    O Sol como imagem do Pai

    Hermes faz uma distinção importante.

    O Sol gera vida.

    Mas não é a causa última da vida.

    Ele diz:

    O mundo e o Sol são pais da transformação das coisas.

    Mas:

    • o Sol transforma;

    • Deus faz existir.

    Assim:

    Deus

    Sol

    Origem do Ser

    Origem da vida física

    Causa primeira

    Instrumento da criação

    Bem absoluto

    Agente cósmico

    O Sol é um mediador da vida, não sua fonte absoluta.


    O Pai gera e alimenta

    Hermes amplia a ideia de Pai.

    O Pai não apenas gera.

    Também:

    • alimenta;

    • conserva;

    • sustenta.

    Por isso a imagem do Pai representa continuamente a Providência.

    ```

    Pai

    ├── gera

    ├── alimenta

    ├── sustenta

    └── conserva

    ```


    O Bem nada recebe

    Uma característica essencial aparece novamente.

    Deus:

    • dá tudo;

    • recebe nada.

    Isso ocorre porque nada pode ser acrescentado ao Absoluto.

    Se Deus pudesse receber algo, significaria que lhe faltava alguma coisa.

    Mas o Bem é completo.


    A diferença entre Deus e os demais criadores

    Hermes distingue Deus de qualquer outro agente criador.

    Todo ser criado:

    • faz algumas coisas;

    • deixa de fazer outras;

    • muda;

    • possui limites;

    • produz com quantidade e qualidade.

    Já Deus:

    • nunca deixa de agir;

    • nunca perde poder;

    • nunca diminui;

    • nunca muda sua natureza.

    Por isso Hermes afirma que somente Deus pode ser chamado plenamente de:

    • Pai;

    • Bem;

    • Criador.


    A manifestação do Bem

    Hermes conclui dizendo:

    "A coisa própria do Bem é ser o próprio Bem conhecido."

    Isso significa que o Bem tende naturalmente a revelar-se.

    Assim como:

    • a luz ilumina;

    • o fogo aquece;

    o Bem manifesta existência.

    Ele não permanece oculto por egoísmo.

    Sua natureza é irradiar.


    Estrutura Filosófica do trecho

    ```

    ├── Bem

    Deseja que tudo exista

    Criação

    Sustentação da existência

    ```


    Conceitos-chave

    Conceito

    Explicação

    Deus

    O Ser absoluto e origem de toda existência.

    Pai

    Aquele que gera, nutre e conserva todos os seres.

    Bem

    A própria natureza divina de conceder existência.

    Vontade

    Energia pela qual Deus cria e sustenta o universo.

    Energia

    A ação contínua da essência divina.


    Correspondências Herméticas

    Corpus Hermeticum

    Franz Bardon

    Observação

    Deus como fonte do Ser

    Akasha como princípio causal

    Ambos colocam uma realidade primordial anterior à manifestação.

    Vontade divina

    Vontade mágica disciplinada

    Em Bardon, a vontade humana procura refletir, em escala microcósmica, a ordem da Vontade universal.

    Bem que sustenta tudo

    Providência Divina

    Nos dois sistemas, a criação é sustentada continuamente por um princípio superior.


    Observações importantes

    • Neste tratado, o Bem não é uma norma moral, mas um princípio ontológico: aquilo que faz o ser existir.

    • Deus não cria por necessidade, desejo ou carência; a criação decorre de sua própria natureza.

    • A distinção entre Deus e o Sol mostra a diferença entre a causa primeira e as causas secundárias do universo.

    • A frase final indica que o Bem possui uma tendência natural à manifestação: conhecer verdadeiramente o Bem é aproximar-se da própria realidade divina.
      A Contemplação do Bem e a Divinização da Alma

      Neste trecho, Hermes descreve uma das experiências mais elevadas do caminho hermético: a contemplação direta do Bem. Essa contemplação não é um conhecimento intelectual, mas uma experiência transformadora, capaz de elevar a alma acima das limitações do corpo e conduzi-la à divinização. O texto também explica a diferença entre ignorância e gnose, mostrando que o destino da alma depende do conhecimento de Deus.


      A contemplação do Bem

      Tat agradece pelo ensinamento recebido e afirma que sua mente ficou admirada diante da contemplação do Bem.

      Hermes faz uma comparação importante:

      • O Sol físico ilumina, mas também ofusca os olhos.

      • O Bem ilumina a mente sem causar dor ou cegueira.

      "A contemplação do Bem não é como o raio do Sol... o Bem brilha e pode ser recebido pelo intelecto."

      O Bem não destrói quem o contempla; ao contrário, fortalece e ilumina a alma conforme sua capacidade de recebê-lo.


      A visão espiritual

      Hermes explica que ainda não possuem força suficiente para contemplar plenamente o Bem.

      A visão espiritual exige um estado completamente diferente da percepção comum.

      Segundo ele:

      • não existem palavras capazes de descrevê-lo;

      • o pensamento comum cessa;

      • os sentidos tornam-se silenciosos.

      "A gnose dele é um silêncio divino e a supressão de todas as sensações."

      Isso significa que Deus não é conhecido por raciocínio discursivo, mas por uma experiência direta da consciência.


      O silêncio da gnose

      Hermes apresenta um princípio recorrente da tradição mística.

      Quanto mais elevada é a realidade contemplada:

      • menos palavras conseguem descrevê-la;

      • menos conceitos conseguem defini-la.

      Por isso:

      ```text

      Conhecimento comum

      Contemplação

      Silêncio interior

      Gnose

      ```

      O silêncio aqui não representa ausência de conhecimento, mas um conhecimento que ultrapassa a linguagem.


      A transformação da alma

      Quando o Bem ilumina completamente a mente, acontece uma transformação profunda.

      Hermes afirma que o Bem:

      • ilumina toda a mente;

      • eleva toda a alma;

      • transforma o homem inteiro.

      Não é apenas uma mudança psicológica.

      É uma transformação da própria condição espiritual.

      "O Bem... transforma todo o homem em essência."


      A divinização

      Tat pergunta o significado da expressão "ser divinizado".

      Hermes responde explicando que todas as almas participam de um processo contínuo de transformação (metáboles).

      Algumas ascendem.

      Outras retornam aos estados inferiores.

      Assim surge uma verdadeira hierarquia evolutiva.


      A jornada da alma

      Segundo o texto, a alma percorre diferentes estados conforme sua condição espiritual.

      ```text

      Alma Universal

      Homens

      Daimones

      Coro dos deuses

      ```

      Já a alma dominada pela ignorância segue o caminho oposto.

      ```text

      Ignorância

      ──────────────

      Gnose

      Recordação

      Bem

      Retorno a Deus
      ```


      Conceitos-chave

      Conceito

      Explicação

      Nous

      Inteligência divina que governa e ilumina toda a realidade.

      Logos

      Princípio ordenador que transmite a ação do Nous à alma.

      Pneuma

      Sopro vital que comunica a vida espiritual ao organismo físico.

      Alma do Mundo

      Princípio vivificador universal do qual as almas participam.

      Gnose

      Conhecimento direto de Deus, apresentado como a única salvação.

      Esquecimento

      Afastamento da verdadeira natureza espiritual, origem do vício.


      Correspondências Herméticas

      Corpus Hermeticum

      Franz Bardon

      Observação

      Nous → Logos → Alma → Pneuma → Corpo

      Espírito → Alma → Corpo

      Ambos apresentam uma estrutura hierárquica descendente da consciência até a matéria.

      Gnose como salvação

      União com a Providência Divina

      O objetivo final é retornar conscientemente ao princípio divino.

      Esquecimento da origem

      Desequilíbrio e identificação com o plano material

      A evolução espiritual consiste em recuperar a consciência da própria origem.

      Mundo como intermediário

      Microcosmo e Macrocosmo

      O homem ocupa uma posição intermediária entre Deus e a criação material.


      Observações importantes

      • Hermes distingue claramente o Bem absoluto de um mundo belo, porém mutável: o cosmos manifesta a ordem divina, mas continua pertencendo ao domínio da geração e da mudança.

      • A sequência Nous → Logos → Alma → Pneuma → Corpo resume a antropologia hermética apresentada neste trecho e ajuda a compreender como a vida espiritual se expressa no ser humano.

      • O exemplo da criança ilustra que o problema central não é o corpo em si, mas o esquecimento da origem divina provocado pelo apego às paixões.

      • A "subida ao Olimpo" simboliza o retorno consciente da alma ao divino por meio da gnose, que Hermes apresenta como a verdadeira finalidade da existência humana.

    • A Libertação do Nous e o Destino da Alma

      Neste trecho, Hermes descreve o que acontece após a morte segundo a visão hermética. Ele explica a separação entre corpo, pneuma, alma e Nous, a natureza ígnea da inteligência divina e o destino distinto das almas piedosas e das almas ímpias.


      O retorno dos princípios após a morte

      Hermes descreve a morte não como destruição, mas como um processo de retorno de cada princípio à sua própria natureza.

      A sequência ocorre da seguinte forma:

      ```text
      Corpo → retorna aos elementos

      Pneuma → recolhe-se ao sangue

      Alma → recolhe-se ao pneuma

      Nous → liberta-se completamente e retorna à sua condição divina
      ```

      "A alma tendo regredido para si mesma... a mente, depois de ter vindo a ser limpa dos indumentos, sendo divina por natureza, recebe um corpo de fogo."

      A morte representa a separação gradual dos invólucros da consciência, permitindo ao Nous retornar à sua condição própria.


      Os "indumentos" da consciência

      Tat demonstra dificuldade em compreender como esses princípios podem separar-se.

      Hermes então explica que cada nível da existência funciona como um invólucro do nível superior.

      Estrutura dos indumentos

      ```text

      Paixões

      Vício

      Retorno aos estados inferiores

      ```

      Hermes utiliza aqui uma linguagem simbólica para expressar a degradação ou a elevação da consciência.


      Os dois coros dos deuses

      O texto menciona:

      • deuses errantes

      • deuses não errantes

      Esses termos normalmente são entendidos como referência às inteligências ligadas:

      • aos astros móveis (planetas);

      • às esferas fixas ou superiores.

      A alma plenamente purificada participa dessas ordens superiores.


      A ignorância como vício da alma

      Hermes define claramente qual é o maior mal.

      Não é o sofrimento.

      Não é o corpo.

      Não é a matéria.

      O verdadeiro vício é:

      a ignorância.

      Mais precisamente:

      • desconhecer Deus;

      • desconhecer a natureza das coisas;

      • desconhecer a si mesmo.

      A ignorância não é simples falta de informação; é o afastamento da realidade divina.


      A alma que desconhece a si mesma

      Hermes descreve a condição da alma ignorante.

      Ela:

      • serve ao corpo;

      • é governada pelas paixões;

      • acredita ser escrava da matéria.

      Em vez de governar o corpo, torna-se governada por ele.

      Essa inversão constitui o verdadeiro estado de queda.


      A gnose como virtude da alma

      Em oposição à ignorância, Hermes apresenta a gnose.

      A gnose produz:

      • bondade;

      • piedade;

      • aproximação de Deus.

      "O que conhece também é bom e piedoso e já divino."

      Percebe-se que, para Hermes, ética e conhecimento não são separados.

      Conhecer Deus transforma naturalmente o modo de viver.


      O sábio fala pouco

      Hermes apresenta uma característica interessante do homem verdadeiramente sábio.

      "O que não fala muitas coisas, nem escuta muitas coisas."

      Não significa isolamento.

      Significa evitar a dispersão da mente.

      Quem permanece continuamente preso às opiniões e aos discursos superficiais dificilmente alcança a contemplação interior.


      Sensação e gnose

      O texto estabelece uma distinção importante.

      Sensação

      Gnose

      Surge pelos sentidos

      Surge pela iluminação divina

      Depende do mundo exterior

      Depende do Nous

      É comum a todos

      É dom de Deus

      Percebe fenômenos

      Conhece a realidade espiritual

      Hermes conclui afirmando:

      "A ciência é um dom de Deus."

      Aqui "ciência" corresponde ao conhecimento espiritual (gnose), e não ao simples acúmulo de informações.


      Estrutura Filosófica do trecho

      ```text

      ```


      Conceitos-chave

      Conceito

      Explicação

      Bem

      Realidade suprema cuja contemplação transforma a alma.

      Gnose

      Conhecimento direto de Deus, recebido como dom divino.

      Divinização

      Processo pelo qual a alma participa da natureza divina por meio da contemplação e da gnose.

      Ignorância

      Verdadeiro vício da alma, caracterizado pelo desconhecimento de Deus e de si mesma.

      Metábole

      Transformação ou mudança de estado da alma ao longo de sua jornada espiritual.

      Daimones

      Seres intermediários; no texto, aparecem como uma etapa superior na ascensão da alma.


      Correspondências Herméticas

      Corpus Hermeticum

      Franz Bardon

      Observação

      Contemplação do Bem

      Contemplação do Akasha e da Providência Divina

      Ambos descrevem estados superiores de consciência que transcendem os sentidos comuns.

      Silêncio da gnose

      Estado de vazio mental (Vacuidade)

      Em Bardon, o domínio absoluto do pensamento é condição para acessar planos superiores.

      Divinização

      União consciente com a Providência Divina

      Nos dois sistemas, o objetivo final é aproximar-se da ordem divina, não apenas adquirir poderes.

      Ignorância como queda

      Desequilíbrio dos elementos e domínio do ego

      A falta de autoconhecimento mantém o ser preso às limitações inferiores.


      Observações importantes

      • A divinização descrita por Hermes refere-se a uma transformação espiritual da alma, e não à aquisição de poder ou autoridade divina.

      • A sequência de transformações da alma (répteis, aquáticos, homens, daimones etc.) aparece como parte da cosmologia apresentada pelo texto e pode ser entendida simbolicamente ou literalmente conforme a tradição interpretativa adotada.

      • O contraste entre sensação e gnose reforça um dos pilares do Hermetismo: os sentidos alcançam apenas o mundo aparente; a verdadeira realidade é conhecida pelo Nous iluminado.

      • A afirmação de que "o sábio fala pouco" relaciona-se ao domínio interior e à concentração da mente, tema recorrente em diversas tradições contemplativas.
        Deus, o Mundo e o Homem

        Neste trecho, Hermes sintetiza toda a estrutura da realidade hermética. Ele explica a relação entre Deus, o Mundo e o Homem, descrevendo como a inteligência divina desce até o corpo humano e como a gnose é o único caminho para o retorno ao Bem.


        Ciência, Nous e Corpo

        Hermes inicia distinguindo dois princípios fundamentais:

        • A ciência (episteme) é incorpórea .
          O Nous utiliza o corpo como instrumento para manifestar-se.

          "Toda ciência é incorpórea, usando, do próprio instrumento, a mente; porém, o Nous usa do corpo."

          Isso significa que o verdadeiro conhecimento não pertence ao corpo físico, mas à dimensão intelectual e espiritual.
          O corpo funciona apenas como veículo temporário da consciência.
          A mente conhece; o corpo apenas manifesta essa atividade no mundo sensível.

          O encontro entre o inteligível e o material

          Hermes afirma que:

          • as realidades inteligíveis entram no corpo;

          • as realidades materiais também entram no corpo.

          O homem torna-se o ponto de encontro entre dois mundos.

          ```text

          Iluminação da mente

          Transformação da alma

          Divinização

          ```

          Enquanto isso:

          ```text

          Escravidão ao corpo

          Mundo Inteligível

          Nous

          Logos

          Corpo

          ```


          O homem como segundo vivente

          Hermes estabelece uma hierarquia.

          Ordem

          Ser

          Primeiro

          Mundo

          Segundo

          Homem

          O homem é chamado de:

          "o primeiro dos mortais."

          Ele ocupa uma posição intermediária.

          Não pertence apenas ao mundo físico.

          Também participa do inteligível.


          O problema da mortalidade

          Hermes afirma:

          • o mundo não é bom porque é móvel;

          • mas também não é mau porque é imortal.

          Já o homem:

          • é móvel;

          • é mortal.

          Por isso participa mais intensamente das limitações da existência material.

          Aqui o termo "mau" não possui sentido moral.

          Refere-se principalmente à condição de:

          • corrupção;

          • mutabilidade;

          • sujeição ao nascimento e à morte.


          A estrutura da alma humana

          Hermes apresenta uma verdadeira anatomia espiritual.

          ```text

          ```

          Cada nível transmite vida ao seguinte.

          O Nous ilumina o Logos.

          O Logos ordena a alma.

          A alma anima o pneuma.

          O pneuma movimenta todo o organismo.


          O papel do Pneuma

          Hermes corrige uma antiga opinião.

          Alguns acreditavam que:

          a alma era o sangue.

          Hermes rejeita essa ideia.

          Segundo ele:

          • primeiro o pneuma abandona o corpo;

          • depois o sangue coagula;

          • então sobrevém a morte.

          Isso mostra que:

          o sangue não produz a vida;

          ele apenas manifesta exteriormente uma vida já sustentada pelo pneuma.


          Os três grandes princípios

          Hermes resume toda sua cosmologia.

          Existem três grandes realidades.

          Princípio

          Função

          Deus

          Origem absoluta

          Mundo

          Manifestação universal

          Homem

          Participação consciente na criação

          A relação entre eles é apresentada assim:

          ```text

          ```

          Essa mediação protege tanto o corpo quanto possibilita a atuação do Nous na matéria.


          O Nous do Todo e o Nous humano

          Hermes distingue dois níveis de atuação.

          Nous do Todo

          Nous humano

          Cria todas as coisas.

          Atua apenas no mundo terrestre.

          Demiurgo universal.

          Demiurgo limitado à condição humana.

          Enquanto estamos encarnados, nosso Nous atua sob limitações impostas pela existência corporal.


          A alma piedosa

          Hermes afirma que nem toda alma alcança imediatamente a condição superior.

          A alma verdadeiramente piedosa é aquela que:

          • conhece o divino;

          • pratica a justiça;

          • não prejudica os outros.

          Ele define explicitamente:

          "O combate da piedade é conhecer o divino e não injustiçar nenhum dos homens."

          Para Hermes, piedade não consiste apenas em culto religioso, mas na união entre conhecimento de Deus e retidão moral.

          Essa alma:

          • vence sua prova;

          • abandona definitivamente a condição inferior;

          • torna-se plenamente mente (Nous).


          A alma ímpia

          O destino oposto ocorre com a alma dominada pela ignorância.

          Hermes afirma que ela:

          • permanece presa à própria condição;

          • sofre por si mesma;

          • procura novamente um corpo humano.

          O castigo não é imposto externamente.

          A própria condição espiritual da alma produz seu sofrimento.


          A dignidade da alma humana

          Hermes faz uma afirmação importante sobre a natureza da alma humana.

          "Nenhum outro corpo abriga uma alma humana."

          E completa:

          "A lei de Deus é guardar a alma humana de tão grande ultraje."

          Segundo este tratado, a alma humana não reencarna em animais.

          Essa afirmação aparece explicitamente neste trecho e deve ser entendida dentro da cosmologia apresentada pelo autor.


          Estrutura Filosófica

          ```text

          ──────────────

          Morte

          ──────────────

          Corpo → elementos

          Pneuma → recolhe-se

          Alma → regressa

          Nous → veste o corpo ígneo
          ```


          A jornada da alma

          ```text
          Vida

          Conhecimento do Divino

          Piedade

          Purificação

          Libertação do Nous

          Divinização
          ```

          Enquanto isso:

          ```text
          Ignorância

          Impiedade

          Apego às paixões

          Retorno à existência corporal
          ```


          Conceitos-chave

          Conceito

          Explicação

          Indumentos

          Invólucros sucessivos utilizados pelo Nous para manifestar-se na matéria.

          Nous

          Inteligência divina, de natureza ígnea e imortal.

          Pneuma

          Veículo vital que comunica vida ao organismo físico.

          Corpo de fogo

          Forma própria do Nous após libertar-se completamente da matéria.

          Piedade

          Conhecimento de Deus unido à prática da justiça.

          Alma ímpia

          Alma que permanece presa à ignorância e às paixões.


          Correspondências Herméticas

          Corpus Hermeticum

          Franz Bardon

          Observação

          Nous revestido pela alma e pelo pneuma

          Espírito, alma e corpo

          Ambos apresentam uma estrutura hierárquica de manifestação da consciência.

          Corpo de fogo

          Corpo mental e princípio ígneo espiritual

          Em Bardon, o elemento Fogo relaciona-se à vontade e ao princípio ativo da consciência, embora a terminologia seja diferente.

          Separação dos invólucros após a morte

          Desligamento dos corpos mental, astral e físico

          Ambos descrevem a morte como uma separação gradual dos diferentes níveis do ser.

          Piedade como conhecimento e justiça

          Evolução moral e equilíbrio dos elementos

          Nos dois sistemas, o progresso espiritual depende tanto do conhecimento quanto da transformação ética.


          Observações importantes

          • O texto apresenta uma hierarquia antropológica em que o Nous utiliza sucessivamente a alma, o pneuma e o corpo para atuar no mundo material.

          • O "corpo de fogo" deve ser compreendido conforme a linguagem simbólica do Corpus Hermeticum: o fogo representa o princípio luminoso e criador da inteligência divina.

          • Hermes define a piedade de forma bastante objetiva: conhecer o divino e não praticar injustiça contra nenhum ser humano.

          • Neste tratado específico, afirma-se explicitamente que uma alma humana não entra em um corpo de animal, pois isso contrariaria a "lei de Deus". Esse ponto reflete a doutrina apresentada neste texto e não deve ser automaticamente estendido a todas as tradições herméticas ou filosóficas.
            O Bom Daimon e a Dignidade do Homem

            Neste trecho, Hermes conclui sua exposição sobre a alma descrevendo a verdadeira punição da impiedade, a atuação do Nous como juiz ou guia, a hierarquia dos seres e a posição extraordinária do homem dentro da criação. O foco deixa de ser apenas o destino da alma e passa para a grandeza da mente (Nous) e da natureza humana.


            A verdadeira punição da alma

            Tat pergunta como a alma humana é punida.

            Hermes responde de maneira surpreendente:

            "Qual é a maior punição da alma humana do que a impiedade?"

            A punição não consiste, inicialmente, em um castigo externo, mas na própria condição interior da alma.

            A alma impiedosa sofre porque:

            • perdeu o contato com Deus;

            • vive dominada pelos vícios;

            • permanece escrava das paixões.

            Hermes descreve seu sofrimento através de uma linguagem dramática:

            "Queimo, ardo; que direi, que farei? Não vejo... sou devorada pelos vícios."

            A maior punição da alma não é um tormento imposto de fora, mas viver afastada da Verdade e dominada pela própria ignorância.


            A impiedade como fogo interior

            Hermes utiliza uma comparação simbólica.

            Pergunta:

            "Que fogo tem tanta chama quanto a impiedade?"

            O fogo aqui representa:

            • inquietação;

            • culpa;

            • desordem interior;

            • sofrimento espiritual.

            Não é um fogo físico.

            É o próprio estado da consciência afastada do Bem.


            O erro sobre a punição da alma

            Hermes critica uma crença popular.

            Ele afirma:

            "A massa acha que a alma, tendo saído do corpo, é bestializada."

            Segundo Hermes, esse é um grande erro.

            A punição verdadeira não consiste em tornar-se animal, mas na permanência da própria ignorância e na ação corretiva da Justiça divina.


            O Nous como executor da Justiça

            Hermes explica que existe um Nous enviado pela Justiça Divina.

            Esse Nous atua de maneiras diferentes.

            Na alma ímpia

            Ele entra como juiz.

            Sua presença provoca:

            • sofrimento moral;

            • confronto com os próprios vícios;

            • exposição das próprias faltas.

            Como consequência, a alma mergulha ainda mais em:

            • violência;

            • blasfêmias;

            • injustiças;

            • crimes.

            Nesse caso, o Nous não produz o mal.

            Ele revela aquilo que já existe na alma.


            Na alma piedosa

            O mesmo Nous torna-se guia.

            Hermes afirma:

            "Conduz essa pela luz do conhecimento."

            A alma passa então a:

            • cantar hinos;

            • bendizer Deus;

            • fazer o bem;

            • imitar o Pai.


            Duas atuações do Nous

            Alma Ímpia

            Alma Piedosa

            Justiça corretiva

            Iluminação

            Sofrimento interior

            Conhecimento

            Vícios revelados

            Virtudes desenvolvidas

            Distanciamento do Bem

            Aproximação de Deus


            A oração pela bela mente

            Hermes aconselha:

            "Quando agradecer a Deus, é necessário orar para alcançar a bela mente."

            A maior dádiva não é riqueza nem poder.

            É possuir um Nous puro.

            A "bela mente" representa

            • discernimento;

            • sabedoria;

            • equilíbrio;

            • visão espiritual.


            A hierarquia das almas

            Hermes descreve uma ordem universal.

            ```text
            Deus

            Almas dos Deuses

            Almas Humanas

            Almas dos Viventes Irracionais
            ```

            Cada nível:

            • protege;

            • orienta;

            • cuida do inferior.

            Essa organização demonstra uma visão profundamente hierárquica do Universo.


            A Hierarquia do Universo

            Nível

            Função

            Deus

            Cuida de tudo.

            Mundo

            Submisso a Deus.

            Homem

            Governa os irracionais.

            Animais

            Submetidos ao homem.

            Hermes resume:

            "Deus está acima e ao redor de todas as coisas."


            Os raios da manifestação

            Hermes utiliza uma imagem extremamente interessante.

            Cada nível da realidade manifesta sua energia através de "raios".

            Origem

            Raios

            Deus

            Energias divinas

            Mundo

            Ordens naturais

            Homem

            Artes e ciências

            Isso significa que:

            • Deus manifesta sua vontade pelas energias divinas;

            • o cosmos manifesta sua inteligência pelas leis naturais;

            • o homem manifesta sua natureza através da criação, do conhecimento e da técnica.

            As artes e as ciências são apresentadas como a irradiação própria da natureza humana.


            O Bom Daimon

            Hermes apresenta uma distinção importante.

            Aqui ele não fala do Nous executor da Justiça mencionado anteriormente.

            Agora trata do Bom Daimon.

            Ele o descreve como:

            "Nada é mais divino, mais enérgico e mais unificador dos homens em relação aos deuses."

            O Bom Daimon representa:

            • inspiração divina;

            • inteligência orientadora;

            • princípio que aproxima homem e Deus.

            Uma alma plena dele é:

            • bem-aventurada;

            • harmoniosa;

            • iluminada.

            Uma alma vazia dele torna-se infeliz.


            A importância da mente (Nous)

            Hermes afirma algo decisivo:

            "Uma alma sem a mente nem algo pode dizer nem pode fazer."

            Quando o Nous se afasta:

            • a alma perde direção;

            • as percepções tornam-se limitadas;

            • o homem aproxima-se da condição dos animais irracionais.

            Não porque deixe de ser humano.

            Mas porque perde aquilo que caracteriza sua verdadeira natureza.


            O homem como ser divino

            Hermes faz uma das afirmações mais famosas do Corpus Hermeticum.

            "O homem é divino."

            Mais ainda:

            "O homem essencialmente humano é acima daqueles..."

            Ele explica isso porque:

            • os deuses permanecem em seus domínios;

            • o homem pode conhecer tanto a Terra quanto o Céu.


            O homem mede todas as coisas

            Hermes diz que o homem:

            • sobe ao céu;

            • conhece sua altura;

            • conhece sua profundidade;

            • compreende a ordem do Universo.

            Tudo isso:

            "não tendo deixado a Terra."

            Isso significa que a verdadeira ascensão ocorre pelo Nous, pela contemplação e pela gnose, e não necessariamente por um deslocamento físico.


            O deus mortal e o homem imortal

            Hermes encerra com uma de suas fórmulas mais conhecidas.

            "O homem terreno é um deus mortal."

            E também:

            "O deus celeste é um homem imortal."

            Essa frase resume toda a antropologia hermética.

            Ela expressa a correspondência entre:

            • microcosmo;

            • macrocosmo;

            • homem;

            • divino.


            Fluxo do ensinamento

            ```text
            Impiedade

            Ignorância

            Domínio dos vícios

            Sofrimento interior

            Afastamento da Luz
            ```

            Enquanto:

            ```text
            Piedade

            Bela Mente

            Gnose

            Imitação do Pai

            União com Deus
            ```


            Estrutura hierárquica do Universo

            ```text
            Deus

            Mundo

            Homem

            Animais
            ```

            Cada nível:

            • recebe do superior;

            • governa o inferior;

            • participa da ordem universal.


            Conceitos-chave

            Conceito

            Explicação

            Impiedade

            Afastamento de Deus e domínio dos vícios.

            Bela mente (Nous)

            Inteligência iluminada pela Verdade divina.

            Bom Daimon

            Princípio espiritual que aproxima o homem de Deus e conduz à sabedoria.

            Nous executor

            Inteligência enviada pela Justiça para corrigir ou iluminar conforme o estado da alma.

            Artes e ciências

            Irradiação própria da natureza humana dentro da ordem cósmica.

            Homem divino

            Ser capaz de conhecer tanto o mundo sensível quanto o inteligível.


            Correspondências Herméticas

            Corpus Hermeticum

            Franz Bardon

            Observação

            Bom Daimon

            Inteligência espiritual ou guia interior

            Em ambos, há a ideia de um princípio que conduz o desenvolvimento espiritual, embora com terminologias distintas.

            Nous iluminando a alma

            Espírito dominando a alma

            Nos dois sistemas, a inteligência superior deve governar as emoções e impulsos.

            Homem como microcosmo

            Homem como imagem do macrocosmo

            Ambos apresentam o ser humano como síntese do universo e capaz de conhecer suas leis.

            Artes e ciências como "raios" do homem

            Domínio consciente das leis universais

            Em Bardon, o conhecimento prático das leis naturais é expressão do progresso do iniciado.


            Observações importantes

            • Hermes distingue claramente dois aspectos do Nous: o executor da Justiça, que confronta a alma com seu estado moral, e o Bom Daimon, que inspira, ilumina e aproxima o ser humano do divino.

            • A "punição" descrita não é apresentada como uma pena arbitrária, mas como a consequência da própria condição espiritual da alma afastada da gnose.

            • A afirmação de que o homem é um "deus mortal" não significa igualdade absoluta com Deus, mas destaca sua posição singular como mediador entre o mundo sensível e o inteligível, capaz de conhecer ambos.

Mundo Material

```

Por isso o homem ocupa uma posição única na criação.


O mundo material

Hermes pergunta:

"Quem é o deus material aqui?"

E responde:

"O belo mundo."

O cosmos é chamado de belo porque manifesta ordem, proporção e harmonia.

Entretanto, Hermes faz uma distinção importante.

O mundo:

  • é belo;

  • é divino enquanto obra de Deus;

mas não é o Bem absoluto.

Por quê?

Porque:

  • é material;

  • está sujeito ao movimento;

  • está em constante geração.


O movimento como característica do cosmos

O mundo nunca permanece completamente imóvel.

Tudo nele:

  • nasce;

  • cresce;

  • transforma-se;

  • renova-se.

Hermes considera essa mobilidade uma característica própria da criação.

Enquanto Deus permanece absolutamente estável, o cosmos manifesta continuamente a mudança.


A esfera do mundo

Hermes descreve o universo como uma grande esfera.

A imagem da esfera simboliza:

  • perfeição;

  • totalidade;

  • unidade.

Dentro dessa metáfora:

o Nous é a cabeça do cosmos.

Assim como a cabeça dirige o corpo humano, o Nous governa toda a ordem universal.


A posição da alma

Hermes explica que:

  • as regiões superiores são mais próximas da alma;

  • as inferiores estão mais ligadas ao corpo.

Quanto maior a participação da alma, maior a participação na imortalidade.

Quanto maior o predomínio da matéria, maior a participação na mortalidade.

```text

Alma

Pneuma

Sangue

Veias e artérias

Mundo

Homem

```

E também:

  • Deus possui o mundo.

  • O mundo gera o homem.

  • O homem é descendente do mundo.


A finalidade do homem

Hermes declara um dos ensinamentos mais importantes de todo o Corpus.

"Isso é a única salvação para o homem: a gnose de Deus."

A salvação não ocorre:

  • pela riqueza;

  • pelo poder;

  • pelo ritual exterior.

O retorno acontece através do conhecimento direto de Deus.

A gnose é apresentada como o verdadeiro caminho de ascensão da alma.


A subida ao Olimpo

A expressão "subida ao Olimpo" possui forte valor simbólico.

Representa:

  • retorno ao plano divino;

  • libertação da ignorância;

  • participação consciente na realidade superior.

Não se trata apenas de um lugar.

É um estado espiritual.


A alma da criança

Hermes utiliza um exemplo extremamente belo.

A alma da criança:

  • ainda está pouco presa ao corpo;

  • ainda não foi dominada pelas paixões;

  • permanece próxima da Alma do Mundo.

À medida que o corpo cresce:

  • surgem os desejos;

  • surgem as paixões;

  • aumenta o apego à matéria.

Então aparece o esquecimento.

  • "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam, pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas" - JESUS CRISTO


    O esquecimento como origem do vício

    Hermes conclui afirmando:

    "O esquecimento vem a ser o vício."

    Esse esquecimento não significa perda da memória comum.

    É o esquecimento:

    • da própria origem;

    • da natureza divina;

    • do Bem;

    • de Deus.

    Toda a caminhada hermética consiste justamente em recordar aquilo que a alma esqueceu ao mergulhar na existência material.


    Estrutura Filosófica

    ```text

    Esquecimento

    Corpo físico

    ```

    Cada princípio utiliza o inferior como instrumento de manifestação.

    Quando ocorre a morte, essa estrutura é desmontada na ordem inversa.


    Por que o Nous necessita desses invólucros?

    Hermes afirma algo muito importante:

    "É impossível o Nous, ele por si mesmo, fixar-se nu em um corpo terreno."

    O Nous possui natureza demasiadamente elevada para atuar diretamente sobre a matéria.

    Por isso:

    • a alma funciona como intermediária;

    • o pneuma serve como veículo vital;

    • o corpo manifesta tudo no plano físico.

    Essa estrutura permite que a inteligência divina opere no mundo sensível.


    A função da alma e do pneuma

    Hermes resume suas funções de maneira bastante clara.

    Princípio

    Função

    Nous

    Inteligência divina.

    Alma

    Véu e intermediária do Nous.

    Pneuma

    Veículo vital que anima o organismo.

    Corpo

    Instrumento material da manifestação.

    A alma aproxima o Nous da vida terrena.

    O pneuma aproxima a alma do corpo.


    A natureza ígnea do Nous

    Depois de libertar-se do corpo, o Nous:

    "veste a própria túnica ígnea."

    O fogo aqui possui sentido profundamente simbólico.

    No Corpus Hermeticum, o fogo representa:

    • inteligência;

    • luz;

    • atividade criadora;

    • princípio divino.

    Não se trata do fogo físico.

    Hermes afirma que:

    "o Nous usa o fogo como instrumento para a criação."

    Assim, o fogo torna-se o elemento mais próximo da inteligência divina.


    Por que o Nous não permanece em seu corpo de fogo durante a vida?

    Hermes responde utilizando uma imagem simples.

    Assim como:

    • uma pequena faísca pode incendiar toda a terra,

    o corpo terrestre não suportaria diretamente a intensidade do Nous em sua condição pura.

    Por isso existe toda a estrutura intermediária:

    ```text

  • Fonte original colada

    Libellus X — A Chave de Hermes Trismegistos

    1O discurso de ontem, ó Asclépio, dediquei a ti, porém o de hoje é justo dedicar a Tat, uma vez que, também, é um epítome dos Discursos Gerais pronunciados a ele. Assim, portanto, Deus, tanto Pai quanto o Bem, ó Tat, tem a mesma natureza, e mais ainda, energia; pois, deveras, aquelas coisas que são acerca das mutáveis e móveis ... e imóveis, isto é, das divinas assim como das humanas, são a denominação †da natureza† e a denominação do crescimento, †das quais ele quer que todas as coisas existam; noutro lugar, porém, são pura energia† conforme também ensinamos sobre as outras coisas divinas assim como humanas que são necessárias para compreender sobre isso. 2 Pois a energia desse é a vontade, e a essência dele é o querer que todas as coisas existam. Pois, o que é Deus, o Pai e o Bem, senão o ser de todos os entes que ainda não são, †mas tendo a própria existência dos entes†? Isso é Deus, isso é o Pai, isso é o Bem, e nenhum dos outros seres é antes dele. Pois, deveras, o mundo, assim como o Sol, também é o próprio pai das coisas segundo a transubstanciação, porém já não é o responsável igualmente pelo bem aos viventes, nem pelo viver. Porém se assim o é, de todos os modos, contudo, sendo compelido o é pelo bem-querer, sem o qual não é possível nem ser nem vir a ser. 3 Porém o pai é responsável pela linhagem e pela nutrição dos filhos, recebendo o apetite do Bem através do Sol. Pois o Bem é o feitor; porém isso não é possível de vir a ser por algum outro exceto somente por aquele; deveras, por aquele que nada recebe e que quer que todas as coisas existam. Pois não direi, ó Tat, que é possível de a linhagem e a nutrição dos filhos virem a ser somente pelo que faz; pois o que faz é defeituoso por longo tempo, tanto quando faz como quando não faz, também é defeituoso por causa de qualidade e de quantidade: pois, deveras, faz tanto as quantidades e as qualidades como as contrariedades; porém, ele é Deus, o Pai e o Bem, porque todas as coisas existem.4 Assim, então, ao que pode ver essas coisas: com efeito, Deus quer que isso exista, †e isso existe sobretudo por ele†. Pois que todas as outras coisas existem por causa dele ... Pois a coisa própria do Bem é ser o próprio Bem conhecido, ó Tat. — Encheste-nos, ó pai, da boa e mui bela contemplação e do pouco que é necessário: o olho de minha mente ficou †admirado† por tal contemplação. Pois, assim, a contemplação do Bem não é como o raio do Sol, que, sendo ígneo, ofusca e faz os olhos fecharem; pelo contrário, o Bem tanto brilha quanto, sendo o poderoso, pode receber o influxo do brilho inteligível; pois, deveras, é agudíssimo para chegar ao coração, porém, também, é inofensivo e cheio de toda imortalidade,

    5da qual os que podem tirar algo mais abundante da contemplação dormem muitas vezes no corpo para ter a mui bela visão, como aquilo que Urano e Crono, os nossos antepassados, contaram. — Oxalá nós também, ó pai! — Pois é, oxalá, ó filho! Porém agora ainda somos fracos em relação à visão e ainda não temos os olhos da mente para abrir e contemplar a beleza incorruptível e inconcebível daquele Bem. Pois, então, o verás quando não tiveres nada a dizer sobre ele. Pois a gnose dele é um silêncio divino e a supressão de todas as sensações. 6 Pois nem aquele que compreende isso pode compreender alguma outra coisa, nem o que vê isso pode ver alguma outra coisa, nem pode ouvir acerca de alguma outra coisa, nem pode mover o corpo inteiro; pois ele tendo esquecido todas as sensações e movimentos corporais, fica quieto. Porém o Bem tendo brilhado sobre toda a mente, também ilumina e eleva toda a alma através do corpo e o transforma todo em essência. Pois é impossível, ó filho, uma alma, tendo visto <a> beleza do Bem, ter sido divinizada em corpo de homem.7 — Que queres dizer por ser divinizado, ó pai? — As metáboles de todas as almas separadas. — O que vem a ser agora separadas? — Não ouviste nos Discursos Gerais que todas as almas são de uma única alma, e essas são arroladas em todo mundo, como sendo retribuídas? Por isso, muitas são as metáboles dessas almas tanto para a mui bem-aventurada coisa, como para a coisa contrária. Pois, deveras, as que são em formas de réptil se transformam em aquáticas; e as que são aquáticas, em viventes terrestres; e as terrestres, em voláteis; e as aéreas, em homens; e as humanas têm o princípio da imortalidade, transformando-se em daimones, então, assim, entram no coro dos deuses; porém, há dois coros dos deuses, tanto o dos errantes como o dos não errantes. 8. Essa é a mais perfeita glória da alma; porém, se a alma, tendo entrado nos homens, permanecer viciosa, nem provam da imortalidade nem comungam do Bem, porém, apressada, retorna o caminho de volta para os répteis, e essa é uma condenação da alma viciosa. Porém o vício da alma é a ignorância. Pois a alma que não conhece nenhum dos seres nem a natureza deles, nem o Bem, e tendo ficado cega, tropeça nas paixões corporais; e a alma infeliz, tendo desconhecido a si mesma, serve aos corpos estranhos e miseráveis, arrastando o corpo como uma carga, e não governando, mas sendo governada. Esse é o vício da alma.

    9Porém, pelo contrário, a gnose é a virtude da alma; pois o que conhece também é bom e piedoso e já divino. — Quem é esse, ó pai? — O que não fala muitas coisas, nem escuta muitas coisas; pois o que perde tempo com duas conversas e escutas, ó filho, luta com as sombras. Pois Deus e o Pai e o Bem, nem é falado nem é ouvido; e, assim sendo, em todos os seres as sensações estão por causa do não poder ser sem isso; porém, gnose difere muito das sensações; pois, deveras, a sensação vem a ser pelo que prevalece, porém, gnose é o fim da ciência, e a ciência é um dom de Deus.

    10Pois toda ciência é incorpórea, usando, do próprio instrumento, a mente; porém, o nous usa do corpo. Portanto, ambas entram no corpo, tanto as coisas inteligíveis como as materiais. Pois é necessário que todas as coisas se componham da antítese e da contrariedade. E de outro modo, é impossível isso ser.— Quem, portanto, é o deus material aqui? O belo mundo, mas não é bom; pois é material e vulnerável, tanto é o primeiro de todos os passíveis como o segundo dos seres e insuficiente em si; tanto ele veio a ser uma vez como é o que é sempre, e o que está sempre em engendramento; e vindo a ser sempre, é o engendramento das qualidades e das quantidades; pois é móvel; pois todo movimento é engendramento.

    11Porém a fixação inteligível move a moção material deste modo: visto que o mundo é uma esfera, isto é, uma cabeça, e nada há sobre a cabeça, como nada inteligível há abaixo dos pés, mas todo material; e o nous é a cabeça, sendo esta movida esfericamente, isto é, como cabeça; portanto, aquelas coisas que têm se juntado à fina pele dessa cabeça, <na qual> está a alma, têm plantado as coisas imortais, e tendo mais alma do que corpo, e uma vez que o corpo tem sido feito na alma e tendo mais alma do que corpo; e as coisas mortais estão distantes da fina pele, contendo o corpo cheio de alma; porém todo vivente, como, portanto, o Todo, constituiu-se tanto de coisa material como de coisa intelectiva.

    12E, deveras, o mundo é o primeiro. E o homem, sendo o segundo vivente depois do mundo, mas o primeiro dos mortais, tem, de fato, a capacidade de animação dos outros viventes; porém, ainda não é somente não bom, mas também mau enquanto mortal. Pois, tanto o mundo não é bom enquanto móvel como não é mau enquanto imortal. E o homem, também enquanto móvel, e enquanto mortal, é mau. 13 Porém a alma do homem é dirigida desse modo: o nous no logos, o logos na alma, a alma no pneuma; o pneuma atravessando pelas veias e artérias e sangue, move o vivente e, de algum modo, suporta o vivente. Por isso, também, alguns acham que a alma seja sangue, abalando eles a natureza, não vendo eles que primeiro é necessário o pneuma se retirar para dentro da alma e então o sangue ser coagulado e as veias e as artérias se esvaziarem e então abater o vivente; e isso é a morte do corpo.14 Porém todas as coisas dependem de um princípio. E o princípio é do Um e Único. O princípio, de fato, é movido, a fim de que novamente se torne princípio; mas o Um e Único tem se fixado, e ele não é movido. Por isso, existem estes três seres: Deus, o Pai e o Bem; o mundo; e o homem. E Deus tem o mundo; e o mundo, o homem; e tanto o mundo é filho de Deus como o homem o é do mundo, sendo como descendente.

    15Pois Deus não desconhece o homem, mas certamente também conhece e quer ser conhecido. Isso é a única salvação para o homem: a gnose de Deus.

    Esta é a subida para o Olimpo; somente assim a alma é boa, e nunca vem a ser boa <sempre>, mas vem a ser má; pela necessidade é que vem a ser má.

    — O que queres dizer por isso, ó Trismegistos?

    — Contempla a alma de uma criança, ó filho, ela ainda não recebendo o desmantelamento do seu corpo, †o qual ainda tem pouca massa e† ainda não tendo sido inchado completamente; para ver, de fato, quão bela é, mas jamais turvada pelas paixões do corpo, ainda tendo sido presa próxima da Alma do Mundo; porém, quando o corpo inchar e a puxar para baixo para as protuberâncias do corpo, porém, ela tendo se desmantelado, gera o esquecimento, e não comunga do Belo e Bom. O esquecimento vem a ser o vício.

    16Porém a mesma coisa ocorre aos que saem do corpo. Pois a alma tendo regredido para si mesma, o pneuma é contraído no sangue; e a alma, no pneuma; e a mente, depois de ter vindo a ser limpa dos indumentos, sendo divina por natureza, recebe um corpo de fogo e anda por todo lugar, tendo deixado a alma ao julgamento justo segundo a dignidade. — O que queres dizer com isso, ó pai? Tu tendo dito ser tanto a alma um indumento da mente como o pneuma um indumento da alma; pretendias dizer que o nous é separado da alma; e a alma, da mente?17 — É necessário, ó filho, o ouvinte compreender o falante, e ser de mesma mente e ter a audição mais aguçada do que a voz do falante; a composição desses indumentos, ó filho, vem a ser com corpo terreno; pois é impossível o nous, ele por si mesmo, fixar-se nu em um corpo terreno; pois, nem é possível um corpo terreno aguentar tão grande imortalidade, nem tal virtude tolerar um corpo passivo tendo boas relações consigo; portanto, recebeu a alma como um véu, mas a alma sendo algo divino, usa o pneuma como ajudante; porém, o pneuma rege o vivente.

    18Portanto, quando o nous se libertar do corpo terreno, imediatamente vestirá a própria túnica ígnea, mesmo tendo a túnica, não pôde vesti-la no corpo terreno; pois a terra não suporta o fogo; pois toda a terra arde também por uma única faísca e, por isso, a água rega a terra, como uma cerca e muralha resistindo contra a flama do fogo. Porém o nous sendo o mais penetrante de todos os desígnios divinos, também tem o corpo mais sutil de todos os elementos, o fogo; pois o nous sendo Demiurgo de todos, usa o fogo como o instrumento para a criação; e, de fato, o nous do Todo é Demiurgo de todas as coisas, mas o nous do homem é Demiurgo somente das coisas sobre a terra; pois, nos homens, estando desnudo do fogo, sendo humano pela ação de habitar, o nous não pode criar as coisas divinas.

    19Porém a alma humana, nem toda de fato, mas a piedosa, alguma que é sobrenatural e também divina: e a tal, também depois de ter sido libertada do corpo, tendo lutado o combate da piedade (porém o combate da piedade é conhecer o divino e não injustiçar nenhum dos homens), ela toda vem a ser mente. Porém a alma ímpia permanece na sua própria essência, sendo castigada por si mesma, e procurando um corpo terreno para no qual entrar, mas em um corpo humano; pois outro corpo não abriga uma alma humana, nem há uma lei divina para uma alma humana cair em um corpo de um vivente irracional. Pois a lei de Deus é esta: guardar a alma humana de tão grande ultraje.20 — Então, como é punida, ó pai, uma alma humana? — E qual é a maior punição da alma humana, ó filho, do que a impiedade? Que fogo tem tanta flama quanto a impiedade? E que besta é devoradora, a tal ponto de maltratar o corpo, como a impiedade maltrata a própria alma? Ou não vês quantas coisas más sofre a alma ímpia, tendo bradado e clamado: “queimo, ardo; que direi, que farei, não vejo; infeliz que sou, sou devorada pelos vícios que me tomam; nem vejo nem ouço”? Essas não são as vozes da alma que é punida? Ou como a massa acha, também tu acharás, ó filho, que a alma, tendo saído do corpo, é bestializada, o que é o maior engano? 21 Pois uma alma é punida deste modo: pois a mente, quando vir a ser daimon, é ordenada a ganhar um corpo ígneo para a execução da justiça de Deus e tendo se introduzido na alma mais ímpia, o nous maltrata a chicotadas a alma dos que pecam, pelas quais a alma ímpia, sendo flagelada, cai em assassinatos e insultos e blasfêmias e várias violências, através das quais os homens são condenados. Porém o nous tendo entrado na alma piedosa, conduz essa pela luz do conhecimento; porém tal alma jamais tem saciedade, cantando hino, e bendizendo todos os homens tanto em obras como em palavras, fazendo bem todas as coisas, imitando seu Pai.

    22Por isso, ó filho, quando agradecer a Deus, é necessário orar para alcançar a bela mente. Assim, portanto, a alma passa para o corpo superior, porém é impossível passar para o inferior; porém é a comunhão das almas, e tanto as dos deuses comungam com as dos homens como as dos homens comungam com as dos irracionais. E as superiores cuidam das inferiores, tanto as almas dos deuses cuidam das almas dos homens como as almas dos homens cuidam dos viventes irracionais; e Deus cuida de todos. Pois esse é o melhor de todos, e todas as coisas são menores do que ele. Assim, portanto, o mundo é subjacente a Deus; e o homem, ao mundo; e os irracionais, ao homem; e Deus está acima e ao redor de todas as coisas; e, deveras, as energias são como raios de Deus, e as ordens naturais são como raios do mundo, e as artes e ciências são como raios do homem; e, de fato, as energias operam através dos raios físicos do mundo; e as ordens naturais, através dos elementais; e os homens, através das artes e dos engenhos.23 E esta é a regência do Todo, dependendo da natureza do Universo e escutando como em um tribunal através de uma única mente; <do que> nada é mais divino e mais enérgico e mais unificador dos homens em relação aos deuses e dos deuses em relação aos homens; esse é o Bom Daimon. É uma alma bem-aventurada, que é mui repleta dele. Porém é uma alma infeliz é aquela que é mui vazia dele. Por que agora falas isso, ó pai? — Pensas, portanto, ó filho, que toda alma tem um bom nous? Pois sobre isso é o discurso de agora, não é sobre o nous executor que foi enviado aqui embaixo pela Justiça, do qual anteriormente temos falado.

    24Pois uma alma sem a mente Nem algo pode dizer nem pode fazer. Pois, muitas vezes o nous voa da alma, e naquela hora a alma nem vê nem ouve, mas parece com um vivente irracional; tão grande potência é a da mente. Mas nem levanta uma alma indolente, mas deixa a tal alma agarrada ao corpo e por ele sendo estrangulada aqui embaixo. Porém a tal alma, ó filho, não tem mente; sobre o que nem deve o homem pronunciar tal coisa; pois o homem é divino e nem sendo comparado aos outros viventes dentre os terrestres, mas chamados de deuses que estão no alto do céu; e principalmente se for necessário, tendo ousado, dizer a verdade: também o homem essencialmente humano é acima daqueles, se não totalmente, ao menos, equivalem-se entre um e outro.

    25Pois, de fato, nenhum dos deuses celestes descerá sobre a terra deixando a fronteira do céu; mas o homem também sobe para o céu e mede e sabe, de fato, qual é a altura, e qual é a profundidade, e também aprende precisamente todas as outras coisas, e a maior de todas as coisas: não tendo deixado a terra, vem a estar no alto; tal é a grandeza da extensão dele; por isso, é ousado dizer que o homem terreno é um deus mortal; o deus celeste é um homem imortal; por isso, através desses dois, do mundo e do homem, todas as coisas existem; mas todas as coisas são criadas pelo Uno.

    Três Iniciados6 trechos

    O CAIBALION

    CIÊNCIAS OCULTAS / O HERMETISMO / O CAIBALION

    HERMES

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    No Egito é conhecido como Thoth; na Grécia é conhecido como “Hermes, o deus da Sabedoria”.

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    Princípios Herméticos

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    Da mesma forma que Deus, em capítulo, disse: “Fez o homem à imagem e semelhança”, Deus criou o Universo mentalmente e o materializou.

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    O TODO

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    "Sob as aparências do Universo, tempo, espaço e mobilidade, está sempre oculta a Realidade Substancial; a Verdade Fundamental." "O TODO é UM; os dois aspectos (masculino e feminino) são meros aspectos da manifestação." "Tudo nasce, cresce e morre.

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    O Universo Mental

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    O Universo que o ser humano cria é criado a partir de uma mente finita; Deus cria o Universo em uma mente infinita.

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    O PARADOXO DIVINO

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    "Os falsos sábios, reconhecendo a irrealidade comparativa do Universo, imaginavam que podiam desafiar suas Leis: tais são tolos vaidosos e presunçosos; eles são quebrados contra as rochas e rasgados pelos elementos em razão de sua loucura. Os verdadeiramente sábios, conhecendo a natureza do Universo, usam a Lei contra as leis; o maior contra o menor; e pela Arte da Alquimia transmutam o que é indesejável para o qu...

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    Planos de Correspondência

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    Plano da Substância Etérea – O éter: substância extremamente tênue e elástica que permeia todo o espaço, servindo como meio de transmissão de ondas (luz, calor, eletricidade).

    Marco Aurélio3 trechos

    Meditações

    DESENVOLVIMENTO PESSOAL / ESTOICISMO / MEDITAÇÕES

    Sobre a razão e a sabedoria

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    Revoltar-se contra um fato isolado é não compreender o todo do qual ele faz parte.

    DESENVOLVIMENTO PESSOAL / ESTOICISMO / MEDITAÇÕES

    Sobre a aceitação do destino

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    “Os movimentos do acaso não estão isolados da natureza” significa que mesmo o que parece aleatório faz parte de um todo maior.

    DESENVOLVIMENTO PESSOAL / ESTOICISMO / MEDITAÇÕES

    Sobre a identidade e o caráter

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    A vida como “história a ser narrada” indica visão elevada: sair da imersão nos eventos observar a própria existência como um todo reconhecer padrão, direção e construção Esse distanciamento gera lucidez: a pessoa deixa de ser arrastada pela experiência e passa a compreendê-la.

    Epicteto1 trecho

    Manual de Epicteto

    DESENVOLVIMENTO PESSOAL / ESTOICISMO / MANUAL DE EPICTETO

    Sobre o controle das coisas

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    Todo corpo está em dissolução desde o momento em que nasce.